segunda-feira, 12 de outubro de 2015

AS ENCHENTES DO RIO ITAPECURU

Por: Tiago Oliveira 
         O ano de 2009 ficou marcado na história como uma das maiores cheias do Itapecuru, pois praticamente todas as cidades riberinhas do mesmo sofreram prejuizos materias, porém de Caxias até sua foz, este fenômeno teve nuances de catastrofe, um exemplo desta grande proporção pode ser vizualizada nesta imagem; tirada pelo morador, Sabino Bispo, que mostra a placa localizada na cabeceira da Ponte sobre o rio, no município de Itapecuru Mirim. O problema é que além das águas terem subido muito, estas passaram aproximadamente vinte (20) dias neste estágio, assustadoramente acima do seu leito normal, desalojando moradores das cidades e ribeirinhos, alagando plantações, matando animais afogados e talvez o pior de tudo conduzindo grande quantidade de lixo de toda a espécie para o leito do mesmo; exemplo o Bairro da Trizidela de Itapecuru – Mirim ficou totalmente coberto, e lembro-me de ter perguntado para um vereador se quando as águas baixassem o plano diretor da Cidade seria posto em pratica, para não permitir mais a volta desses moradores para esta área de risco, mas a resposta que eu ouvi, foi que isto não iria acontecer por se tratar de uma “medida imporpular”, ou seja, não dá votos. Porém, será que este foi um fenômeno isolado ao ano citado.
 Suas maiores cheias ocorrem entre os meses de fevereiro e maio e as maiores baixas entre os meses de agosto e novembro. O seu volume de água começa a ser aferido em Mirador, onde a média anual fica em torno de 17, 7 m³/s, na última estação fluviométrica, que fica no Município de Cantanhede a média anual fica em torno de 209m³/s; o seu recorde histórico catalogado foi, em maio de 1974 com 2.020m³/s e a mínima 36m³/s, em novembro de 1972 (IBGE, novembro de 2006). Sendo assim, a informação cita o ano de 1974 do século XX como marco de outra grande cheia, corroborando com o relato de vários pescadores entrevistados. No entanto, se dermos um salto ainda maior, para os primeiros registros das grandes enchentes encontramos as citações de (GAYOSO, 1843); GRAFIA DA ÉPOCA –

Quem sabe se acharemos a razão deste pequeno diluvio, na circunstancia de se haverem abatido os madeiros, que ficão nessas beiradas cujos os destroços tirando as barreiras o seu necessário amparo, forão precipitando as arêas no fundo rio, de que se originou o menor leito, para receber as águas do monte. O que he certo he que desde então pordiante, o rio se tem feito mais inavegavel, por causa dos muitos secos que impossibilitão o transito das canoas. No anno de 1788 ou 1789, foi tão extraordinaria esta afluencia de agoas, que passrão as febres a serem epidemicas: chegarão muitas cazas de alguns pobres a ficarem sem vivente algum. O que mais surprendeo nesta calamidade, foi não haver noticias alguma entre os mais antigos moradores, de ter havido no seu tempo huma tão prodigiosa enchente, nem tão pouco de haverem ficado allagados algumas cazas, em paragens baixas. Talvez aqui tenha aparecido os primeiros sinais da agreção humana ao Itapecuru relacionado as cheias desodernadas causadas pelas destruição das matas e ocupação irregulares.

Sobre o tema em foco, Veja o que diz: César Marques em seu Dicionário Histórico e Geográfico da Provincia do Maranhão, p. 342. 1870 - São Luís. Tipografia Frias .:Emchentes:

