quarta-feira, 17 de outubro de 2018

PRIMEIRA FESTA LITERÁRIA DE ITAPECURU MIRIM – I FLIM


                        

      Academia Itapecuruense de Ciências,  Letras e Artes, realiza a I FLIM.


Jucey Santana

A comemoração do aniversário de 200 anos de Itapecuru Mirim, começou ser gestada de 2012, em várias conversas que tive  com os  pesquisadores e membros da AICLA, Mauro Rego, Benedito Buzar. A partir de então passei divulgar em palestras nas escolas, no projeto,  A AICLA vai a escola e  a postar vários textos no Jornal de Itapecuru e blogs culturais, sobre a    data, com o intuito de mobilizar a população para a importante efeméride.  

Por que festejar os 200 anos de fundação da vila?
José Gonçalves da Silva, Fundador da Vila

O Itapecuruense só festejava o título de cidade, que  no Brasil Colonial, era mais honorífico  e pouco acrescentava em termos de organização administrativa. Por isso, equivocadamente, muitos municípios comemoram os seus  aniversários na data da elevação  a cidade, o que  não é correto, na realidade alcançaram a autonomia política-administrativa por ocasião  da  criação oficial da vila, que marcava  a emancipação com a  criação da câmara dos vereadores e a eleição  dos seus mandatários. É tipo um registro de nascimento.

       As primeiras solicitações de apoios

Em 29 de outubro de 2016, depois de ter sido eleito o novo prefeito de Itapecuru Mirim, como presidente da AICLA, fiz uma visita ao  Dr. Miguel Lauande  e o cientifiquei de duas importantes datas históricas que ocorreria em sua gestão. A primeira,  o bicentenário da fundação em 20.10.2018 e a segunda o centenário do Mercado Público Municipal em 31.01.2020. Abaixo trecho da correspondência entregue ao prefeito,  na época:

Para dar prosseguimento às ações culturais do município, de acordo com os objetivos da instituiçao, solicitamos  apoio   no tocante aos anos da vossa administração.  Abaixo relacionamos algumas reivindicações:
1 – Sede própria para a AICLA;
2 – Liberação da Casa da Cultura Professor João Silveira para eventos e encontros culturais da AICLA;
3 – Comemoração do bicentenário de Itapecuru Mirim (Fundação da Vila) 20.10.2018;  
    3.1- Inauguração de um logradouro público  com a construção                         de um MEMORIAL alusivo ao bicentenário, como marco histórico;
    3.2 – Criação da Feira de Livros e Artes de 19 a 21 de outubro                        para valorização da data;
    3.3 – A Feira de Livros e Artes, com abrangência estadual;                             4 – Revitalização do mercado Público Municipal para criação de um Centro Administrativo ou um Centro Cultural, em comemoração ao centenário da sua edificação em 31.12.2020;
5 – Incentivo para publicação de livros de autores locais. 

             O prefeito se colocou à disposição para um diálogo sobre o assunto, posteriormente. 

Comissão para organização da I FLIM e parceiros 

            Em março de 2018, em Assembleia Geral, os membros da AICLA se reuniram para eleger  uma comissão que  voltada para  a organização da Festa Literária, em comemoração aos 200 anos de Itapecuru Mirim,  que ainda não tinha nome. O professor Inaldo Lisboa, foi eleito para presidência do projeto e requisitou vários outros membros  para auxilia-lo. 

            Depois e vários debates o projeto foi batizado  como I FLIM. Daí em diante,  passamos por uma penosa peregrinação em busca de patrocínio, já que a Academia Itapecuruense de Ciências,  Letras e Artes, não fins lucrativo. Os esforços foram compensados com a simpatia de várias instituições visitadas, a saber: Prefeitura Municipal de Itapecuru Mirim e as secretarias municipais, Secretaria de Educação do Estado, UFMA, UEMA, IFMA, SESC, IEJA,  CEUMA, Academia Maranhense de Letras,  Academia Ludovicense de Letras, Federação das Academias de Letras do Maranhão, Academia Caxiense de Letras, Associação Maranhense dos Escritores Independentes,  Secretaria de Estado da Cultura e Turismo através da Biblioteca Benedito Leite e da Casa da Cultura Josué Montello, Hotel Green Villages, Jornal de Itapecuru e empresários de São Luis e do comércio local que concorreram com assinatura em Livro de Ouro ou contribuindo com uma rifa solidária.

