sábado, 22 de agosto de 2020

VARGEM GRANDE – MA, 1936

   *Clécio  Nunes

O difícil caminho até Mulundus

        Brasil, Maranhão anos de 1930, romeiros de muitas partes do país e do estado se organizavam para no mês de agosto pagarem suas promessas feitas ao milagroso São Raimundo Nonato dos Mulundus e agradecerem as bençãos recebidas. O desejo de cumprir com os votos assumidos eram enormes, no entanto as dificuldades impostas pelas precárias condições de transporte existentes na época impunham aos romeiros jornadas, muitas das vezes exaustivas e cheias de desafios. Para chegar a Mulundus, distante da cidade de Vargem Grande 32 km, usavam principalmente animais de montaria e carroças, muitos outros vinham à pés em caravanas enfrentado o sol e o calor do verão nordestino e a poeira dos caminhos e estradas que levavam ao santuário.

         Com a inauguração da ponte férrea sobre o Estreito dos Mosquitos no final dos anos de 1920, que permitiu a regularidade do transporte de cargas e passageiros entre as capitais do maranhão (São Luís) e do Piauí (Teresina), e com as cidades e vilas por onde a estrada de ferro passava. Assim, as distâncias para chegar a Mulundus se encurtaram, visto que o trem de passageiros passava pelas cidades de Itapecuru, Coroatá, Cantanhede e Pirapemas, com uma parada na localidade Maracajá (município de Coroatá) para abastecer com água as caldeiras do trem que era movido a lenha. Justamente nessa parada muitos romeiros desciam para seguir viagem a Mulundus.

         Eis que no ano de 1936, o senhor Rachid Salim Trabulsi fazia anunciar nos jornais da capital uma novidade, uma linha de transporte para os romeiros partindo da localidade Maracajá. A novidade garantia mais rapidez e tranquilidade para se chegar ao Santuário. Segue anúncio publicado na edição do dia 4 de agosto de 1936 do Jornal O COMBATE.

          Brasil, Maranhão, ano de 2020, romeiros de diferentes regiões do país e até de outros países lamentam a não realização do festejo como de costume. Sem Romaria à Paulica, nem barracas, nem leilões, sem missa campal. Lamentam de forma mais intensa não rever amigos e parentes. Outros tantos lamentarão a ausência do comércio a céu aberto nas ruas, avenidas e praças da cidade, as festas e os encontros nos bares. 

           Roguemos, pois, ao Glorioso São Raimundo Nonato dos Mulundus para que nos livre dos efeitos mais danosos dessa pandemia, que conforte o coração dos nossos irmãos que perderam seus entes queridos, roguemos ainda, para que o nosso normal seja devolvido tão logo.

            São Raimundo Nonato dos Mulundus, rogai por nós!

 

Acervo público digital da Biblioteca Nacional. http://bndigital.bn.gov.br/hemeroteca-digital/


 

 

 *Clécio Coelho Nunes

Pesquisador e Professor Licenciado em geografia pela UEMA, membro fundador e Vice-presidente da Academia Vargem-Grandense de Letras e Artes, fundada em 14 de julho de 2019

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

AMIZADE

 *Marciara Araújo

 

Tenho várias amizades.

Mas, de todas elas,

gosto mais da de você

porque com você aprendi a viver.

 

Para eu ser feliz não preciso

de dinheiro. Só você estando

ao meu lado, eu conquisto

o mundo inteiro.

 

Entre as estrelas do céu

e as flores do jardim.

De que você gosta mais:

Será que delas ou de mim?!

 

Sorria para não chorar

viva o mundo do seu jeito

se o mundo é cheio de violência

cuide dele com mais eficiência

 

 

*Marciara Pereira Araújo, natural de Vargem Grande (MA), nasceu em  11 de julho de 2006, filha de Francisco das Chagas Rodrigues Araújo e Raimunda Santana Pereira, estudante da Escola Padre Raimundo Carvalho. Foi uma das finalistas do projeto literário da Academia Vargem-grandense de Letras, - AVLA na Escola Descobrindo Talentos (2019), tendo por orientadora a professora Florencia Francisca de Sousa Correa. A jovem gosta  de escrever poemas e pequenos contos.

