terça-feira, 18 de dezembro de 2018

ACADEMIA DE LETRAS, CIÊNCIAS E ARTES PERIMIRIENSE.



 

Casa de Naísa Amorim.
Jucey Santana

No dia 15 do corrente mês de dezembro, na sede do Sindicado dos Pescadores de Peri Mirim, foi instalada solenemente a  Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense - ALCAP, ocasião que foi dado posse aos primeiros 28 membros efetivos da instituição literária que serão denominados membros fundadores,  pelo árduo trabalho em prol da instalação do sodalício no secular município de Peri Mirim, na Baixada Maranhense. 

 Os pioneiros na luta pela  fundação da ALCAP ganharam  um importante reforço do  Fórum em Defesa da Baixada Maranhense (FDBM), através do seu   presidente o professor, Manoel Barros e da Perimiriense Ana Creusa Martins dos Santos na realização do projeto.  O Fórum  que  tem entre seus objetivos o desenvolvimento cultural e artístico de toda a região da Baixada, teve uma relevante atuação. 

A ALCAP foi criada com 40 cadeiras. Cada uma tem um ilustre filho (a) da terra in memoriam como patrono (a) que tenha prestado relevantes serviços em prol do desenvolvimento de Peri Mirim, como: professor (a), poeta, artista, cantor (a), escritor etc. Os primeiros 28 membros foram escolhidos entre,  escritores, compositores, cantores, poetas, cronistas e amantes da cultura local, imbuídos de compartilhar experiências no largo campo das Letras, Ciências e Artes interligados nos saberes regionais.

Figura entre os deveres do acadêmico, representar o patrono da sua cadeira  e apresentar em forma de  elogio um memorial descritivo sobre a vida e obra.  


Fundada em 20 de maio de 2018, quando foi eleita a sua primeira diretoria, aprovado o seu estatuto  e escolhida como patrona principal  da Academia a Professora Naisa Amorim, cadeira nº 01, doravante cognominada Casa da Naisa Amorim.


Primeira Diretoria Eleita – 20.05.2018

PRESIDENTE: ENI DO ROSÁRIO PEREIRA AMORIM

VICE-PRESIDENTE: JESSYTHANNYA CARVALHO SANTOS

PRIMEIRO-SECRETÁRIO: DIÊGO NUNES BOAES

SEGUNDO-SECRETÁRIO: ANA CREUSA MARTINS DOS SANTOS

PRIMEIRO-TESOUREIRO: EDNA JARA ABREU SANTOS

SEGUNDO-TESOUREIRO: ELINALVA DE JESUS CAMPOS
 
MEMBROS DO CONSELHO FISCAL

ATANIÊTA MÁRCIA NUNES MARTINS
FRANCISCO VIEGAS PAZ
JOSÉ RIBAMAR MARTINS BORDALO

Solenidade de Instalação e Posse dos primeiros membros

         A Cerimônia que foi preparada para 4 dezenas de convidados esteve  animada com música ao vivo, na voz de Fernando Pessoa.  Também  executados o Hino Nacional, na voz da cantora Sara Vitória e do Município, na voz Suely Leite. Houve ainda a execução musical da Banda Marcial do Município. Ao final, houve a execução de fogos e artifícios e servido um delicioso coquetel.

 Conduzida magistralmente pela cerimonialista, Antonieta Nunes Martins, a solenidade ofereceu aos convidados um clima de grande emoção, na ocasião que conseguiu reunir  dezenas de filhos da terra e seus familiares que residem em outras cidades, várias  autoridades, convidados de outras instituições literárias,  o clero familiares dos patronos (as), que receberam diplomas e insigne como reconhecimento. 


            A Federação das Academias de Letras do Maranhão esteve representada através dos confrades Álvaro Urubatan Melo (São Bento) e César Brito (Matinha).