            Partindo a viabilização concreta a  Comissão, contratou a paulista  Leila Cristina Rodrigues Coelho, para assumir a direção executiva da I FLIM  e Isabela Lago da Costa para a coordenação dos eventos.

            Em seguida passamos a fazer contatos com palestrantes, oficineiros, conferencistas e  artistas do segmentos de teatro e música. Finalmente montamos a programação com mais de 70 atrativos/atividades para prender a atenção dos visitantes durante os três dias, 19, 20 e 21. 

Atividades Permanentes  na Praça Gomes de Sousa

      Além das inúmeras oficinas, performances teatrais, mesas redondas de debates,  conferencias, minicursos e musicais teremos as atividades permanentes durante os três dias na praça, como, A Ilha da Ciências, da UFMA, o carro Biblio/SESC com exposição literária, A Biblioteca Benedito Leite   com oficinas, doação de livros e a coordenação do lançamento coletivo de livros de 40 escritores maranhenses entre os quais nove itapecuruenses,  Exposição da Casa da Cultura Josué Montelo,  Exposiçao de Artes Plásticas de vários artista, como Beto Diniz e Alex Muniz, Mural de livro gigante. Contêiner de máquina fotográfica gigante e muito mais.
            A AICLA fará de Itapecuru Mirim a capital estadual da cultura, por ocasião das festividades comemorativas aos 200 anos da sua  emancipação política. 

Exposição da Casa da Cultura Josué Montello

          A partir de segunda feira, dia 22, a exposição da Casa de Cultura Josué Montello estará na Casa da Cultura Joao Silveira, aberta a visitação pública.
          As escolas e faculdades poderão agendar as suas visitas diretamente na casa da cultura  no horário de expediente.

domingo, 14 de outubro de 2018

ESCRITORES ITAPECURUENSES NA I FLIM




                                     Lançamento Coletivo de Livros


A I Festa Literária de Itapecuru Mirim, em comemoração ao bicentenário da nossa emancipação política que ocorrerá de 19 a 21  do corrente mês de outubro,  trará à Itapecuru, várias dezenas de escritores de todo o Estado. 

O ponto alto da festa será o dia 20, data do aniversário de 200 anos de Itapecuru, que além das muitas atividades como conferencias, palestras, minicursos,  performances teatrais e oficinas encerrará o dia com um grandioso lançamento coletivo de obras de autores maranhenses sob os auspícios da Secretaria do Estado da Cultura e Turismo, através da  Biblioteca Benedito Leite,  de São Luis, coordenada pela diretora Aline Nascimento.


Mais de 40 escritores estão inscritos para lançamentos e relançamentos de seus livros, entre os quais membros de várias Academias de Letras do Maranhão, como da Academia Ludovicense de Letras,  Academia Zedoquense de Letras, Academia Maranhense de Letras, Academia Anajatubense de Letras, Academia de Letras de São Bernardo entre outras.  

Escritores itapecuruenses na FLIM

 Vários escritores itapecuruenses estarão com suas obras,   na Festa Literária de Itapecuru Mirim, a saber:

1. Benedito Buzar estará lançando, O Itapecuruense Zuzu Nahuz.  Organizado por Buzar  o livro resgata   uma série de crônicas do  jornalista  Itapecuruense Raimundo Nonato Coelho Nahuz, o ZuzuNahuz.
O jornalista Zuzu, falecido em 8 de janeiro de 1965, teve um brilhante trajetória jornalista, mesmo com limitação visual. Muito novo mudou-se para capital de onde escrevia  lindas crônicas memorialistas, da sua infância e dos amigos de Itapecuru Mirim.  Benedito Buzar, um dos seus muitos admiradores, organizou seus escritos sobre Itapecuru Mirim como uma  homenagem pelo  seu centenário de nascimento.  Zuzu Nahuz nasceu em 23 de julho de 2018.  