 

MÃE

 *Macielle Araújo


Toda mãe  tem que se alegrar
Tem que sorrir, tem que cantar.

Toda mãe tem que se cuidar
Toda mãe tem o seu dia de brilhar.

Mãe é uma pessoa admirada
Que não se cansa de ser amada.

Mãe,  de todas as mais lindas
Tu és a mais bela e perfumada flor,
que vieste com muito amor.

Mãe,  joia rara de se ter
Por isso só tenho a agradecer
a Deus por ter você.

 

 *Macielle  Pereira Araújo, natural de Vargem Grande (MA), nasceu em  30 de   junho de 2000, filha de Francisco das Chagas Rodrigues Araújo e Raimunda Santana Pereira, estudou  da Escola Santos Dumont. Foi uma das finalistas do projeto literário da Academia Vargem-grandense de Letras, - AVLA na Escola Descobrindo Talentos (2019), tendo por orientadora a professora Socorro Pontes. A jovem gosta  de escrever poemas e pequenos contos.  Gosta de escrever poemas e artigos  históricos, pretende publicar seu livro no futuro.

 

 

NINA

             *Estefany  Silva

Filho de coronel, nascido em

Vargem Grande, homem esbelto e

Exuberante, digno de honra inquestionável.

 

Desde muito cedo foi um rapaz

Exótico e com diferencial,

Posteriormente, um médico

Conhecido e sensacional.

 

Seu talento era incalculável e

Imprescindível, possuía natureza

Intelectual impreterível.

Jamais sua carreira poderia

Ser presumível.

 

Sua dedicação foi lenitiva,

Era homem forte e sua determinação incisiva.

Homem de suma importância em

Nosso Maranhão, seu nome, quando

Pronunciado, nos causa enorme exultação.

 

Suas memórias são dignas

De louvor, logo, todas as

Suas obras foram feitas

Com grande amor.

 

Muitos falaram: “Nina está louco!”

Mas nunca pararam para lhe escutar

Um pouco. Vários o afligiram, mas

Amedrontá-lo nunca conseguiram.

 

Nina possuía saúde frágil e

Morreu bastante jovem,

Porém, deixou suas marcas

Na história para que todos olhem.

 

Dedico este poema a este

Nome importante que é merecedor

De toda nossa atenção, e assim

Termino esta homenagem com

Grande satisfação.

 

 

 

*Estefany  dos Santos Silva, filha de Francisco Liomar Pereira da Silva

 e Angelita Pereira dos Santos , nasceu em Vargem Grande (MA) em  21 de

novembro de 2003, estudante do Rnsino Médio do Centro  de Ensino Raulina

Sousa Silva, gosta de escrever poemas,  contos narrativas  e textos relacionados

 aos temas atuais. Foi finalista do projeto da Academia Vargem-grandense de

Letras e Artes,  I AVLA na Escola – Descobrindo Talentos”. Orientadora,

 professora: Kamilla Peixoto Cavalcante Rocha.

 

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

OS DOIS CARLOS CUNHAS

 *Wanda Cunha

O professor Antônio Lisboa Carvalho de Miranda, maranhense, um dos grandes expoentes da Literatura do Maranhão e de além-mar, é um daqueles estudiosos que consegue, com muito zelo, fazer um resgate de autores nacionais e, em particular, de autores maranhenses. Em seu site antoniomiranda.com.br, ele coloca em destaque, por exemplo, a memória de Carlos Cunha, poeta, crítico literário, ensaísta, cronista, professor e jornalista maranhense. No estudo, revela algumas de suas poesias, dentre as quais “Punhal de Aurora”, “Condor Ferido”; trovas e outros fragmentos do seu livro “Cancioneiro do Menino Grande”. Ao final da pesquisa, inclui, no acervo bibliográfico do maranhense Carlos Cunha, um poema intitulado “Canto do Natal No Perímetro Urbano”, do livro “Breve Romanceiro do Natal”, 1972, publicado pela Editora Beneditina Ltda., em Salvador.

