segunda-feira, 7 de setembro de 2015

AS FLORADAS DE SETEMBRO


Por: Mauro Rego
            Sempre gostei de viajar de automóvel durante o mês de setembro, para apreciar as floradas características dessa época, aqui no Maranhão. Este ano, parece que houve um retardamento e, só em outubro, pude contemplar essa maravilha.
            São principalmente os ipês, com suas várias nuances, as árvores que mais dão cor à paisagem: roxos, brancos, rosa e, mais bonitos, os amarelos. O ipê, que chamamos vulgarmente de pau d’arco, durante as floradas, lança suas flores no chão, produzindo um tapete encantador.
            Não só o ipê, mas com as espatólias, as buganvílias e os flamboiants, tornam a paisagem inesquecível. E é nessa contemplação que a minha alma viaja no tempo, buscando as recordações mais distantes e acendendo as saudades de outros tempos.
            Hoje, ao contemplar essa maravilha às margens da rodovia, lembrei-me de um pé de ipê que se elevava defronte da casa de meus pais, exatamente na esquina da hoje Praça Cívica, e me entristeço ao verificar que, para atender às exigências do progresso, muitas árvores são destruídas.
            Ali, onde estava o meu pé de ipê amarelo, eu ainda conheci como a chácara de D. Sofia Silva, com seus pés de abricó, jaqueiras, cajazeiras, bacurizeiros, pitombeiras e muitas mangueiras de diferentes qualidades, que foi destruída na administração do Prefeito Luís Magno Câmara, na época da ditadura de Vargas, para que fosse construído, no centro, o Mercado Público Municipal, cuja maior novidade era um poço coberto cuja água era retirada através de uma bomba manual, já que naquela época não havia energia elétrica.
            Restaram, entretanto, o pé de ipê e uma mangueira frondosa na esquina da Rua Góis Monteiro (hoje Manuel Rosa Mendonça) e a Rua Nina Rodrigues, debaixo da qual uma grande tora de madeira lavrada cuja grossura era de aproximadamente cinquenta centímetros de lado, que servia para as pessoas se refrescarem nos dias de calor e estenderem esse tempo de lazer até a noite.
            Essa peça de madeira ficou conhecida pelo nome de “Pau da Paciência” e muitas pessoas se revoltaram quando o Prefeito Saul Bogéa Rodrigues, que já havia substituído o Mercado pelo Grupo Escolar Nina Rodrigues, decidiu derrubar a mangueira sob o pretexto de ali ser local de reunião de desocupados.
            Mas o ipê ainda resistiu por alguns anos até que foi também derrubado, não sei em que tempo. Para mim, a ausência daquele pau d’arco amarelo tirou a fascinação da praça.
            O pau d’arco, ou ipê, é uma das árvores cuja madeira é considerada nobre, servindo para confecção de moveis, principalmente aqueles mais requintados, dotados de ornamentações e só era comparado, nesse mister, com o jacarandá.  Esse o motivo por que vem sendo dizimado sem que haja um programa de reflorestamento capaz de evitar a sua extinção.
            Após os setenta anos a nossa vida é minada de recordações. Quantas coisas da infância são facilmente lembradas enquanto os acontecimentos mais recentes parecem desaparecer de nossa memória. Louvo essa maturidade que valoriza as coisas simples e pequeninas fazendo com que sintamos que não foi inútil viver.

            E quando a saudade evoca acontecimentos tão distantes, gosto de lembrar as fantasias que criei ao me encantar com a beleza de meu ipê amarelo derramando flores pelo chão como se fosse uma chuva de ouro.  E, como as pessoas não percebiam esse espetáculo, esse ouro era meu e com ele eu poderia comprar o império dos reis e os navios do mar.