2. Jucey antana, estará na I FLIM com

quatro livros: 
- Sinopse da História de Itapecuru Mirim,  que é  contributo para o resgate,   a preservação  e valorização  histórica de   Itapecuru Mirim. O livro tem o  objetivo  de mostrar   o valor histórico do  município, para o Estado do Maranhão e para o Brasil, inserindo episódios como a Adesão do Maranhão a Independência do Brasil e a  Guerra da Balaiada.
A obra  narra a evolução administrativa  do município a partir do início do século XIX, com o registro do apogeu do seu desenvolvimento à decadência no final do século com a extinção da comarca no início do século XX.
 Em sua primeira parte  são registrados  as ocorrências do século XIX  e na segunda parte os principais ocorrências do  século XX, com transcrições de  fatos  históricos, e finaliza   com  os apontamentos para a história da Igreja Católica.

 Itapecuruenses Notáveis,  será  lançada a sua segunda edição, revisada e ampliada  com mais 8 notáveis itapecuruenses. É a obra mais procurada da região, que estará disponível com 121 ilustres itapecuruenses que fizeram ou fazem a história do nosso município.
  As Travessuras do Gato Syd,  outro livro   que  Jucey Santana lançará na I FLIM (Festa Literária de Itapecuru Mirim,  seu primeiro livro infantil,, organizada especialmente para o aniversario de oito anos do seu neto Davi.



 3. Púcaro Literário, 200 anos de Itapecuru Mirim, organizado por João Carlos Pimentel Cantanhede e Jucey Santos de  Santana  é uma coletânea   que   reune  65 autores,   em sua maioria versando sobre os 200 anos de  de Itapecuru. Membros de várias Academias de Letras participaram, entre as quais, cinco autores da  Academia Maranhense de Letras; quatorze da Academia Ludovicense de Letras; dois membros da Academia Caxiense de Letras; dois da Academia Vianense de Letras; dois da Academia de Matinhense de Letras; três da Sociedade Nacional de Cultura Latina; quatro da AMEI: um da Academia Anajatubense de Letras; um da Academia Sanbentuense de Letras; um da Academia Vitoriense/Arariense de Letras, oito alunos/professores  da Universidade Estadual do Maranhão –UEMA,  dezenove da AICLA e quatro  professores da UFMA.
No Púcaro Lioterário II    encontraremos 27 escritores itapecuruenses,  entre membros da AICLA e estudantes. Os organizadores, Jucey Santana e Carlos Pimentel, incentivaram novos autores  que  não possuíam publicações, para  registrarem na obra  seus trabalhos literários, com  variados gêneros textuais. A obra é um  retrato do que se vem fazendo de literatura na região.  
  
4. Assenção Pessoa estará lançando as seguintes obras:
- Coleção, A Arte de ser avó, que reúne  5 livros infanto-juvenil, que ensina e educa divertindo;
- Educação Sexual e Saúde escolar,  a  obra didática, que aborda  a orientação sexual com  debate de temas sobre a educação sexual, a sexualidade e saúde. Direcionado a adolescentes e jovens;
 
Alana um ser de luz e  outros contos e poesia. Uma livro  de literatura infantil que reúne 3 contos e poesias. 

 








5. Mauro Rego, estará com  a 2ª edição de Os Fantasma do Campo I – Iniciação nos mistérios. O livro brinca com o imaginário popular com histórias de crendices populares, folclore, regionalismo, sobrenatural, misticismo, e a fé popular,  herança dos ancestrais afro-brasileiros.
6.  Nicodemos Bezerra, (Nico Bezerra), lançara a obra infanto-juvenil: Aderito o Passarinho Lusófono. 

7. Júnior Lopes apresentará o livro no gênero terror,  Memórias do Capa Preta.
 
8. Allyson Rilkitt, estará com a obra, Alma Gemeas, na  categoria de poesias líricas e naturalistas. 

9. Inaldo Lisboa, estará com a 2ª edição do seu Tudo Azul no Planeta Itapecuru, de crônicas, contos e poemas  memorialistas, que retratam a sua juventude  em Itapecuru Mirim. 

10. Benedita Azevedo lançará a obra,

o SEGREDO  romance que tem como fundo de pano  a cidade de Itapecuru Mirim  e relata a história sofrida de uma heroína dos anos 50/60 do século passado, cheia de sonhos e bravura ousa tentar a  sorte em outras plagas sem se desligar sentimentalmente da sua terra natal. Trama com riquezas de detalhes mistura fantasia  com realidade,  em uma obra maravilhosa.