 Nos meus estudos literários sobre o maranhense Carlos Cunha, não constatei qualquer poesia que tivesse o título “Canto do Natal No Perímetro Urbano”, ainda que o maranhense fosse um exímio poeta em temática de Natal, a exemplo de seus poemas “Bilhete a Papai Noel” e “Canção de Natal Para o Menino Pobre”. A coincidência da temática social e a descoberta de um homônimo fizeram-me sair, insistentemente, à procura daquele que seria, em primeira instância, um sósia intelectual de Carlos Cunha, meu pai.

 Não sei se o termo exato para comparar os dois Carlos Cunhas seria sósias, posto que sósia é uma palavra oriunda da mitologia grega, mais precisamente da Comédia “Anfitrião”, de Plauto. Como sempre, Zeus, no afã de conquistar mulheres alheias, tomou a forma de Anfitrião, esposo de Alcmena, para, naquela oportunidade, com ela deitar-se. Sósia era o escravo de Anfitrião. Hermes, filho de Zeus, assumiu a forma humana do escravo Sósia para vigiar o portão, enquanto Zeus conquistava a mulher de Anfitrião. Foi assim que sósia passou a designar “cópia humana”. Da relação entre Zeus com Alcmena, nasceu o semideus Hércules.

Nas coincidências que envolvem os dois Carlos Cunhas, não sei se há o dedo de deuses; mas sei que se trata de um fato que merece um olhar mais aguçado sobre os dois escritores. Localizei, na obra “A Literatura na Bahia – Livro 5 – Peji de Inventos”, do professor Cid Seixas, o capítulo intitulado “Do Velho Preciosismo ao Non Sense Pós-Moderno”, no qual Seixas traça um perfil estilístico daquele Carlos Cunha de origem sergipana que fincou sua carreira literária em Salvador. Enquanto o maranhense Carlos Cunha publicou seu primeiro livro em 1967, intitulado “Poesia de Ontem”, o Carlos Cunha da Bahia publicou, em 1961, seu livro de estreia “Goivos de antófilos”.

Segundo Seixas, “Goivos” traduz o fascínio do Carlos Cunha da Bahia pela estética preciosista Parnasiana. Diz Seixa (p. 13): “goivo é uma planta ornamental de flores rubras, raiadas de branco. Muito cheirosas e apreciadas para compor arranjos decorativos, estas flores são encontradas também na cor amarela. Antófilo, como se sabe, é o apreciador ou o entusiasta, quase obsessivo, das flores. (...) Mas, goivo também é uma palavra que evoca gozo ou alegria, uma vez que o nome da flor vem do latim gaudium, que segundo o dicionário dessa língua quer dizer ‘satisfação, prazer, regozijo’”.

 O maranhense Carlos Cunha traz, em sua poética, uma verve simbolista por meio da qual se manifesta um romantismo vestido de modernidade. O romantismo é fruto da sua condição de homem intrinsecamente espiritual e humano. Dentro de suas fases, verifica-se o poeta que sabia burilar, com maestria, os versos da medida velha. Em sendo contemporâneo do Modernismo, também soube dar aos versos brancos e livres sua arte literária. Mas, sem postergar esses dois extremos de sua criação literária, Carlos Cunha deixou para posteridade uma safra de sonetos que era comum na corrente parnasiana, mas, contrariamente, trabalhou-os, em sua construção, o estilo humanístico sob a égide do petrarquismo.

