Compromisso
dos Acadêmicos
*Raimunda Fortes
Representando todos os acadêmicos da ANLA, na
fundação da ANLA
Hoje
celebramos oficialmente a fundação da ANLA. Celebramos, portanto, o nascimento
de um compromisso coletivo com a memória, com a palavra e com a sensibilidade
humana.
A
fundação da ANLA marca um momento histórico para Nina Rodrigues. É o instante
em que decidimos, de forma consciente e corajosa, que nossas histórias não
serão esquecidas, que nossas vozes não serão silenciadas e que nossa produção
artística e literária não ficará à margem do tempo.
Somos
membros fundadores, mas, acima de tudo, somos guardiões. Guardiões da cultura
que pulsa nas ruas, nas comunidades, nos saberes ancestrais, nos gestos simples
e nas narrativas que formam a identidade do nosso povo. Cada texto escrito,
cada obra criada, cada palavra compartilhada carrega a responsabilidade de
representar não apenas a nós mesmos, mas toda uma coletividade que vive, sente
e transforma esta terra querida por todos nós.
Esta
Academia nasce com raízes profundas (fincadas na história, na resistência e na
riqueza cultural de Nina Rodrigues) e com os olhos voltados para o futuro. Um
futuro em que a literatura e as artes sejam caminhos de transformação, de
educação e de pertencimento.
Nós,
acadêmicos fundadores da ANLA, assumimos, hoje, compromissos concretos que
sustentam a existência e a dignidade desta instituição. Comprometemo-nos com
quatro pilares fundamentais:
1)
Comprometemo-nos
com a presença — porque uma Academia se constrói no encontro, no diálogo e na
escuta ativa;
2)
Comprometemo-nos
com a contribuição — conscientes de que, sendo uma associação sem fins
lucrativos, sua continuidade depende da responsabilidade compartilhada de seus
membros;
3)
Comprometemo-nos
com a produção — porque não há Academia viva sem a criação contínua de obras,
ideias e pensamentos.
4)
Comprometemo-nos
com o apoio mútuo — reconhecendo que nenhuma trajetória literária ou artística
se fortalece no isolamento, mas sim na parceria, no incentivo e no
reconhecimento entre confrades e confreiras.
Assumimos,
ainda, o compromisso de fazer esta Academia crescer. Crescer em relevância, em produção, em
impacto. Comprometemo-nos a cultivar novos escritores, a incentivar artistas, a
abrir espaços para o diálogo e a manter viva a chama da criação.
Sabemos
que nenhuma instituição floresce sem dedicação. Por isso, cada acadêmico aqui
presente carrega a missão de semear. Semear ideias, projetos, encontros e
sonhos. E, com o tempo, colheremos frutos: frutos literários, artísticos e
humanos que irão inspirar gerações.
Que
esta Academia seja casa, ponte e farol. Casa para acolher talentos. Ponte para
conectar saberes. Farol para iluminar caminhos.
E
que, ao olharmos para trás, no futuro, possamos reconhecer que hoje foi o dia
em que iniciamos algo maior do que nós mesmos.
Que
venham as palavras. Que venham as artes. Que venham os frutos.
Viva
a ANLA.
Muito
obrigada.
21.03.2026
*Raimunda
Nonata Fortes Carvalho Neta, nasceu em São Luís (MA) em 25 de
setembro de 1975. É escritora, bióloga e artista plástica, atuando
profissionalmente como professora no Departamento de Biologia (desde 2008) da
Universidade Estadual do Maranhão.
A escritora
Raimunda Fortes posiciona-se na confluência da Ciência e da Arte, explorando
temas que tocam a Natureza e os sentimentos evocados pelo contato com o mundo
Natural. Suas publicações literárias enquadram-se nas categorias de contos
(como “Mil dias enjaulado” publicado na Coletânea Púcaro Literário) e crônicas
(como por exemplo, “Presidente Vargas, dois patronos e velhos amigos”,
publicado na Coletânea: Resgate da História de Presidente Vargas). Muito da sua
produção literária tem sido direcionada para o público infantojuvenil, buscando
educar e inspirar as novas gerações sobre a importância da Natureza e dos
valores humanos. Entre suas publicações estão: A abelha e a Gratidão; O vovô e
a Terra; A ostra e a purificação; O guará vermelho e a Paz; Por que as flores
não serão mais beijadas; A planta e o essencial.
