quinta-feira, 3 de março de 2016

MARIANA LUZ



Por: Nascimento Morais (1946)

    Uma das mais brilhantes poetisas maranhenses. Professora  que foi durante muitos anos, toda sua atividade moça e todas as suas energias mentais, dedicou à educação da infância de Itapecuru.
Quem vive no mundo furta cor das crianças, como uma das suas partes integrantes, sentindo, pensando e imaginando com suas crianças, acompanhando-as nos seus recreios, surpreendendo-as nas suas concepções, não percebe o seu próprio envelhecer. Faz consigo o milagre da ressurreição, a cada geração que passa pelas suas mãos.
    A mocidade é contagiosa. Transmite aos seus condutores a sua alegria de viver, as suas emoções cristalinas, o colorido fascinante de suas ideias, e envolve-as nos remígios de seus sonhos e esperanças. A tristeza e a melancolia não embaraçam os passos, em lhes curvar sobre o peito a cabeça, carregada de desilusões.
    A mocidade garrida é a eterna ilusão da vida, sempre formosa, atraente e feiticeira, e o professor goza a volúpia dessa ilusão através das gerações que passam céleres, ruidosas, toda entregue a vida que é saúde e robustez do ler a emergir deslumbrante do não ser.
    Assim viveu Mariana Luz, ensinando suas crianças, embevecida pela paisagem sugestionadora do lendário  Itapecuru Mirim a grande expressão histórica do Maranhão que se foi com a sua lavoura,  os seus guerreiros,   bravura dos seus independentistas, com a pujança de sua população.
    E assim envelheceu Mariana Luz, dentro de sua escola, à margem de seu rio, dentro de sua paisagem, a recordar às relíquias de um passado ditoso, enamorado da natureza fecunda que lhes inspirou os brilhantes versos que lhe britavam da tranquilidade do coração, da inefável beleza do seu espírito e dã a pureza de sua mentalidade sempre louçã e virgem é esplendida de graça e fantasia.
Mas um dia a realidade encontrou a professora, pobre, sem amigos e sem amparo. E ele reconheceu a velhice que há muito a vinha acompanhando. Reconheceu-a porque estava só. As crianças como aves, haviam levantado vôo. A lei montara sentinela a sua porta.
    Mas o espírito de Mariana Luz continuou a levitar pelos paramos da sua imaginação. A poetisa não podia ser coagida na sua expansão sentimental, o talento e o saber nunca foram  aposentados . Não os alcançam as leis que regem a vida de mediocridade, E por isso Mariana Luz não morreu. O seu espírito privilegiado está em vibração.
    É que a passarada voou. Não mais em bater de asas!  Não mais em gorjeios. Não mais em penas douradas a refletir a luz do dia. Mariana Luz não mais ouviu o canto da manhã, nem o poema do entardecer. A passarada voou...
    A Academia Maranhense de Letras vai chamar ao seu seio o livro inédito de Mariana Luz, para que os filhos de Itapecuru não percam a oportunidade de prestar justa homenagem à envergadura de sua renomada poetisa. (O Globo, 4.2.1946)



Do livro Marianna Luz, Vida e Obra. E Coisas de Itapecuru-Mirim
Autoria do Livro: Jucey Santana.

terça-feira, 1 de março de 2016

O TEATRO


Por: Luiz de Sevilha (1934)
Marianna Luz é um nome de projeção no cenário intelectual do Maranhão. Instruída, culta, de espírito voltado para as coisas belas, ama a arte. E assim sendo quis  embrenhar-se na modalidade artística difícil: o teatro.
Não foi ociosa sua resolução, pois  escreveu uma comédia de dois atos, intitulada, "Miss Semana" e que a sua bondade houve por bem mandar-me, para sobre a mesma dar a minha opinião.
Homem de teatro que sou, exulto quando vejo um espírito de escol, interessar-se pela nossa nobre arte teatral, tão vilipendiada e olhada com desdém, pelos que ignoram ser hoje o teatro,  um fator de educação. Não falo do teatro pulha, sem imaginação, teatro de opereta onde o clássico adultério e o trivialismo “menage trois”, são os pratos picantes deixando após as representações, nas almas cultas, nojo, nos medíocres as vesículas intumescidas. Falo do teatro humano,  social sem “ho kum” sem meios “buffos”.
Teatro que educa. Que faz rir sem palhaçada, que agrada honestamente. Marianna Luz em sua comédia,  mostra conhecer largamente a carpintaria teatral. Os seus personagens movem-se com sinceridade, não prejudicando a dinâmica da cena. Os diálogos vazado numa linguagem correta, obedecem  rigorosamente  o gosto do espectador, que é não massa-lo com tiradas tipo “dramalhão”.
São dizeres sintéticos, rápidos onde a  frase enrodilha o ridículo destas moçoilas futilíssimas  de colorido espiritual aquém do colorido das unhas e que só ambicionam na vida , o trivialíssimo título   de “miss” disso e “miss” daquilo.
Em dois atos sinceros Marianna faz a autópsia psicológica destas gentilíssimas  mediocridade, apreciáveis, sob o ponto de vista anatômico e dignas de piedade, sob o ponto de vista moral.
Marianna Luz, deve alistar-se nas hostes dos que batalhas pelo teatro brasileiro. Sendo muito útil ao mesmo.
Grande valor! “Viva lá gracias” distinta irmã de Idenes. (Pacotilha, 27.10.1934)

Do livro Marianna Luz, Vida e Obra. E Coisas de Itapecuru-Mirim
Autoria do Livro: Jucey Santana.