terça-feira, 27 de outubro de 2015

A FESTA DA CRUZ





Por: Jucey Santana
Mais um ano que a família Nogueira se desloca de São Luís para proporcionar aos itapecuruenses da tradicional Festa da Santa Cruz. Cabe-nos o questionamento, até quando teremos esta festa?
A Festa da Santa Cruz é uma das mais antigas e populares do calendário religioso de Itapecuru Mirim, ficando atrás somente do festejo de São Patrício de Kelru.  De origem incerta, com informações a partir do trabalho abnegado de Francisco Antônio Gonçalves que durante mais de 50 anos, fez da Festa da Cruz o maior evento religioso de toda a região.
Em 1862, quando foi nomeado sacristão do padre Francisco José Cabral, (Publicador Maranhense, 10.5.1882), o Alferes da Guarda Nacional, Antônio Francisco de Sousa Gonçalves, assumiu a coordenação como “Mordomo” da Festa da Santa Cruz. Não se tem notícia se a festa teve origem naquela época.
Antônio Francisco Gonçalves mobilizava toda a sociedade para com as “Comissões Organizadoras” das noitadas. A festa durava nove dias, (novenário) e eram feitas as chamadas nos jornais de circulação da época com antecedência de três meses, juntando grandes multidões das redondezas e da capital.
Antônio Francisco Gonçalves, “reconstruiu e arborizou” a capela de Santa Cruz, no largo (Pacotilha, 20.9.1887 e Diário do Maranhão, 23.11.1879) e figurou como encarregado até 1908 (Pacotilha, 20.7.1908).
Em entrevista com octogenários conterrâneos, estes afirmam que “o povo antigo” falava da capela da Cruz, lá para o “o caminho do Pau de Arara”.  Talvez no local do Grupo Gomes de Sousa ou logo depois deste.
A partir de 1910 assumiu a coordenação da Festa os comerciantes Marianno Borges de Lima Castelo Branco e Salustiano Castelo Branco Silva que ficaram à frente dos comissionados por alguns anos assumindo a liderança do festejo, as famílias Sitaro e Bezerra a partir dos anos 20.

O comerciante e político Francisco Garcia Nogueira casado com Hilda Sitaro Bezerra foi mordomo responsável pela Festa da Cruz, por mais de 40 anos, até a sua morte em 1972. Com o falecimento do “velho” Chico Nogueira  a festa entrou em declínio. Por alguns anos  não foi realizada.
Porém os familiares do  Chico Nogueira, retomaram o compromisso com o festejo e  continuam  organizando a festa no mês de outubro. Infelizmente o evento não tem o mesmo brilho de outrora.
Apesar de residirem fora de Itapecuru, cada qual cuidando dos  interesses pessoais, no mês de outubro a antiga  casa da família na praça da Cruz, construção da época da gestão do  prefeito Bernardo Tiago de Matos,  continua abrindo suas portas, quando  se reúnem em Itapecuru para celebrar  a Cruz.
Vale frisar que as festas religiosas de Itapecuru Mirim eram administradas por famílias influentes. A antiga Festa de Santo Antonio, (trezena), era considerada uma das grandes festas da região, tinha por  responsável Antonio Gabriel, filho de escravos, mais conhecido como  Velho Bié. A festa se realizava na antiga capelinha, onde atualmente é a substação da Cemar. Nos anos 40 a 50 a festa  desapareceu. O festejo de São Benedito era de responsabilidade de  Abdalla Buzar Neto e sua família. A Festa do Espírito Santo era realizada por  Raimundo Francisco Veras, a de Nossa Senhora das Dores pelo casal Dominho e Cirene Sitaro e a  de São Vicente de Paulo, pela Confraria dos Vicentinos. Com o desaparecimento das famílias mantenedoras, as festas, gradativamente entraram em declínio.
Seria interessante que a Paróquia de Itapecuru Mirim e a comunidade católica assumisse a responsabilidade da  tradicional Festa da Cruz  para que no futuro não desapareça esse importante marco histórico da secular cidade.

domingo, 25 de outubro de 2015

A MINHA PAIXÃO


JUCEY SANTANA

Por: Moaciene Lima

Protetora dos poetas
Irmã dos compositores
Produtora cultural
Da AICLA também fundadora
Mãe amiga fenomenal.

