sábado, 4 de abril de 2026

ACADEMIA NINENSE DE LETRAS - FUNDAÇÃO

                                                            Compromisso dos Acadêmicos

                       *Raimunda Fortes


 Representando todos os acadêmicos da ANLA, na fundação da ANLA

Hoje celebramos oficialmente a fundação da ANLA. Celebramos, portanto, o nascimento de um compromisso coletivo com a memória, com a palavra e com a sensibilidade humana.

A fundação da ANLA marca um momento histórico para Nina Rodrigues. É o instante em que decidimos, de forma consciente e corajosa, que nossas histórias não serão esquecidas, que nossas vozes não serão silenciadas e que nossa produção artística e literária não ficará à margem do tempo.

Somos membros fundadores, mas, acima de tudo, somos guardiões. Guardiões da cultura que pulsa nas ruas, nas comunidades, nos saberes ancestrais, nos gestos simples e nas narrativas que formam a identidade do nosso povo. Cada texto escrito, cada obra criada, cada palavra compartilhada carrega a responsabilidade de representar não apenas a nós mesmos, mas toda uma coletividade que vive, sente e transforma esta terra querida por todos nós.

Esta Academia nasce com raízes profundas (fincadas na história, na resistência e na riqueza cultural de Nina Rodrigues) e com os olhos voltados para o futuro. Um futuro em que a literatura e as artes sejam caminhos de transformação, de educação e de pertencimento.


 

Nós, acadêmicos fundadores da ANLA, assumimos, hoje, compromissos concretos que sustentam a existência e a dignidade desta instituição. Comprometemo-nos com quatro pilares fundamentais:

1)    Comprometemo-nos com a presença — porque uma Academia se constrói no encontro, no diálogo e na escuta ativa;

2)    Comprometemo-nos com a contribuição — conscientes de que, sendo uma associação sem fins lucrativos, sua continuidade depende da responsabilidade compartilhada de seus membros;

3)    Comprometemo-nos com a produção — porque não há Academia viva sem a criação contínua de obras, ideias e pensamentos.

4)    Comprometemo-nos com o apoio mútuo — reconhecendo que nenhuma trajetória literária ou artística se fortalece no isolamento, mas sim na parceria, no incentivo e no reconhecimento entre confrades e confreiras.

Assumimos, ainda, o compromisso de fazer esta Academia crescer.  Crescer em relevância, em produção, em impacto. Comprometemo-nos a cultivar novos escritores, a incentivar artistas, a abrir espaços para o diálogo e a manter viva a chama da criação.

Sabemos que nenhuma instituição floresce sem dedicação. Por isso, cada acadêmico aqui presente carrega a missão de semear. Semear ideias, projetos, encontros e sonhos. E, com o tempo, colheremos frutos: frutos literários, artísticos e humanos que irão inspirar gerações.

Que esta Academia seja casa, ponte e farol. Casa para acolher talentos. Ponte para conectar saberes. Farol para iluminar caminhos.

E que, ao olharmos para trás, no futuro, possamos reconhecer que hoje foi o dia em que iniciamos algo maior do que nós mesmos.

Que venham as palavras. Que venham as artes. Que venham os frutos.

Viva a ANLA.

Muito obrigada.

             21.03.2026

 


*Raimunda Nonata Fortes Carvalho Neta,
nasceu em São Luís (MA) em 25 de setembro de 1975. É escritora, bióloga e artista plástica, atuando profissionalmente como professora no Departamento de Biologia (desde 2008) da Universidade Estadual do Maranhão.

A escritora Raimunda Fortes posiciona-se na confluência da Ciência e da Arte, explorando temas que tocam a Natureza e os sentimentos evocados pelo contato com o mundo Natural. Suas publicações literárias enquadram-se nas categorias de contos (como “Mil dias enjaulado” publicado na Coletânea Púcaro Literário) e crônicas (como por exemplo, “Presidente Vargas, dois patronos e velhos amigos”, publicado na Coletânea: Resgate da História de Presidente Vargas). Muito da sua produção literária tem sido direcionada para o público infantojuvenil, buscando educar e inspirar as novas gerações sobre a importância da Natureza e dos valores humanos. Entre suas publicações estão: A abelha e a Gratidão; O vovô e a Terra; A ostra e a purificação; O guará vermelho e a Paz; Por que as flores não serão mais beijadas; A planta e o essencial.

