quarta-feira, 5 de agosto de 2026

ROQUE PIRES MACATRÃO

    


 

 

 

Quando um homem se transforma em memória

                                                                                 *Franklin Falcão

Há notícias que chegam e, por alguns instantes, parecem não encontrar lugar dentro de nós. A gente lê, relê, silencia e custa a acreditar. Foi assim que recebi a notícia da partida de Roque Pires Macatrão, meu amigo e confrade.

Algumas perdas não são apenas perdas pessoais. Elas atingem também as instituições, a cultura, a história e a  memória de uma cidade. A partida de Roque é uma dessas perdas.

Academia Ludovicense de Letras está de luto. Perdemos um grande confrade, um amigo querido e, sobretudo, aquele que teve a responsabilidade e a honra de ser seu primeiro Presidente.

Ser o primeiro Presidente de uma Academia é muito mais do que ocupar uma cadeira ou exercer uma função. É participar do momento em que uma ideia começa a transformar-se em realidade. É acreditar que as palavras podem construir pontes, preservar a memória e deixar para as futuras gerações aquilo que o tempo jamais deveria apagar.

Roque esteve lá, no começo.

Ele ajudou a escrever as primeiras páginas da história da nossa Academia. E talvez seja justamente por isso que seu nome jamais poderá ser separado da trajetória da ALL. Quando falarmos de sua origem, de seus primeiros passos e daqueles que acreditaram em seu futuro, Roque Macatrão estará sempre entre nós.

Mas a vida de Roque foi muito maior do que sua participação na Academia.

Homem do Direito, formado pela Universidade Federal do Pará, advogado, intelectual e estudioso, construiu uma trajetória respeitada e ocupou importantes funções na vida pública do Maranhão. Foi Procurador-Geral de Justiça do Estado, estando à frente do Ministério Público maranhense no início da década de 1980. Também exerceu funções de Procurador e Secretário de Estado de Justiça durante o governo de João Castelo.

Essas funções revelam a dimensão pública de sua trajetória. Mas os cargos, por mais importantes que sejam, não conseguem traduzir completamente quem foi um homem.

Porque um homem não é apenas aquilo que fez. É também aquilo que deixou!

 E Roque deixou muito.

Deixou sua contribuição ao Direito, à administração pública, à cultura e às letras. Deixou seu nome ligado a instituições importantes. Deixou respeito entre aqueles que com ele conviveram. E deixou, principalmente, amizades.

É dessa última herança que hoje me lembro com mais carinho.

Porque, para mim, Roque não é apenas o Procurador-Geral de Justiça, o Secretário de Estado, o advogado, o intelectual ou o primeiro Presidente da Academia Ludovicense de Letras.

Para mim, Roque é o amigo. É o confrade. É a pessoa com quem compartilhei a caminhada acadêmica e momentos que agora ganham um significado ainda maior diante da saudade.

A vida tem essa maneira curiosa de nos ensinar o valor das pessoas. Muitas vezes, enquanto convivemos, não percebemos que estamos construindo memórias. Somente quando alguém parte é que compreendemos que aquelas conversas, aqueles encontros e aqueles momentos aparentemente comuns eram, na verdade, pequenos tesouros que a vida estava nos oferecendo.

Hoje, essas lembranças ganham outro valor.

E é por isso que não quero falar de Roque apenas com tristeza.

Quero falar com gratidão.

Gratidão por sua amizade. Gratidão pela convivência. Gratidão por tudo o que representou para a Academia. Gratidão pela história que ajudou a construir.

A morte encerra uma presença, mas não consegue encerrar uma história.

Enquanto houver alguém que se lembre, alguém que conte, alguém que pronuncie seu nome com carinho, uma parte daquele que partiu continuará entre nós.

E Roque será lembrado.

Será lembrado nas páginas da história da Academia Ludovicense de Letras. Será lembrado por seus amigos e confrades. Será lembrado por sua família. Será lembrado por sua atuação no Direito e na vida pública do Maranhão.

E será lembrado, sobretudo, por aqueles que tiveram o privilégio de conhecê-lo de perto.

Neste momento, meu pensamento se volta também para sua família e, de maneira muito especial, para seu filho, Paulo Macatrão.

Paulo, receba o meu abraço mais fraterno e os meus sentimentos mais sinceros.

Sei que nenhuma palavra é suficiente diante da perda de um pai. Há dores para as quais não existem frases capazes de oferecer consolo imediato. O tempo talvez não apague a saudade — e nem deveria —, mas poderá ensinar a transformá-la em uma presença diferente: a presença das lembranças.

