quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

ANA JÚLIA

 Jucey Santana

          Chamam-me imortal porque faço parte da Academia Itapecuruense de Ciências Letras e Artes, mas na realidade sou uma simples mortal e não estaria hoje contando histórias  de ilustres itapecuruenses  não fosse pela  intervenção de uma nobre filha da terra. Passo aqui a relatar o fato: Quando pequena, talvez com três ou quatro anos, isto não me lembro... Morávamos na Rua do Egito, atual Coronel Catão. Minha irmã Jacira desceu ao rio para lavar roupas e nadar e eu a acompanhei. Enquanto minha irmã nadava com as amigas eu certamente quis segui-las, caindo no rio sem que ninguém visse. As lavadeiras sentiram minha falta e uma delas perguntou: Onde está a menina de dona Margarida?

          Esta senhora que sentiu a minha falta ao lado da tábua de lavar, me localizou rio abaixo subindo e descendo ao sabor da correnteza. Então, corajosamente nadou e me resgatou no meio do rio.  Depois de muito vomitar eu fui considerada salva do afogamento, graças a ela. Houve um alvoroço em toda a beira-rio e vizinhança.  Minha mãe, em agradecimento, a partir de então, me obrigou a chamá-la de mãe. Daí para frente, já me lembro...  Tinha muita vergonha de chamar aquela lavadeira de mãe. Eu a achava  feia e pescoçuda. E ainda por cima ela vendia bolos e chocolates nos festejos da igreja. Minha mãe me obrigava a tomar a bênção na frente de todo mundo.  Depois da bênção e afagos eu ganhava invariavelmente, o seu famoso  chocolate, fumegante, que me queimava a boca. Para falar a verdade, nunca gostei de chocolates. E ela toda satisfeita com aquela filha especial, que não se cansava de contar a história do rio, para minha aflição juvenil!  Eu fazia tudo para não encontrá-la. Nunca me importei de saber seu nome.

          O tempo passou e não esqueci o episódio. Tempos atrás resolvi buscar informações sobre a minha salvadora. Então, soube tratar-se de Ana Júlia. Gostaria de tê-la conhecido para poder  abraça-la e me desculpar por ter sido uma filha  ingrata!

          Ana Júlia Silva Corrêa nasceu em Itapecuru Mirim, em 1899. Era filha de Benedito Antônio Corrêa e Cândida Flora Corrêa. O seu pai era conhecido por Benedito Laranjeira por ser oriundo da localidade Engenho das Laranjeiras ou porto das Laranjeiras propriedade da família Bandeira de Melo, atual Assentamento Conceição Rosa. Teve três filhos: Maria das Dores, e os músicos Luís Venâncio e Manoel, o Manoca.

          Ana Júlia sempre foi benquista, hospitaleira e popular em Itapecuru-Mirim. Ninguém saia de sua casa sem fazer uma refeição ou pelo menos um lanche. Muito católica, organizava dois grandes festejos por ano, em sua casa, auxiliada pelos filhos, netos e a comunidade que assumiam compromissos como “noitantes”, que eram os responsáveis pelas noites. Em janeiro era a Festa de São Sebastião e em junho  celebrava o Sagrado Coração de Jesus. Por ocasião das novenas as   ladainhas e ofício de Nossa Senhora eram cantados em latim. As festas eram bastante concorridas com farta distribuição de bolos, chocolates e variados doces.

          Ana Júlia também foi caixeira do Divino, na Festa do Divino Espírito Santo, organizada por Raimundo Veras, e nos diversos festejos  das comunidades rurais.

           Ela  foi doceira e quituteira  renomada. Nos festejos realizados pela Paróquia, como de Nossa Senhora das Dores, São Benedito, Divino Espírito Santo e Festa da Cruz, Ana Júlia era presença certa com sua banca de venda de bolos e doces. Por muitos anos foi lavadeira no rio Itapecuru, juntamente com Nhaju, Janoca, Quita, Eliosina, Mariana Serra, Maria do Cabelão e outras, para  famílias abastadas, em época que não havia água encanada.

          Como parteira, ajudou muitos conterraneozinhos a virem ao mundo. Em 1973 participou do curso de aperfeiçoamento de parteiras leigas, ministrado pelo médico José Curtius Carneiro e o auxiliava no posto médico da cidade.  Atendia a qualquer momento, quer na área urbana quer na zona rural, em locais de difíceis acessos, com atoleiros, sem estrada e sem luz elétrica para socorrer uma parturiente que  precisasse de ajuda.