Em 1789 houve uma grande enchente que o Itapecuru chegou a medir duas (02) léguas de largura em alguns pontos; em 1805 ocorreu outra cheia similar a de 1789, desta vez trazendo grande epdemia para a população ribeirinha. As enchentes começaram a preocupar, pois com o aumento da população ribeirinha, consequetemente aumentou as agreções ao rio, por meio da agricultura praticada em suas margens e com a chegada dos vapores para o escoamento da produção; tanto as secas como as grandes cheias tornaram-se um problema que começou a ser explorado nos jornais da época. Por isso, em seguida aparecem a informação de duas grandes enchentes do Itapecuru a de 1875 e a de 1895. Observe esta matéria.  São Luís, Sexta – Feira, 05 de abril de 1895; Pacotilha. GRAFIA DA ÉPOCA. Itapecurú – Escrevem-nos: 
A velha cidade de Itapecurú proporciona a quem a visitou em época de verão e a revê agora. Um espetáculo singular e imponente, com a enchente do rio que a banha e que, transpondo, os esbarreiramentos de praia a largura da rua adjacente, chegou a invadir algumas casas que lhe eram perto.  Em dez dias o famoso rio galgou alturas que se suponha a salvo das suas águas, ainda no inverno o mais rigoroso e alastrou-se placidamente pela extensão que lhe ficava a margem, causando nas populações ribeirinhas um susto só comparável ao interesse com que, desde então se fala no crescimento das águas.
Quem vinha embarcado, saltava nesse tempo, num pequeno lugar plano, abaixo das barreiras da praia, subia por ela aproveitando o seu declive, transpunha adiante uma pontezinha de uns quatro metros de extensão de um metro e meio de largura, com corrimãos de mais de metro de altura e vencida umas pequenas distâncias em seguida. Estava numa das travessas que desembocam no rio...
[...] O rio crescendo sempre ia alargando seu domínio. Aqui e ali estendia, umas pequenas ramificações ou igarapés como aqui chamam. Invadindo cercados, os quintais e levando a humanidade a muitas braças de distância, onde, ao pisar-se, reconhecia-se encharcado o terreno.
[...] Dentro do estabelecimento que é do bom Velho Domingos Araújo, onde se pois cima d’água, que minando o prédio, o invadi-o subterraneamente, filtrando a água pelos tijolos. A casa comercial fronteira do Sr. Manoel Caetano Martins, um benemérito da localidade, está com as suas portas de frente e laterais fechadas para que o rio não a inunde.
[...] Perto do Caes, em um lugar fronteiro, umas mulheres pobres que ali tem umas casinhas em que se abrigão – lavam as roupas; tendo a água a banhar os seus pés.
[...] Em 1875, dizem, subiram tanto as águas que os vapores entravam pelas travessas e vinham quase á rua que fica imediatamente paralela a da praia.
         O grande jornalista Itapecuruense, Zuzu Nahuz, também fez registros destas enchentes, já que as mesmas são frequentes todos os anos, ou mais, ou menos, sendo ordinariamente a sua maior elevação no mês de abril. Lei sua crônica, abaixo:
Sexta Feira, 23 de janeiro de 1963 – Página 3. Correio do Nordeste. Crônica de Zuzu C. Nahuz – A Enchente de 19924.

Como me recordo de março de 1924, quando o Rio Itapecuru teve uma de suas maiores enchentes.As águas subiram assustadoramente tomando conta da estação da Estrada de Ferro e, ao lado da Cidade de Itapecuru até a Rua do Egito. Num domingo a tarde, papai resolveu levar seus familiares para um passeio de canoa, sob o comando do remador Vitor Almeida. Saimos as três horas da tarde e como me lembro da hora em que passamos dentro da estação do trem e que papai levantou a mão tocando a sineta[...]. A seguir temos outro registro de mais dessas interperes, pela qual o rio Itapecuru e a população necessitada já passou. Domingo, 10 de março de 1963. página 6. Correio do Nordeste - Rio Itapecuru alaga a São Luís – Teresina.
Vem causando sérias apreensões no ceio das populações visinhas, o fato de o Rio Itapecuru, com as últimas chuvas caidas no interior do Estado, ter subido de nível, a ponto de as suas águas haverem atingido a Estrada de Ferro São Luís – Teresina, desde o Km 210 até ao Km 216.Com o crescimento do volume das águas do Itapecuru, ocorreram diversos desmoronamentos de bareiras e aterros, fazendo com que a superitendência da REFESA neste Estado tendo adotado a medida extrema de suspender, até ulterior deliberação, o tráfego dos trens de passageiros e de cargas[...] Tão comum como as enchentes de grandes proporções é o fato de não haver nenhum estudo aprofundado sobre o tema, para minimizar os efeitos das próximas que virão, pois é notório que este caos é causado principalmente pela ação humana, ora qualquer cidadão com o minimo de consciência e visão de futuro percebe, que o futuro do do nosso Itapecuru é ser transformado em mais um “Tietê”, isto nas devidas proporções, porque no que diz respeito a sua utilização pelo homem as ações são similares. Então é só esperar a próxima enchente e ver o que acontece. Tão grave quanto as grandes cheias são as secas prolongadas, que já se tornaram tão comum, que não causa espanto aos menos desavisados, mas vale lembrar que o Itapecuru é a única, ou a principal fonte de água potável para boa parte da população maranhense e com a duplicação da captação para abastecer São Luís o problema vai agravar. Veja esta noticia:
Jornal - A Campanha, 18 de outubro de 1902. Rio Itapecurú – GRAFIA DA ÉPOCA Continua no rio Itapecurú rigorosa seca, dando lugar aqui os vapores que fazem a navegação até Caxias, gastem com uma viagem de ida e volta de 15 a 17 dias. 
Atualmente o volume de água do rio está tão baixo, que até mesmo as pequenas canoas, que são movidas a motores rabetas, tem dificuldade para vencer os trechos mais secos, já que em alguns lugares a profundidade não ultrapassa um metro. Por isso, no próximo tópico deste livro, serão expostos os principais tipos de agressão ao rio.
 O texto faz parte do livro inédito “Caminhos do Itapecuru” de autoria do professor Tiago Oliveira.