A formação
de Raimunda Fortes envolve as Ciências Biológicas (Graduação em Biologia pela
Universidade Estadual do Maranhão) e as Artes Plásticas (Graduação em Educação
Artística com habilitação em Artes Plásticas pela Universidade Federal do
Maranhão). É Doutora em Biotecnologia (RENORBIO – Rede Nordeste de
Biotecnologia/ Universidade Estadual do Ceará), Mestre em Sustentabilidade de
Ecossistemas (Universidade Federal do Maranhão), Graduada em Biologia (Universidade
Estadual do Maranhão) e em Educação Artística/ Artes Plásticas (Universidade
Federal do Maranhão). Fez pós-doutorado em Modelagem de Sistemas Biológicos na
Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Como docente permanente,
orienta no curso de Doutorado em Biodiversidade e Biotecnologia da Rede
BIONORTE (Rede de Biodiversidade e Biotecnologia da Amazônia Legal) e no Curso
de Mestrado em Ecologia e Conservação da Biodiversidade (PPGECB/UEMA). Faz
parte (membro efetivo) da Academia Maranhense de Ciências (AMC) e da Academia
de Ciências, Letras e Artes de Presidente Vargas (ACLAPREV).
Raimunda
Fortes iniciou a docência no ensino superior na Universidade Federal do
Maranhão (UFMA), seguindo-se na Universidade CEUMA e depois na Universidade
Estadual do Maranhão (UEMA), já tendo orientado mais de 100 TCC (trabalhos de
conclusão de curso) de graduação em Ciências Biológicas e em Educação Artística,
25 dissertações de mestrado em Recursos Aquáticos e Pesca e nove teses de doutorado
em Biodiversidade e Biotecnologia. Já recebeu vários prêmios por seus trabalhos
científicos e orientação de graduação e pós-graduação, tais como: Prêmio FAPEMA
de Inovação Tecnológica (por software desenvolvido durante sua tese de
doutorado, em parceria com Luciana Fortes Farias), Prêmio Porto de Itaqui (de
orientação de tese de doutorado), Prêmio FAPEMA de orientadora de doutorado em
Ciências Biológicas, Prêmio FAPEMA de orientação de Dissertação de Mestrado,
Prêmio FAPEMA de orientação de Iniciação Científica, entre outros.
Desde 2008,
como professora da UEMA, Raimunda Fortes tem conduzido um trabalho de
desenvolvimento e fortalecimento de linha de pesquisa pioneira na UEMA
(Biomarcadores de contaminação aquática em peixes, moluscos e crustáceos),
conseguindo captar recursos financeiros (na FAPEMA) para construir e equipar o
Laboratório em Biomarcadores de Organismos Aquáticos, produzindo pesquisas com
aplicações diversas e que são divulgadas em artigos publicados em revistas de
renome internacional. Contribuiu de maneira decisiva para a criação (em 2014) e
consolidação do Programa de Pós-Graduação em Recursos Aquáticos e Pesca da UEMA
(onde foi a primeira coordenadora), o qual em 2021 passou por um processo de
ampliação (também conduzido por Raimunda Fortes à frente da coordenação) para
Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Conservação da Biodiversidade
(PPGECB/UEMA). Foi eleita diretora do Curso de Ciências Biológicas
(Licenciatura) da UEMA em 2017 e conduziu o processo de criação do curso de
Ciências Biológicas (Bacharelado) da mesma instituição no campus Paulo VI. Como
professora e gestora do curso de Ciências Biológicas da UEMA, incentivou e
participou ativamente do processo de criação da Empresa Júnior (SABIO –
Soluções Ambientais e Ensino de Biologia), captando recursos (em edital da
FAPEMA) para a implantação do escritório e sendo a primeira orientadora da
SABIO.