          Ana Júlia aposentou-se pelo antigo Funrural no início dos anos 80 e faleceu em 8 de janeiro de 1992 aos 93 anos.  Tenho muito orgulho de ter tido aquela nobre mãe!

 

   Do livro, Itapecuruenses Notáveis (2016), de Jucey Santana

                      

 

 

JUVENAL NASCIMENTO ARAÚJO

 

             Juvenal Nascimento de Araújo nasceu na cidade Itapecuru-Mirim, no Estado do Maranhão, em 10 de novembro do ano de 1905. Filho de Gonçalo da Costa Araújo e Josefa do Nascimento Araújo.

Seguiu a carreira de Sargento do Exército, cujo curso de doze meses, fez na antiga Escola de Sargentos de Infantaria – E. S. I. – na Vila Militar do Rio de Janeiro, de 9 de julho de 1926 a 14 de julho de 1927.

Em 1939 formou-se em Odontologia pela então “Faculdade de Odontologia e Farmácia do Maranhão”.

 Residiu em Parnaíba, onde foi instrutor do Tiro de Guerra, nos anos 30. Colaborou com o Almanaque de Parnaíba, conhecido como Almanaque  Bembem.

          Com 25 anos de efetivo exercício passou para a reserva de 1ª Classe, ao posto de 1º Tenente.

          Era estudioso e palestrante da ordem místico-filosófica Rosacruz. Membro efetivo do Centro de Estudos Rosa Crucianos, de São Luís do Maranhão. 

          Como escritor, incorporou-se aos movimentos literários com sonetos, prosa e trovas,  sentimentais,  humorísticas, retratando a família, os amigos,  sua terra natal e o Maranhão.

          A  opinião de Rodrigues Crespo sobre o livro Castália Iluminada: Continue a compor seus versos medidos e rimados, e em estilo claro e conciso, porque o XX não há tempo a perder com decifrações de engrimanços. No entendimento de Raimundo Nonato Ferraz, o amigo entendeu o conselho, refletido no livro, Luar do Maranhão: incorporou à leveza literária da trova, como reflexo do seu sentimento e da sua inspiração.

          Esteve varias vezes em sua cidade natal, Itapecuru Mirim,  como incansável estudioso do espiritismo, levando palestras de teor espirita e incentivo para criação de um espaço próprio,  para seus simpatizantes, sendo finalmente efetivado a fundação do Centro Espírita de Itapecuru Mirim, em  27 de junho de 1976.

        Prefaciou o livro,  Rosalia, do seu amigo, Luís Bandeira,  assim se manifestando:

                                         O Aglomerado de Ensinamentos que vamos encontrar, ao explorar o lastro de Instituições                                                      aqui registradas e os florescentes esclarecimentos postos a serviço  do ser humano,  np campo                                                 da espiritualidade. (...)  mensagem humana e espiritual que meu amigo Luís Gonzaga Bandeira                                                 de Melo nos transmite através do seu romance.

 

Obras de Nascimento Araújo:

− Castália Iluminada  - poesia – 1967;

− Luar do Maranhão – trovas – 1968;

− Flores e Musas – Sonetos  - inéditos;

− Poemas Maranhenses - poemas – inédito.

O poeta militar dirigiu e editou as seguintes  revistas:

− Parnaso, - São Luís (1932), Gleba – Parnaíba (1933),  Mensagem Rosa-Cruz –Periódico de divulgação da filosofia Rosa-Cruz ensinada no “Conceito Rosa-Cruz do Cosmo” do místico Max Heindel - desde 1958.   

 Casou-se com a professora Florise Fontes Coelho, com quem teve sete filhos: Myriam , José, Therezinha, Antônio, Rogério, Paulo e Francisco.

 

 

   Do livro, Itapecuruenses Notáveis (2016), de Jucey Santana

CHIQUINHA PENDÃO: MULHER DE FIBRA E FESTEIRA

 Benedito Buzar

 Francisca ou Chiquinha, como queiram identificá-la, nasceu em Itapecuru a 2 de agosto de 1920, filha da itapecuruense, Firmina da Conceição Carneiro e do rosariense Francisco Raimundo Serejo.