 O Carlos Cunha, oriundo de Sergipe, que se ligou ao movimento literário da Bahia, era filho do professor sergipano Cecílio Cunha. Carlos Cunha maranhense era filho do condutor de bonde Carlos José da Cunha, que trabalhava na antiga Ullen Company. Carlos Cunha de Sergipe passou a fazer parte da geração da Moderna Poesia baiana, por meio da antologia do mesmo nome, tornando-se um agitador cultural atuante na esfera da Bahia. Por seu turno Carlos Cunha maranhense publicou, em 1974, a antologia “Poesia Maranhense hoje ou 50 anos de poesia”, transformando-se também em um dos grandes representantes e divulgadores da cultura maranhense de seu tempo, resgatando autores antigos e promovendo novos escritores, inclusive artistas plásticos; estes últimos, ele os divulgou na obra intitulada “A Páscoa das Gaivotas”.

 Conforme informações de Seixas, Carlos Cunha da literatura baiana conseguiu propagar-se em movimentos de ideais coletivos, ladeado por vários outros escritores que viam nas antologias uma ferramenta para divulgação de suas obras de cunho moderno. Em 1963, Cunha da Bahia adquiriu um estilo neorromântico, com a obra “Ilhas para morrer”. Um fato curioso registrado por Seixas é o de que o sergipano Carlos Cunha, nos anos de 1970, recolheu os exemplares de seu livro de estreia, que estavam nas mãos de seus leitores mais íntimos; e, em 1977, por ocasião da publicação de seu livro “Flauta Onírica”, ao fazer referência à sua bibliografia, riscou a palavra “antófilo”, do título da sua primeira obra, deixando apenas “Górvio”.

Na opinião de Seixas, essas atitudes de Carlos Cunha contribuíram para que sua produção não fosse conhecida pelo leitor, impossibilitando o acompanhamento e a comparação das diferentes fases poéticas deste escritor. Disse Seixas (p. 16): “O leitor fica privado de acompanhar e comparar as diferentes estações do trajeto poético desse escritor arredio, mas significativo; posseiro de dicção pessoal e inconfundível, no quadro da poesia baiana da segunda metade do século XX”. Observa-se, nas palavras de Seixas, um recolhimento voluntário de Carlos Cunha da literatura baiana, sem que se possa cogitar o motivo que o fizera limar o próprio nome do círculo literário soteropolitano. Sabe-se, conquanto, que Sergipe deu à Bahia um filho ilustre que ainda hoje é cantado e decantado pelos seus admiradores.

 Eis as semelhanças e diferenças entre os dois Carlos Cunhas: o maranhense deixou uma obra que serve de herança aos filhos gonçalvinos; membro da Academia Maranhense de Letras, onde ocupou a cadeira nº 33, fundada por Viriato Correa; com mais de 24 obras publicadas, de críticas, ensaios, poesias, folclore, palestras, crônicas, oriundas de seu espírito irrequieto de jornalista, escritor, professor e declamador; muitas das quais servem hoje de fontes para os estudos da cultura maranhense. Mesmo assim, poucos de seus conterrâneos tentam resgatar a memória desse ilustre filho do Maranhão.

 Já o baiano Carlos Cunha trilhou caminhos relativamente diferentes: não deixou de participar da vida intelectual de Salvador, chegou mesmo a trabalhar na administração da Academia de Letras da Bahia, mas, ao final, manteve-se silente como escritor. Por isso, acentua Seixas: “Creio que a obra poética de Carlos Cunha ficou reduzida às três fases distintamente marcadas pela publicação dos seus livros Goivos de antófilo, ilhas para morrer e A flauta onírica". Outro fato curioso apontado por Seixas é que Carlos Cunha da Bahia não quis a inclusão de seus poemas na antologia “Poesia Baiana do Século XX”, organizada por Assis Brasil.