domingo, 6 de setembro de 2015

DESTROÇOS DE BARCO ENCONTRADOS NO RIO ITAPECURU

Por Jucey Santana:
Alguns dias atrás dois adolescentes, brincando de mergulho, procurando objetos abandonados nas proximidades do antigo Restaurante Flutuante, localizaram uma preciosa relíquia. Trata-se dos restos de um barco de época incerta que tem chamado a atenção dos moradores como um acontecimento ímpar.
As especulações em torno dos destroços são muitas. No local surge os espertalhões e inescrupulosos querendo tirar vantagens pessoais e financeiras. Segundo os garotos apareceu um senhor que ofereceu dinheiro para que os mesmos conseguissem retirar o que pudessem. Foi feita então um mutirão com mais de dez homens na operação de resgate dos destroços, todos interessados nas vantagens financeiras. Poucos objetos foram retirados em virtude do barco estar muito enterrado. A enorme ancora encontrada foi levada pelo desconhecido.
Alguns Membros da Academia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes, foram avisados por Cambeba, Evandro Borges e outros quando interessados da cultura a respeito do achado e formaram uma comissão composta por Jucey Santana, Assenção Pessoa, Tiago Oliveira, Breno Bezerra e José Paulo Lopes, que foram ouvido pelo promotor público em exercício Benedito Coroba, também membro da AICLA, para estudar a melhor maneira do resgate do material encontrado, que servirá para pesquisa cultural, já que que por séculos o Rio Itapecuru foi o único meio de transporte para a região. Depois das decisões tomadas na Promotoria, foram recebidos pelo capitão Patrício do corpo de bombeiros aqui de Itapecuru que deu ciência da falta de equipamentos de mergulho para o estudo da área, tendo solicitado ajuda a guarnição superior da capital São Luis.
Trata-se de um achado histórico e único. Possivelmente um barco a vapor de pequeno porte, que transportava materiais de construção ou simplesmente passageiros, levando a crer que tenha sido da primeira metade do século XX (vinte), pelo fato de ter sido encontrado uma telha fabricada em Angra dos Reis localizado no Rio de Janeiro.
Como as primeiras olarias que se tem notícias em Itapecuru-Mirim datam do início dos Anos 40, na Gestão de Thiago Bernardo de Matos em seu plano de urbanização da cidade, que mandou vir oleiros de Rosário e da baixada para ensinar os Itapecuruenses fabricar telhas e tijolos, antes dessa época as telhas para cobrir as casas dos ricos, das estações de trem (de Itapecuru e Kelru) e até da fábrica de álcool vieram de fora.
Esperamos que uma equipe de especialistas atendam ao apelo da Promotoria e venha desvendar o enigma para posterior estudo da origem da embarcação e da época, já que não se tem notícia nenhuma de naufrágio.
O Agente Cultural Willame Paixão de posse de alguns objetos do barco, expôs na Casa da Cultura Professor João Silveira.


OS FENÔMENOS QUE A HISTÓRIA REPETE


Por: Mauro Rego
                        A nação brasileira está sendo olhada pela comunidade internacional com certo espanto, eis que dia a dia fica evidente que os verdadeiros mandantes desta terra de Santa Cruz são os rotulados pela corrupção, pelo enriquecimento ilícito, pelo descaso para com a dignidade do povo. Estes, dotados de um poder de persuasão alicerçado na pobreza, na desinformação e na educação precária que vitimou a maioria do povo, valem-se de suas próprias maldades para continuar no Poder.
            É dramática a situação da maioria dos municípios de pequeno porte, cujos recursos são, na quase totalidade, oriundos do Fundo de Participação. É interessante se observar o montante desses recursos. O que muitos não sabem é que cerca de 50% ou mais desse dinheiro ficam bloqueados parta pagamento de dívidas com o INSS e o FGTS, acumuladas pela má gestão de administrações anteriores que irresponsavelmente deixaram de pagar essas obrigações sociais. A combalida Previdência Social brasileira, cujo déficit já é difícil controlar, procura reaver esses valores devidamente corrigidos, o que compromete parte considerável dessas receitas.
            Mas muitos desses políticos que levaram os municípios a essa situação de quase mendicância, satisfeitos com as dificuldades por que passam administradores bem intencionados, continuam minando a consciência coletiva como se fossem os salvadores da pátria, acusando-os de inoperantes perante os pobres que não têm consciência de que as dificuldades de agora são consequência das más administrações antecedentes.
            As promessas de compensações financeiras para aqueles que, com uma certa liderança continuam “donos” do voto popular, continuam criando e fazendo renascer mitos milenares que surgem em razão da revolta popular e como forma de protesto. Na Idade Antiga, um cavalo foi eleito senador. Na história de nossa República, o hipopótamo Cacareco, da cidade do Recife, mereceu significativa votação para vereador. É esse mesmo fenômeno que fez do cacique Juruna Deputado Federal e que repete a história com a eleição do Severino para a Presidência da Câmara, ambos eleitos pelo voto de protesto, mostrando a sociedade que só o “incrível” pode demonstrar a insatisfação diante daquilo cuja mudança é difícil.
            Quantos outros severinos sorriem de suas vitórias, conseguidas em situação as mais esdrúxulas, mas que constituem motivo de euforia para uma população desesperançada. Desinformada e carente, dopada pela verbosidade criminosa daqueles que se beneficiam da miséria e da necessidade do povo.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