Um dia após o seu nascimento, a 3 de agosto, aconteceu uma fatalidade, que só teve a consciência da gravidade do fato anos depois: o falecimento repentino do pai, que deixou a mãe viúva, ainda jovem e bonita, e uma recém-nascida, na orfandade.

A situação só não ficou crítica porque o famoso coronel Catão Clímaco Bandeira de Melo, o principal chefe político e poderoso comerciante da cidade, passou a ter um caso amoroso com a viúva. Vale dizer, sustentava a casa, a mãe e a filha, esta, que cresceu sob as suas bênçãos, sem que nada lhe faltasse enquanto ele viveu. Por isso, Chiquinha devotou-lhe, desde a infância, extremado carinho, tanto que o chamava de pai, em reconhecimento ao que fazia por ela e pela mãe.     

                                             ESTUDOS E EMPREGO

 A assistência que Catão Bandeira de Melo dava à mãe e à filha, traduzida em afeto e dinheiro, fez com que Chiquinha tivesse uma infância sem maiores problemas. Estudou com as melhores professoras da cidade: Mariana Luz, Zulmira Fonseca, Maria de Lourdes Coelho Cassas e Sinhá Tavares, na época em que as aulas eram dadas em casas alugadas ou na residência de dona Áurea Nogueira, que serviu de sede provisória do Grupo Escolar Gomes de Sousa.

Daquelas professoras, guarda até hoje as melhores lembranças, pois delas só recebeu bons ensinamentos e exemplos edificantes, que procurou assimilar ao longo da vida.

Concluído o curso primário e já mocinha, achava que havia chegado o momento de arrumar um emprego, para não ficar na dependência do dinheiro que a mãe lhe dava.

Nessa época, vivia-se uma fase de transição política, em que os prefeitos não eram eleitos, mas nomeados pelos interventores federais. O prefeito de plantão era Mundiquinho Mendes, que procurado por Chiquinha, resolveu criar o cargo de secretária do gabinete da prefeitura. Ela, contudo, não chegou a ser nomeada, pois o atencioso prefeito foi exonerado pelo novo interventor federal. Quem a nomeou para o cargo recém-criado foi o prefeito João Pedro Pereira, a pedido do desembargador Raimundo Públio Bandeira de Melo, filho de Catão, que considerava Chiquinha irmã.

Ela não demorou muito tempo no cargo, porque os adeptos da candidatura do general Eurico Dutra a presidente da República, nas eleições de 1946, souberam que ela havia votado no candidato oposicionista, o brigadeiro Eduardo Gomes. Por conta disso, foi exonerada.

O desembargador Públio Bandeira de Melo ainda tentou reverter o ato, mas não conseguiu, em face da nova situação política reinante no Maranhão, pois, com o fim do Estado Novo, os interventores cederam lugar aos governadores eleitos.

                                         A ALFABETIZADORA

Com a morte de Catão, seu pai de criação, Chiquinha e a mãe, Firmina, como meio de sobrevivência, passaram a fazer e a vender lingüiças. Embora o produto, preparado doméstica e artesanalmente, fosse de boa qualidade, o negócio não prosperou. Faltava dinheiro para comprar a matéria-prima.

Para não ficarem na miséria total ou viverem da comiseração pública, elas tiveram a feliz iniciativa de montar uma pequena e rudimentar escola, destinada à alfabetização de crianças. Enquanto Chiquinha, valendo-se do que aprendeu com as professoras no primário, ministrava as aulas, a mãe cuidava da casa, com vistas a mantê-la todo tempo limpa e arejada, para dar boa impressão às famílias dos alunos, que pagavam conforme as posses de cada uma.

Ao assumir o cargo em 1947, o prefeito eleito, Miguel Fiquene, vendo que Chiquinha realizava um bom trabalho na área de alfabetização de crianças, resolveu melhorar a vida da esforçada professora. Contratou-a para lecionar num pequeno colégio mantido pela prefeitura, no povoado chamado Mal Assado.

Anos depois, em reconhecimento à ação que desenvolvia como alfabetizadora, foi removida para o povoado Leite, localizado entre Itapecuru e Vargem Grande, onde passou a ter outras atividades também no magistério municipal.

