terça-feira, 18 de março de 2025

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

                                             Março, mês da mulher.     

*Mazé Quaresma

Sou uma simples professora de 70 anos, e preciso para falar sobre nós, mulheres, e o papel que desempenhamos na sociedade. Nesta homenagem ao Dia Internacional da Mulher, gostaria de refletir sobre nossa trajetória e conquistas, mas também sobre os desafios que ainda enfrentamos.

Quando olhamos para a história, percebemos que, até pouco tempo atrás, as mulheres eram vistas como meras donas de casa, responsáveis apenas pela criação dos filhos e pelo bem-estar do lar. Não tínhamos direitos fundamentais, como o direito ao voto ou o direito de ser votadas. Porém, essa realidade começou a mudar quando muitas de nós nos vimos sozinhas, lidando com a responsabilidade de sustentar nossas famílias, muitas vezes após enfrentar situações de violência ou abandono. Essa luta nos impulsionou a nos reinventar.

Hoje, temos mulheres que ocupam diversos papéis na sociedade. Somos empresárias, engenheiras, motoristas, policiais, arquitetas... O céu é o limite para essas mulheres poderosas que conquistaram seu espaço. Mas sabemos que essas conquistas não vieram sem dificuldades. A sociedade ainda impõe desafios significativos a nós. Muitas vezes, quando duas pessoas competem por uma mesma vaga de emprego, o currículo da mulher é mais qualificado, mas, ainda assim, o homem é escolhido. E em relação aos salários, a diferença ainda persiste. É frustrante saber que, apesar de fazermos o mesmo trabalho, muitas vezes recebemos menos apenas por sermos mulheres.

No terceiro milênio, apesar dos avanços, muitas mulheres ainda enfrentam situações alarmantes de violência doméstica e preconceito. A ideia de que somos inferiores ainda persiste, mas as estatísticas mostram que a sociedade está mudando. Cada vez mais mulheres estão se empoderando e ocupando espaços importantes em todos os níveis: na política, nos negócios, nas revoluções e nas organizações públicas. Somos força e voz em todos esses ambientes.

Quando eu era jovem, o destino das mulheres parecia traçado: ser mães, costureiras e donas de casa. Porém, essa realidade já foi transformada. Hoje, estamos aqui, resilientes, embora ainda sofremos com as expressões vulgares que muitas vezes nos azucrinam, como "na direção, só podia ser mulher" ou "mulher só serve para comandar o fogão". No entanto, muitas de nós têm resistido e estão se impondo a cada dia.

Neste Dia Internacional da Mulher, gostaria de expressar minha gratidão por todas nós que, com amor e luta diária, conquistamos um espaço no mundo e nos sentimos plenas, belas e capazes de viver novas emoções e contribuir à sociedade.

Ser mulher e idosa em nossa sociedade não é uma tarefa fácil, mas se levantarmos nossas vozes e lutarmos pelos nossos direitos, podemos conquistar o respeito que merecemos. Viva a mulher brasileira, a nordestina, e  ninense, itapecuruense, vargengrandense, presvargense... Não é à toa que a maioria de nós é provedora de nossas famílias. Porém, não devemos nos deixar explorar; precisamos nos amar e nos valorizar, pois somos indispensáveis.

Que possamos celebrar nossas conquistas, refletir sobre os desafios que ainda persistem e, sobretudo, que a sociedade comece a valorizar cada vez mais a força e a importância da mulher.

 (Mazé, 07/03/2025)

         


 

 

 *Maria José Quaresma, natural de Vargem Grande (MA), professora, poeta e membro efetivo da Academia Vargem-grandense  de Letras e Artes – AVLA.


domingo, 16 de março de 2025

MULHER

                                         Homenagem à Mulher

*Cláudia Rocha

 

 É um ser de puro amor,

Tem cheiro de Flor,

Com valor sem igual

E de beleza natural

 

Orgulho de muita gente

Transmite segurança bastante

Trabalha com amor e competência

Exalando a sua essência.

