sábado, 23 de setembro de 2017

PEDRO NUNES LEAL



     

Jucey  Santana

O Professor Pedro Nunes Leal nasceu em Itapecuru Mirim, no dia 22 de agosto de 1823. Filho de Alexandre Henrique Leal e Ana Rosa Reis Leal, concluiu o curso de Humanidade  em 1838. Seguiu para Coímbra onde tendo colado grau em Ciências Jurídicas e Sociais em  1845.   

 Ele foi jornalista, professor, e lexicólogo.  Fundou e dirigiu por muito tempo a renomada instituição educacional, “Instituto de Humanidades”, em São Luis do Maranhão, um dos melhores colégios da época, onde ele  próprio foi  titular das seguintes cadeiras:  Gramática,  Filosofia, Literatura e Latinidade. Desse Instituto saíram: Teófilo Dias, Costa Rodrigues, Tarquinio Lopes, Viana Vaz, Othon Bulhões, Oscar Galvão e outros.

            Sendo mestre e apaixonado pela Língua Portuguesa, criou fama como lexicógrafo. Compilou e organizou várias obras. Mesmo com a idade avançada, continuava seu zelo exacerbado pela língua pátria, “escrevendo para novas gerações, filhos de seus antigos discípulos”, como gostava de dizer. Além de escrever o livro “Noções Gramaticais” em 1893,  para uso nas escolas  primárias,  extraída dos ensinamentos da língua portuguesa do professor Sotero dos Reis,  publicou nas oficinas do jornal Diário do Maranhão, várias obras e apostilas gramaticais. 

 Redigiu vários jornais  como,  o “Diário do Maranhão”,   O Progresso, Jornal da Lavoura e a Revista Universal. Os seus textos versavam sobre literatura, gramática e também sobre  agricultura  e  agronegócios como  a cultura   do cacau, cana de açúcar e principalmente  as vantagens  do plantio de algodão. 

Foi nomeado promotor público da Capital em  1847.

Apesar do seu envolvimento com a educação, nunca deixou de ser agricultor da região da Ribeira do Itapecuru, sendo proprietário de um Engenho na povoação Candiba (atualmente pertencente ao município de Cantanhede) e sócio da Companhia Progresso Agrícola do Maranhão. 

            Vale registar que uma de suas filhas seguiu os passos do pai na  inteligência,  tornando-se renomada musicista. Em 1875, aos vinte anos de idade  Zenobia Cezaltina de Carvalho Leal requereu prestar exames no Real Conservatório de Lisboa, perante grande número de examinadores obtendo  grau máximo em todas as cadeiras, recebendo distinção honrosa do Rei (Regente),  Dom Fernando II, que era grande incentivador das artes, ( Diário do Maranhão, 20.12.1875).
Obras Publicadas:

1 – Noções Gramaticais (extraídas da Gramática Portuguesa de Sotero dos Reis. 1868).
2 – Gramática Elementar Portuguesa - 1894      
3 – Opúsculos da Lexicografia: 
       I – Afixos da Língua Portuguesa - 1894
      II – Dicionário Manual Homofonológico. Significação e a Prosódia - 1896
      III – Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa - 1897
Traduziu as seguintes obras:
1 – Paris na América –  de René Lafebre - 1867
2 – Tratado Elementar de Filosofia, de Paulo Janet.
3 – História da Filosofia  de autoria de F.A. Jaffre – 2º vol. 1 (inédito)
4 –Esboço de Agricultura, curso de Agronomia traduzido de Gasparin (inédito)
 Pedro Nunes Leal foi agraciado com título de patrono da cadeira 33 da  Academia Maranhense de Letras, pelo seu trabalho em prol da educação..
Faleceu no dia 7 de novembro de 1901.