Esta homenagem é pra você
Pois nela quero dizer
Quanto você é importante
Importante companheira
Mulher forte, guerreira,
De um caráter fascinante.

Linda meiga inteligente
Luz da paz, coerente,
Alegre e grande figura
Que trabalha sem parar
Com o seu trabalho vem mostrar
Uma nova casa da Cultura.

É minha flor pequenina
Como é linda esta menina
Sempre disposta a servir
Que a AICLA respeita e ama
Parabéns a esta linda flor
 JUCEY Santana.

                             Texto do livro inédito, Inspirações de Poetas itapecuruenses”.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

A CHAMINÉ DOS MENINOS ERRANTES


Por: Daniel Ribeiro
Passava das quatro da tarde quando Marcelino e sua turma resolveram brincar de esconde-esconde dentro da área do hospital Adélia Matos Fonseca, naquela extensão destinada a guardar os resíduos hospitalares do pronto-socorro e todo o lixo produzido por lá, não obstante, havia até um sumidouro onde vez ou outra um urubu brigava por uma placenta ou coisas do gênero. Todavia, entre os meninos da Rua Coelho Neto havia um grande fascínio por aquele lugar; carregado de misticismo, uma vez, que também ali se localizava a pedra, ou melhor, dizendo o necrotério para onde eram destinados todos os cadáveres que vinham a obtido no hospital. Os meninos adoravam o campinho de areia debaixo das mangueiras, era perfeito na falta de uma quadra, e também na época de manga, unia-se o útil ao agradável, diversão e um lanche natural. Dentre os amigos estavam Doda, Zé da Macaxeira, Pedrinho, Douglas, Manezinho e Panda, nomes de guerra da trupe, após intensa partida de futebol jogada, brigada, suada e cheirando a manga, todos esperavam o anoitecer para um dos grandes espetáculos daquele momento; a saída dos morcegos, direto do forro do Adélia Matos. O extermínio de morcegos, uma competição que movimentava o final da tarde, vencia aquele holocausto quem acertasse mais morcegos, no entanto, manter uma boa mira e sustentar o bastão que geralmente foram galhos de árvores, exigia disciplina, foco, muitas vezes, os morcegos é que acertavam seus adversários exterminadores, o fato é que se consagrava vencedor quem mais derrubasse aqueles mamíferos voadores. Então, Panda derrubara doze, exterminando possíveis reflorestadores tal qual a contribuição dos morcegos a natureza, a competição chegava ao fim quando soavam os gritos da mãe de Marcelino chamando-o para tomar banho, pois já passava das sete da noite.
Claro que a grande atração da meninada carregava consigo muito mais imponência, estórias, e grande fascínio, pois, um monumento tão bem construído como aquele, alto, alinhado, de uma engenharia a frente de seu tempo, quando fora construído, despertava o interesse de qualquer adolescente de treze anos de idade. O resquício de um passado glorioso que a cidade nunca tivera, a chaminé foi o que restou de uma antiga indústria de açúcar ou álcool, que seria produzido a partir da mandioca, não se sabe direito, pela falta de fontes seguras, o que se sabe é que se instalara há muitos anos atrás, na volta da década de 40, século XX, todavia, não foi pra frente. Contam os mais velhos que muita gente enriqueceu com as ruinas possível fábrica. O certo é que o legado que ficou transmitia muita engenhosidade na cabeça de Marcelino e sua turma, todas as tardes, logo após realizarem as atividades da escola, os que estudavam, reuniam-se em torno daquele edifício, existiam dois túneis que davam acesso ao interior da chaminé, e no cerne da torre o vento fazia um barulho esquisito e curioso; a escadaria de arcos de ferro levava até a topo e de lá a vista era privilegiada, da cidade de Itapecuru, no exterior também tinha uma escada que levava ao cume, porém ninguém se arriscaria a subir por fora.
Eis que Marcelino resolve desafiar seus amigos:
- Quem tem coragem de subir até o topo?
Sempre afoito, antecipasse Manezinho, - eu subirei, mas com uma condição!
- E qual é Mané? Doda
 Manezinho, - vocês terão que trazer a Joaquina até aqui pra eu ficar com ela!
Pedrinho que maquiavelicamente planejava se vingar de Mané, aceitou a proposta e ficou responsável por arranjar tal façanha.
Pedrinho, - meu amigo não se preocupe eu mesmo arranjo tudo aqui na chaminé.
         Acertado tal acordo sobe o inexperiente Manezinho, não sabendo o mesmo que ali havia um ninho de “suindara”, também conhecida como “rasga mortalha”, a coruja agorenta muito sinistra, diziam os antigos que quando uma rasga mortalha voa sobre uma casa e canta, é sinal que alguém vai morrer mito ou não, o que sucedeu foi que manezinho fora atacado por uma suindara enfurecida visto que o menino aproximou-se de seu ninho.
Todos riram muito de Manezinho ao descer todo sujo e arranhado de coruja, satisfeito Pedrinho vingou-se e ainda se divertiu muito naquela tarde. Voltando a jovem Joaquina, treze anos de idade, seduzia os meninos da Coelho Neto sempre tirando proveito e pregando-lhes peças, vez ou outra enganava Manezinho e Zé da Macaxeira, a chaminé também servirá de ponto de encontro da molecada, nas noites o esconde-esconde servia apenas de desculpa para Marcelino e Joaquina descobrirem os primeiros ensejos dos corpos ardentes, entretanto, a doce menina que apaixonava alguns não se prendia a ninguém.
Assim aquela velha chaminé foi um grande centro de descobertas aos meninos errantes da Rua Coelho Neto, ora fascinando-os com sua engenharia desafiadora, ora causando-lhes medo, pois, no período chuvoso alguns raios resolveram esculpir a antiga chaminé, já que o para-raios há tempos não era trocado. O quartel general da turma de Marcelino guardava consigo os sinais de um tempo que não voltará mais, todas às vezes, que os amigos se encontravam para reviver os velhos tempos de infância.
Numa dessas voltas ao passado descobriram que durante muito tempo brincaram e se divertiram sobre as ruínas de um grande tesouro da história de sua cidade, Itapecuru-Mirim, todavia, ninguém nunca se preocupou em preservar e retratar a história desse ponto histórico da cidade, Douglas, da qual não relatamos foi o único dos antigos moradores dos arredores da chaminé que retratou em seu livro; A chaminé dos meninos errantes, e desde então, já ganhou vários prêmios e tem despertado o interesse de estudantes e pesquisadores que pretendem manter viva a história de Itapecuru.




