terça-feira, 27 de dezembro de 2016

ABDALA BUZAR



  Por: Maria Sampaio

                Apresentada no seu centenário em 15.11.2011

  Foi na festa de cem anos
  Que eu pude me lembrar
  Que existia um grande homem
  Era Abdala Buzar.

  Foi prefeito da cidade,
  Com toda dedicação
  Governava para todos
  Na mas perfeita união.

  Demonstrava seu amor
  Saindo do coração
  Gostava de um tambor
  E das crioulas também
  Fazia todos os anos,
  Para quem de longe vem.

  O tambor ainda existe
  Em sua homenagem
  Pois em 31 de dezembro
  É grande festa na cidade.

  E o seu nome é lembrado
  Para quem vem participar
  A festa não é minha,
  É de Abdala Buzar.

  São Benedito é o santo
  Que Abdala muito amou
  Ele é seu padroeiro
 Aqui na terra, seu defensor.

 Abdala aqui na terra,
 Cumpriu o seu destino
 Teve o amigo inseparável,
 O saudoso Padre Albino.

 Agora os dois estão lá no céu,
 Sorrindo com alegria
 Rodeado dos anjos
 Com Jesus e com Maria.

A composição faz parte do livro Inspirações poéticas (2016)



            

domingo, 25 de dezembro de 2016

NOITE DE NATAL

     

Mariana Luz

Meia noite soou. Um coro sublimado
Entoa pelo espaço um hino de alegria
É que nasceu Jesus, o filho de Maria,
A doce Virgem Mãe, o Lírio imaculado.

Nos laços maternais a meio reclinado
Sorri o Deus infante; em ondas de harmonia,
O coro se aproxima, e a estrela que os guia
Inunda de áurea luz o pouso ignorado.

Chegai-vos também vós, oh! Virgens pressurosas
Pousai os vossos lábios, tão puros como as rosas,
Que acabais de colher nos vales e campinas,

Sobre os pezinhos nus do meigo Nazareno,
Que acolhe a todas vós sob o pálio sereno
De suas santas mãos, perfeitas pequeninas.

NATAIS PASSADOS EM ITAPECURU

         
Benedito Buzar

Machado de Assis, o maior escritor brasileiro, em um de seus conhecidos sonetos, deixou eternizada esta dúvida: “Mudei eu ou mudou o Natal?”
A indagação machadiana toca-me e remete à minha terra, onde nasci, vivi a infância e a adolescência, tempos em que o Natal não era conduzido pelo desenfreado consumismo, fator que transformou a maior festa da cristandade numa farra gastronômica e permuta de lembranças e presentes.

Se atualmente o sentimento material preside as festas natalinas, no passado, o sentido da espiritualidade reinava como principio básico do evento cristão.
Lembro-me da comemoração do Natal, em Itapecuru, quando as famílias não se preocupavam com a ornamentação das residências e nem as autoridades com a decoração e iluminação das ruas. Tudo girava em torno da vinda ao mundo do Salvador.

Naquela época, decoração natalina, à base de luzes e enfeites nem pensar, pois a cidade ainda não estava servida por energia elétrica. Mesmo com a inauguração da usina de eletricidade, em 1949, pelo prefeito Miguel Fiquene, em nenhuma casa, fosse de rico, remediado ou pobre, via-se esse apetrecho feérico, que surgiu, anos mais tarde, como resultado do processo de modernização da sociedade.
Por isso, no Natal, a comunidade itapecuruense só pensava cumprir e manter aquela tradição que se arrastava ao longo do tempo: os presépios, os quais, depois de instalados, viravam atrações na cidade, com as imagens que representavam o nascimento de Jesus Cristo.

Na manjedoura, confeccionada e armada com palhinhas e plantas domésticas, as presenças simbólicas e idolatradas do Menino Deus, da Virgem Maria, de São José, dos Reis Magos- Gaspar, Belchior e Baltazar, de anjos e pequenos animais.
Os presépios pontificavam na cidade e não eram numerosos. Alguns se apresentavam bem arrumados e enfeitados; outros, contudo, mais humildes e simples, como a maioria da população. Ouso afirmar que o principal e mais visitado era organizado por Raimundo Coelho, mais conhecido por Mundico Rifiri, que residia numa casa localizada na antiga Rua Deserto, depois virou Paulo Ramos, agora é Mariana Luz.