ÀS MULHERES


Por: Assenção Pessoa

Ao nascer toda mulher traz
O sonho tosco da liberdade.

Jovem menina, ingênua, fugaz,
Translumbra fonte de juventude.


De todas as formas e tamanho
A mulher é sempre um tesouro.

Poderosa, traça o seu caminho,
Promessas dos anos vindouros.

Doce, melindrosa, romântica,
Formas femininas em mutação.

Qual nosso ideal de mulher?

Empresária, confiante, atlética,
A Deusa de Vênus, sutil ação?

A fêmea amante, sempre o é.

BIDICA, BILUCA E OS MENINOS TRAVESSOS COMEDORES DE BOLO


Por: João Carlos Pimentel Cantanhede
– Corre, mamãe que os meninos estão beliscando os bolos!!! – gritaram Bidica e Biluca. Quando Tinoca apareceu na porta da cozinha, os daniscos já haviam desaparecido pelo fundo do quintal dela.
Tinoca era uma exímia fazedora de bolos em Cantanhede. Toda sexta-feira à tarde, ela fazia bolos de massa para Bidica e Biluca venderem no sábado, bem cedinho. Os bolos eram deixados para esfriar numa cozinha que ficava no quintal, separada do resto da casa.
            Naquela tarde, Tinoca fez os bolos e foi descansar um pouco dentro de casa quando alguns garotos travessos apareceram e começaram a beliscar os bolos, parecia um bando de pipiras comendo mamão. Mas, deixa que Bidica e Biluca ouviram o barulho deles no quintal e chamaram Tinoca. Elas foram ver os bolos e os encontraram todos beliscados.    
– Mamãe, nós sabemos quem são eles! – disseram as meninas.
 – Então, minhas filhas, vamos já na casa deles conversar os seus pais e pedir que me paguem o prejuízo! – falou Tinoca.
E assim, saíram as três com os bolos beliscados de casa em casa dos meninos daniscos. Tinoca contava o acontecido, e os pais sensibilizados com a situação dela, que dependia da venda dos bolos para ajudar no sustento da casa lhe perguntavam:
– Dona Tinoca, quanto é que lhe devo pelo bolo? – ela respondia e eles prontamente pagavam. Alguns dos moleques reclamavam, dizendo que não haviam comido um bolo inteiro, só uma bilasquinha.

Desse modo, com a compreensão dos pais dos garotos, ela conseguiu se livrar do prejuízo. E a partir daquele dia, aqueles travessos nunca mais apareceram para beliscar bolo no quintal de Tinoca, mas por precaução, Bidica e Biluca ficavam sempre vigiando.    

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

ITAPECURU-MIRIM, MINHA CIDADE!


Por: Nonato Lopes

No Centro-Oeste maranhense
Margem direita do rio Itapecuru
Desenhada por Tiago de Matos
Consagrada pelo sol matemático
De Joaquim Gomes de Sousa
Enfeitada pela luz de flores
Mesmo que tristes
Nos canteiros da poesia
Da lua de Mariana Luz
Do canto profético
De Luís Bandeira
E Sebastião Pinto
De sangue hospitaleiro
Da mistura de povos
Brasileiros, italianos, libaneses,
Portugueses, africanos, árabes
Espanhóis, Indígenas, franceses
Espaço balaio
De fibra e coragem
De nova roupagem
De novos amantes
Das belas artes
A AICLA nos diz
Cidade bonita
De um povo feliz. 



MÁQUINA DE QUEBRAR COCO;

OU COCO DE QUEBRAR MÁQUINAS?