quarta-feira, 21 de outubro de 2015

SAUDADE DE ITAPECURU

Toada de Bumba-meu-boi 
Por: Moaciene Lima

Ai, que saudade estou sentido
Do meu torrão pequenino
Que fica lá no Maranhão
Ai, que saudade me dá,
Quando me ponho a pensar
Nesta flor do meu sertão.

Terra boa abençoada
Tu serás sempre amada,
Com carinho e devoção
Sinto saudade da Miquilina
Da minha Rosa Malvina
Do campo de Aviação.

Das tuas praças serenas
Sempre belas e pequenas
Minha verdadeira paixão
E festa de São Benedito
E eu distante e aflito
A relembrar teu São João.

Mergulho neste teu rio
Mesmo longe me dá arrepio
Oh! Que gostosa sensação
Viajo na serenata
Desta cidade pacata
Bate mais forte meu coração!

Tu és joia mais preciosa
A mulata mais gostosa
A flor mais perfumada
É a terra de Buzar
Eu vivo pra te amar
Itapecuru Mirim, idolatrada.


                              Texto do livro inédito, Inspirações de Poetas itapecuruenses”.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

ITAPECURU-MIRIM


20 DE OUTUBRO: ITAPECURU-MIRIM 197 ANOS DE EMANCIPAÇÃO POLÍTICA II

Por: Mauro Rego
         No ano de 1818, três anos depois que o Brasil se tornara Reino, unido ao de Portugal e Algarves, sob o domínio do rei D. João VI, era fundada e instalada a vila de Itapecuru-Mirim, sede da freguesia e do município do mesmo nome.
         Os moradores da Ribeira do Itapecuru, estabelecidos no chamado Arraial da Feira, já haviam dirigido aos monarcas anteriores, em várias ocasiões e a partir de 1767, solicitação para que expedissem o alvará de sua confirmação como Vila, eis que, as povoações fundadas em terras de particulares, quando emancipadas, recebiam essa designação, enquanto as criadas em terras da Coroa eram as que recebiam o título de Cidade. Até o início do século passado, em 1920, as vilas e as cidades eram sempre sede dos municípios.
         No início do Séc. XIX, o Estado do Maranhão já novamente se desligava do Estado do Grão Pará, estendendo o seu território além do atual Estado do Piauí. Era independente do Estado do Brasil, cujos limites iam do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul. A Ribeira do Itapecuru era uma das províncias desse Estado Colonial e se estendia da Freguesia de Nossa Senhora do Rosário até Aldeias Altas, acima da cidade de Caxias, passando pela Freguesia de Nossa Senhora das Dores. Esta povoação ia crescendo graças à prosperidade de seus comerciantes e dos proprietários de terras, engenhos de cana e escravos.
         Os apelos feitos desde o reinado de D.José III encontraram acolhida somente no de D. João VI, que a 25 de setembro de 1801 havia expedido uma provisão régia para criação da Freguesia e a 27 de novembro de 1817 concedia ao Fidalgo da Casa Real José Gonçalves da Silva, autorização para fundar, à sua custa, uma vila nas terras que aqui possuía. Pela autorização transmitida pelo Rei ao Ouvidor da Comarca do Maranhão, deveria ser comprovada a residência de pelo menos 30 casais brancos e de estarem prontas a Casa da Câmara, a cadeia e as casas destinadas ao abrigo dos tabelionatos.
         Assim, comprovado o cumprimento da exigência real, o Desembargador Ouvidor e Corregedor da Comarca do Maranhão, Francisco de Paula Pereira Duarte juntou-se ao Alcaide-Mor José Gonçalves da Silva, representado pelo seu procurador Antonio Gonçalves Machado e, diante da Nobreza, do Clero e do Povo que se achavam reunidos na Praça da Cruz, fundou e instalou a Vila de Itapecuru-Mirim no dia 20 de outubro de 1818. Durante o ato cívico foi lida a Provisão Real expedida em 27 de novembro de 1817 em consequência do Decreto de 14 de junho do mesmo ano que decretava a criação da Vila.
         Fundada e instalada a Vila de Itapecuru-Mirim, foi empossada a primeira Câmara Municipal, à qual competia a administração pública do município até o final de 1889, quando proclamada a República.  As dificuldades de transporte e comunicação com a sede do Reino, fez com que somente a 20 de março de 1820 o Rei D. João VI aprovasse e confirmasse o feito, determinando a criação das repartições jurídicas.
         Os registros pesquisados ainda não nos dão conta exata dos vereadores dessa primeira Câmara Municipal, mas acredito ter sido a mesma que, no ano de 1823, proclamava a Adesão do Maranhão à Independência do Brasil. Confirma-se, entretanto, a sua instalação, pois a 3 de março de 1819, o mesmo Desembargador Francisco de Paula Pereira Duarte oficiava ao Presidente da Câmara para confirmar os limites do novo município.