A formação de Raimunda Fortes envolve as Ciências Biológicas (Graduação em Biologia pela Universidade Estadual do Maranhão) e as Artes Plásticas (Graduação em Educação Artística com habilitação em Artes Plásticas pela Universidade Federal do Maranhão). É Doutora em Biotecnologia (RENORBIO – Rede Nordeste de Biotecnologia/ Universidade Estadual do Ceará), Mestre em Sustentabilidade de Ecossistemas (Universidade Federal do Maranhão), Graduada em Biologia (Universidade Estadual do Maranhão) e em Educação Artística/ Artes Plásticas (Universidade Federal do Maranhão). Fez pós-doutorado em Modelagem de Sistemas Biológicos na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Como docente permanente, orienta no curso de Doutorado em Biodiversidade e Biotecnologia da Rede BIONORTE (Rede de Biodiversidade e Biotecnologia da Amazônia Legal) e no Curso de Mestrado em Ecologia e Conservação da Biodiversidade (PPGECB/UEMA). Faz parte (membro efetivo) da Academia Maranhense de Ciências (AMC) e da Academia de Ciências, Letras e Artes de Presidente Vargas (ACLAPREV).

Raimunda Fortes iniciou a docência no ensino superior na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), seguindo-se na Universidade CEUMA e depois na Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), já tendo orientado mais de 100 TCC (trabalhos de conclusão de curso) de graduação em Ciências Biológicas e em Educação Artística, 25 dissertações de mestrado em Recursos Aquáticos e Pesca e nove teses de doutorado em Biodiversidade e Biotecnologia. Já recebeu vários prêmios por seus trabalhos científicos e orientação de graduação e pós-graduação, tais como: Prêmio FAPEMA de Inovação Tecnológica (por software desenvolvido durante sua tese de doutorado, em parceria com Luciana Fortes Farias), Prêmio Porto de Itaqui (de orientação de tese de doutorado), Prêmio FAPEMA de orientadora de doutorado em Ciências Biológicas, Prêmio FAPEMA de orientação de Dissertação de Mestrado, Prêmio FAPEMA de orientação de Iniciação Científica, entre outros.

Desde 2008, como professora da UEMA, Raimunda Fortes tem conduzido um trabalho de desenvolvimento e fortalecimento de linha de pesquisa pioneira na UEMA (Biomarcadores de contaminação aquática em peixes, moluscos e crustáceos), conseguindo captar recursos financeiros (na FAPEMA) para construir e equipar o Laboratório em Biomarcadores de Organismos Aquáticos, produzindo pesquisas com aplicações diversas e que são divulgadas em artigos publicados em revistas de renome internacional. Contribuiu de maneira decisiva para a criação (em 2014) e consolidação do Programa de Pós-Graduação em Recursos Aquáticos e Pesca da UEMA (onde foi a primeira coordenadora), o qual em 2021 passou por um processo de ampliação (também conduzido por Raimunda Fortes à frente da coordenação) para Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Conservação da Biodiversidade (PPGECB/UEMA). Foi eleita diretora do Curso de Ciências Biológicas (Licenciatura) da UEMA em 2017 e conduziu o processo de criação do curso de Ciências Biológicas (Bacharelado) da mesma instituição no campus Paulo VI. Como professora e gestora do curso de Ciências Biológicas da UEMA, incentivou e participou ativamente do processo de criação da Empresa Júnior (SABIO – Soluções Ambientais e Ensino de Biologia), captando recursos (em edital da FAPEMA) para a implantação do escritório e sendo a primeira orientadora da SABIO.

Os periódicos científicos em que Raimunda Fortes tem divulgado seus artigos apresentam fator de impacto (JCR) significativo, destacando-se as seguintes revistas: Marine Pollution Bulletin, Ecotoxicology and Environmental Safety, Chemosphere, Bulletin of Environmental Contamination and Toxicology, American Journal of Tropical Medicine and Hygiene, Archives of Environmental Contamination and Toxicology, Environmental Science and Pollution Research International, Applied Biochemistry and Biotechnology, Biota Neotropica, entre outras. Numa análise quantitativa geral das suas publicações até dezembro de 2022, somam 73 Artigos completos publicados em periódicos, 18 livros publicados/organizados ou edições, 75 capítulos de livros, 30 trabalhos completos publicados em anais de congressos, 57 resumos publicados em anais de congressos, entre outros.

Desde 2021, Raimunda Fortes tem sido citada no ranking do AD Scientific Index (Alper-Doger Scientific Index), um sistema de classificação internacional e análise baseado no desempenho científico e no valor agregado da produtividade científica de cientistas e que tem como base os valores totais e dos últimos 5 anos do índice i10 (relativo ao número de publicações com, no mínimo, 10 citações), índice h (referente aos periódicos).