Havia também o presépio da igreja, montado no interior da nave e cuidadosamente preparado pelas irmandades religiosas. O de Mundico Rifiri recebia os caprichos do próprio dono da casa, que o cuidava com esmero e o apresentava com prazer a todos quantos fossem visitá-lo, com a prática de um ritual que acontecia todas as noites. Ali, as famílias e os curiosos se acotovelavam não apenas para admirar aquela obra de arte, mas também participar das ladainhas, entoadas sob fervorosas preces e cânticos religiosos.
Os presépios só eram desmontados a 6 de janeiro, dia consagrado aos Reis Magos, com a queima das palhinhas. O anfitrião oferecia aos convidados mesas com doces e bebidas não alcoólicas. A banda musical da cidade não deixava de comparecer ao evento, que alternava toques profanos e religiosos.

Outra atração também marcante nos dias dedicados ao nascimento do Menino Deus: as apresentações teatrais, chamadas de autos natalinos, que se realizam no quintal da casa do Sr. Tinoco, num palco onde as crianças, vestidas a caráter, protagonizavam cenas que lembravam a chegada de Cristo. Os ensaios ficavam sob a responsabilidade das filhas do dono da casa, Zainha e Dorinha.
Na noite de Natal, o ponto alto se dava com a celebração solene da Missa do Galo, que começava rigorosamente à meia-noite e ministrada pelos padres da época: Alfredo Bacelar, Alteredo Soeiro e José Albino Campos.

Praticamente toda a população comparecia ao ofício religioso, para reverenciar e louvar o nascimento do Filho de Deus. Terminada a missa, os fiéis aglomeravam-se em frente à igreja e se abraçavam fraternalmente, como mandava a tradição cristã. Nesse instante, os sinos repicavam e os foguetes pipocavam no ar.
Poucas famílias, geralmente só as mais abastadas, se davam ao luxo de preparar ceias natalinas, não servidas na véspera do Natal, mas no almoço do dia 25 de dezembro, que não chegavam perto das de agora. Caracterizavam-se pela frugalidade, até porque os produtos natalinos, a maioria sofisticada e importada, só podiam ser vistos na mesa dos mais afortunados e também escassos no mercado. Os pratos que formavam a ceia eram triviais e tradicionais, pontificando peru e leitão assados ao forno, galinha ao molho pardo com ervilhas, fritada de miúdos, vatapá e outros iguarias, sem esquecer as deliciosas farofas.

Não posso esquecer um festejado costume, que dominava a cidade na noite de Natal. Após a Missa do Galo, a prática do roubo de galinhas dos quintais dos incautos. Essas operações não eram de grande risco, pois os lesados não corriam atrás dos prejuízos e nem davam queixas à polícia. Eram praticadas com o sentimento da aventura e com objetivo de proporcionar um bom jantar no correr da madrugada. As vítimas dessas ações, muitas vezes participavam desses rega-bofes.

No tocante aos mimos natalinos, só crianças tinham o privilégio de recebê-los e aquelas que faziam parte da elite local. Não eram brinquedos sofisticados e caros como os atuais. Os pais compravam em São Luis, pois o comércio de Itapecuru não vendia artigos dessa natureza ou refinados.

Os presentes, escondidos ou guardados a sete chaves, só chegavam às mãos dos filhos na madrugada do Natal, depois de colocados debaixo das redes ou ao lado das camas. Lembro da minha ansiedade e de meus irmãos para descobrirmos, ao acordar, o que Papai Noel nos trouxera.

O troca-troca de presente entre adultos não existia. Essa brincadeira, inventada por imposição do marketing empresarial, através dos conhecidos “amigos ocultos” ou “amigos secretos”, só apareceu anos depois, para incrementar o faturamento da indústria e do comércio.


sábado, 24 de dezembro de 2016

SAUDAÇÃO AOS ELEITOS EM 2016


Discurso proferido em 14.12.2016, por ocasião da diplomação dos   eleitos das cidades de Cantanhede, Itapecuru Mirim e Miranda do Norte no pleito eleitoral  de 2016.

Dra. Mirella César Freitas

Nos últimos meses centenas de pessoas almejaram o sonho de servir a população  desta cidade e das cidades de Cantanhede e de Miranda do Norte indicando seus nomes para merecer o voto popular. Hoje nesta cerimonia  o cenário  político de Itapecuru Mirim, Cantanhede e Miranda do Norte encerra um ciclo para que uma nova história  passe a  ser escrita pelos escolhidos no dia 2 de outubro de 2016. 