Quando João Rodrigues elegeu-se prefeito chamou Chiquinha para uma conversa e prometeu nomeá-la funcionária da prefeitura e melhorar o seu ordenado, caso ela topasse ensinar em Cantanhede, à época, ainda não era um município emancipado política e administrativamente. Como era mulher de aceitar desafios, não fugiu da parada, e passou uma temporada em Cantanhede até virar município. Em seguida, peregrinou nos povoados Jundiaí, Filipa e Leão, sempre cumprindo com zelo e determinação, as instruções das autoridades educacionais do município.

                                     CASAMENTO E FILHOS

 Na mocidade, Chiquinha, por ser formosa e festeira, era muito cortejada e assediada pela rapaziada de Itapecuru. Nos bailes, que costumava freqüentar, as “cantadas” eram numerosas e irresistíveis. Chegou a ter dois namorados firmes: Raimundo Aleixo e Eduardo Duailibe, mas não assumiu compromisso sério com nenhum deles.           

O casamento só veio acontecer quando morava no povoado Mal Assado, depois de um namoro de cinco anos com o principal galã da comunidade: Pedro Belmiro Martins Silva. O enlace matrimonial, celebrado pelo padre Altêredo Soeiro, na igreja de Nossa Senhora das Dores, em Itapecuru. a 2 de janeiro de 1947.

Com Pedro Belmiro teve dois filhos: Bento, já falecido, e Maria Firmina, que morou muito tempo em Brasília, mas mudou-se para São Luís, a fim de dar melhor assistência à sua mãe.

O casamento não durou três anos. Motivo: Chiquinha descobriu que o marido tinha amante. Como não era mulher de conviver com homem “raparigueiro”, mesmo sendo o pai de seus filhos, não pensou duas vezes: abandonou o marido e o povoado, voltando para a terra natal e recomeçar a vida. Passou então a criar e vender galinhas e frangos e morar na casa das Irmãs Josefinas, estas, trazidas de Fortaleza, pelo bispo Dom Delgado, para o trabalho de catequese na paróquia de Itapecuru.

                                             MUDANÇA PARA SÃO LUÍS

Em 1977, não satisfeita com o que fazia em Itapecuru, tomou uma decisão inexorável: arranjar um emprego público em São Luís, pois só pensava no futuro dos filhos e na sua velhice.

Com a cara e a coragem bateu às portas do gabinete do secretário de Educação do Maranhão, professor José Maria Cabral Marques. Depois de várias tentativas, afinal, conseguiu falar com o próprio, ao qual contou suas dificuldades, o que sabia fazer e o que seria dela e dos filhos se não contasse com um emprego do governo.

Cabral simpatizou com a itapecuruense, admirou a sinceridade dela e prometeu falar com o governador Antônio Dino, substituto de José Sarney, para nomeá-la para um cargo na secretaria de Educação.

O governador Dino, sensibilizado com a situação de Chiquinha, nomeou-a para trabalhar na Assessoria Técnica, para o cargo de auxiliar de serviços gerais. Nessa atividade, trabalhou com tanta abnegação e responsabilidade, que logo se fez estimada e respeitada pelas técnicas que ali prestavam serviços, dentre as quais Socorro Neiva, Nizete Medeiros, Socorro Carneiro, Hortênsia Araújo, Diomar Mota Maria de Jesus Ayoub, Maíba Maluf. Dali só saiu quando chegou o tempo de aposentar-se.

Aposentada, com mais disponibilidade de tempo, passava, de vez em quando, temporadas em Brasília, onde a filha trabalhava de enfermeira. Na capital da República, ainda que contasse com a assistência e o desvelo de Maria Firmina, não se deu bem com a cidade, porque lá não podia fazer algumas coisas que gosta de praticar diariamente em Itapecuru: anda livre e tranquilamente nas ruas, entra nas casas dos amigos e ainda se dá ao luxo de jogar conversa fora.

                                        A POLÍTICA E O PENDÃO

 Além de festeira, Chiquinha cultivou na juventude o gosto pela política. Quem a levou a apreciar e a participar das atividades partidárias, em Itapecuru, foi o pai de criação, Catão Bandeira de Melo, que teve sob suas mãos, durante bom tempo, na chamada República Velha, o controle da vida política e administrativa do município.

