Uma Lenda na Matemática
* Jucey Santana
Professor Benedito dos Santos Raposo era uma lenda no Maranhão, no assunto Matemática. O professor Elon Lages Lima, um dos maiores algebristas brasileiros, em seu livro, Meu professor de matemática e outras histórias, (1991), faz menção a três grandes matemáticos maranhenses, Joaquim Gomes de Sousa, Miguel Vieira e o professor Benedito Raposo.
Assim como Joaquim Gomes de Sousa, “Sousinha” (1829/1864), o professor Raposo é itapecuruense, nasceu em 4 de abril de 1934. Filho de Antônio Altair Montello Raposo e Teresa de Jesus Santos Raposo, neto paterno de Raimundo Elesbão Raposo, comandante de barco a vapor do rio Itapecuru e pelo lado materno do libanês Domingos dos Santos Karam Jorge.
Ainda criança, sua família mudou-se para São Luís, fixando residência no bairro do Anil. A avenida em que morou tantos anos, que passa em frente ao antigo Lítero Recreativo Português recebeu o nome do seu pai Antônio Raposo.
Depois da conclusão do ensino médio em São Luís, seguiu para a cidade de Belém (PA), fazer vestibular, para o curso da sua escolha, a Engenharia Civil. Em Belém residiu com o irmão mais velho o oficial da Aeronáutica Altair Raposo. Em Belém começou a dar aulas de matemática, em escolas de 1º e 2º grau. Ao ingressar na Universidade Federal do Pará, iniciou a grande jornada e paixão pela Matemática pura e aplicada. Livros de cálculo diferencial eram resolvidos por ele em um piscar de olhos. Em Belém, conheceu a odontóloga Vera Baganha, filha de um professor do curso, e que se tornou sua esposa, nascendo da união quatro filhos: Anselmo, Alexandre, Andréa e Aluísio.
Ao voltar para o Maranhão, foi nomeado Engenheiro, no Departamento de Estradas e Rodagens – DER, e lá conheceu o Dr. Haroldo Tavares, que o convidou para ensinar na Escola de Engenharia do Maranhão, em instalação. O professor Raposo aceitou e ministrou a primeira aula, aos primeiros futuros engenheiros do Maranhão, e esta primeira aula foi de Cálculo Diferencial e Integral. Daí em diante a sua vida foi dedicada ao ensino de Cálculo. Todos os engenheiros civis e mecânicos, formados na Escola de Engenharia da UEMA, durante os seus trinta e cinco anos de docência, foram seus alunos.
O seu maior divertimento era, quando ganhava um livro de matemática, resolver todos os exercícios dele. Existem inclusive muitas histórias contadas por seus ex-alunos, como, por exemplo, ao mostrarem um exercício com o intuito de o testarem, ele respondeu: Rapaz, este exercício pertence ao livro tal, está na pagina tal e o resultado tanto. É um grande mestre, um verdadeiro ícone do ensino da matemática.
Uma de suas aulas mais brilhantes é a demonstração do teorema do Caos. A velocidade do seu raciocínio era algo espetacular, nunca se soube de alguém que conseguisse olhar um sistema de seis incógnitas, e de cabeça dar o resultado.
Como engenheiro civil do Departamento de Estradas e Rodagens – DER tendo como diretor o Dr. José Carlos Duailibe, esteve à frente dos trabalhos de asfaltamento do trecho da estrada de Entroncamento à Chapadinha, ocasião em que passava muito s tempo em Itapecuru Mirim. Teve seu mérito reconhecido na cidade natal, com o nome gravado de uma rua na área residencial.
O professor Raposo nunca faltou a uma única aula. Ele é um exemplo sabedoria e simplicidade, como todo gênio. Abaixo algumas homenagens que recebeu:
− Turma de Engenheiros Civis “Benedito Santos Raposo” 1973-1978;
− Faixa do Ministério dos Transportes, quando foi diretor do DER;
− Medalha de Honra ao Mérito do CREA-MA 2006, como um dos mais antigos Engenheiros dos Maranhão;
− Troféu de Jubileu de Pérola da Turma Artur Bastos;
− Placa de Prata em 2012, Clube de Engenharia do Maranhão e CREA-MA pelos 50 anos de formado;
− Patrono das turmas de Engenharia Civil nos anos de 1990 e 1992
− Homenagem do DEMATI-UEMA por nunca faltar uma aula durante 35 anos – 2009.
− Honra ao Mérito SECMA – 1995, pelos relevantes serviços prestados a Universidade Estadual do Maranhão.
− Placa de Prata pela UEMA e Centro de Ciências Tecnológicas- CCT por relevantes serviços – 1999.
O professor Raposo foi convidado em 2012 para ocupar a cadeira número 6 da Academia Maranhense de Ciências. Declinou do convite numa atitude condizente com o seu espírito simples e desprovido de vaidades.
O professor Raposo, faleceu em 30 de maio de 2026, aos 92 anos de idade, deixando viúva, a Senhora Vera Baganha Raposo, filhos, netos e bisnetos.
Do livro Itapecuruenses Notáveis (2026) de autoria de Jucey Santana



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