O Carlos Cunha ludovicense está na “Poesia Maranhense do Século XX”, na qual Assis Brasil faz a seguinte referência: “Luiz Carlos da Cunha, um dos intelectuais maranhenses mais atuantes em sua época, nasceu em São Luís no dia 18 de maio de 1933, tendo se destacado como jornalista, cronista e poeta, além de ter fundado jornais e colégios. Em destaque, também, os comentários sobre os livros de inúmeros poetas veteranos e novos de sua terra, abrindo, neste setor, um leque para a edição de livros”. (p.215-216).

Na Revista da Academia de Letras da Bahia, nº 55, de março de 2017, Edivaldo M. Boaventura, membro da ABL, discorre sobre o trabalho dignificante e incessante de Carlos Cunha da Bahia, como diretor executivo daquele sodalício, ao lado do então presidente Claudio Veiga (p. 31): “Empreendia a promoção cultural, sabia animar as pessoas a escrever e dava inclusive sugestão de títulos. Atuando na administração, durante vinte e cinco anos, apoiou criativamente várias iniciativas. Além de poeta, era, verdadeiramente, um animador cultural. Com o conhecimento da vida literária, atraiu jovens e escritores para o convívio acadêmico”.

O sergipano Carlos Cunha, de coração baiano, por diversas vezes fora convidado a tomar assento em uma cadeira da ALB, dada a primazia de sua poesia e, também, dada a sua dedicação por aquela casa de cultura; mas ele sempre recusava o convite. Faleceu aos 71 anos de idade, em 18 de dezembro de 2011, no Hospital Português, na Bahia. O Carlos Cunha gonçalvino faleceu aos 57 anos, no dia 22 de outubro de 1990, também no Hospital Português, mas, em São Luís do Maranhão. Coincidências ou não, de Maranhão a Bahia, os Carlos Cunhas escreveram belas páginas literárias em favor da Literatura Brasileira.

 

*Wanda Cristina da Cunha e Silva,  poeta, cronista, compositora, teatróloga, cordelista e musicista,    Graduada em Letras e Comunicação. Estreou  na Literatura Maranhense aos 12 anos de idade, com uma peça teatral,   Sociedade Moderna”. Publicações: “Uma Cédula de Amor no Meu Salário”, poesias (1981), "Engraxam-se Sorrisos”, crônicas (1983), “Rede de Arame” (1986), poesias. Em 1989, o título barroco, “Geofagia ruminante no sótão da preamar ruminante no sótão da preamar”, poema estilo de cordelista,  Flor de Marias No Buquê de Costelas” (1993). Lançou, em 2009, o CD “Vida de Ouro e Amor de Prata”. o livro de teatro Viagem às ruas de São Luís; o livro de conto infantil Parede tem ouvido; e o livro de crônicas  Engraxam-se sorrisos.   Wanda  Cunha, que tem outras pérolas  literárias ainda inéditas. Ganhou vários prêmios nas áreas de Literatura e Música.

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

JARDINEIRO

       *César Borralho

 

 Há um cheiro que ficou no ar

desde que você se foi.

Comprei pá, sacho e um regador

que não pretendo usar. 

 

Pretendo, ao que me permitas,

conduzir tua lavoura no poente

proporcionando ao árido o fértil,

germinando a poesia das sementes

ainda verdes no jardim do teu olhar. 

 

Em tua boca o outono em ventania é o sorriso

que dobra o xaxim à samambaia, ao movê-la,

assim como um pássaro abraça as estrelas

em todo silêncio que é preciso para dobrar

a gaiola em seu voo ou pensamento. 

 

Lembra-te que, por virtude divina ou maldade, 

virá o derradeiro anoitecer (o Jardineiro),

com luvas de primavera e tesoura

que não pretende usar. 

 

Com terra ancestral – negra borracha,

irá desmanchar a mão que escreve,

como o lápis de sol desenha,

com técnica de bonsai, água na neve.