         É esta a História que queremos resgatar. É o fundador e Alcaide-Mor José Gonçalves da Silva que desejamos revivificar nas tradições desta cidade. A história de um município de 184 anos, do qual se tem eliminado meio século de existência, de uma cidade cuja Câmara Municipal participou de grandes lutas e conquistas políticas que honram a sua tradição, enriquecem a sua cultura e enche de orgulho os seus filhos.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

ITAPECURU MIRIM

A EMANCIPAÇÃO POLÍTICA I
Por: Mauro Rego
            Não sou contrário a que se comemore festivamente a data em que a Vila de Itapecuru-Mirim foi elevada à categoria de cidade, considero um equívoco não se festejar a sua data maior, qual seja a de sua emancipação política.
         A povoação Ribeira do Itapecuru, anteriormente denominada Feira, tem sua história iniciada em tempo muito mais distante da que se transmite à juventude durante essa comemoração atual, e sua luta para transformar-se em vila, sede de um município, deve ter sido muito árdua, porque surgira ainda no tempo em que o Brasil era colônia de Portugal, eis que seus habitantes haviam se dirigido ao rei D.. João VI em 12 de setembro de 1767, pedindo que a confirmasse como Vila, conforme carta que El Rei mandou ao Governador do Maranhão, datada de 25 de agosto de 1768, com o objetivo de pedir informações acerca de quem autorizara a sua fundação que lhe fora comunicada pelo desembargador Manoel Sarmento.
         É que as vilas eram sede de municípios e, para serem criadas, era necessário um ato oficial que lhe demarcasse os limites e determinasse a eleição e posse de sua Câmara Municipal; portanto, somente um ato de Sua Majestade poderia criá-las. Com a decisão régia de 25 de novembro de 1801, em que D. João VI criava a Freguesia de N. S. das Dores do Itapecuru-Mirim, o Sr. Bispo do Maranhão fez a sua provisão, nomeando o Padre Antonio Fernandes Pereira para ser seu primeiro vigário. Já havia, então, razões mais fortes para que se criasse o município, cuja sede seria a atual cidade que, para isso, seria elevada, na época, à categoria de vila.
         O exíguo tempo que me foi dado para escrever estas linhas não me permitiu vasculhar os documentos antigos do Arquivo Público de São Luís, para encontrar o ato real que fundou este município. Os registros de que disponho me informam, entretanto, que a Vila do Itapecuru-Mirim, sede da Freguesia de N. S. das Dores, foi instalada no dia 20 de outubro de 1818. A instalação da vila dependia da eleição de sua primeira Câmara Municipal, que tomou posse nessa mesma data.
         A existência dessa Câmara Municipal nesse início de século é comprovada pelo historiador Mário Meireles, que nos conta ter sido essa instituição a primeira a decretar a Adesão do Maranhão à In dependência do Brasil, em 1822, antes mesmo que essa decisão fosse tomada na Capital que, a28 de julho do mesmo ano, reconheceu como legítimo o ato da Câmara Municipal de Itapecuru-Mirim, confirmando, inclusive, os nomes escolhidos para integrar a Junta Governativa e Provisória do Maranhão.
         Outra prova da fundação de Itapecuru-Mirim muito antes da data que é oficialmente comemorada, foi quando da fundação da Vila de Santa Maria de Anajatuba, cuja lei de 22 de julho de 1854 determinasse que fossem ouvidas as Câmaras Municipais das Vilas de Rosário, do Itapecuru-Mirim e do Mearim, para que fossem estabelecidos os limites da nova vila, cujo território seria desmembrado desses municípios.
         A Câmara Municipal de Itapecuru-Mirim, em ofício dirigido ao Presidente da Província, Dr. Eduardo Olímpio Machado, no dia 6 de setembro de 1854, dava sua sugestão acerca desses limites territoriais. Eram vereadores os senhores Raimundo Janssen Serra Lima (presidente), João Antonio Rodrigues, Ignácio Francisco de Oliveira, Joaquim Ferreira Gomes e Sérgio Antonio Gouvêa, o que pode ser comprovado folheando os volumes 16 e 17 das correspondências entre as Câmaras Municipais e o Presidente da Província, no ano de 1854, existentes no Arquivo Público do Maranhão.
         Perdoem-me os leitores por esta quase contestação, mas estão atribuindo 125 anos a este município, quando na realidade estará completando 177 anos em outubro próximo. A designação de “cidade” sim foi conferida em 21 de julho de 1870, e foi uma espécie de título honorífico que lhe foi dado por causa de seu desenvolvimento urbano, pois nenhuma alteração produziu na sua vida política, ao contrário de sua fundação e instalação como vila, que estabeleceu seus limites territoriais, concedeu-lhe o privilégio de eleger a sua Câmara de Vereadores, terem os seus Juízes de Paz e o seu primeiro dirigente.