       Por: Josemar Lima                                                                                Série de crônicas – ano II/nº 21/2015
 “11 de Setembro de 1946 – A imprensa de São Luís divulga a suspensão das atividades, depois de dois anos de funcionamento, da Indústria de Babaçu LDTA, instalada no povoado Kelru.”  Este registro, extraído do livro “O Dia a Dia da História do Itapecuru Mirim”, de autoria no nosso conterrâneo BENEDITO BOGEA BUZAR, jornalista, pesquisador e Presidente de nossa Academia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes, soa para muitos, medidas as proporções, como um desastre, uma tragédia para a emancipação econômica no Maranhão, mediante o aproveitamento industrial e integral do coco babaçu, recurso natural de produção quase exclusiva do estado do Maranhão. Terá sido mesmo essa desativação do complexo industrial de Kelru uma pá de cal sobre os sonhos de riqueza do estado mediante a industrialização do babaçu?

Estive recentemente no povoado Kelru, acompanhado do meu amigo e confrade TIAGO OLIVEIRA, onde visitamos as ruínas da “Fazenda Conceição” onde, em 15 de fevereiro de 1829, nascia Joaquim Gomes de Sousa e também as ruínas da “Fazenda São Patrício,” onde viveu o irlandês Lourenço Belfort, o Barão de Santa Rosa, ambas localizadas à margem direita do Rio Itapecuru e detentoras de um rosário de histórias que ainda precisam ser pesquisadas e contadas. As pedras, colunas e portões ainda estão lá como pergaminhos a serem abertos...

O Rio Itapecuru que viu tudo e foi cúmplice de muitas das histórias continua lá, caminha devagar pelo assoreamento de seu leito e tem os olhos embaçados pela crescente poluição de suas águas, mas resiste bravamente e ainda garante a sobrevivência de alguns teimosos pescadores.

Essa é uma luta que a sociedade maranhense tem que enfrentar, pois o rio vem perdendo seus afluentes desde que as fazendas de algodão e cana-de-açúcar começaram a ser implantadas em suas ribeiras, lá pelos idos de 1630; os vapores e as locomotivas iniciaram o consumo das árvores de suas margens como combustíveis e dormentes; as serrarias começaram a transformar em pranchões, grades, caibros e ripas as árvores mais fortes de suas margens e, por último, incentivados com créditos governamentais, os agricultores empresariais transformaram em pasto o que ainda restava de matas ciliares e represaram com açudes e barragens os seus tributários.

O governo federal, estadual e a maioria dos municipais continuam míope para a revitalização da bacia do Rio Itapecuru e só se preocupam em aumentar o quantitativo de água retirada para o abastecimento de São Luis e outras cidades ribeirinhas. O mesmo valor dos investimentos em uma nova adutora deveria ser destinado à revitalização do rio.

Essa deveria ser a lógica e fico perplexo com o silêncio do Ministério Público Estadual, diante de tamanho crime ambiental cometido pela CAEMA e latifundiários ribeirinhos contra o velho e alquebrado Rio Itapecuru. Se não tem uma lei específica, invoquemos o Estatuto do Idoso, afinal de contas o rio nasceu há mais de 300 milhões de anos atrás.

Matar ou deixar morrer um corpo d’água como o Rio Itapecuru é um crime contra a humanidade. Aumentar o volume de captação de água do Rio Itapecuru sem fazer quaisquer investimentos em revitalização de sua bacia é como retirar sangue de um paciente terminal! Voltemos à história do Complexo Industrial para Aproveitamento Integral do Babaçu:

Das instalações da “Cidade Industrial,” composta pela Usina, Laboratórios, Armazéns e Zona Residencial, que ocupavam aproximadamente 3.500 metros quadrados e envolvia diretamente 400 pessoas, já quase não existem vestígios. Consegui algumas fotografias extraídas da Revista Brasileira de Geografia, out/dez – 1957, mais precisamente de um relatório elaborado pelo geógrafo do Conselho Nacional de Geografia, Orlando Valverde, que visitou a área e fez, além dos registros fotográficos, as seguintes observações:

“Em Kelru, visitamos as instalações de outra fábrica ainda maior, que tomba em ruínas, pertencente a uma companhia paulista. A maquinaria dessa fábrica era mais complexa, vista que tinha em mira o aproveitamento integral do babaçu, inclusive para fazer alcatrão e um sucedâneo do chocolate que, conforme informação dos moradores chegou a ser vendido em São Luis”.

