quinta-feira, 16 de junho de 2016

SABIÁ



Por: Gomes Meireles

Ela mora lá no Recanto dos Sabiás,
Onde havia palmeiras, arvoredos, matas e capins.
Hoje cantam apenas os pássaros coloridos dos palmeirais,
A quem o conhecemos extraordinários e vultuosos  bem-ti-vis.

Encontra-se ali, tão meiga, tão doce e querida;
Tens imagem de fera, coração de festim;
Imaginas a ternura que paira ali,
É obra de Deus, encontra-la próxima a mim.

O progresso impediu o encantado pássaro por lá;
Há canto e encantos em junho, julho a cantar.
Alguns confundem o bumba-meu-boi com o boi-bumbá;
O que tem mesmo por lá, é a voz, a ternura que não encontro eu cá;

Quando muito, numa infinita noite, longe e distante de lá,
Ouço o som de um cantar, sonolento dou-me conta eu cá.
A voz tão afinada deseja ficar,
E penso logo: acredito ser ela, tentando imitar o canto do sabiá.



segunda-feira, 13 de junho de 2016

ENTREVISTA COM BENEDITA AZEVEDO



          Jucey Santana, presidente da Academia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes, aproveitou a presença da confreira conterrânea, Benedita Azevedo para entrevista-la.
          Benedita Azevedo é maranhense de Itapecuru Mirim,  escritora, poeta, professora e autora de 24 livros individuais  e dois em parceria com amigos; organizou 23 antologias, inclusive a 1ª antologia da AICLA, tem participação com textos em 115 revistas e antologias; tem ainda, trabalhos publicados em jornais e sites. 
Publicou seu primeiro livro em 1985. Com a vida profissional  muito intensa,  somente a partir do ano 2000 pode dedicar-se à vida literária como sempre sonhou. Naquele ano, publicou seu livro “Voltando a Viver no Rio” e nunca mais parou de escrever. Até agora  publicou  26, sendo o último “O Segredo” que está no prelo e será lançado em 2016.

Jucey Santana: Em nome da AICLA, nossa academia,  da qual você é Membro Efetivo Fundador, dou-lhe as boas vindas à nossa querida Itapecuru.  Qual o objetivo de sua presença em nossa querida terra, este ano?

Benedita Azevedo: Eu havia planejado vir em julho, para resolver alguns negócios com minhas irmãs e participar de atividades da AICLA. Entretanto, recebi o convite para a festa do centenário da minha primeira professora, Anozilda Santos Fonseca, (Santinha), que também é sogra de duas das minhas irmãs, a festa  seria dia 07/06/2016, então, antecipei a viagem.

Jucey Santana: Dona Santinha é  mestra e exemplo para  todos nós. Além disso,  você tem outros objetivos para  esses dias que passará entre nós?

Benedita Azevedo: Com dois livros novos para lançar, minha nora, a professora  Elaine Azevedo, sugeriu que os laçasse na  FLAEMA – “Feira do Autor e Editor maranhense”. De posse do link, fiz a inscrição.  Farei a palestra “O haicai brasileiro”, dia 25/05 às 20h:20m, quando serei  homenageada pelos organizadores e logo a seguir será o lançamento do meu 9º  livro de haicai “HAIKAI DOOJIN” que significa “amiga do haicai”.

Jucey Santana: Marcamos  oficinas com os alunos da professora Samira, no Curso de Letras, e encontros com os acadêmicos da Faculdade UVA, o que você achou desta atividade?

Benedita  Azevedo: Foi muito gratificante: primeiro,  constatar que nossos conterrâneos não precisam se afastar de Itapecuru para realizarem o sonho de frequentar uma faculdade, fazer a graduação em algumas áreas.  Segundo, esta é uma das minhas atividades que mais  gosto: incentivar os alunos e novos escritores a ler e produzir seus próprios textos.

Jucey Santana: Quais suas pretensões para os próximos anos, em relação à produção literária?