11. Brenno Bezerra relançará seus livros:
- Ao Maestro com carinho, livro histórico/biográfico da sega da família Bezerra em Itapecuru Mirim, fazendo um interessante elogio ao seu patrono da Academia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes, o seu bisavô, o maestro Carlos Bezerra;
- Resenhista da Web, o livro registra sua paixão pelo cinema, registrando várias críticas cinematográficas.

12 Mendes Neto  estará apresentando o livro, A Vila de Itapecuru Mirim, Duzentos Anos, importante pesquisa da história de Itapecuru com registros de vários fatos e época que com certeza enriquecerá de conhecimentos os estudiosos da nossa memória. 

14.Samira  Fonseca relançará, Crystal Uma história de sincretismo e encantaria, romance de suspense, ambientado na cidade de Itapecuru Mirim.
15. Leonete Amorim, relançará o livro infanto-juvenil, Ra,Re,Ri,Ro, Rua, com foco ao incentivo dos  talentos musicais das crianças e adolescentes.  




quinta-feira, 27 de setembro de 2018

ARAÇAGI, O CAJUEIRO DO PAPAGAIO



   *Por Antonio Noberto

Não se destrói um povo enquanto não se extermina a sua cultura e o seu legado. Esta assertiva pode ser bem ilustrada na determinação do competente Secretário de estado do reino de Portugal, Sebastião José de Carvalho e Melo (1699 – 1782), o Marquês de Pombal, que na segunda metade dos anos mil e setecentos proibiu no Brasil o uso de qualquer outra língua que não o português. A decisão, aparentemente, era a pá de cal na língua nativa, a mais falada no Brasil à época. O que se viu depois foi a continuação da dizimação através da depreciação e aviltamento de vários termos indígenas, a exemplo de cunhã (que pode significar prostituta), curumim (moleque, pivete), pindaíba (pobreza extrema), pajelança (atitude destrambelhada), dentre outros, que foram e continuam sendo sistematicamente modificados com o objetivo principal de encobrir um passado virtuoso corrompendo a língua dos primeiros habitantes do Brasil. Soma-se a isto a cobiça de jogar no fosso os outros dois concorrentes do colonizador: o negro e, principalmente, o estrangeiro, primeiro a trazer a cultura escrita para a terra Papagalis, quando colocou no papel e imortalizou a língua, além de muito dos usos e costumes da população autóctone (leia mais em https://brasiliano.wordpress.com/2012/04/05/1399/). E um dos termos desvirtuados é a palavra Araçagi, que representa uma das localidades mais antigas e importantes da Ilha de São Luís, habitada por franceses e tupinambás desde o final dos anos mil e quinhentos. O estudo desta simples palavra de origem tupi nos remete ao mundo mágico e de harmonia vivido pelos mais antigos moradores do lugar, que, mesmo em tempos tão remotos, produziam e exportavam riquezas do tipo urucum e açúcar para lugares bem distantes.

 Primeiro mapa do Maranhão onde aparece Araju, próximo à Ilha Daniel de La Touche (Curupu)