O interventor Paulo Ramos, que assumiu a gestão do Estado do Maranhão em 1936 e renunciou em 1945, era um entusiasmado defensor do aproveitamento integral do babaçu, como redenção econômica do estado do Maranhão. Manteve permanente articulação com o Governo Federal e com a iniciativa privada, principalmente de São Paulo, que dispunha do maior complexo industrial e tecnológico do Brasil.

Criou efetivas condições para que governo estadual incentivasse as empresas interessadas em investir na atividade, com a edição do Decreto-lei nº 573/42, que autorizava o Estado do Maranhão a permitir a utilização, a título gratuito, dos frutos dos babaçuais localizados em terras públicas, às empresas ou firmas nacionais, que se comprometesse em instalar usinas para industrialização integral do babaçu no território maranhense.


Empresas paulistas, organizadas em consócio, criaram então a Empresa Indústrias Babaçu Ltda., que se comprometeu em instalar uma usina experimental no prazo de dezoito meses, sendo escolhido o povoado Kelru, então pertencente ao município de Itapecuru Mirim, tanto pela grande oferta de matéria prima, como pela logística de transporte ferroviário e fluvial.

A nova empresa providenciou a aquisição de uma grande propriedade rural em Kelru, onde foi construída a chamada “cidade industrial” e a vinda de engenheiros civis, agrônomos, médicos, mestres de obras, e todo o pessoal técnico necessário à implantação e operacionalização do empreendimento, com envolvimento direto da população local devidamente capacitada.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