Que você possa encontrar conforto ao olhar para a trajetória de seu pai e perceber o quanto ele deixou de si neste mundo.

Um pai permanece nos filhos. Permanece nos ensinamentos, nos gestos, nos valores, nas histórias contadas à mesa e nas lembranças que o tempo jamais consegue destruir.

Roque permanece também naquilo que construiu.

Paulo, seu pai teve uma vida de participação, de trabalho e de realizações. Teve o privilégio de servir ao Maranhão, de exercer funções de grande responsabilidade, de participar da vida cultural e jurídica do Estado e de contribuir para a construção da Academia que hoje lamenta sua partida.

Por tudo isso, espero que você e sua família encontrem, em meio à dor, algum conforto na certeza de que Roque não será esquecido.

A Academia Ludovicense de Letras, saberá guardar seu nome.

E nós, seus confrades e amigos, teremos a responsabilidade de preservar sua memória.

Talvez um dia outro acadêmico ocupe a cadeira que foi sua. É assim que as instituições continuam. Novos nomes chegam, novas histórias são escritas, novas gerações assumem responsabilidades.

Mas existe uma cadeira que ninguém poderá ocupar.

É aquela que Roque conquistou na memória e no coração daqueles que o conheceram.

Essa cadeira permanecerá eternamente ocupada.

A ALL perde seu primeiro Presidente.

O Maranhão perde um homem que dedicou parte de sua vida ao Direito, à administração pública, à cultura e às letras.

Nós perdemos um grande confrade.

Eu perco um amigo.

E talvez seja justamente nessa frase tão simples que esteja toda a dimensão da minha tristeza. Não quero, porém, que a última palavra seja a tristeza.

Quero que seja a gratidão.

Obrigado, Roque, pela amizade.
Obrigado pela convivência.
Obrigado pelo exemplo.
Obrigado por tudo o que fez pela nossa Academia.
Obrigado por ter ajudado a escrever as primeiras páginas dessa história que continuaremos a construir.

A morte pode levar o homem, mas não leva o legado.

Pode silenciar a voz, mas não silencia aquilo que foi escrito no coração dos amigos.

Pode encerrar uma caminhada, mas não consegue apagar as marcas deixadas pelo caminho.

Roque Macatrão fez sua caminhada. E deixou suas marcas.

Agora cabe a nós continuar escrevendo. E sempre que a Academia Ludovicense de Letras abrir suas portas, sempre que os confrades se reunirem para falar de literatura, cultura e memória, sempre que alguém recordar aqueles que ajudaram a construir nossa instituição, haverá um nome que voltará às nossas lembranças:

Roque Macatrão.

O nosso primeiro Presidente, nosso confrade e nosso amigo.

Que Deus o receba em sua infinita misericórdia, conceda-lhe o descanso eterno e conforte Paulo, seus familiares e todos aqueles que hoje sentem a sua ausência.

Descanse em paz, querido Roque.

Você partiu, mas não deixou de estar entre nós.



Sua presença tornou-se memória.
Sua memória tornou-se história.
E sua história permanecerá para sempre na Academia Ludovicense de Letras.

*Roberto Franklin Falcão da Costa, escritor, poeta maranhense.
Membro da Academia Ludovicense de Letras

segunda-feira, 13 de julho de 2026

ITAPECURU: O CHÃO SAGRADO DAS POESIAS

                         

                     Nosso Chão

                                                                                                   *Álvaro Geovanne

Nas margens do Rio Itapecuru, a história vai passar,

Cada curva daquelas águas tem um verso pra contar

Ribeiras, ruas e praças, tudo é inspiração,

Nesse chão de escritores que brilha no coração

 

De Souzinha a Viriato, a herança é de valor,

Nesta terra de talentos, a palavra é puro amor

O saber que aqui floresce, como a mata no sertão,

Vai brotando em cada sonho, vai tomando a direção

 

Há um canto nas ladeiras, há memória no calor,

Há um povo que transforma o silêncio em esplendor

Cada pedra, cada esquina, cada vento a soprar,

Traz a marca de quem soube sua terra eternizar

Itapecuru não é só mapa, nem endereço a se dizer,

É raiz que me sustenta, é começo do meu ser

É o livro que se escreve no compasso do viver,

Onde a dor vira poesia e a saudade vem crescer

 

ITAPECURU, 156 DE HISTÓRIA E DE GLÓRIA 

 

Itapecuru-Mirim, terra de luz e tradição,

Cento e cinquenta e seis anos de pura emoção

Às margens do rio que batiza o nosso chão,

Cresce um povo que cultiva a fé no coração

 

Tuas ruas guardam segredos, honra e valor,

Em cada passo, um gesto de imenso amor

A resistência de quem lutou pelo progresso,

Faz do nosso futuro um constante sucesso

 

Nas festas de cores, no ritmo do nosso boi,

Celebramos o hoje e quem por aqui já foi

Terra de cultura, de luta e de união,

Itapecuru, tu és a batida da nossa canção

 

Cento e cinquenta e seis anos de história e de glória,

Escrevo teus versos, parte da tua própria memória

Sou teu poeta, teu filho, com orgulho a cantar,

Itapecuru-Mirim, é um privilégio te celebrar!