sábado, 10 de outubro de 2015

ASSIM FALA O RIO ITAPECURU

Por Geraldo Lopes

A cada dia que passa
A água fica escassa
O Maranhão que é rico
Em bacia hidrográfica

Três colegas nas fronteiras
Separando o meu Estado
O Parnaíba, o Gurupi.
O Manoel Alves Grande
Todos eles afamados

Mesmo assim não tenho inveja   
Já fiz muito por meu povo
Já matei a sua fome
E saciei a sua sede
Fui bonito quando novo

Hoje me sinto cansado
Vagaroso e turbulento
Minhas águas vão descendo
Com ajuda desses ventos.

Das pessoas que ajudei
Fui jogado apedrejado
Desmatado envenenado
Só ouço alguém dizer
Não deixe o rio morrer
Tão ficando envergonhado.

Quero pedir a vocês
Deixem-me em paz, por favor,
Devido ao desmatamento
Causando assoreamento
Aumenta mais minha dor.

Meu sofrimento é constante
Quando se fala em vazante
Percebo com lucidez
Atrás está vindo o veneno
Tanta maldade em vocês.

Que foi que fiz a vocês?
Por que tanta crueldade?
Os peixes estão morrendo
De tanta barbaridade.
Do lixo tenho o pavor

Tão jogando no meu leito
A coisa fica sem jeito
Eu peço meu protetor
Oriente esse povo   
Pra amenizar minha dor.

Agora vou lhe mostrar
A minha biografia
Lá na serra da Croeira
Nasci com muita alegria.

Passando por dez cidades
Que eu chamo estação
Mirador é a primeira
Estação da tentação.

Colinas é a segunda
A fazer a poluição
Caxias é a terceira
A fazer destruição.

Seguindo para Codó
Timbiras e Coroatá
Se alguém não agir sério
Eles vão é me matar

Nessas cidades que eu passo
Só querem me explorar
Pirapemas e Cantanhede
Estão no rol das outras
Continuo a desaguar

Seguindo o meu percurso
Eu pensei na solução
A próxima tem o meu nome
Confio nos meus irmãos
Chegando a Itapecuru
Foi grande a decepção

Vou chegando ao meu final
Fazendo-me estar feliz
Recebi um grande corte
Chamado ITALUÍS.
Querendo matar a sede
Do povo de São Luís

Rosário que é a última
Das estações da maldade
Não difere uma da outra
De nenhuma sinto saudade
1.450 quilômetros
Percorri com muita fé
Chegando ao meu destino
Baia de São José.


                          Texto do livro inédito, Inspirações de Poetas itapecuruenses”.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

O RIO ESTÁ MORRENDO

Por: Geraldo Lopes

Estou ficando enfraquecido
Eu sinto que vou morrer
Não cometa esta injustiça
A quem tanto ajudou você
Vocês estão me matando
Vocês vão se arrepender

Se no passado fui outro
Por que sabiam apreciar
As coisas da natureza
Perfeita para admirar
Não tenho culpa se és cego
De não poder enxergar

Cada ser uma consciência
Que lhe é particular
Rio abaixo rio acima
Transitaram muita gente
Já ofertei muito peixe
Produzi muito alimento
Meu atestado de óbito
Será de envenenamento

Discursos e mais discursos
Estão a me defender
Alguns com seriedade
Outros só pra aparecer
Enquanto nossas crianças
Não procurarem entender
Minha morte estar chegando
No futuro eu vou morrer.

Minhas veias afluentes
Quase não funcionam, mais.
Meu leito tem muita areia
Quando chove aumenta mais
Destruíram toda mata
E também os animais
Carreando muito lixo
Agrotóxico e tudo mais

Tudo isso provocou
Meu sofrimento cruel
Alguns tiram proveito
Enchendo o bolso com jeito
Projetos e mais projetos
Ficando só no papel

Esse dia vai chegar
De arrependimento e dor
A água que escorria
Vinha lá de Mirador
Escorrendo em cada rosto
Só lágrimas e muita dor

Fui Jardim do Maranhão
As flores todas murcharam
Provocaram um desatino
Na obra do meu divino
Até hoje eu me pergunto
Onde estão os assassinos
Que fizeram este estrago.