É o momento esperado de cuidar da  coisa pública, é no sonho,  no trabalho e  na honestidade de cada um dos senhores que os 74802 eleitores de nossa zona eleitoral passarão a partir de hoje a despejar as suas esperanças. Esperança, aliás,  que é o mote  de toda movimentação democrática, do jogo da alternância no poder daquilo que faz ou deveria fazer, milhões de eleitores no país inteiro confiarem  seus votos a cada biênio. É dessa esperança, concretizada no trabalho dos senhores que surge o asfalto nas ruas enlameadas, a melhoria dos transportes, da educação, da saúde e a ambição para que a água jorre todos os dias nas torneiras das casas desses cidadãos.

 Espero que as novas gestões que se inicia no próximo ano, através da cooperação entre os demais poderes, possam trabalhar imbuídos nos  objetivos de alavancar o progresso desta região, contribuindo para erradicar a fome, diminuir a mortalidade infantil,  a evasão escolar, criar oportunidade de emprego retirando a juventude ociosa do risco do envolvimento com o álcool e as drogas. 

Desejo que possam interceder junto ao governo estadual e federal pela aplicação de políticas a área da segurança pública, para que tenhamos iluminação pública de qualidade, vídeo monitoramento nas ruas e avenidas, imediato aumento dos efetivos das polícias para que assim possamos conter a crescente  violência e criminalidade em nossos municípios. 

Por isso Senhores eleitos, a partir da presente data, ao receber um simbólico papel assinado por esta autoridade judiciária Vossas Excelências passarão a ser comparados ao solitário personagem de Saint Exupéry: Serão responsáveis por  tudo aquilo que cativaram.  

O que a população  de fato espera é o desfazimento do palanque pós  disputas eleitorais, exige que as vaidades pessoais cedam espaço a cultura do respeito, ao ordenamento social e jurídico, a pacificação e a tolerância. Certamente muitos dos eleitos terão o seu primeiro contato com a função pública. Saibam Senhores, que serão servidores públicos na essência da palavra e a missão  de cada um será árdua e  o caminho tortuoso. Aliás, o verdadeiro papel de um servidor público não é a atuação personificada, mas, o fortalecimento intransigente da sua instituição. 

Os poderes do Estado Democrático de Direito necessitam da força da palavra, do verbo e que paire de força quase lúdica na sociedade, como proteção coletiva onipresente. Essa proteção, no entanto só é sentida pela sociedade, quando há harmonia entre as instituições.   Assim se há um aspecto a comemorar no desfecho desse período eleitoral foi à unidade de atuação em especial entre o Ministério Público, o Judiciário e as polícias militar e civil. Não posso deixar de destacar  o papel relevante da equipe do delegado Samoel Morita e do tenente coronel Rômulo, incansáveis nas diligencias diuturnas realizadas pela e em prol da Justiça Eleitoral. De igual modo os servidores da zona eleitoral foram fundamentais para q ue toda  estrutura logística e jurídica funcionasse. Destaco entre eles o nosso chefe de cartório, Timóteo e os servidores: Zequinha da Eliane, Elisângela, Valdecy, Amaral, Renata, Francisca, Gorete, Jocilene e Ilda.  Sem eles o célere desfecho da entrega do resultado da apuração não seria obtido. 

Agradeço o apoio fundamental da imprensa que cumpriu seu papel social  sem truncagem  nas informações, repassando recados nos momentos de dúvida social.
Agradeço ainda, a presença do juiz Eduardo  Girão e do promotor Pedro Lino que em nossa zona estiveram no dia 2 de outubro em razão da  ausência minha e  da promotora titular, pelo motivo que todos conhecem.

Por fim, jamais poderia deixar de lembrar  da  atuação importante do Ministério Público Eleitoral para o sucesso deste pleito. Mais que isso, muitos presenciaram e conviveram com a promotora eleitoral Dra. Carla Mendes, que juntamente comigo decidiu fazer as audiências públicas nos três municípios como forma de compartilhar todas as informações sobre registros de candidaturas, propaganda eleitoral, e outros assuntos.  Que realizou blitz nas ruas, que junto comigo trouxe nomes importantes para realizar o primeiro seminário de Direito Eleitoral em nossa zona que contou com mais de 120 pessoas, entre advogados, estudantes, representantes de partidos, pré-candidatos, coligações e interessados. Se fosse só por isso já seria digna de muitas homenagens. Mas ela fez mais, pois fez tudo com muita humildade, serenidade, dedicação e com o compromisso que lhe é peculiar. 