 

Mulher de coragem e força

E muita resiliência

Ser de valor memorável

 

 

Mulher emponderada

Que sabe onde quer chegar

É decidida e não desiste facilmente

Enfrenta todos os contratempos

Pra seu objetivo alcançar.

 

Essa é a mulher,

que seu retrato, deseja mostrar,

Parabéns a todas as mulheres

Todos os  dias por tudo que são!

           



*Claudia Maria Loureiro Rocha Pinheiro, nascida aos 05 dias de outubro de 1973, em Icatu (MA), filha de Raimundo José Oliveira Rocha e Maria das Graças Loureiro Rocha, casada com Nelio Pinheiro, mãe de Clauton Cesar e Nelio Eduardo. Graduada em Licenciatura de Magistério e Pedagogia, pós-graduada em Psicopedagogia, e Supervisão, Gestão e Planejamento Educacional, funcionária pública, membro fundador da Academia Icatuense de Letras, Ciências e Artes – AILCA, cadeira n°01, patroneada por Zuleide Oliveira Loureiro, tem participação na antologia “O Iguaraense”(2020), organizada por Jucey Santana, foi supervisora do projeto Icatu 400 anos em 2014, poetisa com o livro “meus e seus poemas” a publicar. Participou do projeto, Púcaro Literário I (2017), Púcaro Literário II, 200 anos de Itapecuru Mirim  (2018), Púcaro Literário III, Protagonismo Feminino ( 2021) e Púcaro Literário IV, O Poeta e a História”  (2023) organizados por Jucey Santana e João Carlos Pimentel Cantanhede.

 

 

terça-feira, 11 de março de 2025

ATIVIDADES FÍSICAS FEMININA NO MARANHÃO IMPERIAL

                                                       Período  de 1823 a 1889


Leopoldo Gil Dulcio Vaz

GRIFI (1989), ao se referir aos jogos de bola, encontrou que Galeno, "o famoso médico grego", recomendava tal prática para fins higiênicos e até mesmo escreveu um tratado específico sobre "o jogo da pequena bola". Mas os jogos de bola, na Grécia, já aparecem nos poemas homéricos (p. 68). Mais adiante, afirma que nos séculos XIV, XV, e XVI destacou-se mais que os outros os jogos da bola, que se fundiu-se às manifestações folcloristas, no novo contexto das estruturas renascentistas:

"Na França, particularmente, a bola (de dimensões maiores da normal), nascido no tardo-medievo, como instrumento de contenda incruenta, torna-se momento lúdico e agonístico, aberto a todos. Os jogos mais conhecidos são a paume, o pallone, a soule, a crosse, aos quais seguiram-se, na Itália, o calcio-fiorentino, o pallone al bracciale, a pallacorda, a palla al vento, a palla-maglio, o tamburello". (...)

"A paume (jeu de paume) consiste em bater a bola com a mão e substituiu os ludus pilae cum palma romano; conhecido já no século XII foi jogado melhor no período sucessivo, até dar vida ao atual tênis." (GRIFI, 1989:188)

Aluísio Azevedo, ao traçar o perfil da mulher maranhense, e sua condição de mulher em uma sociedade escravocrata, cujo papel reservado era apenas o de mãe, compara a mulher da burguesia maranhense à lisboeta desocupada, denunciando o ócio em que viviam. Como igualmente denunciava "o ócio dos padres que viviam do trabalho de pessoas honestas e crédulas" (MÉRIEN, 1988:158), sendo estes, os padres, também "culpados pelo atraso da instrução pública" (p. 159).

Aluísio considerava que todo "o mal vinha do ócio e da preguiça das mulheres" (p. 164) e apenas uma mudança na educação e na concepção do casamento poderia permitir a realização da mulher:

"Do procedimento da mulher ... depende o equilíbrio social, depende o equilíbrio político, depende todo o estado patológico e todo o desenvolvimento intelectual da humanidade ...

