ENCHENTES DO RIO ITAPECURU
Anos das
maiores enchentes
No ano de
2009 o rio Itapecuru Mitim sofreu sua última grande enchente. As cheias duraram
quase um mês isolando a área do Trizidela e as comunidades adjaccentes,
trazendo muitos prejuizos materiais como a devastação das plantações, morte dos
animais e todo tipo de calamidade a população ribeirinha, com alagamentos, desde
a sua nascente até a foz, na baia de São José, no golfão maranhense.
O rio Itapecuru que teve grande importancia na economia
da Provîncia, com exportação de algodão
e outras culturas produzidas na sua ribeira, com importantes cidades como,
Caxias, Mirador, Codó, Coroatá, Itapecuru Mirim, Rosario e outras, com o transporte fluvial, no seculo XIX, foi
gradativamente reduzindo sua atividade após a construção as Estrada de Ferro
São Luis - Teresina a partir de 1920.
Ao longo da história temos conhecimentos de grandes enchentes que
ocorreram no rio Itapecuru, geralmente ocorridas entre os meses de fevereiro a
maio, que trouxeram males diversos a população da ribeira do rio. As mais
antigas que se tem notícias, datam do século XVIII segundo registro de Raimundo
José Gayoso em. Princípios da
lavoura do Maranhão, Gayoso (1818):
No anno de 1788 ou 1789, foi tão extraordinaria esta
afluencia de agoas, que passrão as febres a serem epidêmicas...: muitas cazas
de alguns pobres a ficarem sem vivente algum... Talvez aqui tenha
aparecido os primeiros sinais da agreção humana ao Itapecuru relacionado as
cheias desodernadas causadas pelas destruição das matas e ocupação irregulares”.
O registro é confirmado por César Marques em seu Dicionário Histórico e Geográfico
da Provincia do Maranhão (1870):
Desde
abril a fins de maio de 1788, encheu tanto este rio, que em muitas
partes, tinha 2 léguas de largura. Em 1889 encheu outra vez o rio dessa
maneira... Em 1805 o inverno foi tão rigoroso, que obrigou o rio a sair do seu
leito e estendedr-se por algumas léguas pelo centro, trazendo como conseguencia
disto a grande epidemia, que por aí reinou,
Nos periódicos maranhenses nos conduzem para
informaçoes de enchentes de grandes proporções nos anos de 1875 e 1895, final
do seculo XIX,
A cheia de 1875, que trouxe muitas mazelas,
transtornos a população, no recém criado status de cidade de Itapecuru Mirim,
pela Lei 919 de 21 de julho de 1870.
A
enchente de 1895, teve repercussão a longo prazo, com devastação em quase toda
a cidade. Os grandes armazéns situados à Beira Rio e nas ruas adjacentes
foram tomados pelas águas a exemplo dos empórios dos negociantes Domingos
Araújo e Manoel Caetano (Manoel Cobra). As rampas de desembarques de
mercadorias e passageiros ficaram completamente danificadas, sendo
posteriormente reconstruída pelo operoso comerciante, Manoel Cobra, pai adotivo
do desembargador Raimundo Públio Bandeira de Melo.
Em 1917 houve outra enchente de grandes proporções.
Na ocasião desabaram antigos casarões e sobradões que testemunhavam
a época áurea da aristocracia da Vila, com grande importância econômica,
política e militar, época dos coronéis, conselheiros, comendadores, barões, agropecuaristas,
senhores de engenho, feiras e exposições de gado, (Publicador Maranhense,
27.8.1856). Na ocasião caiu à casa do coronel Bento Nogueira da Cruz na
Praça Cel. Nogueira. (Pacotilha, 7.5.1917).
A enchente de 1924, com toda certeza, foi a que
causou mais transtornos. A Rua do Egito, atual coronel Catão, passou mais
de um mês submersa, sendo o seu transporte por canoas. A estação de trem ficou
só o telhado de fora, e os trilhos ficaram completamente inundados. Os
barcos a vapor fundeavam perto da praça da Cruz. As casas que não caíram
ficaram abaladas, “parecia que tudo se acabava em Itapecuru”.
Se verificava na época um espírito desalentador, marcado pelo flagelo da
enchente. Em uma cidade que já havia conhecido período de grandeza, a enchente
do rio deixou marcas de calamidade, pobreza e falta de trabalho. Com o “ciclo
da borracha” houve evasão dos moradores para os seringais do norte, agravando
mais o comercio e lavoura local.
A população com dificuldade trabalhava na
reconstrução da cidade. Com a baixa do rio, a cidade foi acometida de mazelas
como surto de febres, as chamadas “sezões” ou “impaludismos”. (Combate,
25.3.1951 e Correio Paulistano, 18.5.1924)
Em crônica do professor Newton Neves no jornal Combate,
citava os moradores supersticiosos,
que chamavam a atenção para a calamidade de 1924, que seria punição em
detrimento da antiga “praga” dos capuchinhos que em missão populares, anos
atrás, celebraram do outro lado do rio de costas para a cidade, “bateram em
maldição o pó das sandálias às portas da cidade”. Profetizavam os
moradores: “é o fim de Itapecuru”
Houve também grandes cheias do rio nos seguintes
anos: 1947, 1964, 1974, 1986 e em 2009, porém nenhuma se equiparou a calamidade
de 1924.
*Do livro,
Sinopse da História de Itapecuru Mirim (2018), de Jucey Santana.