terça-feira, 15 de setembro de 2026

SE HOUVER AMANHÃ

             

                                                                                         *Patrícia Bacellar Braga.

 

Quase me vou, mas me volto...

Há um tanto de mim que passeia

Vai e vem, balanceio

Anseio de nunca partir.

 

Amanhã me vejo inteira?

Se houver a manhã clara e sã

De inteiro me desejo e ensejo.

Um não.

Um sim, ai de mim que ainda me quero!

Um querer assim quase etéreo. 

Uma nuvem que passa e fica.

Uma brisa que brinca comigo.

Uma força, um galanteio,

Um sentir meu e alheio,

Duelo de solidão.

 

Quase me vou, mas me volto

Me dou um pouco de mim

Ao vento que sopra brejeiro

Ao teu querer que me quer

A toda saudade que arde

A tarde que sem fazer alarde

Sussurra de fato quem sou.

 

Amanhã me vejo inteira?

Se houver amanhã eu me vou

Me levo uma parte contigo

Montada em galope ligeiro

Nos campos que guardo e cultivo

No verde que o olhar abriga

A descobrir onde estou.

 

Quase me vou, mas me volto

Há um tanto de mim revelado

Outro tanto é apenas silêncio.

Se houver amanhã eu te dou

Este vasto sentir que carrego

E já não aguento comigo

Se não chamo: Te preciso

Se houver amanhã vem comigo

Se houver amanhã eu me vou..."

 

"Se houver amanhã "

                          Setembro 2018.

 

 




 

*Patrícia Maria Furtado Bacelar Couto Braga,  poeta, natural de Brejo (MA), membro efetivo da Academia Ninense de Letras e Artes – ANLA, ocupante da cadeira número 10 patroneada por Hildenora Galvão Castelo Branco;

 

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