sábado, 20 de junho de 2026

SALVE SÃO BENEDITO

                    

                                                 *Sara Cavalcante

                   Um tributo a São Benedito

                                               

   Na Itália, em bela terra,

   Na Sicília ele nasceu,

   Filho de negros escravos,

   Mas a liberdade recebeu.

   São Benedito querido,

   Muito o povo agradeceu.

 

   Desde cedo foi humilde,

   Conheceu discriminação,

   Mas venceu cada batalha

   Com amor no coração.

   Sua fé virou exemplo

   De coragem e devoção.

 

   Foi pastor ainda jovem,

   Depois frade se tornou,

   Nos caminhos franciscanos

   Sua vida consagrou.

   Mesmo sendo analfabeto,

   Grande sabedoria mostrou.

 

   Na cozinha do convento

   Era alegre ao trabalhar,

   Dividia o pão com todos,

   Sem jamais se negar.

   Por isso o mundo conhece

   Seu dom santo de ajudar.

 

   Muitos milagres fizeram

   Sua fama florescer,

   Multiplicava alimentos,

   Fazia enfermos viver.

   O santo negro e bondoso

   Nunca cansou de acolher.

 

   Sua devoção chegou

   Ao Brasil colonial,

   Virou símbolo de luta

   Contra o preconceito e o mal.

   Hoje é santo venerado

   Pelo povo em geral.

 

   No Maranhão querido,

   Em Nina Rodrigues também,

   Seu festejo atravessa

   Muitos anos indo além.

   É tradição que resiste

   Na memória que convém.

 

   Foi o Padre Laurindo

   Com irmã Iolanda ao lado,

   Que iniciou a grande festa

   Com o povo animado.

   Em quinze de junho de noventa e seis

   Tudo foi iniciado.

 

   As romarias enchiam

   As estradas de emoção,

   Com orações e promessas,

   Cantoria e devoção.

   O povo seguia unido,

   Na força da religião.

 

   Tinha dança e cultura,

   Muita festa popular,

   A cidade inteira viva,

   A sorrir e celebrar.

   E até hoje essa história

   Continua a ecoar.

 

   É na associação do Estica

   Essa festa popular

   Encontro de fiéis romeiros

   para juntos se alegrar,

   Tento barracas de vendas,

   Que o tempo não pôde parar.

 

   Grandes nomes se despedem,

   Dessa festa, porém.

   Temos o saudoso Zé Mila, e o Duarte também,

   A querida Mundoca e a irmã Iolanda meu bem.

 

   Dentre tantos outros nomes

   Que aqui não dá de listar

   Pessoas comprometidas

 

   Com esse ato popular,

   Mas que marcaram a história

   Da romaria do Estica.

 

   Até vinte e quatro de junho

   O festejo vai crescer,

   Pois São João Batista chega,

   Com seu brilho a aparecer.

   E São Benedito junto,

   Faz a fé florescer.

 

   Mesmo que em outubro

   Muita gente vá louvar,

   Em Nina Rodrigues é junho

   O mês santo de celebrar.

   Terra única e querida,

   Que nunca vai esquecer de amar.

 

   Salve São Benedito,

   Padroeiro cozinheiro!

   Salve o santo negro amado,

   Nosso guia verdadeiro!

   Viva São Benedito!

   Do povo fiel companheiro!

 


 

*Sara Coelho de Sousa Cavalcante, professora, poeta, cronista, cordelista e pesquisadora, natural de Nina Rodrigues (MA). Membro fundador,  da Academia Ninense de Letras e Artes – ANLA.

CAFÉ?

                                                                                                       *Paulo José de Oliveira

    — Você já tentou colocar açúcar?

    Perguntou quem nunca sentiu o gosto da minha amargura.

    E eu percebi, mais uma vez,
    que as pessoas oferecem receitas
    quando tudo o que temos são feridas.

    Cada um carrega sua própria xícara,
    preparada com os grãos que a vida lhe deu. 
    Alguns aprenderam a adoçar tudo, outros
    descobriram beleza no amargo,
    e há aqueles que bebem o café frio,
    não por escolha,
    mas porque a vida os fez chegar tarde demais.