Os
periódicos científicos em que Raimunda Fortes tem divulgado seus artigos
apresentam fator de impacto (JCR) significativo, destacando-se as seguintes
revistas: Marine Pollution Bulletin, Ecotoxicology and Environmental Safety,
Chemosphere, Bulletin of Environmental Contamination and Toxicology, American
Journal of Tropical Medicine and Hygiene, Archives of Environmental
Contamination and Toxicology, Environmental Science and Pollution Research
International, Applied Biochemistry and Biotechnology, Biota Neotropica, entre
outras. Numa análise quantitativa geral das suas publicações até dezembro de
2022, somam 73 Artigos completos publicados em periódicos, 18 livros
publicados/organizados ou edições, 75 capítulos de livros, 30 trabalhos
completos publicados em anais de congressos, 57 resumos publicados em anais de
congressos, entre outros.
Desde 2021,
Raimunda Fortes tem sido citada no ranking do AD Scientific Index (Alper-Doger
Scientific Index), um sistema de classificação internacional e análise baseado
no desempenho científico e no valor agregado da produtividade científica de
cientistas e que tem como base os valores totais e dos últimos 5 anos do índice
i10 (relativo ao número de publicações com, no mínimo, 10 citações), índice h (referente
aos periódicos).
A produção
científica de Raimunda Fortes em congressos nacionais e internacionais
(especialmente na Grécia) aumentou após o seu estágio de pós-doutorado, visto
que passou a organizar, junto com seus supervisores da UERJ, um simpósio anual
(International Symposium of Computational Modeling of Biologic and Medicine
Targets) dentro do evento “International Conference of Computational Methods in
Sciences and Engineering” (ICCMSE), realizado anualmente em diferentes cidades
da Grécia.
Paralelamente
às atividades científicas, Raimunda Fortes continuou desenvolvendo as
atividades artísticas iniciadas na graduação, produzindo e incentivando seus estudantes
a produzirem de forma criativa. Fez diversas exposições de pinturas em São Luís
e em outros Estados, escrevendo sobre Ciência e Arte.
Desde 1997
tem atuado fortemente na área das Artes, especialmente Artes Plásticas,
que foi sua especialidade no curso de Educação Artística da UFMA. Nesse
percurso, elaborou a identidade visual de empresas e cursos acadêmicos.
Produziu obras pictóricas e fez várias exposições individuais, destacando-se:
· Exposição:
Meu Caminho (mostra retrospectiva) - Entidade Promotora: Sala SESC de
Exposições – Condomínio Fecomércio SESC/SENAC – São Luís-MA - Período: 12 de
abril a 19 de maio de 2017;
· Exposição:
Ciclos Vitais (Pintura em acrílica sobre tela) - Entidade Promotora: Galeria 52
da Aliança Francesa – Niterói-RJ; Período: 20 de junho a 20 de julho de 2012;
· Exposição: Estamos sós? (Pintura em acrílica sobre tela)
- Entidade Promotora: Galeria Condor Art Shop – Niterói-RJ; Período: 10 a 28 de
fevereiro de 2009;
· Exposição:
Simbologias II (Pintura em acrílica sobre tela); Entidade Promotora: Galeria da
Maggiorasca – São Luís-MA; Período: 10
de janeiro a 07 de fevereiro de 2006;
· Exposição:
Simbologias I (Pintura em acrílica sobre tela) - Entidade Promotora: Galeria
Fernando P – Brisamar Hotel – São Luís-MA - Período: 01 a 22 de abril de 2005;
· Exposição:
Perspectiva interna (Pintura em acrílica sobre tela) - Entidade Promotora:
Galeria de Arte do SESC – São Luís-MA - Período: 25 de setembro a 11 de outubro de 2002;
· Exposição:
Da linha ao pixel (Pintura em acrílica sobre tela e intervenções
computadorizadas); Entidade Promotora: Galeria Antônio Almeida, Palacete Gentil
Braga – São Luís-MA; Período: 17
a 29 de agosto de 2000;
· Exposição:
Mostra Signos e Significados (Pintura em acrílica sobre tela) - Entidade
Promotora: Galeria Antônio Almeida, Palacete Gentil Braga – São Luís-MA;
Período: 06 a 19 de agosto de 1999;
· Exposição:
Mostra Tensão e Contradição (Pintura em acrílica sobre tela) - Entidade
Promotora: Galeria Antônio Almeida, Palacete Gentil Braga – São Luís-MA;
Período: 18 de setembro a 04 de outubro de 1998;
· Exposição:
Contingente: uma intencionalidade em cada traço (Pintura em acrílica sobre
tela) - Entidade Promotora: Galeria da FUMTUR – Fundação Municipal de Turismo –
São Luís-MA; Período: 21 a 30 de agosto de 1998;
· Exposição:
Mostra Sentimentos e Símbolos (Pintura em acrílica sobre tela) - Entidade
Promotora: Galeria Maia Ramos, Palacete Gentil Braga; Período: 24 de outubro a
06 de novembro de 1997 – São Luís-MA.