Nas margens do meu leito
Foi linda a vegetação
Espécies e mais espécies
Florindo o nosso torrão
Não faltando uma palmeira
Rainha do Maranhão

Bem conhecida do povo
Com nome de babaçu
Não esquecendo arvoreta
Chamada de urucu
Estou falando com orgulho
Do rio Itapecuru

Agradeço ao companheiro
Que nem conterrâneo é
Escreveu com muito amor
Preservando sua fé
Pois já viu rios morrendo
Ele sabe como é.

                          Texto do livro inédito, Inspirações de Poetas itapecuruenses”.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

O RIO ITAPECURU


Por: Tiago Oliveira
            Com uma bacia hidrográfica de aproximadamente 54.970 km² e uma extensão de mais de 1.000 km de comprimento, o Rio Itapecuru é o maior em extensão do Maranhão e o terceiro maior do Nordeste, atrás apenas do São Francisco e Parnaíba, sua nascente está localizada na região Sul do Maranhão no município de Mirador (dentro do Parque Estadual de mesmo nome, que foi criado pelo Decreto Governamental nº 7.641, de 4 junho de 1980 no Governo de João Castelo, cuja área aproximada é de 500 mil hectares) num conjunto de serras formado pela Crueira, Itapecuru e Alpercatas numa elevação, que fica a aproximadamente 530m de altitude, já sua foz está localizada na região Norte, no Município de Rosário, onde as águas são lançadas na Baia do Arraial ou São José a sudeste da Ilha de São Luís, por dois braços denominados Tucha e Mojó, vale salutar que apesar de tanta agressão o Itapecuru ainda continua perene. Inicialmente seu curso segue a direção Oeste-Leste, após uns 50 km de curso segue na direção da confluência com o Alpercatas no Município de Colinas. Após receber as águas do Alpercatas segue no sentido Nordeste, mantendo este sentido, até a Foz do Correntes, a partir deste lugar, muda o curso para o noroeste, vagueando até Caxias, quando vai manter a direção Sul - Norte até a sua foz.
A sua bacia como acontece com todos os grandes rios recebe vários cursos d’água, sobre este assunto ao contrário de apenas citar nome, trarei algumas informações sobre estes afluentes retiradas do MAPA POLÍTICO DO ESTADO DO MARANHÃO (IBGE, JAN. 2010):             
Rio Alpercatas nasce no Município de Formosa da Serra Negra, atravessa os Municípios de Mirador, Fernando Falcão e desagua no de Colinas, no lado esquerdo do Itapecuru, após percorrer aproximadamente 200 km de extensão; sendo este o maior afluente do Itapecuru e por ser perene e o que contribui com o maior volume de água.
Rio Corrente nasce no Município de Lagoa do Mato passando por Buriti Bravo onde desagua na margem direita do Itapecuru, após percorrer aproximadamente 75 km de extensão, continua perene.
Rio Itapecuruzinho nasce no Município de Parnarama passando por Matões, desaguando em Caxias onde desagua na margem direita do Itapecuru, após percorrer aproximadamente 93 km de extensão, continua perene.
Rio Pirapemas nasce no Município de Timbiras e atravessa este último e Pirapemas onde deságua no lado direito do Itapecuru, após percorrer aproximadamente 95 km de extensão, dependendo da estiagem fica apenas com grandes pulsões de água.
Rio Codozinho nasce no Município de Governador Acher e atravessa o município de Codó onde deságua no lado esquerdo do Itapecuru, após percorrer aproximadamente 80 km de extensão.
Rio Gameleira nasce no Município de Caxias atravessa o de Aldeias Altas, onde desagua do lado direito do Itapecuru, após percorrer aproximadamente 80 km, pode ficar seco durante a estiagem.
Rio Peritoró nasce no Município de Capinzal do Norte e atravessa os municípios de: Peritoró, Alto Alegre do Maranhão, Coroatá e Pirapemas onde desagua no lado esquerdo do Itapecuru, após percorrer aproximadamente 120 km de extensão, foi perene até a década de 70 do século XX.
Igarapé do Ipiranga nasce no povoado Santa Rita, no Município de Itapecuru-Mirim, desagua na margem direita do Itapecuru, após percorrer aproximadamente 30 km.
Igarapé Itapecuruzinho nasce nas proximidades do Povoado São Sebastião em Itapecuru – Mirim e desagua na margem direita do Itapecuru, nas proximidades do Povoado Barriguda no mesmo município, após percorrer algo em torno de 16 km.
Igarapé Jundiaí nasce no Município de
Igarapé Caremas nasce nos limites do Município de Anajatuba com Santa Rita desaguando neste último na margem esquerda do Itapecuru, após percorrer mais de 30 km.
Igarapé Nambucuim nasce no Município de Santa Rita nas proximidades do Povoado São Miguel, após percorrer mais de 20 km desagua neste mesmo Município na margem direita do Itapecuru. 
Igarapé Riachão nasce nas proximidades do Povoado Cajueiro no Município de Itapecuru Mirim e após percorrer mais de 20 km desagua na margem direita do Itapecuru.
Todos estes rios e igarapés citados já foram muito ricos em peixes e suas matas abrigavam grande variedade de vida, além de funcionarem como um grande sistema de capitação de água para o rio, porém se encontram tão ameaçado quanto o mesmo; pois enfrenta os mesmos problemas; estes cursos d’água tinham a função de irrigar o rio continuamente e com a morte destes o rio já não consegue mais manter o seu volume de água, por isso para salvar o Itapecuru deve-se salvar também os seus afluentes.
Ainda sobre a geografia do rio um dos entraves é que o Itapecuru por ser um rio de planalto, ou seja, com paredões (barreiras) elevados, este não possui muitos lagos e lagoas como os rios Mearim, Grajaú e Pindaré e os que existem estão geralmente ligados às nascentes dos igarapés e a córregos bem próximos do seu leito; essas barreiras no baixo Itapecuru entre Itapecuru-Mirim e Rosário encontram-se algumas que podem chegar a 50 m de altitude, como ocorre no Povoado Kelru e Barreiras. Tal característica foi desenhada nos primórdios da bacia do Itapecuru, que começou a ser formada a milhões de anos; veja esta matéria publicada no Jornal de Itapecuru, 02 de dezembro de 1990. A citação que vem abaixo além de trazer preciosas informações sobre a formação geológica do rio, ainda serve de parâmetro para uma possível utilização pela ciência e exploração do ecoturismo.
[...] Durante as escavações de fósseis às margens do Itapecuru, uma das coisas que mais surpreendeu os pesquisadores do Museu Nacional foi às rochas encontradas do período Cretáceo, que foram formadas entre 65 e 100 milhões de anos; sugerindo que toda a extensão do rio é rica em fósseis. As pesquisas foram lideradas pelo professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Cândido Simões Ferreira. Já o fóssil do Amazonasaurus maranhenses, que quando vivo media cerca de 10 metros e pesava aproximadamente 10 toneladas foi encontrado no Povoado