MAIOR CENTRO TURÍSTICO RELIGIOSO DO MARANHÃO



SÃO RAIMUNDO DOS MULUNDUS
Por: Jucey Santana
Este ano me aventurei a acompanhar a romaria dos devotos de São Raimundo dos Mulundus, de Itapecuru a Vargem Grande. Minha amiga Teresinha do Kid, falou-me que tenho que fazer todo ano agora. E agora?... Confesso que me impressionei com tanta devoção e ouso mesmo a afirmar, que não perde em nada para o outro santo milagroso, São José de Ribamar. Conversei com vários romeiros que testemunharam as muitas graças alcançadas por intercessão do Santo Vaqueiro.   Um exemplo é de Irismar de Jesus Lima Pereira a organizadora da romaria. Segundo ela ao três anos foi acometida de um eczema crônico nas pernas (dermatite), e sua mãe, dona Maria das Dores (Quita), usou todos os recursos disponíveis para o tratamento como, remédios de farmácia, unguentos, remédios caseiros até a benzedores, sem êxito. Então resolveu apelar à São Raimundo, prometendo que a jovem fosse a pé até o Santuário em Vargem Grande. Depois de curada – pelo santo – Irismar organizou a Romaria que este ano completou 28 anos, com mais de 1500 associados e outros tantos simpatizantes. Os devotos saem dia 29 de agosto, vencem os 59 quilômetros com uma pausa para descanso em Cigana outra no povoado Leite e depois de passar a noite andando chegam ao amanhecer em Paulica quando recuperam as forças para a chegada às 7 horas do dia 31, onde são recepcionados com a tradicional missa dos Romeiros. Este ano recebemos de presente a companhia da lua cheia.
UM POUCO DA HISTÓRIA
      A história inicia-se ainda no Século XVIII. Por volta de 1700 nascia na fazenda Nova Olinda, Raimundo Nonato Soares Ganguçu. Ele foi criado como afilhado “liberto” da abastada portuguesa proprietária da fazenda e desfrutando de certas regalias se tornou muito querido, respeitado entre os vaqueiros e moradores da vizinhança. Homem de muita fé e cumpridor dos suas obrigações, era devoto do Santo do seu nome. Das muitas histórias que ouvi transcrevo o depoimento do pesquisador José Mercedes Braga   de 96 anos (28.4.1919), natural de Nina Rodrigues: “desde criança que ouvia histórias dos velhos vaqueiros do meu avô, que diziam ter escutado dos mais “antigos”. Segundo eles, a madrinha de Raimundo, autorizou que este,  pegasse uma rês para comemorar o seu aniversário  com seus amigos vaqueiros. Ele foi campear com um cavalo e um cachorro e passou três dias desaparecido. Quando o encontraram estava morto ao lado do cão e do cavalo, petrificados, pareciam vivos. Alguns achavam que havia sido de raio, muito comum na região”. Houve uma comoção geral daquela gente simples e piedosa do interior, que sofria pelo vaqueiro amigo que perdeu a vida no cumprimento do seu dever. Os anos se passaram e o povo não o esqueceu.  Nasceu uma carnaubeira no local onde ele foi encontrado. Com o passar do tempo passaram a rezar pela sua alma, muito comum na época, e pedir graças e a noticia começou a se espalhar que o vaqueiro se tornara milagreiro e que em sonho indicava a carnaubeira como fonte dos milagres. De acordo com a crendice popular, a carnaubeira passou a ser usada como tratamento, para todos os males incuráveis:  sua cascas, palhas e até as raízes serviam para os chás milagrosos.
            No início do século XIX, foi construída no local da morte do vaqueiro, em Mulundus, uma pequena ermida de palha, para realizações de novenário no aniversário da morte do vaqueiro Raimundo, 31 de agosto, e a devoção se espalhou se transformando em centro de peregrinação.
            Vale registrar que toda a região era muito propícia a criação de gado que eram comercializados no Arraial da Feira atual Itapecuru Mirim.
            As crianças desde muito cedo começavam a aprender o mister de vaqueiro, que era a função de maior status entre os escravos. A profissão de vaqueiro passava dos pais para os filhos.
 A região que compreendia Itapecuru Mirim, Vargem Grande, Chapadinha, Brejo, Anajatuba, Manga (Nina Rodrigues), Araioses, Cantanhede e outras existia grandes fazendas de gados o que justifica as   centenas de vaqueiros devotos do Santo espanhol, que segundo a lenda, enquanto fazia suas orações a Virgem Maria esta enviava um anjo para guardar os rebanhos sob os seus cuidados, daí a ter um “representante” conterrâneo melhor ainda.
A PROMESSA
          Por volta da metade do século XIX, o tenente-coronel Francisco Solano Rodrigues fundou o Engenho Primavera, próximo a Mulundus, nas terras que antes pertencera à madrinha do Vaqueiro Raimundo. Ao comprar as terras adquiriu também a escravatura dos antigos proprietários com todos seus costumes e crendices. No local se estabeleceu com a família depois do casamento com a senhora Luíza Roza Nina Rodrigues, onde tiveram sete filhos: Djalma, Joaquim, Raimundo, Themístocles, Antônio, Saul, e Maria da Glória.
Muito religiosa Dona Luiza, quando chegou já encontrou a capelinha. Passou a fazer a manutenção e incentivar o culto a São Raimundo Nonato. Em 1862, enquanto gestava um dos seus filhos   se sentiu muito doente então fez promessa, que se tivesse um bom parto, o filho receberia o nome do Santo, porque além de protetor dos vaqueiros é invocado como patrono e protetor das parturientes e das parteiras, porque durante o seu nascimento a sua mãe faleceu e ele foi extraído vivo. 
O pequeno Raimundo nasceu no dia 4 de dezembro de 1862, porém foi uma criança com a saúde frágil e mais uma vez Dona Luiza recorreu ao Santo pedindo proteção e saúde ao filho e em troca prometeu fazer vir da Espanha uma imagem autêntica confeccionada na oficina sacra da terra natal de São Raimundo. Quando o filho atingiu a juventude a imagem foi encomendada. A trajetória da imagem foi difícil ela foi enviada à Portugal de lá foi feito o translado de navio para a capital São Luís, depois foi levada de barco a vapor até Itapecuru –Mirim quando as autoridades locais e eclesiásticas a transportaram até a igreja de São Sebastião e depois à Mulundus. A chegada da imagem ocorreu no penúltimo quartel do século XIX.

O filho da promessa, Raimundo Nina Rodrigues o mais ilustre filho da terra, foi médico, psiquiatra, professor e antropólogo. Faleceu em 1906.
Dona Luíza figurou como responsável pela festa durante muitos anos sendo seguida por seu filho o capitão Saul Nina Rodrigues que mesmo residindo no Engenho São Roque em Anajatuba, gerindo os negócios da família mantinha negócios em Vargem Grande tendo continuado como Mordomo da festa. Dona Luiza faleceu em 17.12.1911.  

