domingo, 15 de março de 2026

SER PROFESSOR

       

Tributo ao professor

                                                                                *Sara Cavalcante

Dizem que para ser professor é preciso uma faculdade, diplomas na parede e muitos planejamentos organizados sobre a mesa. Tudo isso é importante, é verdade. Mas a essência do ser professor não nasce ali.

O ser professor nasce no silêncio da sala de aula.

Nasce naquele momento em que um aluno levanta os olhos, meio aflito, e diz quase sem voz: “Professor, não consigo”. E naquele instante o professor entende que ensinar não é apenas repetir conteúdos, mas encontrar caminhos para que aquele estudante descubra que consegue, sim.

Ser professor também se aprende na timidez de uma apresentação de trabalho, quando a voz do aluno treme e as mãos suam. O professor percebe que, mais do que corrigir palavras, precisa encorajar sonhos.

Aprende-se, ainda, nos momentos difíceis, quando se presencia injustiças, desigualdades e pequenas violações de direitos dentro ou fora da escola. Muitas vezes, vindas até de colegas que acreditam ser maiores por possuírem um pouco mais. Nessas horas, o professor entende que sua missão também é ensinar respeito, dignidade e humanidade.

Ser professor não é apenas ministrar uma aula ou explicar um conteúdo.

Ser professor é abrir portas que muitos alunos nem sabiam que existiam. É apontar caminhos para sonhos que ainda não foram sonhados. É acreditar, mesmo quando o estudante duvida de si mesmo, que a educação pode transformar destinos.

E talvez seja exatamente aí que mora a verdadeira lição: enquanto ensina, o professor também aprende, todos os dias, o verdadeiro significado de educar.

 


 

. *Sara Coelho de Sousa Cavalcante, professora, poeta, cronista, natural de Nina Rodrigues (MA). Membro fundador da Academia Ninense de Letras e Artes - ANLA

 

 

quarta-feira, 11 de março de 2026

UM TRIBUTO À MULHER

                                       Força da Mulher

                                                                                                                 *Sara Cavalcante

 

No livro da vida inteira

Entre versos de valor,

Há uma palavra sagrada

Que floresce com amor.

É Mulher, nome bendito,

Símbolo de luta e flor.

 

Mulher é casa que acolhe

Sem medir quem vai chegar,

Tem coragem no silêncio

E um jeito doce de amar.

Mesmo quando o mundo pesa,

Ela insiste em caminhar.

 

Guarda datas e memórias,

Detalhes do coração,

Pequenas coisas da vida

Que parecem ser em vão,

Mas sustentam grandes histórias

Com carinho e atenção.

 

Quando a vida vira guerra

E o destino prova fé,

Ela veste sua armadura

Com coragem que só é

De quem luta sem perder

A essência de ser mulher.

 

Ser mulher é ser raiz,

É ser ponte, é ser abrigo,

É cair e levantar

Transformando dor em trigo.

É fazer da própria vida

Um milagre bem antigo.

 

Mulher é chama que brilha

Mesmo quando sopra o vento,

É esperança renascendo

Dentro de cada momento.

Pois a força da mulher

É maior que o sofrimento.

 

Salve a força da mulher,

Luz que nunca se desfaz.

Se o mundo tentar pará-la,

Ela segue sempre em paz.

Pois na alma da mulher

Mora a força que refaz.

           


 

 

 

 

. *Sara Coelho de Sousa Cavalcante, professora, poeta, cronista, natural de Nina Rodrigues (MA). Membro fundador da Academia Ninense de Letras e Artes - ANLA

 

sábado, 7 de fevereiro de 2026

RAÍZES DO PALMARES

                          

                                                 *Sara Cavalcante

Foi Francisco Rodrigues, homem de bom coração,

Andador de Santa Isabel, hoje Palmares no chão.

Sensível ao sofrimento do povo do lugar,

Viu que sem escola o futuro custava a chegar.

Por amor aos seus filhos e à educação,

Abriu a porta da sua casa, fez da sala o espaço pra lição.

Trouxe o primeiro professor, com gesto verdadeiro,

E acolheu outras crianças no mesmo terreiro.

Assim nasceu a escola, simples, mas essencial,

Na sala de sua casa, gesto humano e social.

Antiga Santa Isabel começou ali a aprender,

Com Francisco levando o professor para o saber florescer.

Mas não foi só a escola que seu nome marcou,

Também a nossa cultura ele sempre abraçou.

Lá no Palmares,  Nina Rodrigues surgiu, com amor e emoção,

O boi brinquedo da vila, herança e tradição.

Na década de cinquenta, o povo se encantou,

Com o boi do seu Francisco, que o terreiro animou.

Entre cantos e tambores, a história cresceu,

E o bumba-meu-boi do povo no tempo se fortaleceu.

Seus filhos deram sequência com garra e alegria,

Mantendo acesa a chama da bela folia.

E o tempo, generoso, fez brilhar outro valor:

Sua neta, beija-flor, Maria dos Prazeres, amor.

Décadas se passaram, a fé não se escondeu,

No batuque do monte a cultura viveu.

Francisco foi lembrado com honra e emoção,

Na escola do Palmares, seu nome é tradição.

Do seu legado nasceu um boi cheio de esplendor,

Chamado “Sonho de Chico”, herança de amor.

Quem planta cultura colhe união,

E faz do bumba-meu-boi pulsar do coração.

Assim segue a história, bonita de ouvir,

Do povo do Palmares que insiste em resistir.

Entre passos e cantigas, a memória reluz:

Francisco vive no boi, na cultura e na luz!

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*Sara Coelho de Sousa Cavalcante, professora, poeta, cronista, natural de Nina Rodrigues (MA). Membro da Academia Ninense de Letras e Artes - ANLA

 

RECOMEÇO

  

    *Sara Cavalcante

Voltei a escrever há pouco tempo,

pois não me sentia mais capaz.

Hoje percebo que, diante das dificuldades,

ela também me refaz.

Problemas do dia a dia

Só me fazem persistir,

são o começo para parar,

refletir, levantar e prosseguir.

A vida que tenho hoje,

foi tudo o que pedi a Deus.

Mas, diante do meu pedido,

Relevei alguns conflitos.

Matar um leão por dia

é, hoje, o meu destino.

Há momentos, ao final do dia,

meu leão ainda se acovarda...

Perdi aquela batalha?

Não, é que ele correu:

percebeu que respirei fundo

e, por isso, desapareceu.

E, ao acordar no dia seguinte,

percebo que ele está ali.

É quando já recuperei as forças

e não o deixo sair.

Tenho que cuidar da mente,

que é meu escudo de proteção

sem ela, meu corpo fica incapaz

de continuar nessa missão.

A respiração de hoje

está um tanto abalada,

mas vejo que não devo parar:

irei continuar na caminhada.

Só luta quem é forte.

Pois pronto: forte eu sou!

Não irei desistir daquilo

que, no passado, fui eu quem sonhou!

São tantos leões que deixei

sem respirar no meu caminho

que, a cada entardecer,

percebo que estou conseguindo.

 

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*Sara Coelho de Sousa Cavalcante, professora, poeta, cronista, natural de Nina Rodrigues (MA). Membro da Academia Ninense de Letras e Artes - ANLA