sábado, 30 de maio de 2026

FALECEU O PROFESSOR BENEDITO RAPOSO

              

   
                     Uma Lenda na Matemática

                                                 * Jucey Santana

 

         Professor Benedito dos Santos Raposo era uma lenda no Maranhão,   no assunto Matemática. O professor Elon Lages Lima, um dos maiores algebristas brasileiros, em seu livro,   Meu professor de matemática e outras histórias, (1991), faz menção a três grandes   matemáticos maranhenses, Joaquim Gomes de Sousa, Miguel Vieira e o professor Benedito Raposo. 

 

          Assim como Joaquim Gomes de Sousa, “Sousinha” (1829/1864),   o professor Raposo é itapecuruense, nasceu em  4 de abril de 1934. Filho de Antônio Altair Montello Raposo  e Teresa de Jesus Santos Raposo, neto paterno de Raimundo Elesbão Raposo, comandante de barco a vapor do rio Itapecuru e pelo lado materno do libanês Domingos dos Santos Karam Jorge.

 Ainda criança, sua família mudou-se para São Luís, fixando residência no bairro do Anil.   A  avenida em que morou tantos anos,  que passa em frente ao antigo Lítero Recreativo Português  recebeu o nome do seu pai Antônio Raposo.

           Depois da conclusão do ensino médio em São Luís,  seguiu para a cidade de  Belém (PA), fazer vestibular, para o curso da sua escolha,  a Engenharia Civil.  Em Belém residiu com o irmão mais velho o oficial da Aeronáutica Altair Raposo.    Em Belém  começou a dar aulas de matemática, em escolas de 1º e 2º grau. Ao ingressar na Universidade Federal do Pará, iniciou a grande jornada e paixão pela Matemática pura e aplicada. Livros de cálculo diferencial eram resolvidos por ele em um piscar de olhos. Em Belém, conheceu a odontóloga Vera Baganha, filha de um professor do curso, e que se tornou sua esposa, nascendo da união quatro filhos: Anselmo, Alexandre, Andréa e  Aluísio.

              Ao voltar para o Maranhão, foi  nomeado Engenheiro, no Departamento de Estradas e Rodagens – DER, e lá conheceu o Dr. Haroldo Tavares, que o convidou para ensinar na Escola de Engenharia do Maranhão, em instalação. O professor Raposo aceitou e ministrou a primeira aula, aos primeiros futuros engenheiros do Maranhão, e esta primeira aula foi de Cálculo Diferencial e Integral. Daí em diante  a sua vida foi dedicada ao ensino de Cálculo. Todos os engenheiros civis e mecânicos, formados na Escola de Engenharia da UEMA, durante os seus trinta e cinco anos de docência, foram seus alunos.

               O seu maior divertimento era, quando ganhava um livro de matemática,  resolver todos os exercícios dele. Existem inclusive muitas histórias contadas por seus ex-alunos, como, por exemplo, ao mostrarem um exercício com o intuito de o testarem, ele respondeu: Rapaz, este exercício pertence ao livro tal, está na pagina tal e o resultado  tanto.  É um grande mestre,  um verdadeiro ícone do ensino da matemática.

            Uma de suas aulas mais brilhantes é a demonstração do teorema do Caos. A velocidade do seu raciocínio era algo espetacular, nunca se soube de alguém que conseguisse olhar um sistema de seis incógnitas, e de cabeça dar o resultado.

                Como engenheiro civil do Departamento de Estradas e Rodagens – DER tendo como diretor o Dr. José Carlos Duailibe, esteve à frente dos trabalhos de asfaltamento do trecho da estrada de Entroncamento à Chapadinha, ocasião em que passava muito s tempo em Itapecuru Mirim. Teve seu mérito reconhecido na cidade natal, com o nome gravado de uma rua na área residencial.

             O professor Raposo nunca faltou a uma única aula. Ele é um exemplo sabedoria e simplicidade, como todo gênio. Abaixo  algumas  homenagens que recebeu:

          − Turma de Engenheiros Civis “Benedito Santos Raposo” 1973-1978;

          Faixa do Ministério dos Transportes, quando foi diretor do  DER;

          − Medalha de Honra ao Mérito do CREA-MA 2006, como um dos  mais antigos Engenheiros dos Maranhão;

          Troféu de Jubileu de Pérola da Turma  Artur Bastos;

          Placa de Prata em 2012, Clube de Engenharia do Maranhão e CREA-MA  pelos 50 anos de formado;

          Patrono das turmas de Engenharia Civil nos anos de 1990 e 1992

Homenagem do DEMATI-UEMA por nunca faltar uma aula durante 35 anos – 2009.