 

  

 

 

*César Borralho, natural de Codó (MA), 1979,  vive em São Luís do Maranhão desde 1979. É professor, mestre em Cultura e Sociedade, especialista em Filosofia da Arte e graduado em Filosofia. Escrever poesia é dar ritmo às imagens que ele cria na eterna luta para que o papel não fique obscuro e nem tão vazio. Poesia é o vento que leva o barco quando barco não há. Nunca aspirou publicar um livro para me tornar poeta, mas se um dia se tornar um poeta, publicará um livro.

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

DR. NINA RODRIGUES

          *Luciana Alves

 Peço licença aos leitores

Agora por um instante

Para tratar de um assunto

Do qual achei importante

Quando eu falar vocês julgam

Se o caso é interessante.

 

Quero falar de um homem

De grande capacidade

Com o nome de Raimundo

Nasceu em nossa cidade

Com esforço ele ganhou

Grande titularidade.

 

Vargem Grande teve sorte

Ou a força do destino

Porque nesta terra amada

Nasceu este menino

Que se tornou um fenômeno

Neste torrão nordestino.

 

Eu falo de Raimundo

Homem de grande valor

Estudou bem e cresceu

Ganhou título de doutor

Formado em muitas áreas

Em curso superior.

 

Raimundo Nina Rodrigues

Seu nome documental

Cresceu, viajou bastante

Por Paris e Portugal

Nunca negou sua origem

E sua terra natal.

 

Criou a antropologia

Que hoje o Brasil tem

Não foi só, mas ajudou

Com outros homens de bem

Hoje merecendo as honras

Por tudo que lhe convém.

 

O primeiro brasileiro

Por pensamento legal

Buscou a temática negra

Como questão de moral

Porque Raimundo buscava

A integração social

 

Foi em mil e oitocentos

E sessenta e dois o ano

Em que Raimundo nasceu

Excelente ser humano

Mil novecentos e seis

Morreu, acabou o seu plano.

 

Foi aos 43 de idade

Que veio a falecer

Tristeza para o Brasil

Um grande homem perder

Porém deixou seu legado

Para ninguém esquecer.

 

*Luciana Alves, natural de Vargem Grande (MA), nasceu em 23 de agosto de 2002. Foi   uma das finalistas do concurso literário da Academia Vargem-grandense de Letras e Artes “AVLA na Escola – Descobrindo Talentos (2019), pelo Colégio Santos Dumont. O professor Raimundo Nonato Gomes de Sousa foi muito importante como orientador para a jovem,  Luciana,  como estímulo  rumo a literatura.   Atualmente é graduanda de Pedagogia pela UNIFACVEST.

Na área literária, desde muito nova passou a participar do Clube da Leitura, se identificando com a poesia, com livros de reflexões e auto ajuda. Já tem um livro inédito, A Noiva Cadáver, na categoria, suspense.

 

ABRAÇO!

 *Rebeca  Santos

Algo simples e essencial
Que muda o nosso dia
Estando bem ou estando mal
Que faz parte da cidadania
A melhor ação social
É o abraço entre duas vidas.

O abraço é a ligação de momentos.
Resultantes do verbo amor
Muitos não o conhecem
Muitos não sabem o seu valor
Mas uma coisa eu garanto
Ele avalia qualquer dor.

Quando estamos tristes
Um abraço vem nos alegrar
Quando estamos duvidosos
Um abraço nos faz acreditar
Quando estamos sem esperança
Um abraço nos faz sonhar

Quando estamos caídos
Um abraço vem nos levantar
Quando estamos esmagados
Um abraço nos faz lutar
Quando estamos quase desistindo
Um abraço nos faz recomeçar.

O abraço é importante
Ele nos tira da solidão
Apenas pra dora tristeza
Que traz decepção
E pra dona frieza
Que ele aquece o coração.

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Pra sentir cumplicidade
Sentir amor, confiança
Segurança e lealdade.
Não importa pra quem seja
Dê um abraço de verdade.