O texto sugere o perídio de formação do rio, que é algo em torno de 100 milhões de anos e ao mesmo tempo traz uma reflexão. De todas as espécies que já margearam o mesmo, apenas o homem branco em menos de quatrocentos anos de continua exploração já o comprometeu ao ponto, do mesmo já estar quase morto em vida aquática, perdeu quase que a totalidade de suas matas, reduziu o volume d’água, além de estar ficando insalubre.

Outra informação que trago alume neste trabalho são os relatos de Raymundo Gayoso, argentino, que fora degradado para a cidade de Rosário – MA. Veja como ele descreveu o Itapecuru, no seu livro Princípios da Lavoura do Maranhão, Pág. 98 – 1843. - GRAFIA DA ÉPOCA.

Hum dos principais rios da terra firme he o chamado Itapecurú. A sua boca principia, segundo algumas opiniones, onde se achão as ruinas da antiga fortaleza do Calvario, ou Vera Cruz, de que já falei, e foi edificadda no anno de 1620, para repelir os ataques do gentio que vinha embaraçar as plantações de cana estabelecidas pelas vizinhanças da boca do rio. Pertendem outros que a boca delle he mais para baixo da dita fortaleza, logo passada huma pequena bahia chamada Caldeireiro, vindo da cidade. Esta diversidade de opniniones dêo motivo a alguns conflitos entre varios sismeiros [...].
           Outro ponto de grande relevância a ser abordado é a largura do mesmo, que no seu alto curso possui poucos metros de largura, em média 10 a 30m e profundidade da ordem de 1,5m, em média, contudo em Mato Grosso essa largura é de apenas 5m, já entre Feira da Várzea e Mirador chega a 25m de largura. Após, receber as águas do rio Alpercatas; a largura chega a aproximadamente 45m. Neste ponto do rio, a profundidade máxima é de 2,60m medidos na cidade de Colinas: Veja o que diz: César Marques em seu Dicionário Histórico e Geográfico da Provincia do Maranhão, p. 342. 1870 - São Luís. Tipografia Frias:Lagura do Rio: seria de 20 a 25 passos da sua nascente até a sua confluência com o Rio Alpercatas, de 70 a 100 passos deste último até a Vila do Itapecuru e de 100 a 300 passos desta Vila até a sua foz.
Ao lado imagem (google.maps) do Parque Estadual do Mirador, na nascente do Itapecuru, que está sendo cercada por grandes plantações de soja, que serão transformadas em rações para porcos, gados e aves na Europa, Ásia e América do Norte e isto ocorre sem o mínimo de planejamento necessário para se manter a nascente do mesmo preservada, aliás só aumenta a especulação sobre estas terras. Localizadas entre os municípios de Mirador, São Raimundo das Mangabeiras e Formosa da Serra Negra. 
O texto faz parte do livro inédito “Caminhos do Itapecuru” de autoria do professor Tiago Oliveira   
 