A participação dela na política ocorreu com mais desenvoltura na época em que a luta pelo poder no Maranhão girava em torno de Magalhães de Almeida e de Marcelino Machado.

 Como Catão era magalhãesista, ela, por lealdade e apreço a quem a criara, participava e atuava nas campanhas e nas batalhas políticas, fazendo o que estava a seu alcance para impedir que os marcelinistas conquistassem a prefeitura e a maioria de vereadores na Câmara Municipal.

Ganhou o apelido de Chiquinha Pendão em uma das campanhas travadas na cidade entre os adeptos de Catão Bandeira de Melo e os liderados de Bento Nogueira da Cruz. Em uma passeata, deram-lhe um estandarte verde, símbolo dos magalhãesistas, para carregar à frente da massa. Sem pestanejar, apoderou-se do estandarte, também chamado de pendão, e o conduziu com garbo, determinação e coragem, pelas ruas de Itapecuru, sendo aplaudido por onde passava.

Ao assumir o posto de condutora do estandarte, passou a ser conhecida por Chiquinha Pendão, apelido que carrega, como muito orgulho, até os dias de hoje.

Por conta disso, a popularidade dela foi para o alto. Quando desfilava com o estandarte, o povo criou e cantava uma curta música, com a seguinte letra: “Dona Firmina e seu Catão acompanham a passeata com alpercata de verão. Firmina disse e Catão confirmou: o pendão de Magalhães foi Chiquinha que carregou”. Nem por isso ela quis ou tentou algum dia ser candidata qualquer cargo eletivo.   

Ao chegar aos 87 anos de vida, Chiquinha, em função de sua vulnerabilidade física, não pode mais, como até recentemente o fazia, andar pela cidade que tanta amava e venerava, para dialogar com as pessoas de seu tempo, que já eram tão poucas.

Se por um lado, perdeu essa capacidade, de outro, dispõe de uma privilegiada memória, que ao retroagir ao passado, lembra e evoca eventos, episódios e acontecimentos que marcaram a vida de Itapecuru e que hoje em dia poucos ou quase ninguém têm interesse em saber.

Sempre que ia à minha terra natal, fazia uma parada obrigatória na casa de Chiquinha Pendão, não apenas para reverenciá-la, mas extrair dela depoimentos de fatos e de atos que só ela sabia e que guardava, sem qualquer risco de erro, na sua extraordinária memória e que fazem parte da história de um passado não tão remoto de Itapecuru.

       Do livro, Púcaro Literário III, Protagonismo Feminino (2021), organizado por Jucey         Santana e João Carlos Pimentel Cantanhede.

 


Benedito Bogéa Buzar, Itapecuruense, jornalista e bacharel em Direito, professor, escritor e pesquisador.  Membro da Academia Maranhense de Letras, professor aposentado da Universidade Estadual do Maranhão, funcionário público estadual, no exercício do qual ocupou cargos importantes, como chefe de gabinete da Superintendência do Desenvolvimento do Maranhão, chefe de gabinete do prefeito de São Luís, secretário de Educação e Cultura de São Luis, presidente da Empresa Maranhense de Turismo, secretário da Cultura do Estado do Maranhão, Diretor-presidente do SIOGE, Gerente de Desenvolvimento Regional de Itapecuru Mirim. É membro fundador da Academia Itapecuruense de Ciências Letras e Artes.   

 

 

domingo, 3 de novembro de 2024

MINHA RAIZ

      

*Jucey Santana

 Sou filha de uma Flor,

Nasci dia de Maria,

Os meus filhos são, Josés,

Sempre me dando alegria.

 

O meu pai, o Venturoso,

Com sua Flor, bem amada

Geraram dez filhos juntos

Sou a quinta,  aguardada!

 

Manoel e Margarida

Que receberam na pia,

Um casal abençoado

Minha honra, dia a dia!

 

As filhas, minhas princesas,

Presentes que Deus me deu,

Meu coração é o castelo,

Guardando o tesouro meu.

 

Meus netos, que alegria

Ao colo, foram chegando,

A maior prova de amor,

A família renovando!

 

O meu “Púcaro” todos sabem.