Do livro Itapecuruenses Notáveis de Jucey Santana (2016) pag. 74.  O professor Pedro Nunes Leal é patrono da cadeira 18 de membros correspondentes da Academia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes - AICLA










quinta-feira, 21 de setembro de 2017

PELO AZUL




 Blandina Santos


Tu que de ramo em ramo saltitavas,
Alheio inteiramente ao que fazias;
Agora, um fruto sápido comias,
Agora, alegre, um roseiral beijavas;

E depois, como um trânsfuga, tomavas
A direção d'um lago, onde bebias;
Gorjeavas contente, azas batias,
Quando nesse Crystal tu te banhavas;

Inquieto, travesso, sempre estavas
E, cantando melódico, saudoso,
Tam meigo e puro, o puro céu fitavas.

D'este azul nunca mais voltaste a ver-me.
Porque vieste, oh ! pássaro sem pouso,
De magoa, o livre coração encher-me ?


Do da 2ª edição da Coletânea,   Sonetos Maranhenses pag. 102 (1923). Blandina Eloe dos Santos, itapecuruense, professora, poetisa e musicista é patrona da cadeira 02  de  membros correspondentes da Academia Itapecuruense Ciências, Letras e Artes- AICLA.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

SONETO




         

Vale de Carvalho


Se é triste na prisão negra horrorosa,
Viver-se sempre a sós e abandonado;
E quebrando a solidão, descompassado,
Erguer-se b suspirar de ave saudosa;

Se é triste na mudez da noite umbrosa,
De o rijo bronze ouvir-se o som pesado,
Carpindo a infausta sorte do finado,
De quem breve existência foi ditosa;

Se é triste o turvo mar e céus nublosos
De tempestade ver-se entre os horrores,
Bramidos e clarões soltando irosos;

Mais triste é ver teus olhos sedutores
Baixarem-se, negando-me impiedosos,
Um suave volver, volver de amores.


Da coleção de poemas Parnaso Maranhense,  pag. 146  (1861).
Patrono da cadeira nº 5 de membros correspondentes da AICLA, Raymundo Alexandre Valle de Carvalho, itapecuruense, foi juiz, delegado e poeta – 1831/1859.


quinta-feira, 14 de setembro de 2017

I SEMANA INTERDISCIPLINAR – NEWTON NEVES


                                
      

Jucey Santana 

            Com palestras e oficinas foi realizada a I Semana Interdisciplinar do C. E. Professor Newton Neves entre os dias 11 a 14 do corrente, em parceria com a Academia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes, de acordo com o projeto  A AICLA vai à Escola”, com o objetivo de divulgar a cultura itapecuruense, notadamente seus escritores e patronos. 



            A Semana foi planejada pela professora Maria Ilnar Soares Sousa com o apoio da gestora da Unidade, a professora Rafaela Guimarães, a coordenadora Lucia Freitas e a supervisora Lenilma Alves de Araújo Lopes que acolheram com muita simpatia os membros da AICLA que estiveram presentes nas oficinas: Jucey Santana,  Terezinha Muniz Lopes, Assenção Pessoa, Allysson Rilkt, Gonçalo Amador, Brenno Bezerra, Maria Sampaio, Inaldo Lisboa, Júnior Lopes e Tiago Oliveira. 


            Foram escolhidos três patronos para serem homenageados: Mariana Luz, Bernardo Thiago de Matos e Newton Neves que além de patrono da AICLA também figura como patrono do colégio.

            Além das palestras foram realizadas  apresentações musicais, varal poético  recitais e literatura local com exposição  de vários títulos publicados. 

            Ao final fomos presenteados com a apresentação da vida  de Mariana Luz pelos  alunos: Bruno, Felipe, Gilda e Anyelle que ainda declamaram alguns poemas da autora justamente no dia ela completou 57 anos do seu falecimento – 14 de setembro. 
             

terça-feira, 12 de setembro de 2017

RUAS E PRAÇAS DE SÃO LUÍS


                                        


Benedito Buzar

Há livros, que pelo conteúdo e narrativa, se tornam referências e jamais são esquecidos.  Resistem ao tempo, ficam guardados em nossa memória e prontos para a qualquer momento serem lidos, relidos e consultados.

Na bibliografia de autores maranhenses, um livro traz a marca da perenidade e da unanimidade: o precioso “Breve História das Ruas e Praças de São Luís”, da autoria do professor e folclorista Domingos Vieira Filho, que desde o seu primeiro lançamento público, em 1971, foi alvo de elogios e de aceitação pelo mais exigente leitor.