domingo, 4 de outubro de 2015

MAJOR LIMA


Por: Jucey Santana
Joaquim Ferreira Lima, nasceu em Alcântara, em 23 de junho de 1886, era filho de Miguel Ferreira Lima e Catarina Lima.
O Major Lima, como era conhecido, em 1911 aos 25 anos comprou a propriedade do antigo engenho Kelru, fundado pelo nobre irlandês Lourenço Belfort no século XVIII. Na ocasião as terras pertenciam ao agricultor e político Constantino José Frazão a mais de trinta anos, que havia realizado um excelente trabalho para manter as características históricas do lugar, inclusive mantendo a festa do padroeiro, São Patrício. Constantino Frazão havia adquirido a propriedade de José Maria Berredo, o Barão de Anajatuba.
O casal teve vários filhos em Kelru, entre eles o General Raimundo Rivas, que foi Comandante Geral do 24 Batalhão dos Caçadores de 1963 a 1965. Em época da ditadura, por várias ocasiões o general intermediou os interesses públicos em benefício do município. O General Rivas foi casado com a escritora Osmira Lima. O casal não teve filhos.
 De espírito sagaz e ordeiro, o Major Lima, além de militar da Guarda Nacional, foi comerciante, agricultor e líder político, na região e em Itapecuru Mirim. A família Lima está de posse da propriedade há mais de um século e como o seu antecessor, Constantino Frazão, seus herdeiros mantêm a tradição, na conservação da “Casa Grande”, da Capela de São Patrício, a festa, a tradição mês de março, e a sua história.
Segundo informações existem só três telas do Padroeiro da Irlanda, O Bispo São Patrício. Duas estão em Nova York e a de Kelru, até hoje sob os cuidados da família Lima.
 De acordo com documentos do Arquivo Público Estadual, de 1743, dos negócios de Lourenço Belfort, naquele engenho, com minuciosa contabilidade, demonstrando alto nível da administração dos seus empreendimentos. (Arquivo Público. 34, c/144 doc.4659).
O Major Joaquim Lima faleceu em 28 de dezembro de 1960. (Informações prestada pela filha do Major, Maria da Glória, residente no Rio de Janeiro.

O local é aberto à visitação pública, para os interessados em pesquisas históricos.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