"Para extinguir essa geração danada, para purgar a humanidade desse sífilis terrível, só há um remédio: é dar à mulher uma educação sólida e moderna, é dar à mulher essa bela educação positivista, que se baseia nas ciências naturais e tem por alvo a felicidade comum dos povos. É preciso educá-la física e moralmente, prepará-la por meios práticos e científicos para ser boa mãe e uma boa cidadã; torná-la consciente de seus deveres domésticos e sociológicos; predispor-lhe o organismo para a procriação, evitar a diásteses nervosa como fonte de mil desgraças, dar-lhe uma boa ginástica e uma alimentação conveniente à metiolidade de seus músculos, instruí-la e obrigá-la principalmente a trabalhar... " (Aluísio AZEVEDO, Crônica, O Pensador, São Luís, 10.12.1880, citado por MÉRIEN, 1988:166, 167)

O mesmo tema é retomado quando da publicação de "O Mulato", criando-se enorme polêmica na imprensa, ora acusando o autor, ora vozes se levantando para defendê-lo acerca de sua posição sobre a condição feminina. Aluísio tinha consciência que parte dos leitores em potencial era constituída pelas mulheres da pequena burguesia portuguesa e maranhense da cidade e pelas filhas dos fazendeiros que encontravam na leitura uma diversão contra o tédio que pesava sobra a vida cotidiana e ociosa que tinham. No entender de MÉRIEN (1988), os discursos de Raimundo sobre a condição feminina, o papel da esposa e da mãe na educação das crianças, são dirigidos mais a elas do que a Manuel Pescada:

"O senhor tem uma filha, não é verdade ? Pois bem ! Logo que essa filha nasceu o senhor devia ter em vista prepará-la para vir a ser útil... dar-lhe exercícios, alimentação regular, excelente música, estudos práticos e principalmente bons exemplos; depois evitar que ela fosse, como é de costume aqui, perder nos bailes o seu belo sono de criança..." (ALUIZIO AZEVEDO, O MULATO, 1881:268-269, citado em MÉRIEN, 1988:288-289)

Considerando o caso concreto dos bailes, HASSE (1985) afirma que a dança desempenha uma função particular, pois, ela é a forma de entretenimento adequada a tornar mais elegantes e agradáveis os gestos, soltando vigores em excessos. Entre as diferentes qualidades do entretenimento umas, como aquelas que promovem os exercícios do corpo contribuem para a conservação da saúde outras, tendo por principal objeto a utilidade, prestam-se a tornar os jovens mais agradáveis como é o caso da dança e da música:

"... A dança seria a arte de mover o corpo, os braços e os pés com elegância, ao som da música. Representava uma prenda necessária a quem tem de viver no mundo e um exercício verdadeiramente proveitoso. O seu ensino devia ser indicado desde cedo para poder fornecer desembaraço ao corpo e chegar a dançar com graça e a tempo." (p. 19)

Os bailes e o teatro representavam formas clássicas de entretenimento distinto. Integravam-se, por isso, com enorme facilidade nos costumes da austera burguesia pela familiaridade existentes com estas formas de entretenimento. Em 1844, o "Collégio N. S. da Glória", também conhecido como "Collegio das Abranches", em seus primitivos estatutos, dispunha:

"...não somente sobre as disciplinas escolares com também sobre o preparo physico, artístico e moral das alumnas. Às quintas-feiras, as meninas internas participavam de refeições, como se fossem banquetes de cerimônia, para que se habituassem 'a estar bem á mesa e saber como se deveriam servir as pessoas de distinção'. Uma vez por semana, à noite, havia aula de dança sob a rigorosa etiqueta da época, depois de uma hora de arte, na qual ouviam bôa música e aprendiam a declamar." (ABRANCHES, 1941: 113-114)

Para HASSE (1985), a dança recebia o acordo dos mais renitentes:

" ... que finalizam por considerá-la indispensável a uma pessoa de certo estatuto social. Por outro lado, os bailes que se organizavam e onde a dança surgia como principal motivo de interesse, constituíam excelentes meios de demonstrações quase inesgotáveis de poder uma vez que implicavam imperativos de vulto para uma encenação de grandeza insuperável favorecedora de certa rivalidade". (p. 19)

Para essa autora, tal circunstância não impedia, porém, que não se desejasse criar em torno elas uma atribuição clara de utilidade que justificasse plenamente o tempo perdido de forma ligeira, preocupação, aliás, constante em múltiplos aspectos da vida do século XIX. A moralidade vigente, "rigorosa e hipócrita", impedia que fosse de outro modo, sossegando-se consciências inquietas relativamente às atividades, cada vez mais generalizadas, que escapavam nitidamente ao foro do trabalho. Na verdade, o baile e a freqüência dos salões bem como o teatro, seriam sempre obrigações sociais desgastantes a que a civilidade e a vida no mundo obrigavam, um costume de fato integrado nos níveis sociais mais prestigiados.

Dois amigos de Aluísio Azevedo, Paulo Freire e Luís de Medeiros, fazem publicar cartas sob pseudônimo - Antonieta (carta a Julia, "Diário do Maranhão", São Luís, 6.6.1881) e Júlia (carta a Antonieta, "Pacotilha", São Luís, 9.6.1881), respectivamente - falando "de suas impressões e do impacto que o livro "O Mulato", lhes causara" sobre a condição de vida de Ana Rosa, que lembrava a vida que as mocinhas maranhenses levavam (MÉRIEN, 1988, p. 291). Julia/Luís de Medeiros faz longas considerações sobre a condição da mulher maranhense, "lastimando-se da educação retrógrada que recebera em sua família e no colégio" (p. 290), onde fora do português, não se ensinava mais nada às moças além de algumas noções de francês, de canto, de piano e de bordado. Para ela, "a falta de exercícios físicos é a origem das perturbações do sistema nervoso que atingem a maioria das moças maranhenses" (p. 290).


Conclusão
No período compreendido entre a "adesão" do Maranhão ao Império brasileiro - 1823 - e a Proclamação da República - 1889 -, São Luís viveu um período áureo de produção cultural, que se estendeu até meados do século, fruto do desenvolvimento econômico, seguido de um período de decadência, provocada pela perda gradual do trabalho escravo, consolidado com a abolição da escravatura.

Denominada de "Atenas brasileira", as recreações aqui praticadas se identificam com aquelas que se aproximam da noção de lazer expressa na origem grega, da "scholé", em que a aristocracia ocupava seu tempo com atividades de contemplação teórica, especulação filosófica e ócio (JIMENEZ GUZMAN, 1986), típica das sociedades escravocratas. No segundo período, iniciado por volta da década de 1860, aproxima-se, a ocupação do tempo, com atividades que podem ser identificadas como características do "otium" romano, transformando-se num fenômeno elitista, ostentatório, já desprovido de sentido filosófico - conforme denuncia Aluízio Azevedo em sua obra, e observado na descrição da sociedade ludovicense, notadamente em LISBOA (s.d.; 1991) e DUNSHEE DE ABRANCHES (1941; 1993).

Os ludovicenses, como hoje, dedicavam-se aos passeios e aos piqueniques pelos arrabaldes da Ilha. E, como hoje, mantinham uma produção cultural intensa, dedicando-se ao teatro, à poesia, ao romance, à crítica dos costumes e, sobretudo, bisbilhotando a vida alheia, conforme está registrado nos inúmeros jornais - políticos e literários -, folhetos, revistas, "bandos", coletâneas de poesias e peças teatrais publicadas (CORRÊA, 1993; MÉRIAN, 1988), justificando o título de "Atenas brasileira".