Benedita Azevedo: Bem, agora que fiquei sabendo que o Projeto aprovado para publicação de autores da AICLA não deu certo, pretendo publicar meu livro “O Segredo” que fazia parte desta programação, em 2016. Esta obra completa um ciclo de narrativas sobre a vida da personagem Lúcia.  É ambientada em Itapecuru Mirim, São Luís e Santa Catarina. Além disso, estou organizando uma biografia do meu patrono na AICLA, Zuzu Nahuz, que deverá ficar pronta para 2017.

Jucey Santana:  Nossos agradecimentos à confreira, Benedita Silva de Azevedo  pela contribuição às letras Itapecuruenses e  colocamos esta página a sua disposição para suas despedidas.

Benedita Azevedo. Aproveito esta oportunidade para agradecer a  Jucey e Willian, pelo saboroso churrasco, no domingo, dia 15/08 e os papos noite a dentro em duas ocasiões, em sua residência.
Agradecer ao Beto Diniz que, gentilmente, conduziu-me em seu carro para visitar alguns locais da minha infância,  também, ao Inaldo Lisboa, que nos acompanhou em alguns eventos em Itapecuru e  São Luís.
Não posso deixar de ressaltar a rápida evolução de Jucey Santana no ramo das letras e parabenizá-la pelo  lançamento de mais um livro que servirá de referência para escritores e estudiosos:  “Itapecuruenses Notáveis”, uma obra para ficar na história.

Deixo aqui alguns haicais Itapecuruenses:

Rio Itapecuru...
O rio da minha infância
e da vida inteira.
-
Na velha estação,
novo trem ali parado -
Lembra-me outra máquina.
-
Meus passos da infância
para a escolinha de palha...
Refaço-os de carro.
-
Benedita Azevedo

domingo, 12 de junho de 2016

CORRENTES INVISÍVEIS



Por: Júnior Lopes

Estar em uma situação.
Na qual não se pode vencer.
Muito menos pedir ajuda,
Ou gritar na certeza de salvação.

É opróbrio de tristeza e escravidão.
Não se mede certeza sem saúde ter.
Não há ninguém que te acuda:
Terrível maldição!

Prisão sem muros.
Você tem liberdade de sair,
Mas está dentro de ti o jargão.

Distimia que te prende a touros.
Dor da loucura que deprime em ouvir.
Expulsa todos ao teu redor e te arrebata a grilhão.

Clame liberdade!
Concentre-se nos psicossomos que lhe restam.
Vença em qualquer idade
Tire a agonia e o espírito que não presta.

Deixe-a  pressa.
E vigia em cada luz acesa


Do livro inédito  OUTRAS VOZES  de Raimundo Nonato Lopes Júnior.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

PINGO DE DOR


Por: Gomes Meireles

         Um pingo d`´agua,
         Um pingo de sol,
         Um pingo de mar,
         Um amor pingado,
         amor sem pingo de vida.

         Pingo de vida muita dor,
         quando apenas um pingo de beijo sem amor,
         triste vida,
         apenas dor.



quarta-feira, 8 de junho de 2016

Soneto ao Poeta



Aos poetas, especialmente aos itapecuruenses.



           Por: Allison Rilktt

                          
Compreendê-lo é fácil, amá-lo é complicado!
Para ajudar é bom, mas quando quer é amargo,
tanto que quase não suporta a carga
de ser e descrever os apaixonados!

É um pecador que vive rogando aos Santos,
perde a voz esculhambando a dor,
na sua loucura ele até expulsa o amor
ou apenas grita e chora pelos cantos.

Sua sina é dedicar-se à composição
é racionar em versos as emoções por nós
e solidário a si, amar a sós!

Nobre poeta, vítima da tentação
de olhares, de beijos, seu calo e tormento,
seus amores, suas musas e seus eternos momentos!


Do livro inédito, ALMAS GÊMEAS  - uma jornada em busca do amor