  Primeiros membros a compor o quadro da ALCAP

        MEMBRO  FUNDADOR
Nº/CAD.
PATRONO
MARIA ISABEL MARTINS VELOSO
01
NAISA FERREIRA AMORIM
CARLOS PEREIRA OLIVEIRA
02
JACINTO PINTO PINHEIRO
RAIMUNDO MARTINS CAMPELO
03
OLEGÁRIO MARIANO MARTINS
JOSÉ RIBAMAR MARTINS BORDALO
04
MANOEL SEBASTIÃO PINHEIRO
ITAQUÊ MENDES CÂMARA
05
INÁCIO DE SÁ MENDES
ANTÔNIO JOÃO FRANÇA PEREIRA
06
CECÍLIA CAMPOS BOTÃO
FRANCISCO VIEGAS PAZ
07
RAFAEL PAZ BOTÃO
GRAÇA MARIA FRANÇA PEREIRA
08
SECUNDINO MARIANO PEREIRA
CLEONICE DE J. MARTINS SANTOS
09
Mª JOSÉ CAMPOS SODRÉ FERREIRA
NANI SEBASTIANA PEREIRA DA SILVA
10
MARIA DE NAZARÉ SERRA MAIA
ADELAIDE PEREIRA MENDES
11
JARINILA PEREIRA CAMPOS
ANA CREUSA MARTINS DOS SANTOS
12
JOÃO DE DEUS MARTINS
MANOEL ANDRADE BRAGA
13
WALTER DA SILVA BRAGA
ENI DO ROSÁRIO PEREIRA AMORIM
14
MARIA ISABEL MARTINS NUNES
MARIA NASARÉ SILVA
15
JOSÉ MARIANO SILVA
WEWMAN FLÁVIO ANDRADE BRAGA
16
ALEXANDRE  BOTÃO MELO
ALDA REGINA RIBEIRO CORRÊA
17
HELENA RIBEIRO CORRÊA
PAULO SÉRGIO CORRÊA
18
FURTUOSO JOSÉ CORRÊA
VENCESLAU PEREIRA JÚNIOR
19
VENCESLAU PEREIRA
GISELIA PINHEIRO MARTINS
20
JOÃO DE DEUS PAZ BOTÃO
ATANIÊTA MÁRCIA NUNES MARTINS
21
JOSÉ CARNEIRO DE FREITAS
LILIENE DA GLÓRIA COSTA FERREIRA
22
EDMILSON FERREIRA RIBEIRO
JESSYTHANNYA CARVALHO SANTOS
23
AGRIPINO ALVARES MARQUES
JOSÉ SODRÉ FERREIRA NETO
24
JOSÉ DOS SANTOS
EDNA JARA ABREU SANTOS
25
RAIMUNDA FRANÇA
DIÊGO NUNES BOAES
26
JOÃO GARCIA FURTADO
ELINALVA DE JESUS CAMPOS
27
JÚLIA SILVA
JAÍLSON DE JESUS ALVES SOUSA
28
RAIMUNDO JOÃO SANTOS
 
No local também foi disponibilizada uma importante   de galeria de fotos dos patronos.


domingo, 16 de dezembro de 2018

VIRIATO CORRÊA: LITERATO E POLÍTICO IMORTAL



Viriato Correa
   Felipe Camarão

Orgulho-me por ser, desde abril de 2017, o primeiro ocupante da cadeira de nº 24 da Academia Ludovicense de Letras (ALL), que tem como Patrono Manuel Viriato Correia Baima do Lago Filho ou simplesmente Viriato Corrêa.

Grande intelectual maranhense Viriato Corrêa, que, além de escritor, foi jornalista, dramaturgo e político, nasceu em Pirapemas, na época, povoado de Itapecuru Mirim,  no ano de 1884, tendo falecido no Rio de Janeiro, em 1967. 

Filho de Manuel Viriato Correia Baima e de Raimunda Silva Baima, ainda criança deixou a cidade natal para fazer os cursos primário e secundário em São Luís do Maranhão. Começou a escrever aos 16 anos os seus primeiros contos e poesias. Concluídos os estudos básicos, mudou-se para Recife, cuja Faculdade de Direito frequentou por três anos. Seus planos incluíam, porém, morar no Rio de Janeiro, e sob o pretexto de terminar o curso jurídico na então capital federal foi juntar-se à geração boêmia que marcou a intelectualidade brasileira no começo daquele século.

Em 1903 saiu no Maranhão o seu primeiro livro de contos, “Minaretes”, marcando o aparecimento de Viriato Corrêa como escritor. O livro, no entanto, não agradou muito a crítica literária da época. 