A produção científica de Raimunda Fortes em congressos nacionais e internacionais (especialmente na Grécia) aumentou após o seu estágio de pós-doutorado, visto que passou a organizar, junto com seus supervisores da UERJ, um simpósio anual (International Symposium of Computational Modeling of Biologic and Medicine Targets) dentro do evento “International Conference of Computational Methods in Sciences and Engineering” (ICCMSE), realizado anualmente em diferentes cidades da Grécia.

Paralelamente às atividades científicas, Raimunda Fortes continuou desenvolvendo as atividades artísticas iniciadas na graduação, produzindo e incentivando seus estudantes a produzirem de forma criativa. Fez diversas exposições de pinturas em São Luís e em outros Estados, escrevendo sobre Ciência e Arte.

Desde 1997 tem atuado fortemente na área das Artes, especialmente Artes Plásticas, que foi sua especialidade no curso de Educação Artística da UFMA. Nesse percurso, elaborou a identidade visual de empresas e cursos acadêmicos. Produziu obras pictóricas e fez várias exposições individuais, destacando-se:

·       Exposição: Meu Caminho (mostra retrospectiva) - Entidade Promotora: Sala SESC de Exposições – Condomínio Fecomércio SESC/SENAC – São Luís-MA - Período: 12 de abril a 19 de maio de 2017;

·       Exposição: Ciclos Vitais (Pintura em acrílica sobre tela) - Entidade Promotora: Galeria 52 da Aliança Francesa – Niterói-RJ; Período: 20 de junho a 20 de julho de 2012;

·       Exposição:  Estamos sós? (Pintura em acrílica sobre tela) - Entidade Promotora: Galeria Condor Art Shop – Niterói-RJ; Período: 10 a 28 de fevereiro de 2009;

·       Exposição: Simbologias II (Pintura em acrílica sobre tela); Entidade Promotora: Galeria da Maggiorasca – São Luís-MA; Período:       10 de janeiro a 07 de fevereiro de 2006;

·       Exposição: Simbologias I (Pintura em acrílica sobre tela) - Entidade Promotora: Galeria Fernando P – Brisamar Hotel – São Luís-MA - Período: 01 a 22 de abril de 2005;

·       Exposição: Perspectiva interna (Pintura em acrílica sobre tela) - Entidade Promotora: Galeria de Arte do SESC – São Luís-MA - Período:         25 de setembro a 11 de outubro de 2002;

·       Exposição: Da linha ao pixel (Pintura em acrílica sobre tela e intervenções computadorizadas); Entidade Promotora: Galeria Antônio Almeida, Palacete Gentil Braga – São Luís-MA; Período:           17 a 29 de agosto de 2000;

·       Exposição: Mostra Signos e Significados (Pintura em acrílica sobre tela) - Entidade Promotora: Galeria Antônio Almeida, Palacete Gentil Braga – São Luís-MA; Período: 06 a 19 de agosto de 1999;

·       Exposição: Mostra Tensão e Contradição (Pintura em acrílica sobre tela) - Entidade Promotora: Galeria Antônio Almeida, Palacete Gentil Braga – São Luís-MA; Período: 18 de setembro a 04 de outubro de 1998;

·       Exposição: Contingente: uma intencionalidade em cada traço (Pintura em acrílica sobre tela) - Entidade Promotora: Galeria da FUMTUR – Fundação Municipal de Turismo – São Luís-MA; Período: 21 a 30 de agosto de 1998;

·       Exposição: Mostra Sentimentos e Símbolos (Pintura em acrílica sobre tela) - Entidade Promotora: Galeria Maia Ramos, Palacete Gentil Braga; Período: 24 de outubro a 06 de novembro de 1997 – São Luís-MA.

 

Além das exposições individuais também participou de mostras coletivas com vários artistas maranhenses, tais como: Maciel Pinheiro, Francisca Costa, Mônica Rodrigues, João Carlos Pimentel, Beto Nicácio, Adrianna Karlem, Marlene Barros, Edna Scarpati, Roberto Lameiras, Paulo César, Cláudio Costa, Fábio Vidotti, Ana Borges, Afonso Brandão, Airton Marinho, Babula, Cláudia Lobo, Cláudio Costa, Dila, Denise Bogéa, Edson Mondego, entre outros.