Que ele seja o presente
Que sempre lhe fortaleça
Que ele seja um motivo
Pra que sempre agradeça
Que a cada sofrimento
Ele cresça e permaneça.

Enquanto servir pro perdão
Não haverá vingança
Enquanto servir pro carrinho
Não haverá insegurança
Enquanto servir pra ternura
O que é ruim não se alcança.

 

*Rebeca Vitória Sousa Santos, estudante, cordelista, cronista, nasceu em Presidente Vargas (MA), em 7 de agosto de 2003. Estudante do Centro de Ensino Tancredo de Almeida Neves. Desde criança que desenvolveu o dom da poesia, sendo constantemente chamada nos eventos escolares, cívicos e religiosos  para declamação dos seus textos. Em agosto de 2019,  participou do concurso de poesia, da Associação Maranhense de Escritores Independentes – AMEI, em comemoração ao aniversário do poeta Gonçalves Dias.

UM CENTÍMETRO

    *🌹Diniz

Eu te amo e não sei porque

Ou até sei

Mas prefiro o mistério 

De não saber direito o que amo em você

Olhos, boca, toque

Beijo, abraço, carinho

O jeito que você me olha

O jeito que você me ama

A maneira como cuida de mim.

 

De alguma forma eu sempre soube

Que um dia

Uma pessoa chegaria na minha vida

Pessoa que mudaria tudo

Me faria o homem mais feliz do mundo

Faria eu sentir coisas que jamais sentira

E de alguma forma

Eu sempre soube

O quão perto esta pessoa estava de mim

Não tem nem mesmo um quilômetro de distância

Mas eu adoraria que fosse a um centímetro de distância.

 

 

*Leandro Diniz Lima, natural de Boa Vista (RO), filho de Rosiane Paz Diniz e Rosângelo Silva Lima, nasceu em  11 de março de 2002. Se considero  criativo, gosta de "inventar" coisas só por diversão. Tem paixão por fotografia, tanto que criou  um portifólio virtual no Instagram (https://instagram.com/leandro_fotograf0?igshid=lhrx05g5gbf8). Escreve poesias e textos um tanto motivacionais quando sente  necessidade e para ajudar os amigos. Também é apreciador da boa música, gosta de cantar e  sonhar...

 

 

 

 


 

 

GRACIETE CASSAS

 

         Graciete de Jesus Cassas e Silva nasceu no dia 02 de Junho de 1931 em Itapecuru-Mirim. Filha de Felício Cassas e Maria de Lourdes Coelho Cassas. Mãe de três filhos biológicos e inúmeros adquiridos. Foi escrivã de justiça do  Cartório do  2º Ofício durante muitos anos.

            Graciete  era considerada uma mãe da caridade. Como parteira leiga socorria mulheres carentes no parto em qualquer lugar e a qualquer hora. No campo social ajustava também a harmonia em muitos  lares itapecuruenses ajudando muitos casais, muitas vezes de forma humorada, a se entenderem  nos seus consórcios matrimoniais e familiares ao tempo que ajudava todos os necessitados que batiam a sua porta em busca de apoio financeiro ou uma palavra amiga.  Favoreceu muito  a cultura local, ajudando a formação de grupos sociais, esportivos, religiosos  e filantrópicos. Foi  uma das fundadoras com o seu esposo do Lions Club de Itapecuru Mirim em 1981 e esteve diretamente ligada na fundação do Clube  Social da cidade em 1961.

           Se lançou na política candidatando-se à prefeitura duas vezes, sem obter êxito, porém angariou um reforço muito grande em sua popularidade e amizade entre seus conterrâneos.  Faleceu no dia 08 de janeiro de 1999.

           Foi escolhida como patrona da   cadeira nº 8 da Academia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes – AICLA, representada pelo poeta folclorista Moaciene Monteiro Lima.   

 

          Do livro Itapecurenses Notáveis (2016)  de autoria de Jucey Santana