Ao lado da   querida flor,

Bem perto de Mariana,

Meu cantinho, meu amor!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Jucey Santos de Santana, natural de Itapecuru Mirim (MA), filha de Manoel Germano dos Santos e Margarida Barbosa dos Santos. Graduada em Direito, pós-graduada em Direito do Trabalho pelo CEUMA, (2007), e em Metodologia Inovadora Aplicada da Língua Portuguesa, pelo IESF (2012). Pesquisadora, memorialista, biógrafa e antologista.

Em Itapecuru Mirim, estudou nas Escolas, Paroquial e no Grupo Escolar Gomes de Sousa. Aos 12 anos, depois do falecimento do seu pai, foi morar em São José de Ribamar, com diletos parentes, onde concluiu o fundamental no antigo colégio Pedro Leal. Depois de dois anos em terras do Glorioso São José, mudou-se para São Luís, onde estudou contabilidade no Colégio Comercial do Maranhão, da Rua Afonso Pena, e fez o curso normal com o quarto ano adicional no Colégio Ateneu Teixeira Mendes.  em 1967, passou a trabalhar na Secretaria de Finanças do Estado do Maranhão, tendo ficado durante nove anos, como tesoureira geral em uma autarquia pública do Estado, (Loteria Estadual do Maranhão).

Em 1976, desligou-se do serviço Público Estadual,  para administrar seus próprios negócios. Abriu uma farmácia com seu irmão José Domingos e instalou um escritório de vendas diretas, com formação de grande equipe de revendedores posteriormente instalou algumas lojas para vendas diretas e varejo, na capital, para vendas de produtos importados e perfumarias.

Pela sua cultura de interesse voltado para a literatura desde muito cedo, voraz leitora dos escritores maranhenses, criou uma folha literária, mensal, entre seus funcionários, para divulgação e incentivo a leitura, com coluna social, noticias culturais e editorial de primeira página, de interesse coletivo. A jornalzinho, chamava-se Gaby News, em homenagem a filha caçula, Gabriela.

 

                        Trajetória Cultural

Em 2006, retornou aos poucos a sua cidade natal, mais como visita de final de semana, terminou por se apaixonar novamente pelas suas raízes ancestrais.

Em Itapecuru Mirim, se integrou aos poucos a cultura local, passou a assinar a página da cultura do tradicional jornal local, e trabalhar em pesquisa da memória do município, principalmente buscando fontes de estudo para o resgate da biografia da poeta itapecuruense, Mariana Luz, segunda mulher a ter assento na Academia Maranhense de Letras, que estava completamente esquecida.

Em 10 de setembro de 2011, se integrou a um grupo que estava tentando criar a Academia de Letras local, há mais de 20 anos. Com seu espírito prático, mobilizou o grupo e em menos de três meses estava criada a Academia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes, em 07 de dezembro de 2011, tendo sido sua presidente durante 4 anos.

Em 28 de novembro de 2012, entrou na diretoria da Federação das Academias de Letras do Maranhão, como tesoureira, Vice Presidente, posteriormente, Presidente (2019 a 2023), onde ajudou a fundar 18 Academias no Estado do Maranhão, e auxiliou outras tantas a se reativarem, com incentivo a produção literária ao autor maranhense.

Foi conduzida em 2013 a direção da Casa da Cultura de Itapecuru Mirim, onde permaneceu até 2020.  Conseguiu para o local, a construção de um pátio interno, coberto, para os eventos culturais, como lançamentos de livros, apresentações folclóricas, apresentações de danças regionais, cursos de artesanatos ou de danças e o local serviu também para acolhimentos semanal dos idosos, para práticas esportivas,  acompanhamentos médicos e psicológicos, além de atividades festivas aos idosos.

Na casa da Cultura, foi ciada na época, um curso de desenho,  pintura e capoeira para os jovens local.

 Membro Fundador das seguintes  Academias de Letras e Instituições literárias e sociais: Academia Itapecuruense de Ciências,  Letras e Artes - AICLA; Academia Vargem-grandense de Letras e Artes – AVLA; Academia de Belas Artes do Rio Grande de Sul – ABARS; Associação Maranhense dos Escritores Independentes – AMEI (atual vice-presidente); Academia Maranhense de Trovas – AMT;  Faz parte ainda  das seguintes instituições: Academia de Letras e Artes de Presidente Vargas: Federação das Academias de Letras do Maranhão - FALMA, (presidente de 2019 a 2023); Sociedade de Cultura Latina do Brasil - SCLB; Academia Norteamericana de Literatura Moderna - ANLM; Academia Ludovicense de Letras – ALL (presidente de 2022 a 2023); Associação de Escritoras e Jornalista do Brasil – AJEB; Núcleo de Estudos de Mariana Luz – NEMA; Associação Proteção e Assistência  ao Condenado – APAC, Unidade de Itapecuru Mirim, Maranhão, (presidente de 2019 a 2023).