NASCE UMA VILA NAS RIBEIRAS DO ITAPECURU



E O RIO MOSTRA SUAS VÍSCERAS

Por: Josemar Lima                                                                          série crônicas – II/nº 22/2015
Foi no dia 20 de outubro de 1818 que a então Povoação de Itapecuru-Mirim transformou-se na Vila de Itapecuru-Mirim. Naquela época existiam aqui 138 edificações, a grande maioria casebres com paredes de taipa e cobertura de palha de babaçu, que abrigavam uma população de 767 indivíduos. Isso aconteceu faz exatamente 197 anos.
A solenidade aconteceu na Praça da Cruz, com a presença do clero, nobreza e povo. Foi levantado o pelourinho, uma coluna de pedra colocada num lugar público, onde eram punidos e expostos os criminosos.  Uma espécie de instrumento da jurisdição imperial. Foram eleitos dois juízes ordinários e um juiz de órfãos, vereadores e as oficinas na forma da lei.
Creio que alguma instituição local aproveitará o ensejo para celebrar esse importante passo que nossa povoação deu no seu processo de evolução administrativa.
Leio no Blog da amiga Jucey Santana que foi encontrado no leito do Rio Itapecuru os destroços de um Barco a Vapor e que a AICLA se mobilizou junto ao Ministério Público Estadual no sentido de que tão importante achado possa ser incorporado ao nosso patrimônio histórico, para estudos e pesquisas visando situar esse evento, não registrado em nossa história, na sua devida linha de tempo e tentar desvendar a história desse naufrágio.
Até o inicio do século XX, o rio Itapecuru era a principal via de escoamento da produção regional. Sua importância a nível estadual era grande devido ao fato de ser o canal de transporte de produtos do interior até a capital. Com a construção da estrada de ferro São Luís/Teresina, na década de vinte, paralela ao rio e posteriormente com o asfaltamento da BR-135 na década de sessenta, o rio perdeu esta função. 
A navegação a vapor nesse rio estendia-se de São Luís até Caxias. Daí por diante (trecho de pequenas corredeiras) a navegação se fazia de lanchas até Colinas.
O primeiro obstáculo à navegação da foz à nascente é a cachoeira de Vera Cruz, localizada no município de Rosário/Ma, só transposta em preamar. Daí se estendia, na baixada, uma larga zona, até Itapecuru -Mirim, francamente navegável. À montante da cidade de Itapecuru, entrava-se na zona crítica dos “secos”, que dificultava seriamente a navegação dos Barcos a Vapor.
A navegabilidade também se tornou prejudicada pela formação de bancos de areia, resultante do assoreamento que obstruía os principais canais, dificultando a passagem de embarcações de tamanho médio, principalmente no período de estiagem.
Jerônimo de Viveiros, em “A História do Comércio do Maranhão”, diz que Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, em plena Balaiada (1840), reconhecendo a necessidade da navegação fluvial para jugular a revolução, pediu à Assembleia privilégios de vinte anos à companhia que quisesse explorar a navegação. Somente em 1849, o legislativo maranhense resolveu estimular a iniciativa privada, autorizando um vultoso empréstimo sem juros a quem fizesse a navegação a vapor no Rio Itapecuru, sendo Caxias o ponto terminal da linha e Rosário, Itapecuru Mirim, Coroatá e Codó portos de escala.
Requereu a concessão a casa comercial de Domingos da Silva Porto, já a beira da falência, que importou o navio “Caxiense” de quarenta cavalos de força. Nos primeiros dias do mês de maio do ano de 1849, chegou a Rosário o navio a vapor, o gaiola "Caxiense", da Companhia de Navegação a Vapor do Maranhão, que fazia a viagem inaugural de São Luís à Caxias, iniciando assim um período de comunicação e comércio mais intenso da capital da província ao interior. Navegou apenas dois anos, e, imprestável, foi encostado.
Teixeira Mendes organizou, com as firmas Leite & Irmãos e José Pedro dos Santos & Irmão a Empresa de Navegação a Vapor dos Rios do Maranhão e firmou contrato em 1856 com o Governo da Província. 
O primeiro trecho, de São Luís a Rosário, era feito por navios de setenta a cem cavalos de força e o segundo, de Rosário a Caxias, por vapores de quarenta a cinquenta. Teixeira Mendes foi buscar na Europa o primeiro navio da Companhia, chamado “Pindaré”. 
A Companhia prosperou, e em 1870 já possuía nove vapores, sendo o de maior comprimento o chamado “Maranhão” com 176 pés e capacidade de 150 toneladas. O de maior capacidade era o Gurupi, com 156 pés de comprimento e capaz de transportar 411 toneladas. A linha costeira do Rio Itapecuru foi de longe a mais rentável em relação às outras seis linhas operadas no estado do Maranhão.
Toda a industrialização das cidades ribeirinhas no inicio do século vinte, utilizou o rio para transportar as máquinas. Vinham caldeiras, teares, roldanas, polias, prensas e todos os componentes importados da Inglaterra. Eram utilizados batelões puxados por resistentes navios gaiolas. 
Os vapores mais conhecidos foram: "São Pedro", "Rui Barbosa", "Gomes de Castro", "São Salvador", "Ipiranga", "O Maranhense", "São Paulo", "Santo Antônio", "Carlos Coelho" e "Balão". O "Gomes de Castro" foi um dos primeiros a navegar nas águas do Rio Itapecuru.
 Anos depois, o "O Maranhense" naufragou adiante do porto da Gameleira, tendo sido trazido para a cidade de Codó, uma de suas partes, pelo conceituado médico da cidade, Dr. José Anselmo de Freitas. Destino igual ao "O Maranhense” tiveram também "Carlos Coelho" que naufragou em águas do rio Mearim, e o "São Salvador", que transportara o presidente Afonso Pena, quando de sua viagem até Caxias, naufragou num lugar chamado Caixeira, no município de Rosário, anos depois. 
A navegação no Rio Itapecuru marcou uma época em nossa história, trazendo o desenvolvimento ao interior do estado. Hoje, diferente do passado, o rio é visto pela população maranhense como fonte estratégica de água, para os centros urbanos, principalmente para os moradores da Ilha de São Luís. 