Em Maranhão, desde a década de (18)20 a mulher participa de atividades físicas, pois como descreve DUNSHEE DE ABRACHES em suas memórias sobre seu tio Frederico Magno, o Fidalgote e sua amada, Maricota Portinho, costumavam, além de dar longos passeios pelos arrebaldes da ilha, em companhia de outros jovens, jogar a péla - forma primitiva de tênis - durante a estadia de suas famílias no sítio do Censor, como era conhecido Garcia de Abranches. Isso, em 1827.

Cabe lembrar que Antonio Francisco Gomes, em 1852, propunha além da ginástica, os exercícios de natação, esgrima, dança, jogo de malha e jogo da pella para ambos os sexos (CUNHA JÚNIOR, 1998:152)

Quanto ao ensino da educação física, desde 1842, quando foi fundado o primeiro colégio destinado exclusivamente às moças, em São Luís, a atividade física fazia parte do currículo. . Quem teria sido a professora ? as tias de Dunshee de Abranches, D. Martinha ? - como era conhecida D. Marta Alonso Veado Alvarez de Castro Abranches, educadora espanhola nascida nas Astúrias provavelmente por volta de 1800 (JANOTTI, 1996) - ou sua filha, D. Amância Leonor de Castro Abranches ? ou teria sido D. Emília Pinto Magalhães Branco, mãe dos escritores Aluízio, Artur e Américo de Azevedo, também professora no colégio das Abranches. Então seria uma delas - ou as três - a(s) primeira(s) professora(s) de educação física no Maranhão ?


Bibliografia

ABRANCHES, João Antonio Garcia de. O CENSOR MARANHENSE 1825-1830. (Edição fac-similar). São Luís : SIOGE, 1980. (Periódico redigido em São Luís de 1825 a 1830, por João Antônio Garcia de Abranches, cognominado "O Censor"; reedição promovida por iniciativa de Jomar Moraes).

AZEVEDO, Aluísio. O MULATO. Rio de Janeiro : Tecnoprint, (s.d.).

CORRÊA, Rossini. FORMAÇÃO SOCIAL DO MARANHÃO: O PRESENTE DE UMA ARQUEOLOGIA. São Luís: SIOGE, 1993.

CUNHA JÚNIOR, Carlos Fernando Ferreira da. A produção teórica brasileira sobre educação physica/gymnastica no século XIX: questões de gênero. In CONGRESSO BRASLEIRO DE HISTÓRIA DO ESPORTE, LAZER E EDUCAÇÃO FÍSCA, VI, Rio de Janeiro, dezembro de 1998. COLETÂNEA... . Rio de Janeiro : Universidade Gama Filho, 1998, p. 146-152.

DUNSHEE DE ABRANCHES MOURA, João. O CAPTIVEIRO. Rio de Janeiro : (s.e.), 1941.

DUNSHEE DE ABRANCHES MOURA, João. A SETEMBRADA - A REVOLUÇÃO LIBERAL DE 1831 EM MARANHÃO - romance histórico. Rio de Janeiro : Jornal do Brasil, 1970.

DUNSHEE DE ABRANCHES MOURA, João. A ESFINGE DO GRAJAÚ. São Luís : ALUMAR, 1993.

GOELLNER, Silvana Vilodre. As mulheres e as práticas corporais e esportivas no início deste século: beleza, saúde e feminilidade. In CONGRESSO BRASILEIRO DE HISTÓRIA DO ESPORTE, LAZER E EDUCAÇÃO FÍSCA, VI, Rio de Janeiro, dezembro de 1998. COLETÂNEA... . Rio de Janeiro : Universidade Gama Filho, 1998, p. 153-160.

GRIFI, Giampiero. HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA E DO ESPORTE. Porto Alegre: D.C. Luzzatto, 1989.

HASSE, Manuela. A disciplina do corpo. LUDENS, Lisboa, vol. 10, n. 1, dez./out., 1985, p. 18-38.

JANOTTI, Maria de Lourdes Monaco. Três mulheres da elite maranhense. In REVISTA BRASILEIRA DE HISTÓRIA, São Paulo, v. 16, n. 31 e 32, 1996, p. 225-248.