O tenente- coronel Francisco Solano Rodrigues, foi juiz de direito, Comandante Superior da Guarda Nacional, da Vila de Vargem Grande, deputado constituinte, Presidente da Câmara de Anajatuba e grande benfeitor de Vargem Grande, tendo cedido uma das suas casas para servir de cadeia à Vila.
                                 TRANSFERÊNCIA PARA VARGEM GRANDE
Vale citar mais uma vez a conversa com o veterano José Braga, em sua grande mesa sempre as voltas com seus escritos: “Fui a primeira vez em Mulundus aos 16 anos, corria o ano de 1935.Nunca tinha visto tanta gente reunida. O que mais me impressionou foi a quantidade de foguetes e os cavaleiros desfilando com os cavalos muito bem arreados, com as mulheres nas garupas, já que na época não existia carros. Os cavalos eram uma beleza, verdadeiros desfiles de bonitas montarias com o rabo quase arrastando no chão e as crinas aparadas e penteadas.  Tudo lindo!”  Segundo ele lá fervilhava.  Era carros de bois, desfiles de cavalos, ambulantes apregoando suas mercadorias, batizados, casamentos, pagamentos de promessas, procissão e os bailes com as orquestras de fora.  Para a festa os romeiros improvisavam barracas de palhas e alegavam a falta de segurança motivando muitas escaramuças entre forasteiros e romeiros, resultando em mortes e feridos.
Desde o início do Século XX, começaram as campanhas pela imprensa, pelos moradores e principalmente pelos comerciantes para a transferência da festa para a sede de Vila de Vargem Grande. O povoado de Mulundus, era desprovido de estrutura adequada para a celebração da festa que havia se tornado muito grande.
Porém os tradicionalistas resistiam, por achar que a festa deveria permanecer no local onde iniciou. O resultado foram anos de negociações. Somente em 1953, na gestão do arcebispo Dom José Medeiros Delgado, houve a transferência da festa para Vargem Grande, passando a ter uma maior projeção. Os conservadores no entanto, inconformados continuaram celebrar São Raimundo Nonato em Mulundus, que em consenso a igreja fixou a data do evento no povoado para o mês de outubro e assim respeitando a religiosidade popular. A festa reúne fiés de todo o Maranhão também de outros Estados, em pagamentos de promessas.

O Santo Espanhol, São Raimundo Nonato foi um doutor da igreja, um grande Bispo e mártir da fé católica. Roga por nós, São Raimundo!

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

ILHA DA CIÊNCIA EM ITAPECURU MIRIM

PROJETO: “CONHECER PARA PRESERVAR”
Por: Jucey Santana
       Acontecimento inédito para a sociedade itapecuruense para a classe estudantil, a vinda Laboratório de Divulgação Científica “ILHA DA CIÊNCIA”, do Departamento de Física da Universidade Federal do Maranhão, com o apoio da Prefeitura Municipal de Itapecuru Mirim.
         O Laboratório foi instalado   nos dias 25 a 28 de agosto atender todas as escolas da rede pública e privada além de professores e a sociedade em geral.

Segundo o coordenador do projeto, o cientista e Vice-Reitor da UFMA, professor Antônio Oliveira, Itapecuru é um caso especial, por ter sido berço de um dos maiores gênios da humanidade, Gomes de Sousa, que muito contribuiu com a ciência universal.”.
Continuando, o professor enfatizou que os jovens precisam tomar gosto pela ciência, “a curiosidade despertada pelo céu noturno desafia a imaginação da Humanidade ao longo da sua história, e mesmo durante tantos anos de desenvolvimento científico e tecnológico, uma grande parcela da população nunca teve acesso à observação do céu através de telescópios, nem à representação do Sistema Solar feita por simulação em modernos planetários. O Laboratório é interativo de Ciência Cultura e Arte, porém trouxe só a parte da Astronomia, para  mostrar o sistema solar aos estudantes e explicar como a ciência explica o seu  funcionamento e assim contribuir para uma cultura científica efetiva que permita ao cidadão interpretar e compreender os fenômenos naturais, a origem do universo e a sua evolução, e assim popularizar a ciência.
O professor Oliveira veio acompanhado de monitores, constituídos de alunos de física da UFMA e a professora Ivone Lima que faz parte da equipe.