Honra ao Mérito SECMA – 1995, pelos relevantes serviços prestados a Universidade Estadual do Maranhão.

Placa de Prata pela UEMA e Centro de Ciências Tecnológicas- CCT por relevantes serviços – 1999.

 O professor Raposo foi convidado em 2012 para ocupar a cadeira número 6 da Academia Maranhense de Ciências. Declinou do convite numa atitude condizente com o seu espírito simples e desprovido de vaidades.

O professor Raposo, faleceu em 30 de maio de 2026, aos 92 anos de idade, deixando viúva, a Senhora Vera Baganha Raposo, filhos, netos e bisnetos.

                         Do livro Itapecuruenses Notáveis (2026) de autoria de Jucey Santana

 

 

 


quinta-feira, 28 de maio de 2026

LANÇAMENTO DA SEGUNDA EDIÇAO DE REMANSO

                                                                                    *Sara Cavalcante    

No remanso da memória
Hoje a emoção faz morada,
Jones Braga traz ao povo
Uma história eternizada.
Em páginas, fatos e lembranças,
Com respeito e gratidão,
Homenageia seu pai querido,
José Mercedes Braga então.

Homem simples de origem,
Mas gigante em ideal,
Que ajudou a construir
Nossa história municipal.
Filho da terra querida,
Da velha “Manga do Iguará”,
Levou no peito a coragem
Que o tempo não apagará.

Jones, filho admirado,
Hoje escreve com emoção,
Transformando a trajetória
Do seu pai em inspiração.
Cada página revela
A força de um cidadão,
Que fez da própria existência
Um exemplo pra geração.

E embora o escritor
Hoje não possa chegar,
Pois a saúde lhe impede
De aqui nos abraçar,
Sua presença permanece
Neste momento a brilhar
Pois quem escreve com a alma
Jamais pode se ausentar.

                             A segunda edição do livro Remanso, de autoria de José Mercedes Braga, foi lançado dia 23 de maio em Nina Rodrigues Maranhão. Acima uma homenagem da escritora Sra Cavalcante.

 

 


*Sara Coelho de Sousa Cavalcante, professora, poeta, cronista, natural de Nina Rodrigues (MA). Membro fundador da Academia Ninense de Letras e Artes - ANLA

 

 

HOMENAGEM À ACADEMIA DA PRINCESA DO IGUARÁ

                                                                                        *Benedita  Azevedo

       Olá queridos confrades,

       Aceitando este convite

       De uma confreira irmã,

       O meu coração transmite

       Com alegria os sonhos

       Destes semblantes risonhos

       Tristeza aqui não existe!

 

       As terras bem progressistas

       Desde o século dezoito,

       Aquelas do Iguará,

       Foram mesmo muito afoitos

       Aqueles grandes fidalgos,

       Que receberam afagos

       Feito vinho com biscoito.

 

        Rainha de Portugal

        Autoriza a aquisição

        De imensas glebas de terra

        Para sua criação,

        Com sesmarias na mata,

        Ali se reúne a nata

        Aumentando a devoção.

 

       Nasce Raimundo Nonato

       Escravo, vaqueiro e santo,

       Na Fazenda Mulundus,

       O seu prestígio era tanto

       Que até hoje a romaria

       Seu grande prestígio guia

       Pessoas de todo canto.

 

       Mil oitocentos e cinco

       Foi criada a freguesia

       Da região do Iguará

       O povo também queria;

       Mil oitocentos vinte três

       Vou contar mais uma vez

        João Ferreira Couto ria...

 

       Do apelido recebido

       Na adesão do Maranhão.

       Em mais dez anos teriam

       A grande consagração,

       Na sede Manga Iguará

       Que vila por fim será

       Recebida com emoção

 

       A Guerra da Balaiada

      Tendo à frente um vaqueiro,

      Eclode em Manga Iguará,

      Raimundo Gomes certeiro

      Viu a guerra durar anos!

      O que não estava em seus planos

      Morrer mais de um companheiro.

 

       Oitocentos quarenta e um

       Foi o Duque de Caxias

       Pacificar o Estado.

      Se fosse tu que farias?

       Antonio Bernardino Coelho

       Reúne com seu conselho

       Pra resolver o que queria.

 

       Em um, oito, quatro cinco

      Leva lá pra Vargem Grande

       Sede da Vila, Manga ,

      A ideia se expande;

       a comarca do Iguará

       que era não mais será,

       ganhará um novo estande.