JIMENEZ GUZMAN, Luís Fernando. TEORIA TURÍSTICA. Bogotá : Universidade Autônoma de Colômbia, 1986.

LISBOA, João Francisco. A FESTA DE NOSSA SENHORA DOS REMÉDIOS. São Luís: Legenda, (s.d.).

LISBOA, João Francisco. OBRAS COMPLETAS.... v. IV, 3a. ed. São Luís: ALUMAR, 1991.

LOPES, Antônio. Meios de transporte na ilha de São Luís. in LOPES, Antônio. DOIS ESTUDOS MARANHENSES. São Luís : Fundação Cultural do Maranhão, 1975, p. 45-58.

MÉRIEN, Jean-Yves. ALUÍSIO AZEVEDO VIDA E OBRA (1857-1913) - O VERDADEIRO

BRASIL DO SÉCULO XIX. Rio de Janeiro : Espaço e Tempo :Banco Susameris; Brasília : INL, 1988.

MOURÃO, Ludmila. Educação física, intelectual e moral da mocidade do Rio de Janeiro e sua influência sobre a saúde: representação de gênero de João da Matta Machado. In CONGRESSO BRASLEIRO DE HISTÓRIA DO ESPORTE, LAZER E

EDUCAÇÃO FÍSCA, VI, Rio de Janeiro, dezembro de 1998. COLETÂNEA... . Rio de Janeiro : Universidade Gama Filho, 1998, p. 161-167.

REPPOLD FILHO, Alberto Reinaldo. A Educação Física em busca de identidade adêmica: considerações históricas. In CONGRESSO BRASLEIRO DE HISTÓRIA DO ESPORTE, LAZER E EDUCAÇÃO FÍSCA, VI, Rio de Janeiro, dezembro de 1998. COLETÂNEA... . Rio de Janeiro : Universidade Gama Filho,1998, p. 65-74.

SOARES, Carmen Lúcia. EDUCAÇÃO FÍSICA: RAÍZES EUROPÉIAS E BRASIL. Campinas: Autores Associados, 1994.

VAZ, Leopoldo Gil Dulcio & VAZ, Delzuite Dantas Brito. "PERNAS PARA O AR QUE NINGUÉM É DE FERRO: AS RECREAÇÕES NA SÃO LUÍS DO SÉCULO XIX". São Luís: FUNC, 1995. (Segundo lugar no "XXI Concurso Literário e Artístico "Cidade de São Luís", Prêmio "Antônio Lopes", de pesquisa histórica, 8 de setrembro de 1995; Tema-livre apresentado no VII Encontro Nacional de Recreação e Lazer, Recife-PE, 09 a 12 de novembro de 1995.).

VIEIRA E CUNHA, Manuel Sérgio; FEIO, Noronha. HOMO LUDICUS - ANTOLOGIA DE

TEXTOS DESPORTIVOS DA CULTURA PORTUGUESA. vol. 2. Lisboa : Compendium, (s.d.). (Coleção Educação Física e Desportos 13.)

VIEIRA FILHO, Domingos. BREVE HISTÓRIA DAS RUAS E PRAÇAS DE SÃO LUÍS. 2a. Ed. rev. e aum. São Luís : (s.e.), 1971.

 


 

Leopoldo Gil Dulcio Vaz

 

Lecturas: Educación Física y Deportes Revista Digital http://www.efdeportes.com/
Año 4. Nº 14. Buenos Aires, Junio 1999

 

 


sexta-feira, 7 de março de 2025

REPÚBLICA DE PASTOS BONS

        



                       Proclamação da República de Pastos Bons

*Leopoldo Gil Dulcio Vaz

 

A “República de Pastos Bons” teve origem na Confederação do Equador, movimento separatista ocorrido em 1824, durante o período do Primeiro Reinado de Dom Pedro I. Esse movimento teve origem na insatisfação das Províncias do Nordeste, especialmente Pernambuco, com o governo centralizado e autoritário do Imperador. Os líderes da Confederação do Equador buscavam maior autonomia para as províncias e defendiam ideais republicanos e liberais. No entanto, o movimento foi rapidamente reprimido pelas forças imperiais, resultando na prisão e execução de vários líderes, como Frei Caneca.