         É necessário que se resgate a história política do Itapecuru-Mirim para que se reconheça a efetiva data de sua emancipação, pois, como vem sendo feito, é como se deixássemos de comemorar a data de nosso aniversário natalício para festejar o dia de nossa colação de grau.

sábado, 17 de outubro de 2015

PEIXES DO RIO ITAPECURU



Por: Tiago Oliveira
       Neste tópico quero enfatizar a quase extinção de dois peixinhos a pataca (Tetragonopterus argenteus - Cuvier, 1816) e a pititinga (Engraulis encrasiocolus), que habitam essencialmente o leito do rio só sendo encontrados em seus igarapés próximo da foz dos mesmos e durante as cheias. Estes peixinhos de pequeno porte são fundamentais para a vida existir no rio, por habitarem a região que chamamos de flor d’água se alimentam de quase tudo que cai na água, tais como: insetos, larvas, matérias em decomposição e por isso servirão de alimento para os peixes maiores e para as garças, socós, martins – pescadores etc. Por isso, o desaparecimento de tais indivíduos trará consequências irreversíveis ao ambiente em foco. Para minha pessoa falar dos peixes do Itapecuru e manter o distanciamento necessário de autor, foi impossível, pois por vezes fiz minhas refeições embaixo de árvores na sua margem, servindo-me de toda a sua variedade e apreciando o sabor do melhor peixe do Maranhão e ver que atualmente os poucos que ainda são capturados sequer podem ser ingeridos devido ao gosto ruim da poluição que já entranhou em sua carne.