Hoje ela se recupera daquele grave acidente ocorrido dia 1º de outubro, véspera da eleição para qual tanto nos preparamos. De forma surpreendente, sem nunca questionar o porquê do acontecido e mais rápido do que os médicos esperavam sempre agradecendo o dom da vida e sem se desligar dos acontecimentos da sua querida “Itapera”. 

Pensando nisso sempre me vêm as palavras do poeta  Carlos Drumont de Andrade: Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo. Ela sempre carrega o sentimento  e a esperança  de realizar o Ministério Público resolutivo e eficaz em nosso município, cumprindo seu papel constitucional de fiscalizar com leveza, sendo dura e firme quando necessária mas jamais autoritária ou desrespeitosa com qualquer cidadão desta cidade. Assim gostaria de pedir uma salva de palmas a promotora de justiça Carla Mendes Alencar como forma de reconhecimento pelo seu trabalho desenvolvido nesta  zona eleitoral.

Desejo aos eleitos e seus familiares  um quadriênio de retidão de caráter e de sorte e que os princípios de legalidade, moralidade, impessoalidade, publicidade e eficiência norteiem seus passos a partir de 1º de janeiro de 2017.


domingo, 18 de dezembro de 2016

AMIGOS DE CALÇAS CURTAS

       

Benedito Buzar

Concluído o curso primário no Grupo Escolar Gomes de Souza, em Itapeecuru, vim estudar em São Luis, no Colégio dos Irmãos Maristas, que começava a funcionar em novas instalações, na Rua Oswaldo Cruz.

Naquele elitizado estabelecimento de ensino, cheguei em 1950, onde conheci João Castelo Ribeiro Gonçalves, à época, eu e ele, de calças curtas. Lembro-me que era um garoto gordinho e bem aplicado, mas sem figurar entre os mais estudiosos da classe. Eu, também, fazia parte desse time.

Nos três anos de estudo nos Maristas, eu e Castelo sempre fomos da mesma turma. A partir de 1953, troquei os Maristas pelo Liceu Maranhense, ano em que perdi Castelo de vista. Só voltei a revê-lo no final dos anos 1960, ele em atividade profissional no Banco da Amazônia, cujo corpo funcional era constituído da fina flor da juventude maranhense. Como bancário, teve trajetória fulgurante. Ocupou o cargo de gerente do BASA em Coroatá, Codó e São Luis e chega a presidi-lo.

Na agência da capital maranhense, Castelo multiplica o seu capital profissional e diversifica o círculo de amizade, especialmente com  empresários e políticos. Da convivência com políticos, aproxima-se do senador José Sarney, com o qual formaliza uma estreita relação de amizade, a ponto de se tornarem compadres.

Pelas mãos de Sarney, Castelo ingressa na atividade política, concorrendo às eleições de 1970 ao cargo de deputado federal, pela Arena, elegendo-se com expressiva votação. Reelege-se em 1974, mandato no qual é convocado para ocupar o cargo mais importante de sua trajetória política.

CASTELO NO GOVERNO DO ESTADO

Por imposição do regime militar, as eleições aos governos estaduais, a partir de 1970, passaram a ser indiretas. O primeiro governador eleito indiretamente pela Assembleia Legislativa foi Pedro Neiva, cuja sucessão é tumultuada face ao rompimento do governador com o senador José Sarney e da volta à cena política do ex-senador Vitorino Freire, que cria embaraços na indicação de nomes para governar o Estado. Resultado: o poder acaba no colo do deputado Nunes Freire, que, também, termina o mandato rompido com Sarney, este, o mais cotado para substituí-lo, mas fica fora do páreo pela forte influência de Vitorino no Palácio do Planalto. Mesmo alijado do governo, Sarney tem cacife para indicar o sucessor de Nunes Freire, o fiel escudeiro, deputado João Castelo Ribeiro Gonçalves.

A GESTÃO CASTELISTA

À frente da administração estadual, Castelo não esconde o desejo de fazer um governo como o de Sarney, isto é, voltado para o planejamento e o desenvolvimento do Estado. Não à toa, adota o slogan de  “Um grande Maranhão para todos” a sombra do qual  forma um bom secretariado, com técnicos do Banco da Amazônia e de instituições governamentais. Na Agricultura, Luis Varela, Administração,  Antônio Fernando Carvalho, Planejamento, João Rebelo, Educação, Antônio Carlos Beckman, Fazenda, Antônio José Brito, Indústria e Comércio, Roberto Macieira, Trabalho, Fernando Castro, Saúde, José Rodrigues Lopes, Justiça, Roque Macatrão, Segurança, Raimundo Marques, Meio Ambiente, Darson  Duarte, Transportes, João Rodolfo, Interior, Wilson Neiva, Cultura, Arlete Machado, Desportos e Lazer, Elir Gomes, tendo o capacitado José Burnett, como Chefe da Casa Civil.