Essa experiência de produção artística também estimulou Raimunda Fortes a refletir teoricamente sobre a Arte produzida no Maranhão, levando-a a pesquisar em jornais de época e outras fontes sobre escultores e pintores maranhenses. Assim, em 2001 publicou o livro “A obra escultórica de Newton Sá” pela editora Siciliano (Rio de Janeiro). Essa foi a primeira obra que fez uma aproximação do legado escultórico maranhense do século XX. Posteriormente, foi premiada em 1º lugar no concurso monográfico: "A chegada dos descobridores portugueses ao Brasil em 1500" pela Fundação Municipal de Cultura (São Luís-MA) com a obra que foi publicada com o título “Descobertos e descobridores do Brasil: da visão pictórica europeia do século XVI ao registro escultórico maranhense do século XX”.

Durante a atuação docente de Raimunda Fortes no Departamento de Artes da UFMA, organizou várias coletâneas com seus alunos da época, tais como: 1) Leitura visual: uma experiência interdisciplinar no estudo das artes plásticas (2002); 2) Arte Maranhense: produção & ensino (2005). Também publicou em parceria com o historiador João Carlos Cantanhede a obra “A cidade e a memória: as representações artísticas formando identidade ludovicense” por ocasião das comemorações de 400 anos da cidade de São Luís. Todas essas obras destacam as artes plásticas e sua importância para a história e cultura maranhense. Pelas suas participações no cenário artístico e cultural local recebeu a Honra ao Mérito por "relevantes serviços prestados à cultura e às Artes", da Câmara Municipal de São Luís e homenagem do Conselho Regional de Biologia (CRBio).

O conjunto da obra de Raimunda Fortes enriquece a literatura maranhense ao integrar temas universais de uma maneira única, trazendo à tona a beleza e a complexidade dos ecossistemas locais. Suas histórias evocam um profundo respeito pelo ambiente natural do Maranhão, destacando a importância de sua preservação e explorando a relação íntima entre as pessoas e a terra que habitam.

Raimunda Fortes, faz parte das seguintes Academias de Letras e Artes:  Academia Maranhense de Ciências - AMC, Academia Literária de Letras – ALMA, Academia de Ciências e Letras de Presidente Vargas – ACLAPREV e Academia Ninense de Letras e Artes – ANLA.

 

 

 

 

ACADEMIA NINENSE DE LETRAS E ARTES

     Fundação da ANLA

 

                      *Sara Cavalcante

No alvorecer de vinte e um de março,
Ergue-se altiva uma nova bandeira;
Nasce a ANLA, em nobre ato,
Como luz viva desta terra inteira.

De quarenta cadeiras consagradas,
Vinte e sete vêm hoje ocupar;
Com bravura, saber e compromisso,
Seus nomes a história irá guardar.

Que se eleva neste dia,
Com vozes que ecoam além do tempo,
Guardando em versos sua memória
E eternizando seu pensamento.

Sob as bênçãos do Deus soberano,
A manhã se faz graça e louvor;
A chuva que cai, serena e santa,
É sinal de vida, esperança e amor.

Compromisso firmado na história,
Respeito erguido como lei e fé;
Academia Ninense de Letras e Artes — ANLA,
Hoje, às 6 da tarde e para sempre, se põe de pé!

 

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*Sara Coelho de Sousa Cavalcante, professora, poeta, cronista, natural de Nina Rodrigues (MA). Membro da Academia Ninense de Letras e Artes - ANLA

 

 

domingo, 15 de março de 2026

SER PROFESSOR

       

Tributo ao professor

                                                                                *Sara Cavalcante

Dizem que para ser professor é preciso uma faculdade, diplomas na parede e muitos planejamentos organizados sobre a mesa. Tudo isso é importante, é verdade. Mas a essência do ser professor não nasce ali.

O ser professor nasce no silêncio da sala de aula.

Nasce naquele momento em que um aluno levanta os olhos, meio aflito, e diz quase sem voz: “Professor, não consigo”. E naquele instante o professor entende que ensinar não é apenas repetir conteúdos, mas encontrar caminhos para que aquele estudante descubra que consegue, sim.

Ser professor também se aprende na timidez de uma apresentação de trabalho, quando a voz do aluno treme e as mãos suam. O professor percebe que, mais do que corrigir palavras, precisa encorajar sonhos.

Aprende-se, ainda, nos momentos difíceis, quando se presencia injustiças, desigualdades e pequenas violações de direitos dentro ou fora da escola. Muitas vezes, vindas até de colegas que acreditam ser maiores por possuírem um pouco mais. Nessas horas, o professor entende que sua missão também é ensinar respeito, dignidade e humanidade.