Pela sua importância e atualidade,  é considerada obra de referência histórica, pois oferece ao leitor  valiosa quantidade de informações sobre uma cidade onde a cultura está presente desde os tempos remotos.

O assunto que Domingos Vieira Filho aborda no seu livro é singular, valioso e não encontra similar. Até hoje, poucos intelectuais se atreveram a fazer trabalho semelhante. Os que se arriscaram, não conseguiram o seu sucesso e ficaram esquecidos na rua da amargura.

Quando se fala em obra que trata de questões alusivas aos aspectos urbanísticos da capital maranhense, o autor citado e único é Domingos Vieira Filho, pesquisador emérito e culto, que passou anos em cima de livros, jornais e revistas, no afã de descobrir atos e fatos referentes ao passado e ao presente dos logradouros públicos, nos quais aconteceram episódios marcantes da História do Maranhão ou viveram figuras humanas que prestaram relevantes serviços à nossa terra e à nossa gente.

“Breve História das Ruas e Praças de São Luís” é um dos livros mais procurados e consultados por estudantes, jornalistas, urbanistas, historiadores e pesquisadores, que há anos se ressentem de uma nova edição. Para preencher essa lacuna, a Academia Maranhense de Letras, valendo-se da Lei de Incentivo Fiscal, da Secretaria da Cultura, reedita tão magnífica obra, na certeza de que se harmonizará com o anseio de um imenso público, desejoso de tê-lo novamente em mãos para buscar informações sobre uma cidade cujas ruas e praças nem sempre foram bem cuidadas pelos que receberam a incumbência de dar a elas um tratamento  à altura do que merecem, pois quando não carregam nomes de vultos renomados da vida maranhense, guardam denominações pitorescas e  jocosas, que se perpetuaram no tempo e no espaço.

O nosso notável escritor Josué Montello, que tantas homenagens têm recebido pelo seu centenário de nascimento, em se reportando à obra “Breve História das Ruas e Praças de São Luís” fez uma apologia ao seu autor numa crônica publicada em O Jornal do Brasil e inserido no livro “Janela de Mirante”, editado pelo Sioge, em 1993.

Com a palavra Josué: “O livro de Domingos Vieira Filho, sobre as ruas e praças da capital maranhense, favorece-nos cômodas viagens ao passado. Sem sair do presente, retornamos aos dias antigos, levados pela simplicidade do cicerone prestimoso, que nos vai contando casos de outrora. Da rua atual, com um nome de um figurão já esquecido, e que só as memórias tenazes lograrão identificar, parte ele para a rua de antanho, lembrando-lhe o velho nome apagado, e nos dias a sua história e a sua lenda, com o bom gosto e a exatidão certeira de Camille Julian refazendo a crônica de aventuras e mistérios das ruas de Paris.”

“Assim como nas grandes cidades – Rio de Janeiro ou Paris” continua Montello, “as pequenas cidades, como São Luís do Maranhão, têm ruas afáveis, acolhedoras, docemente  mexeriqueiras, e são elas que dão à vida da província o traço inconfundível, com que os tipos populares, os bancos da praça pública onde se reúnem as mesmas pessoas a horas certas, as velhas senhoras debruçadas nas janelas para ver quem passa, os vendedores ambulantes com os seus pregões costumeiros.”

Em outro trecho, afirma o autor de Cais da Sagração, “Urgia escrever a história das ruas de São Luís, pois, de uns tempos para cá a cidade cresceu muito, ganhou uma ponte sobre o rio Anil, alargou-se em várias direções. A Praia Grande, que serviu de cenário a boa parte de O Mulato, tem agora menos movimento que ao tempo de Aluísio Azevedo. E é aí que se erguem os mais belos sobrados de azulejos de São Luís – majestosos, imponentes, guarnecidos de sacadas de ferro, como seus mirantes abertos para o mar.”

Ao final de sua crônica, Josué afirma categoricamente: “O livro de Domingos Vieira Filho vem na hora oportuna, com a verdade de hoje misturada à poesia do tempo que se foi.