Ainda faz parte, como membro correspondente, das seguintes Academias: Academia Luminense de Letras, (Paço do Lumiar); Academia Imperatrizense de Letras, Academia Zedoquense de Letras, Academia Icatuense de Letras, Academia Joãolisboense de Letras, Academia Vianense de Letras, Academia Urbanosantense de Letras.  

Publicou as seguintes obras:

  - Mariana Luz: Vida, Obra e Coisas de Itapecuru Mirim (2014);

  - Itapecuruenses Notáveis (2016), seg. edição (2018);

  - Sinopse da História de Itapecuru Mirim (2018);

  - A Cigarra Mariana Luz, categoria infanto-juvenil (2019);

  - Em parceria com Benedita Azevedo, publicou a I Antologia da AICLA (2013);

    -  Em parceria com Assenção Pessoa, publicou, Inspirações Poéticas (2016);

  - Em parceria com Inaldo Lisboa; João Batista, um homem itapecuruense e sua múltipla história (2016);

  - Em parceria com João C. Pimentel Cantanhede, Púcaro Literário  I (2017);  Púcaro  Literário II – 200 anos de Itapecuru Mirim (2018);  Púcaro Literário III   – Protagonismo Feminino (2021); Púcaro Literário IV – O poeta e a história (2023);

  - Em parceria com Ramunda Fortes e Hilton César, Coletanea da História de Presidente Vargas (2024).

 - Organização individual; As Aventuras do Gato Syd, para o neto Davi (2018);

 -  Organização Individual, O Iguaraense, 175 anos de Vargem Grande (2020).

Participou de várias coletâneas no Maranhão e no Brasil, entre as quais:  I Mulheres Extraordinárias com Mariana Luz (2019) e III Mulheres Extraordinárias com Leonete Oliveira (2023, pela Editora Rede sem fronteiras; Coletânea, Ser Mulher, da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (2020), Coletanea da ABARS (Academia de Belas Artes do Rio Grande do Sul (2023), entre outras.

         Assinou o prefácio dos seguintes livros:  Santa Rita, de Tiago Oliveira (2017);  Coletânea da Academia Luminense de Letras, Org. por José Ferreira da Silva (2022); Minha Vida em Poesia de Débora Fonseca (2021); Cantanhede, Memórias Terceiras, autor João Carlos Pimentel Cantanhede (2021); Veritas, autor Marcos Fábio (2023).

Homenagens

- Comenda Gonçalves Dias, pelo Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão (2013);

- Comenda Municipal de Mérito, Mariana Luz (2014);

- Comendadora, Distinção em Educação, pela Academia e Trovas do Espirito Santo (2017);

- Personalidade Cultural, pela Sociedade de Cultura Latina (2017);

- Comendadora José de Anchieta, pelo Clube dos Trovadores Capixaba (2017);

- Personalidade Literária, Pero Vaz de Caminha, pela Editora Viverarte (2022);

- Moção de Aplauso, pela Assembleia Legislativa do Maranhão (2017);

- Personalidade do Ano, pela Academia Luminense de Letras (2018);

- Menção de Agradecimento, pela Prefeitura de Codó (MA). Pela colaboração na FLIC (2019);

- Medalha de Mérito Literário Graça Aranha, pela Academia Maranhense de Letras (2022);

 - Medalha do Bicentenário de Gonçalves Dias, pela Academia Maranhense de Letras (2023).

       O último trabalho literário em andamento trata-se da obra, Notáveis Maranhenses, Pioneiras na literatura e na política, à publicar.

Mantém ativo o blog Jucey Santana blogspot.com.br desde 2013,  para divulgação e incentivo a produção literária dos escritores maranhenses, ainda como atividades cultural é redatora cultural do Jornal de Itapecuru, desde 2010,   para divulgação dos trabalhos literários e artísticos o conterrâneos,  como descobrindo talentos escondidos em toda região