    Ainda assim,
    todo mundo parece saber exatamente
    como o outro deveria tomar o seu.

    “Esquece.”

    “Segue em frente.”

    “Não vale a pena sofrer.”

    “Se eu fosse você...”

    Mas não são.

    E talvez seja aí que mora o erro.
  
    Porque ninguém sente uma ausência
    com o coração do outro.

    Ninguém atravessa uma madrugada
    com os pensamentos do outro.

    Ninguém conhece a profundidade de uma dor
    olhando apenas para a superfície dela.

    Lembro de algo que
    Fernando Pessoa escreveu certa vez:
    “Cada um de nós é vários.”

    E se já somos desconhecidos para nós mesmos,
    como alguém poderia conhecer por completo
    a tempestade que habita outro peito?

    Talvez seja por isso que tantos conselhos falhem.

    Não porque sejam maus.

    Mas porque nascem de experiências alheias,
    e toda dor possui um idioma próprio.

    O que curou alguém
    pode não curar você.

    O que salvou uma história
    pode destruir outra.

    O que foi remédio numa vida
    pode ser veneno em outra.

    Ainda assim,
    continuamos distribuindo certezas
    como quem distribui café em uma mesa. 
    Sem perceber que algumas xícaras precisam de açúcar,
    outras de silêncio.

    Algumas precisam de companhia.

    Outras apenas de tempo.

    A famosa e sempre citada Clarice Lispector escreveu
    que compreender é uma forma de amar.

    E talvez seja isso.

    Talvez o amor não esteja em dizer
    ao outro como ele deve sentir.
    Talvez esteja em sentar ao seu lado,
    olhar sua xícara pela metade
    e perguntar, com delicadeza:

    “Café?”

    Sem corrigir.

    Sem julgar.

    Sem oferecer respostas prontas.

    Apenas ficando.

    Porque às vezes,
    o que mais cura uma alma cansada
    não é alguém que sabe a solução.

    É alguém que aceita dividir a mesa.




*Paulo José Santana de Oliveira, estudante, cronista e poeta, nasceu em São Luis (MA) em 11 de março de 1999.   Filho de Fábio Nogueira de Oliveira e Gabriela Santos de Santana, estudou no Colégio Santa Teresa, é graduando do curso de Ciências Contábeis da UFMA.   Seus textos carregados de   sensibilidade  onde  extravasa  seus sentimentos,  são publicados regularmente no www.wattpad.com-user-Peraltajs,  com o pseudônimo de Peraltajs. É coautor da obra, O Iguaraense, 175 anos de Vargem Grande (2020), organizada por Jucey Santana e Púcaro Literário IV (2024),    organizado por  Jucey Santana e   João Carlos Pimentel Cantanhede.   Também tem poemas publicados no Jornal de Itapecuru e no blog literário de Jucey Santana: http://juceysantana.blogspot. com/



terça-feira, 9 de junho de 2026

PRÊMIO LITERÁRIO ACADEMIA LUDOVICENSE DE LETRAS, PRORROGA PRAZO DE ENTREGA DOS TEXTOS ATÉ 20 DE JUNHO

                                                                  


PRÊMIO LITERÁRIO ACADEMIA LUDOVICENSE DE LETRAS

 A Academia   Ludovicense de   Letras, anuncia    oficialmente  a prorrogação do prazo   de envio dos        textos, para o   II PRÊMIO LITERÁRIO ACADEMIA LUDOVICENSE DE LETRAS, agora, os interessados têm até o dia 20 de junho, de 2026, para participar da do Prêmio Literário, que busca valorizar o talento local por meio da literatura, com premiação aos 2 (dois) primeiros colocados de cada categorias literárias.

A Academia reforça que a intenção é garantir a participação do maior número possível de pessoas, valorizando cada produção com o tempo necessário para ser elaborada com qualidade. “Nenhum talento pode ser deixado de fora”, destaca o presidente da academia, em comunicado oficial.

Participem!
Novo prazo final para envio dos textos: 20 de julho de 2026.

  

                                     São Luís – MA, 09 de junho  de 2026

                                                 COMISSÃO ORGANIZADORA