Acima se vê imagens de quatro exemplares de peixes, que já foram comuns e abundantes nas águas do Itapecuru, que são, a saber: Curimatá, Piranha Branca (Pirambeba), Caranbanja e Sarapó. Contudo, está população de peixes não só das espécies acima como de todas estão seriamente ameaçadas de extinção no rio, sendo que outras já foram extintas, por várias razões uma delas é que os verdadeiros donos da Ribeira do Itapecuru não povoam mais suas margens, e se o rio Itapecuru ainda fosse cercado de aldeias talvez sua realidade fosse outra. Principalmente, no que se refere à população de peixes seria mais abundante em virtude da consciência ecológica dos indígenas, que exerciam a atividade pesqueira apenas com o intuito de prover o seu sustento, sem objetivar lucro, já que, estes não comercializavam o mesmo e capturavam os que estavam propícios para a sua alimentação. Veja o que diz CESAR Marques em seu - Dicionário Histórico e Geográfico da Província do Maranhão: Em 14 de setembro de 1869 foi pescado com muita dificuldade um grande peixe chamado Espadarte (Pristis perotteti), na volta do Curimatá, no lugar denomido Croeiras, perto perto da Vila do Rosário, para onde foi conduzido e ai retalhado. Tinha 28 palmos de comprimento da cauda a ponta da espada e 12 de largura. Admira o ser conduzido n’água doce, e longe da foz d’este rio. Este fato vem mostrar o nível de preservação em que ainda se encontrava o rio, no final do século XIX e início do XX.
É claro que o sumiço dos índios da Ribeira em tela não o único motivo da extinção dos peixes do dito Rio. Já que, os relatos de pescadores ribeirinhos e alguns textos históricos dão conta de uma grande variedade e abundância de peixes vivendo em suas águas, mesmo até meados das décadas de 50, 60, 70 e até 80 do século XX, momento que a população ribeirinha aumentou drasticamente nas suas margens sem planejamento, levando a um crescimento desordenado das cidades e um consumo vertiginoso dos seus recursos, tais como: caças, água, terras, madeiras além do impacto gigantesco na quantidade e variedades dos peixes do Itapecuru.
Veja esta crônica: Sexta Feira, 23 de janeiro de 1963 – Página 3. Correio do Nordeste. Crônica de Zuzu C. Nahuz – A Enchente de 19924.
 Como me recordo de março de 1924, quando o Rio Itapecuru teve uma de suas maiores enchentes.As águas subiram assustadoramente tomando conta da estação da Estrada de Ferro e, ao lado da Cidade de Itapecuru até a Rua do Egito.Num domingo a tarde, papai resolveu levar seus familiares para um passeio de canoa, sob o comando do remador Vitor Almeida. Saimos as três horas da tarde e como me lembro da hora em que passamos dentro da estação do trem e que papai levantou a mão tocando a sineta.
 Depois, viemos sobre as águas pela linha do bonde puxado a burros e ao chegarmos próximo a casinha do mencionado veiculo, uma caçoeira impediu nossa passagem obrigado-nos a fazer uma volta muito grande para regressarmos a nossa casa.Nessa mesma noite fomos a residência do Coronel Climaco Bandeira de Melo assistir uma pescaria de caniço e anzol, no próprio quintal daquele saudoso politico.
O velho Rodolfo pegou nessa noite muitos mandubés, mandis, anojados, curimatás, piaus, branquinhas e surubins.Nesse tempo, o Rio Itapecuru era muito piscoso e meu pai tinha duas redes de pescaria e quando voltavam do Igarapé do Jundiai, a varanda de nossa casa ficava lastrada de peixes de toda as qualidades.Uma cambada de mandubés que era o melhor peixe da época, custava dois mil reis e as piranhas, sarapós, tubis e os cascudos, meu genitor dava a pobreza.O peixe era tão abudante que dezenas de homens e mulheres o salgavam, para vender para Anajatuba e Vargem Grande.Dizem que as maiores enchentes do Rio Itapecuru foram em 1917 e 1924, quando a cidade foi transformada em calamidade pública.