 

        Recebeu no seu batismo

        Nome de Nina Rodrigues

        profissional de muitas faces,

        mesmo que tu não ligues;

        perfeição em muitas áreas

        que achasse prioritárias,

        se quiser, vá, averigues!

 

        Março de dois mil e vinte seis

        Criação da Academia

        Ninense de Letras e Artes,

        Mas, leva em companhia,

        O consórcio Iguaraense

        Sou itapecuruense,

        Escrever, minha mania!

 


*Benedita Silva de Azevedo, natural de Itapecuru Mirim (MA). Licenciada em Letras, haicaista, cordelista, escritora, pesquisadora, antologista, residente no Rio de Janeiro.  Pertence a mais de 20 instituições culturais e literárias no Brasil, França e Portugal. Autora de vários livros de prosas e poesias e já organizou mais de 30 antologias. É membro fundador da Academia Itapecuruense de Letras.

                                                     

quinta-feira, 14 de maio de 2026

SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO - SESC

                                                  SESC 26 anos em Itapecuru Mirim

*Jucey Santana 

 Os anos 40 e 50 foram marcados por grande comoção político-social, motivada principalmente pelo advento das organizações das classes trabalhadoras, conflitos no campo, crescimento do setor fabril, movimento dos sem terra e o êxodo rural. Muitos partidos de oposição tomavam o assunto como bandeira ideológica dos trabalhadores. Foi uma década de muitas mudanças no Brasil com o final da Segunda Guerra Mundial.

    Em janeiro de 1946 Eurico Gaspar Dutra assumia a Presidência da República, com prenúncio de ares de maior liberdade e representatividade das classes empresarial e trabalhadora.

Como resultado foi assinado pelo presidente da República o Decreto-Lei n° 9.853, em 13 de setembro de 1946, que autorizava a Confederação Nacional do Comércio (CNC) a criar o Serviço Social do Comércio – Sesc.

O Sesc iniciou suas atividades no começo do ano de 1947, tendo por prioridade a implantação dos serviços de saúde e educação para os comerciários.

O Sesc no Maranhão

Ainda no ano de  1947 o Sesc se instalou no Maranhão,  com ações voltadas para a educação, saúde, esporte, turismo, promoção social, cultura e lazer, estando consolidado na memória histórica do maranhense ao longo de mais de sete décadas de caminhada, contribuindo  para a melhoria da qualidade de vida da população, especialmente para os trabalhadores do comércio de bens, serviços e turismo, estendendo esses benefícios a uma parcela significativa de pessoas da comunidade, que estavam à margem do processo de desenvolvimento social.

Sesc e a Educação

Um dos pilares do Sesc é o fomento à educação. Por conta disso, a instituição investe na educação dos níveis infantil, fundamental, além do ensino de pré-vestibular e idiomas a jovens e adultos.

Os primeiros anos de formação de uma criança é uma preocupação do Sesc, que pensa na criança como sujeito de direitos, desenvolvendo um trabalho educativo que estimula o seu desenvolvimento social, afetivo, cognitivo e motor, com projetos  como, Habilidade de Estudos – PHE, com metodologia de acompanhamento nas atividades extracurriculares, esportivas e culturais a estudantes do Ensino Fundamental, proporcionando recreação e reforço escolar, e o Projeto Sesc Ler, que foi criado em 1998 para auxiliar jovens e adultos não-alfabetizados, que não tiveram oportunidade de estudar.

 Bibliotecas e Feiras de Livros

O Sesc no Maranhão dispõe de inúmeras bibliotecas em suas unidades.

A Biblioteca Rosa Castro, na capital, recebe uma média de 4.000 leitores e pesquisadores por mês.

O Sesc, desde 2007, se tornou co-realizador da Feira de Livros de São Luís-Felis, com o objetivo de divulgar o livro, especialmente dos autores maranhenses.

Sesc e a  Cultura

O programa de Cultura do Sesc no Maranhão abre um legue de apoio à cultura regional, fazendo a interação entre a cultura literária dos autores maranhenses e a relação da literatura com outras linguagens artísticas: arte visual, música, dança, teatro e cinema, somando com a riqueza das expressões da cultura afro-brasileira, dando oportunidade aos comerciários e à população de conhecerem muitos talentos que despontam no cenário estadual. A instituição acredita no poder da arte em transformar a vida das pessoas, tendo como exemplo o já tradicional Balaio de Sotaque, evento junino esperado com ansiedade em todas a unidades Sesc, que valoriza a cultura maranhense.