Com esse time de boa qualidade técnica e política, Castelo realiza bom trabalho e faz obras de significativa relevância, a exemplo do Italuis, Hospital Carlos Macieira, Universidade Estadual do Maranhão, Casa do Trabalhador, Ponte Bandeira Tribuzi, Cidade Operária, Programa Bom Preço e o Estádio Castelão.

Mas um deslize o conduziu ao pelourinho: em setembro de 1979, os estudantes foram às ruas reivindicar o cumprimento de antiga lei municipal, que garantia o direito da meia-passagem à juventude. O movimento, repelido violentamente pela Polícia, fato que impede Castelo de abrir as negociações com os estudantes e abafar o movimento no nascedouro, pelo diálogo. Quando isso acontece, o desgaste do governador já estava nas alturas.

CASTELO EMPAREDA SARNEY

 Antes de findar o mandato de governador, Castelo surpreende o Maranhão com uma jogada política que deixa o senador José Sarney em complicada situação. Com a morte do vice-governador Artur Carvalho, o substituto hierárquico de Castelo era o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Albérico Ferreira, tio de Sarney.

Nas eleições majoritárias de 1982, o projeto de Castelo era deixar o Governo e se candidatar ao Senado. Mas não deseja transferir o poder estadual a Albérico por entender que este no Governo criaria embaraços à sua eleição de senador. A Sarney diz que só deixará o Palácio dos Leões se Albérico renunciar à presidência da Assembleia Legislativa, ensejando a ascensão ao cargo do 1º vice-presidente, Ivar Saldanha, deputado de sua confiança.

Sarney fica numa saia justa, pois o tio repele a proposta de Castelo com ferocidade. Só depois de muita conversa, Albérico atende aos apelos do sobrinho, renunciando a presidência do Legislativo e ao mandato de deputado estadual. Só assim, Castelo se desincompatibiliza do cargo  e permite  Ivar Saldanha assumir à presidência da Assembleia e, como tal, ser o novo comandante do Poder Executivo.

DESENTENDIMENTO DE CASTELO COM LUIZ ROCHA

Outra artimanha política de Castelo teve por alvo o deputado Luiz Rocha. Com o retorno das eleições diretas, o deputado Luiz Rocha se lança candidato a governador, sem o apoio de Castelo, que faz de tudo para Sarney não endossar aquela candidatura.

Luiz Rocha, duro na queda, impõe-se candidato e vence as eleições, mesmo enfrentando a ira do governador. Ao assumir o cargo, vai às forras e desencadeia contra o antecessor represálias de todos os tipos. Era o que faltava para desabrochar uma luta ferrenha entre o atual e o ex- governador, que se não fosse imediatamente estancada poderia implodir o PDS.

Para intimidar Luiz Rocha, Castelo dar o troco merecido. Com a maioria dos deputados sob seu comando, usa-os para torpedear as mensagens, projetos e propostas emanadas do Palácio dos Leões, especialmente a Lei Delegada, pois com ela Luiz Rocha desejava fazer alterações na burocracia estadual.

Durante semanas, o Maranhão assiste estupefato à gigantesca luta entre duas figuras políticas do mesmo grupo, cada qual esgrimindo as armas disponíveis para ver quem ficava com o troféu da insensatez.

Com estava escrito nas estrelas, a contenda só acaba com a presença de Sarney, que vem de Brasília e coloca, com a sua competência política, água num caldeirão cheio de brasa, para desativá-lo e não comprometer a sua liderança. O armistício é declarado, mas a inimizade entre Castelo e Rocha não cessa, ao contrário, incrementa-se e com novos desdobramentos.

CASTELO E AML

Se há um governador com prestígio na Academia Maranhense de Letras, chama-se João Castelo, a quem é devido o envio de mensagem à Assembleia Legislativa, da qual resultou na Lei 4.350, por ele sancionada em 31 de outubro de 1985, autorizando o Poder Executivo a pagar mensalmente à AML subvenção especial correspondente a 10 salários-mínimos.

Por conta disso, Castelo sempre recebeu da Casa de Antônio Lobo as merecidas homenagens e reconhecido como um dos grandes beneméritos da Instituição.