Vimos, portanto, que nos tempos áureos da navegação a vapor, pelo menos onze dessas máquinas revolucionárias, cujas caldeiras eram abastecidas por lenha coletada às margens do próprio rio, navegavam por essa imensa avenida hídrica que se estendia de São Luis à Caxias, aproximadamente 500 quilômetros de hidrovia navegável.
O maior Barco a Vapor que operou no Rio Itapecuru, como vimos, foi o “Gurupi”, com capacidade de transportar 411 toneladas, correspondendo a aproximadamente à capacidade de 20 carretas a diesel, tendo comprimento de 156 pés, o equivalente a 47,5 metros.
Há, como mencionado, registros de naufrágios de pelo menos três desses navios, mas nenhum deles nas proximidades de Itapecuru Mirim, o que torna o achado ainda mais importante e merecedor de todos os cuidados na recuperação dos destroços e utensílios nele existentes. Outra hipótese é que os destroços não sejam exatamente de um Barco a Vapor, mas de um dos Batelões que eram rebocados com cargas, como se observa na foto ilustrativa.
O Rio Itapecuru, com volume d’água capaz de permitir a navegação de um Barco a Vapor com capacidade de transportar 20 carretas à diesel e engolir um desses barcos sem deixar vestígios por mais de 160 anos, hoje apresenta dificuldades para a navegação até de pequenas lanchas e deixa a mostra resquícios de suas vísceras e daquilo que era capaz de engolir sem se engasgar quando era um rio saudável e bravio.

Atualmente perdeu a função de navegação, mas continua a matar a sede de mais de um terço da população maranhense e tem como retribuição lixo e fezes empurrados goela abaixo e, ainda, a indiferença das autoridades, principalmente da CAEMA, que se abastece como um vampiro de seu sangue e não dispõe de nenhum programa de revitalização da bacia hidrográfica do venho rio. Um crime inafiançável! 

DOMINGUES LEANDRO


Por: Nato Lopes
Domingues Leandro da C. Mendes, ilustre Itapecuruense, nascido num quilombo, sob a dedicação dos pais, agricultores, e com a ajuda indispensável de alguns professores, é, sem dúvida, um exemplo de como se vence o preconceito com determinação, competência e amor para se atingir o objetivo almejado.
            Domingos Leandro nasceu no quilombo Buragi, interior do município de Itapecuru-Mirim-MA, cujos donos eram seus avós Apolônio dos Santos Mendes e Rosa de Lima Mendes, que herdaram também o sobrenome do português Xavier Mendes, que era o dono da terra, e que, antes de morrer, deu aos negros a posse da gleba Buragi, que assim é chamada por haver em abundância, na região, uma árvore conhecida com esse nome. Os primeiros brancos a entraram no quilombo foram Coló de Abreu e Siló Lago
Filho único de Flávio Germano Mendes e Antônia Ferreira Mendes, ele trabalhador do DER, ela de afazeres domésticos e mãe exemplar, veio junto com os pais, aos quatro anos de idade, morar na cidade, sendo sua primeira residência no local, onde depois foi a oficina de nosso conhecido amigo Raimundo Maxixe.
Domingues Leandro  – Seu LIA, como era conhecido, ainda criança, vendia bolo da padaria do Sr. Manir aos aposentados do INSS, que iam receber seus proventos no Banco do Brasil, vendia quentinhas, auxiliava seu pai na venda de redes. Também vendia picolés na estação de trens, na Trezidela, e no entroncamento. Foi durante o asfaltamento da BR 222, que mais vendeu picolés, lembra Domingues. Todavia não se desgarrava dos estudos, que era desejo também de seu pai. Estudou na escola Maria Goreth, dirigida pela Professora Socorro Fonseca, por quem tem um carinho muito especial, e as eternas professoras, Inês de Zé Cuduca e professora Baia. Fez os anos curriculares do CEMA, e o segundo grau na Escola Agrotécnica de São Luís-MA. Seu Curso Superior em Administração, fez na UFMA
DOMINGUES LEANDRO foi o primeiro negro a ser gerente do Banco do Estado do Maranhão e do BRADESCO, e a ser Presidente do Itapecuru Social Clube. Foi o primeiro Presidente do Grêmio Estudantil Dep. José Ribamar Lauande Fonseca, no CEMA. É técnico, professor, historiador, escritor, com vários cursos técnicos na área agropecuária. Foi convidado a candidatar-se a uma vaga na AICLA.
Ele gosta de pescar, saborear comida típica nordestina, também curte uma boa música lenta, de preferência Elton John. Também não esquece seus colegas de brincadeiras e futebol. Entre eles estão Jeje do Banco do Brasil, Raimundão, Telmo, Jairo de Belisca, Zequinha de Zé Cuduca, João Batista, Parrudo, Eudinho e Vandinho.

DOMINGUES LEANRO é casado, pai de cinco filhos. É maçom, evangélico. Atualmente pretende terminar a revisão em um livro inédito de sua autoria, cujo título é VIVENDO COM A INIMIGA, um romance de amor. Pretende lançar brevemente o livro de sua autoria BARÃO DE ITAPECURU, a História de Itapecuru, de sua origem etimológica, até os dias atuais.
DOMINGUES usa os meios de que dispõe para lutar por uma nação mais justa para com seu povo e por uma Itapecuru-Mirim que ofereça melhor qualidade de vida a seus habitantes.
 Tem como lema: EDUCAÇÃO E AMOR.