Sobre o tema acima moradores da cidade de Itapecuru-Mirim contam que os pescadores traziam muitos peixes do Igarapé Jundiai até meados da década de 80 do século XX, e que quando chegavam com as canoas anuciam a sua chegada com um berrante e nos serviços de autofanlantes, que existiam na cidade, atualmente este fato só existe na lembrança.
Destaco aqui, também os relatos do pescador Raimundo Nonato Alves, que nasceu na margem esquerda do Itapecuru, em 1955, no Povoado Areias, Município de Santa Rita. O mesmo relata, que desde cedo foi habituado a pescar e que pela metade dos anos 60 do século XX, ainda era possível pescar grandes quantidades de peixe de bom tamanho (pescadas de 9 kg, curimatãs de 3kg, surubins de 30kg, branquinhas de 250 g...) no Itapecuru e de toda variedade (mandubés, bagres, surubins, pescadas, camurins, curimatãs, branquinhas, mandis, anojados, papistas, douradas, sem contar os relatos das aparições do Peixe-Boi (Trichechus inunguis) à flor d’água), este último foi praticamente extinto, contudo em junho de 2013 o morador do Municipio de Rosário – MA, Geovane, trabalhador da Pedreira Ananheguera, encontrou na margem esquerda do Itapecuru, no Povoado Boa Vista, um Peixe – boi de aproximandamente dois metros de comprimento e trezentos quilos, morto e encalhado em um corrego, sendo que a causa morti do mesmo não foi estudada, infelizmente. Voltantando aos relatos do pescador Raimundo Nonato Alves o mesmo afirma, que naquela época a pescaria era feita ainda quase que de maneira artesanal por meio de puçás, jequis, cofos, anzóis e os métodos mais profissionais eram feitos com a utilização de tarrafas, redes de rabo e espinhéis, e segundo o mesmo as temidas redes de náilon (caçoeiras) eram raríssimas sendo introduzidas naquela região por um pescador da cidade Itapecuru-Mirim, conhecido por Miguel Arcanjo. Outro relato bem interessante do mesmo pescador dá conta da grande variedade de animais vivendo nas matas ciliares, que por serem preservadas, ainda abrigava muita vida além de informar sobre a largura do rio, que por ser tão estreito e preservado, que naquela região alguns macacos conseguiam atravessar o mesmo saltando de uma margem à outra, usando os galhos dos ingás (árvore comum da sua margem). Atualmente na região citada por ele que é conhecida como estirão do Taquipé (Igarapé afluente do lado esquerdo do rio) o rio tem quase duzentos (200m) de largura fruto principalmente do assoreamento causado pelas roças e quedas de barreiras, que são causadas principalmente pela retirada ilegal de areia e das vazantes (roças que são feitas na beira do rio).
Ligado a tudo isso temos, atualmente, outro grande problema que é a falta de consciência da sociedade comum um todo e principalmente das entidades públicas, que não exercem sua função disciplinadora e reguladora, sobre as questões ambientais. Os relatos dos pescadores e documentos antigos mostram que infelizmente muitas espécies já foram extintas e as que ainda existem estão em número reduzido e não conseguem atingir o seu tamanho ideal para o consumo, já que, são capturadas prematuramente, por redes que possuem malhas cada vez menores e tantos outros métodos predatórios. Tais como, os que elenco abaixo, mantendo a estrutura original que foi apresentada na forma de Banner no VIII EPICECEN da UEMA (Universidade Estadual do Maranhão), em maio de 2014. Com o apoio exclusivo do Colégio Jesus Maria José, Instituição que faço parte como professor desde janeiro de 2008, e que é sempre parceira em ações relativas a defesa do meio ambiente.