Além das
exposições individuais também participou de mostras coletivas com vários
artistas maranhenses, tais como: Maciel Pinheiro, Francisca Costa, Mônica
Rodrigues, João Carlos Pimentel, Beto Nicácio, Adrianna Karlem, Marlene Barros,
Edna Scarpati, Roberto Lameiras, Paulo César, Cláudio Costa, Fábio Vidotti, Ana
Borges, Afonso Brandão, Airton Marinho, Babula, Cláudia Lobo, Cláudio Costa,
Dila, Denise Bogéa, Edson Mondego, entre outros.
Essa
experiência de produção artística também estimulou Raimunda Fortes a refletir
teoricamente sobre a Arte produzida no Maranhão, levando-a a pesquisar em
jornais de época e outras fontes sobre escultores e pintores maranhenses.
Assim, em 2001 publicou o livro “A obra escultórica de Newton Sá” pela editora
Siciliano (Rio de Janeiro). Essa foi a primeira obra que fez uma aproximação do
legado escultórico maranhense do século XX. Posteriormente, foi premiada em 1º
lugar no concurso monográfico: "A chegada dos descobridores portugueses ao
Brasil em 1500" pela Fundação Municipal de Cultura (São Luís-MA) com a
obra que foi publicada com o título “Descobertos e descobridores do Brasil: da
visão pictórica europeia do século XVI ao registro escultórico maranhense do
século XX”.
Durante a
atuação docente de Raimunda Fortes no Departamento de Artes da UFMA, organizou
várias coletâneas com seus alunos da época, tais como: 1) Leitura visual: uma
experiência interdisciplinar no estudo das artes plásticas (2002); 2) Arte
Maranhense: produção & ensino (2005). Também publicou em parceria com o
historiador João Carlos Cantanhede a obra “A cidade e a memória: as
representações artísticas formando identidade ludovicense” por ocasião das
comemorações de 400 anos da cidade de São Luís. Todas essas obras destacam as
artes plásticas e sua importância para a história e cultura maranhense. Pelas
suas participações no cenário artístico e cultural local recebeu a Honra ao
Mérito por "relevantes serviços prestados à cultura e às Artes", da Câmara
Municipal de São Luís e homenagem do Conselho Regional de Biologia (CRBio).
O conjunto
da obra de Raimunda Fortes enriquece a literatura maranhense ao integrar temas
universais de uma maneira única, trazendo à tona a beleza e a complexidade dos
ecossistemas locais. Suas histórias evocam um profundo respeito pelo ambiente
natural do Maranhão, destacando a importância de sua preservação e explorando a
relação íntima entre as pessoas e a terra que habitam.
Raimunda
Fortes, faz parte das seguintes Academias de Letras e Artes: Academia Maranhense de Ciências - AMC,
Academia Literária de Letras – ALMA, Academia de Ciências e Letras de Presidente
Vargas – ACLAPREV e Academia Ninense de Letras e Artes – ANLA.