Durante os três dias será instalado na Praça Gomes de Sousa, Telescópio gigante para a observação do céu noturno, com a vantagem adicional de ser época de lua cheia, e no Itapecuru Social Clube, terá apresentação dos vídeos “Palco Celeste” e “Filhos do Sol” no Planetário Digital da UFMA para crianças adultos. E ainda  recolhimento de lixo eletrônico, pilhas, celulares  e baterias, pela Escola Jesus Maria José. A procura  pelos alunos tem sido intensa. Estima-se que mais de quatro mil pessoas visitarão a  ILHA.


terça-feira, 25 de agosto de 2015

VALORIZAÇÃO DA CULTURA ITAPECURUENSE

 PRODUÇÃO LITERÁRIA
Por Jucey Santana
Desde 2014 que a literatura Itapecuruense vem se enriquecendo  com várias obras lançadas pelos filhos da terra, despertando assim  da letargia de mais de meio século de silencio. Com a fundação da Academia Itapecuruense de Ciências Letras e Artes, em 2011, houve um despertar para as artes literárias, mostrando que a instituição cultural vem cumprindo os seus objetivos estatutários.
No ano de 2014 foram lançados as obras, “O Dia a Dia da História de Itapecuru Mirim” do imortal da Academia Maranhense de Letras e da Academia Itapecuruense de Letras, Benedito Buzar. O obra é destinada a professores e alunos, como fonte de pesquisa. Ainda no mesmo ano foi lançado por ocasião do aniversário de 143 do nascimento da poetisa Mariana Luz, a obra, “Marianna Luz vida obra e coisas de Itapecuru Mirim”, de autoria de Jucey Santana, que retrata a vida e resgata a obra da maior poetisa itapecuruense de todos

os tempos. Na obra também encontramos recortes da história da cidade com fotos da arquitetura antiga e de personalidades de destaques. Para finalizar o ano, foi lançado o livro de poesia, “O Velho, o Tempo e o Mundo” do poeta Zezoca Fonseca.
 Em 2015 já contabilizamos seis livros lançados. A professora Assenção Pessoa publicou dois livros voltados para o público infantil e por ocasião do aniversário de 145 da cidade nos presenteou com a obra “Itapecuru Mirim, sua gente, sua história”. É um livro didático que terá grande importância nas escolas para estudo da história, geografia e da nossa cultura. O poeta conterrâneo, Romeu Bandeira de Melo, residente no Rio de Janeiro, esteve também no mês de julho por ocasião do aniversário da cidade, para apresentar o seu, “Estela Luminosa” que resgata a memória dos membros da tradicional família Bandeira de Melo de Itapecuru Mirim.
Foi lançado ainda o romance, Cafés Amargos, da jovem escritora Sabryna Mendes, o mais uma vez o poeta imortal José Raimundo Fonseca, “Zezoca” nos brinda com uma obra poética: “Itapecuru, filhos e agregados” que narra a vivencia do autor, na terra de Marianna Luz, destacando lembranças de ocorrências e personalidades da sua infância no formato de poesia.
Vale registrar outras obras, de autores itapecuruenses, lançadas anteriormente, que despertaram interesse dos leitores da terra, pela sua importância histórica: Tudo Azul no Planeta Itapecuru, de Inaldo Lisboa (2006), No Tempo de Abdala era Assim, de Benedito Bogea Buzar (2011), Os Fantasmas do Campo, de Mauro Rego (2009), Mistério da Casa da Cultura, de Samira Diorama Fonseca (2013) e CANTANHEDE Memórias Terceiras, de autoria de João Carlos Pimentel (2010). Todas as obras citadas são encontradas na Casa da Cultura Professor João Silveira.

Existe mais de dez livros inéditos, de autores itapecuruenses, nas categorias: romances, poemas, pesquisas e didáticos, prontos para serem publicados necessitando apenas de patrocínios. Destacamos alguns dos autores com obras prontas:  Brenno Bezerra, Maria Sampaio, Jucey Santana, Júnior Lopes, Benedita Azevedo, Assenção Pessoa, Mauro Rego, Geraldo Lopes, Alisson Rilkt, Nato Lopes, Moaciene Lima, Tiago Oliveira e João Carlos Pimentel Cantanhede. Esta é uma comprovação da tradicional referência cultural do torrão de Mariana Luz e Gomes de Sousa.