A Confederação do Equador foi proclamada em 2 de julho de 1824. Contou com a adesão da Paraíba, do Rio Grande do Norte e do Ceará. A nova nação, contudo, teve vida curta. Não chegou a completar cinco meses de existência. Pela força das armas, D. Pedro I sufocou os últimos rebeldes em novembro. Os líderes, após a derrota,  fugiram para o interior nordestino, em busca de um novo local para se esconderem e restabelecerem-se. Foram estes líderes rebeldes que haviam fugido após o debelar da Confederação do Equador, que passaram a residir no vilarejo de Pastos Bons, que idealizaram a pretensa República de Pastos Bons. 

Seguindo a mesma linha de pensamento da Confederação do Equador, pretendiam a formar no Alto Sertão uma república baseada na constituição da Colômbia. Pelo plano original, a república de 1828 se estenderia desde rio Gurgueia, até a foz do Araguaia, com o rio Tocantins sendo o limite sul. Planejavam fazer uma revolução em Pastos Bons, e para isto, semearam entre a população os ideais republicanos. 

Ao longo do ano de 1828 o movimento pela República de Pastos Bons ganhou força e apoio. Entretanto acontecia paralelamente no sertão pernambucano, diversas ações de cunho republicano, principalmente nas cidades de Afogados e Santo Antão. Em fevereiro de 1828 foi proclamada a República Pernambucana. Este fato obrigou o Império a tomar medidas enérgicas: foi decretado o estado de sítio da região em setembro de 1828; prisão de todos os líderes republicanos; e imposição de censura na região. Dado este acontecimento, e temendo a mesma represália em Pastos Bons, a sedição que se formava cessou.

Após a declaração de 1828, o governo provincial maranhense transfere a comarca de Pastos Bons para Grajaú, para assim enfraquecer politicamente o movimento emancipatório desenvolvido na primeira. Entretanto esta atitude fez fortalecer ainda mais o movimento, pois concentrou a massa crítica da região em Grajaú.

Em 1835, Militão Bandeira de Barros, Juiz de Paz da Chapada do Bonfim (atual Grajaú), admirador dos conceitos de liberdades constitucionais republicanas, propagou entre a população e os políticos da região, estes ideais. Conseguindo o apoio que desejava junto aos sertanejos do sul do Maranhão, proclamou a República dos Pastos Bons. A declaração de 1835 formulou uma república nacional e democrática, mas não passou de idealização abstrata.

O clima de insatisfação popular se agravou e em 1840, ainda durante os acontecimentos da Balaiada, explode no alto sertão – nas cidades de Grajaú, Barra do Corda, Carolina e Pastos Bons– a revolta de 1840. Os sertanejos se levantaram contra a Guarda Nacional e atacaram os presídios, libertando os prisioneiros. Em seguida, saques e depredações aos diversos edifícios públicos aconteceram. 

Grupos oligarcas de ideologia liberal-republicana, se beneficiando do caos popular, espalharam a proposta separatista republicana. Em junho de 1840 a região sul do Maranhão e sul do Piauí, se declarou independente do Império do Brasil, estabelecendo a capital da república de Pastos Bons em Grajaú. Os revoltosos receberam apoio de uma das facções da balaiada, os "vaqueiros", com cerca de 4.000 sertanejos comandados por Raimundo Gomes, o Cara Preta. 

O império, como resposta, enviou tropas da Guarda Nacional vindas do Grão-Pará, da Bahia e de Goiás para sufocar a rebelião de Grajaú. Grandes embates foram registrados em Grajaú e Pastos Bons. Mal preparados e praticamente desarmados, os revoltosos foram totalmente derrotados e seus líderes presos e torturados. 