Com ajuda de Medeiros e Albuquerque, de quem se tornou amigo, Viriato Corrêa trabalhou na “Gazeta de Notícias”, iniciando carreira jornalística que se estenderia por longos anos e no exercício da qual seria colunista do “Correio da Manhã”, do “Jornal do Brasil” e da “Folha do Dia”, além de fundador do “Fafazinho” e de “A Rua”. Colaborou também em “Careta”, “Ilustração Brasileira”, “Cosmos”, “A Noite Ilustrada”, “Para Todos”, “O Malho” e “Tico-Tico”, entre outros

Boa parte de seus escritos consagrados em livro foram divulgados pela primeira vez em páginas de periódicos. Assim ocorreu com os “Contos do sertão”, que foram publicadas primeiramente na “Gazeta de Notícias” e depois reunidos em volume e publicados em 1912, redimindo Viriato Corrêa do insucesso de Minaretes

Outros livros de ficção viriam depois confirmar o sucesso do contista maranhense que se inspirava no cotidiano burguês ou campestre em cenários exclusivamente brasileiros.

Obteve significativa notoriedade no campo da narrativa histórica, ao lado de Paulo Setúbal, que também se dedicou ao gênero. Enquanto o escritor paulista deu preferência ao romance, Viriato Corrêa optou pelas historietas e crônicas, com o claro objetivo de alcançar o leitor comum. Escreveu no gênero mais de uma dezena de títulos, entre os quais se destacam “Histórias da nossa História” (1921), “Brasil dos meus avós” (1927) e “Alcovas da História” (1934). 

Com o intuito de levar a História também ao público infantil, recorreu à figura do afável ancião que reunia a garotada em sua chácara para a fixação de ensinamentos escolares. As sugestivas “lições do vovô” encontram-se em livros como “História do Brasil para crianças” (1934) e “As belas histórias da História do Brasil” (1948). 

Viriato deixou ainda muitas obras de ficção infantil, entre elas o famoso e célebre romance “Cazuza” (1938), um dos clássicos da nossa literatura infantil, em que descreve cenas de sua meninice.

Viriato Corrêa foi ainda um fecundo e festejado autor teatral. Escreveu perto de trinta peças, entre dramas e comédias, que tratavam sobre ambientes sertanejos e urbanos, vinculando-o à tradição do teatro de costumes que vêm de Martins Pena e França Júnior.

Viriato Corrêa foi deputado estadual no Maranhão, eleito em 1911, e deputado federal pelo nosso estado em 1927 e 1930. Por sua significativa contribuição cultural para o país, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 1938.

Conseguiu conciliar, dessa forma, o lado político com o de literato, enveredando pelo conto, crônica, romance e literatura infantil, além do teatro, no qual se destacou de forma singular. Viriato Corrêa é um exemplo de que é possível conciliar política e cultura, e é um imenso orgulho ser o ocupante numero 1 da cadeira patroneada por ele.

Como mencionei antes, um dos livros mais famosos do meu patrono na Academia Ludovicense de Letras, Viriato Corrêa, foi um chamado “Cazuza”.

Houve um artista na década em que nasci que teve esse apelido, não sei se foi inspirado nas histórias de Viriato. Mas o Cazuza da década de 1980 criou uma célebre frase em uma de suas mais famosas canções: “o tempo não para”. Na mesma canção, o artista disse que via “o futuro repetir o passado” e via “um museu de grandes novidades”.

Várias interpretações podem ser feitas dessas sentenças. A que faço é a melhor possível: é preciso saber preservar o passado; saber de onde viemos; valorizar as tradições; a cultura;  a arte; e a história.
Dessa maneira, poderemos garantir que no futuro os mesmos erros não sejam repetidos, não sejam esquecidos ou apagados. Poderemos garantir que as coisas boas sejam aprimoradas e que o progresso cultural, científico, histórico e até político da nossa gente seja feito com base naquilo que foi vivenciado por nós verdadeiramente.

Do livro Do livro Púcaro Literário II – Itapecuru Mirim, 200 anos (2018) pag. 123. Organizado por Jucey Santana e João Carlos Pimentel Cantanhede.




Felipe Costa Camarão,  advogado, cronista e contista  é  Membro Efetivo da Academia Ludovicense de Letras - ALL, Sócio Efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão - IHGMA   e Sócio Correspondente da Academia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes – AICLA.