terça-feira, 12 de maio de 2026

RAMPAS DE ITAPECURU MIRIM

                                                            As Rampas

 Jucey Santana

As rampas dos portos do rio Itapecuru tiveram grande importância, durante séculos, por garantir a acessibilidade de passageiros e cargas nos barcos à vapor que transitavam, soberanos nas estradas fluviais.

Em 1891, na gestão de Honorato Antônio Rodrigues, foi regulamentado o Código de Posturas do Município de Itapecuru Mirim, para disciplinar as regras de conduta dos habitantes, como pagamento de impostos, limpezas das ruas e calçadas, criação de bovinos, suínos, caprinos, ovinos, equinos, aves e outros.

O art. 16 do Código, regularizava as rampas, criando quatro Passagens Públicas neste rio Itapecuru, sendo duas nesta cidade, nos portos denominadas: Rampa da Manga e Rampa do Cobra, uma no Guaracy, no Porto da Laranjeira, e a quarta na Matta, no Porto de Caximbos.

As rampas eram administradas por um arrendatário (arrematação), que ficavam com a responsabilidade da manutenção e administração, de cada porto  e deveriam  estar a serviço das 5 horas da manhã às 9 horas da noite e refazer o contrato anual, no mês de janeiro.

A partir da inauguração da estrada de ferro em 1920, prestando relevantes serviços aos passageiros e ao escoamento da produção agrícola,  houve uma integração entre o transporte ferroviário e o fluvial, durante algum tempo. O prefeito José Carlos Bezerra (1922-1925), providenciou um  depósito/garagem para a guarda das cargas, do lado esquerdo do rio de acordo com sua promessa de campanha e construiu um bonde de tração animal, (burros), com sobras dos trilhos da estrada de ferro, para transporte de passageiros e de cargas, da garagem até  a estação ferroviária.  Mesmo com os transtornos ocasionados com a grande cheia de 1924, os danos foram reparados e entregues à população. O bondinho funcionou até o início dos anos 30.

A partir dos anos 30 a manutenção das rampas ficou a cargo dos prefeitos. Antes eram de responsabilidade dos arrendatários e dos empresários proprietários das companhias de vapores.

Com a preferência cada vez maior pelo transporte ferroviário, pela comodidade, pontualidade e conforto em detrimento do transporte fluvial, que durante as grandes secas ou as cheiras periódicas, ficavam muitas vezes parados ou necessitando de manutenção contínuas, as rampas foram gradativamente perdendo a sua importância.

Do livro, Sinopse da  História de Itapecuru Mirim (2028), de autoria de Jucey Santana