 Sesc Itapecuru Mirim

O Sesc está presente em Itapecuru Mirim desde março de  2000, na gestão do prefeito Miguel Lauand que, diante do alto índice de analfabetismo registrado no município, solicitou ajuda ao Sesc. Na ocasião foi contratada a professora Elisângela Maria Marinho Pereira para coordenar o Projeto de Educação de Jovens e Adultos, Sesc Ler.

O projeto passou a funcionar na Escola Municipal Osvaldo Dias Vasconcelos, no bairro DER, com 35 estudantes por turmas.

Em 20 de março de 2003 foi inaugurada a Unidade, no bairro Roseana Sarney, em prédio próprio, com modernas instalações e estrutura adequada para o atendimento aos itapecuruenses. Na ocasião tinha por diretora regional a senhora Clarisse Bastos e contou com a presença e entusiasmo do presidente, o empresário  José Arteiro da Silva.

Atualmente o Sesc Itapecuru atende, por meio do projeto de Educação de Jovens e Adultos, Sesc Ler, duas turmas na unidade sede, e mantém ainda três polos nas comunidades Torre, Mangal Escuro e Felipa (zona rural). Também oferece o Projeto de Habilidade de Estudos-PHE, com reforço e socialização de alunos oriundos de estabelecimentos normais de ensino,  tendo sido implantada a  a Educação Infantil, desde 2018, antigo anseio da comunidade itapecuruense.

    Nas instalações do Sesc Unidade de Itapecuru Mirim, além das atividades pedagógicas são desenvolvidas atividades sociais, culturais, esportivas, recreativas e atendimento na biblioteca, sempre com foco na dimensão humanitária.

Gerentes Regionais da Unidade Sesc Itapecuru Mirim:

1 – Robert Lobato – 2003 a 2006.

2 – Francisca Teresa Bezerra Lauand Fonseca - 2006 a 2008.

3 – Cristiane Alves Costa – 2008 a 2011.

4 – Maria Betânia Pinheiro – 2011 a 2013.

5 – Maria Cristiane Correa Rosa - 2013

        *Do livro, Sinopse da História de Itapecuru Mirim (2018), de Jucey Santana

 

 

 

 

 

terça-feira, 12 de maio de 2026

RAMPAS DE ITAPECURU MIRIM

                                                            As Rampas

 Jucey Santana

As rampas dos portos do rio Itapecuru tiveram grande importância, durante séculos, por garantir a acessibilidade de passageiros e cargas nos barcos à vapor que transitavam, soberanos nas estradas fluviais.

Em 1891, na gestão de Honorato Antônio Rodrigues, foi regulamentado o Código de Posturas do Município de Itapecuru Mirim, para disciplinar as regras de conduta dos habitantes, como pagamento de impostos, limpezas das ruas e calçadas, criação de bovinos, suínos, caprinos, ovinos, equinos, aves e outros.

O art. 16 do Código, regularizava as rampas, criando quatro Passagens Públicas neste rio Itapecuru, sendo duas nesta cidade, nos portos denominadas: Rampa da Manga e Rampa do Cobra, uma no Guaracy, no Porto da Laranjeira, e a quarta na Matta, no Porto de Caximbos.

As rampas eram administradas por um arrendatário (arrematação), que ficavam com a responsabilidade da manutenção e administração, de cada porto  e deveriam  estar a serviço das 5 horas da manhã às 9 horas da noite e refazer o contrato anual, no mês de janeiro.

A partir da inauguração da estrada de ferro em 1920, prestando relevantes serviços aos passageiros e ao escoamento da produção agrícola,  houve uma integração entre o transporte ferroviário e o fluvial, durante algum tempo. O prefeito José Carlos Bezerra (1922-1925), providenciou um  depósito/garagem para a guarda das cargas, do lado esquerdo do rio de acordo com sua promessa de campanha e construiu um bonde de tração animal, (burros), com sobras dos trilhos da estrada de ferro, para transporte de passageiros e de cargas, da garagem até  a estação ferroviária.  Mesmo com os transtornos ocasionados com a grande cheia de 1924, os danos foram reparados e entregues à população. O bondinho funcionou até o início dos anos 30.

A partir dos anos 30 a manutenção das rampas ficou a cargo dos prefeitos. Antes eram de responsabilidade dos arrendatários e dos empresários proprietários das companhias de vapores.

Com a preferência cada vez maior pelo transporte ferroviário, pela comodidade, pontualidade e conforto em detrimento do transporte fluvial, que durante as grandes secas ou as cheiras periódicas, ficavam muitas vezes parados ou necessitando de manutenção contínuas, as rampas foram gradativamente perdendo a sua importância.

Do livro, Sinopse da  História de Itapecuru Mirim (2028), de autoria de Jucey Santana