Com as cadeias destruídas, e não havendo local adequado para acomodar a grande quantidade de rebeldes capturados, coronel Luís Alves de Lima e Silva (Duque de Caxias) ordenou que se ateasse fogo nos locais de prisão para eliminar de uma só vez todos os prisioneiros. Este ato infame foi feito nas prisões de Pastos Bons e Grajaú, e ficou conhecido como "o suplicio dos prisioneiros".

Após os conflitos de 1840, o projeto de criação de uma república no alto sertão maranhense findou. A forte repressão feita pelo império, desmobilizou as correntes político-ideológicas que davam suporte ao projeto.

Entretanto, na década de 1870 Visconde de Taunay, deputado da província de Goiás, propôs a criação de uma província com territórios desmembrados do norte de Goiás (hoje, Tocantins) e do sul do Maranhão, com capital em Boa Vista do Tocantins ou Carolina. O projeto foi protocolado por duas vezes junto ao congresso estadual, mas nunca chegou ao plenário.

A partir da década de 1880, ressurgem em Grajaú e Carolina lutas entre grupos oligarcas pelo domínio da região. Os grupos liberais, que apoiavam a causa republicana, liderados pelas famílias Leitão e Leda travaram intensas batalhas com os grupos conservadores maranhenses, ligados ao império. Os liberais tentaram por diversas vezes a Proclamação da República de Pastos Bons, mas os conservadores, com o apoio da igreja Católica, conseguiram os expulsar da região, expropriando suas propriedades e excomungando-os, sendo obrigados a estabelecerem-se em Boa Vista do Tocantins, no norte de Goiás (hoje, Tocantins). 

Os primeiros liberais maranhenses que mudaram para o norte de Goiás foi o grupo liderado por Carlos Leitão. Trazendo os ideais consigo, dissemina-o em Boa Vista. Rapidamente Leitão conseguiu mobilizar a parte da população em torno da proposta republicana (República de Pastos Bons). Entretanto, com a Proclamação da República brasileira em 1889, é obrigado a reformular sua proposta, apelando somente para a criação de um ente federativo, o estado de Boa Vista, que seria formado a partir do desmembramento de territórios paraense e goiano. 

Sob forte oposição Leitão ainda declara a criação do estado autônomo. Os grupos conservadores de Goiás, sob a liderança de frei Gil de Villa Nova e Marciel Perna, fazem uma forte campanha contrária, derrotando Leitão, e desmobilizando o processo emancipatório. Leitão é obrigado a mudar-se para o Grão-Pará. 

Da mesma forma que Leitão, o grupo liderado por Leão Leda é expulso do Maranhão por incitar insurreições contra o governo maranhense, e disseminar ideias separatistas. Leão Leda fixa-se em Boa Vista e retoma a proposta de Leitão – de formar um estado com territórios do então Goiás e do Grão-Pará – acrescentando também os territórios maranhenses. 

Leão Leda consegue o apoio que desejava para declarar o estado autônomo de Pastos Bons, mas os grupos opositores mobilizam-se, e inicia-se uma das mais sangrentas guerrilhas do meio-norte do Brasil. As lutas são travadas nos três estados que perderiam territórios. 

Após ser derrotado no Maranhão e no Goiás (hoje, Tocantins), foge para o Grão-Pará, onde chega a proclamar a criação do estado de Pastos Bons. Com forte oposição das dioceses do Goiás e do Maranhão, Leda é derrotado, sendo morto em 1909 após uma emboscada planejada por Domingos Carrerot. 

Após a morte de Leda, o movimento pela criação do estado de Pastos Bons é desmobilizado. Alguns líderes do movimento são presos e outros obrigados a fugir para estados vizinhos.

 

* LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ

Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão

Academia Ludovicense de Letras

Academia Poética Brasileira

Centro Esportivo Virtual