Ser professor não é apenas ministrar uma aula ou explicar um conteúdo.

Ser professor é abrir portas que muitos alunos nem sabiam que existiam. É apontar caminhos para sonhos que ainda não foram sonhados. É acreditar, mesmo quando o estudante duvida de si mesmo, que a educação pode transformar destinos.

E talvez seja exatamente aí que mora a verdadeira lição: enquanto ensina, o professor também aprende, todos os dias, o verdadeiro significado de educar.

 


 

. *Sara Coelho de Sousa Cavalcante, professora, poeta, cronista, natural de Nina Rodrigues (MA). Membro fundador da Academia Ninense de Letras e Artes - ANLA

 

 

quarta-feira, 11 de março de 2026

UM TRIBUTO À MULHER

                                       Força da Mulher

                                                                                                                 *Sara Cavalcante

 

No livro da vida inteira

Entre versos de valor,

Há uma palavra sagrada

Que floresce com amor.

É Mulher, nome bendito,

Símbolo de luta e flor.

 

Mulher é casa que acolhe

Sem medir quem vai chegar,

Tem coragem no silêncio

E um jeito doce de amar.

Mesmo quando o mundo pesa,

Ela insiste em caminhar.

 

Guarda datas e memórias,

Detalhes do coração,

Pequenas coisas da vida

Que parecem ser em vão,

Mas sustentam grandes histórias

Com carinho e atenção.

 

Quando a vida vira guerra

E o destino prova fé,

Ela veste sua armadura

Com coragem que só é

De quem luta sem perder

A essência de ser mulher.

 

Ser mulher é ser raiz,

É ser ponte, é ser abrigo,

É cair e levantar

Transformando dor em trigo.

É fazer da própria vida

Um milagre bem antigo.

 

Mulher é chama que brilha

Mesmo quando sopra o vento,

É esperança renascendo

Dentro de cada momento.

Pois a força da mulher

É maior que o sofrimento.

 

Salve a força da mulher,

Luz que nunca se desfaz.

Se o mundo tentar pará-la,

Ela segue sempre em paz.

Pois na alma da mulher

Mora a força que refaz.

           


 

 

 

 

. *Sara Coelho de Sousa Cavalcante, professora, poeta, cronista, natural de Nina Rodrigues (MA). Membro fundador da Academia Ninense de Letras e Artes - ANLA

 

sábado, 7 de fevereiro de 2026

RAÍZES DO PALMARES

                          

                                                 *Sara Cavalcante

Foi Francisco Rodrigues, homem de bom coração,

Andador de Santa Isabel, hoje Palmares no chão.

Sensível ao sofrimento do povo do lugar,

Viu que sem escola o futuro custava a chegar.

Por amor aos seus filhos e à educação,

Abriu a porta da sua casa, fez da sala o espaço pra lição.

Trouxe o primeiro professor, com gesto verdadeiro,

E acolheu outras crianças no mesmo terreiro.

Assim nasceu a escola, simples, mas essencial,

Na sala de sua casa, gesto humano e social.

Antiga Santa Isabel começou ali a aprender,

Com Francisco levando o professor para o saber florescer.

Mas não foi só a escola que seu nome marcou,

Também a nossa cultura ele sempre abraçou.

Lá no Palmares,  Nina Rodrigues surgiu, com amor e emoção,

O boi brinquedo da vila, herança e tradição.

Na década de cinquenta, o povo se encantou,

Com o boi do seu Francisco, que o terreiro animou.

Entre cantos e tambores, a história cresceu,

E o bumba-meu-boi do povo no tempo se fortaleceu.

Seus filhos deram sequência com garra e alegria,

Mantendo acesa a chama da bela folia.

E o tempo, generoso, fez brilhar outro valor:

Sua neta, beija-flor, Maria dos Prazeres, amor.

Décadas se passaram, a fé não se escondeu,

No batuque do monte a cultura viveu.

Francisco foi lembrado com honra e emoção,

Na escola do Palmares, seu nome é tradição.

Do seu legado nasceu um boi cheio de esplendor,

Chamado “Sonho de Chico”, herança de amor.

Quem planta cultura colhe união,

E faz do bumba-meu-boi pulsar do coração.

Assim segue a história, bonita de ouvir,

Do povo do Palmares que insiste em resistir.

Entre passos e cantigas, a memória reluz:

Francisco vive no boi, na cultura e na luz!

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*Sara Coelho de Sousa Cavalcante, professora, poeta, cronista, natural de Nina Rodrigues (MA). Membro da Academia Ninense de Letras e Artes - ANLA