Pesca Predatória no Itapecuru
Um dos principais motivos para a diminuição do número de peixes no bioma em foco é a pesca predatória, que acontece durante todo ano. Contudo, o período mais crítico é a desova (piracema), que coincide com a época da cheia do Rio, pois, é nesta época que os peixes procuram os igarapés e a cabeceira do rio para a desova. Garantindo assim, a criação de novos indivíduos. As principais formas de predação estão elencadas, abaixo:

Redes de Remanso
 A margem do rio é constituída por pequenas enseadas, que faz com que o curso da água forme pequenos remansos (local onde á água parece não se movimentar), nestes lugares os pescadores costumam colocar suas redes a espera dos peixes, que utilizam a mansidão destas águas ou para subir o rio com maior facilidade ou para se alimentar, reproduzir e descansar por alguns períodos, tornando-se assim presas fáceis das redes de pesca (malhadeiras) com suas malhas cada vez menores. Quando eles não vão sozinhos são forçados a ir pelas batidas nas coivaras, que geralmente existem nestes locais e servem de proteção para os peixes.

Redes nas desembocaduras dos igarapés durante a Piracema (cheias)
 Até a década de 80 do século XX era muito comum um tipo de pesca muito agressiva a reprodução dos peixes, que era conhecida como Rede de Rabo, neste caso era utilizada uma imensa rede com formato de um saco de coar café, similar a uma tarrafa, que era colocada na desembocadura dos maiores igarapés (afluentes do rio Itapecuru), para capturar os peixes

Que desciam das nascentes dos igarapés após a desova e como a malha era pequena, até mesmo os impróprios para a comercialização eram mortos. Este tipo de pesca impedia os peixes de retornar ao leito do rio. Segundo relatos do Pescador Raimundo Nonato Alves de cinquenta e nove (59) anos, Raimundo Ferreira Muniz de sessenta e quatro (64) anos, Raimundo de Assis já falecido, que pescaram por vários anos com este tipo de rede, as mesmas também eram utilizadas durante a estiagem no leito do rio para capturar peixes nos pulsões ou lajeiros (formações rochosas muito comuns nos trechos próximos a foz do rio, que são constituídos principalmente de material sedimentar).

         Atualmente, o tipo mais comum são as chamadas malhadeiras, redes de náilon, que também são colocadas nas desembocaduras (foz) dos igarapés e nos seus banhados (áreas alagadas por eles) durante as cheias impedindo que os peixes procriem soma-se a isso a pesca com anzóis, barragens irregulares etc. formando um conjunto de fatores nocivos ao bioma em tela.