 

 

POESIA 1: A RESISTÊNCIA DE ITAPECURU-MIRIM

 Itapecuru-Mirim, terra de história e de chão,

Cento e cinquenta e seis anos de pura emoção

O Negro Cosme aqui lutou pela nossa liberdade,

Deixando o legado de garra pra toda a cidade

Casa da Cultura guarda o saber que não morre,

Enquanto o rio Itapecuru sereno sempre percorre

 

Raízes indígenas e quilombolas a nos guiar,

O orgulho de Itapecuru ninguém pode tirar

Casarões antigos contam segredos de um tempo,

Que sopra em nossa história como um forte vento

Sou Álvaro Geovanne, o menino que escreve aqui,

Honrando o berço sagrado onde aprendi a existir

 

POESIA 2: O BRILHO DA FÉ E DA CULTURA

 

Nossa padroeira abençoa este dia de festa,

Onde a nossa cultura nunca perde a seresta

No couro do boi e no passo do cacuriá,

A alma do itapecuruense começa a brilhar

Cento e cinquenta e seis anos de fé e união,

Batendo mais forte o nosso querido coração

 

A feira cheia, o povo com sorriso no rosto,

Celebrar Itapecuru é o nosso maior gosto

Que essa data brilhe como o sol no Itapecuru,

Do nosso povo guerreiro, de norte a sul

Sou Álvaro Geovanne, teu poeta de alma vibrante,

Festejando Itapecuru, nossa terra triunfante

 

     

 

A DAMA DAS LETRAS ITAPECURUENSES 

 

Mariana Luz, voz que brilha em nossa história,

Dona de uma sabedoria que nos traz a glória

Segunda mulher a entrar na academia Maranhense,

Mostrou pro Maranhão o seu imenso esplendor

Dama das letras, de um pensamento profundo,

Que espalhou a cultura por todo o nosso mundo

 

Ensinou a ler quem não tinha vez ou lugar,

Com a mão estendida, ajudou o povo a sonhar

A sua bondade era o farol na escuridão,

Lutando com garra pela nossa instrução

Mariana, exemplo de força e de dedicação,

Vive pra sempre aqui, no nosso vasto coração

 

Sua memória é o tesouro da nossa Itapecuru,

Brilhando como uma estrela lá no céu do sul

A primeira entre todas, a grande precursora,

Dos versos e do saber, nossa grande professora

Teu nome ecoa hoje, com amor e com louvor,

Mariana Gonçalves de Luz, eterna em seu valor

 



*Álvaro Geovanne do Nascimento dos Santos, Natural de Itapecuru Mirim (MA),  é escritor, cordelista, poeta e pesquisador nasceu em 2017.  Com apenas sete anos de idade passou a desenvolver o dom da escrita, se identificando com a poesia. A leitura se tornou seu hobby favorito, na tentativa de   compreender a história e a identidade de sua terra natal. Recebe apoio dos seus familiares e dos escritores da terra, como Jucey Santana e Brenno Bezerra.   Como autor e idealizador do projeto "O Menino dos Livros", dedica-se a registrar memórias e experiências que atravessam gerações. Através de uma perspectiva sensível e atenta às tradições locais, busca na literatura uma ponte entre a vivência cotidiana e a reflexão sobre o tempo em que vive.

alvarogeovannenascimento98@gmail.com



Obras publicadas:

1. O menino que colecionava nuvens (2025) 7 reais

2. Correio do quase (2025) 7 reais 

3. O correio que chegava antes da carta ser escrita (2025) 7 reais 

4. Meu Itapecuru (2026) 10 reais 

5. A faculdade dos sonhos (2025) 7 reais

6. O baú dos contos perdidos (2026) 15 reais

7. Fábulas de Itapecuru (2026) 15 reais

8. As aventuras de Álvaro I (2026) 15 reais 

9. As aventuras de Álvaro II: Em busca de um tesouro (2026) 15 reais

10. As aventuras de Álvaro III: Um novo bebê chegou? (2026) 15 reais

11. As aventuras de Álvaro IV: A origem de Thor (2026) 15 reais