 Não faz muito tempo que a quase totalidade dos maranhenses pronunciava errônea e grosseiramente “Campo de Perizes”, em referência aos dezenove quilômetros por onde passa a BR 135, na saída / entrada da Ilha de São Luís. A escrita e pronúncia corretas em tupi, ligeiramente aportuguesada, é Campo dos Peris ou Campo de Peris, vez que a palavra originária do tupi é “piri”, que representa o junco ou capim que cobre o lugar alagado. E nas oxítonas terminadas em “i” forma-se o plural acrescentando-se apenas o “s”. Importante destacar que muitas outras localidades e acidentes geográficos no Maranhão e Piauí também foram nomeados a partir da maciça presença deste capim, a exemplo de Peritoró, Piripiri, Peri Mirim e Pericumã. A recente divulgação da grafia correta permitiu que muita gente e a maior parte da mídia abandonasse a aberração “perizes” e adotasse a forma correta, convergindo, assim, para a máxima de que “Em São Luís se fala o melhor português do Brasil” (leia mais em https://www.abimaelcosta.com.br/2015/10/voce-escreve-campo-de-perizes-ou-de.html).
Detalhe de um mapa dos anos mil e seiscentos com uma variação para Arasagi
Outro termo curioso que vale a pena se debruçar e buscar a raiz etimológica e a história do lugar é Araçagi, que em tempos muito iniciais era um “país a parte”, com porto, produção e vida própria, era também uma espécie de hiato ou meio caminho entre a desembocadura do “Rio Maranhão” – o Itapucuru, e a foz do rio Mearim. Nos primórdios do lugar, entre o final dos mil e quinhentos e início dos mil e seiscentos o Araçagi estava localizado entre duas fortalezas francesas existentes à época: o Forte Sardinha, situado na então Ilha do São Francisco, que guarnecia a entrada da Ilha e Miganville (atual Vinhais Velho) e o porto de Jeviré (na Ponta d’Areia). Este ancoradouro tinha caráter mais internacional, pois mais especializado em receber mercadorias dos portos franceses de Rouen, Dieppe, Saint-Malo, La Rochele e Havre de Grace, e as riquezas vindas da região amazônica e do rio Mearim, a exemplo do sal (de salinas, na Baixada). Este complexo ou reduto gaulês está descrito na tela “São Luís antes da fundação”, em cartaz no Forte de Santo Antonio, na Ponta d’Areia. A outra fortaleza era o Forte de Itapari, depois reformado em pedra por Daniel de la Touche, quando recebeu o nome de Le Fort de Caillou (o forte de pedra), que virou Caur e hoje é Caúra, em São José de Ribamar. Do pouco que é possível encontrar sobre o Araçagi nas literaturas em tão distante período, pode-se extrair que o lugar era dinâmico, produtor e bastante movimentado, com localização bem próxima à Ilha de Curupu e do porto, onde hoje está a imagem de São José. Neste ancoradouro da baía de Guaxenduba aconteciam muitas movimentações da produção que descia o rio Itapecuru ou da Ilha Grande pelos pequenos portos de Jussatuba, Quebra Pote, Arraial, etc.  O Araçagi era, portanto, o elo entre os dois fortes e os dois maiores portos da Ilha Grande, e possuía o que seria o único engenho de açúcar de Upaon Açu, os demais estavam no rio Itapucuru Mirim. 
Mapa de São Luis antes da fundação com o complexo franco-tupi entre aPonta d´Areia e Megavilhe (Vinhais Velho)
Em vários textos, livros e mapas é possível encontrar o nome do lugar grafado de diferentes formas, a exemplo de araju, araçaju, arasaju, arasagi, arassagi, araçoagi, arassoagi e araçagy. Mas enfim, qual a grafia original e o significado da palavra Araçagi? Verificando mapas (ver detalhes dos mapas dos anos mil e seiscentos), livros e a própria história, chega-se ao termo original aracaju (ara = papagaio + caju), que em português quer dizer “cajueiro do papagaio”. É a mesma origem etimológica do nome da capital sergipana. As principais variações se dão pela troca do “c” pelo “s”, do “j” pelo “g” e do “u” pelo “i” (o “u” no francês pronuncia-se “i”), como acontece no nome do rio “ItapUcuru”, pronunciado “ItapIcuru”. Araçagi é, portanto, Aracaju, o cajueiro do papagaio.

Considerando que o termo Araçagi já é uma tradição oral e escrita do tupi aportuguesado, quem preza ou tem apreço pela cultura nativa deve, ao menos, escreve-la sempre com “i” no final, pois a grafia com “y” termina por tutelar e encobrir uma história antiga vivida por franceses e tupinambás que habitavam, comercializavam e viviam em paz no “país do Aracaju”, região da Ilha Grande que mais cresce nos últimos anos.

*Membro-fundador da Academia Ludovicense de Letras (ALL), sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão (IHGM) e curador da “exposição França Equinocial para sempre”, em cartaz no Forte de Santo Antonio, no Espigão da Ponta d’Areia

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

OS SALVADORES DA PÁTRIA



     

Mauro Rêgo *

            O Brasil elegerá em outubro o seu novo Presidente, fato que promove muitos debates, divulga muitas ideias, permite que surjam novos salvadores da Pátria e nos coloca, e como, em situação de alerta. Como no futebol que transforma muitos brasileiros em técnicos, o momento histórico em que vivemos transforma muitos cidadãos em cientistas políticos, pois cada brasileiro julga conhecer os caminhos mais certos para tirar o País do caos em que vivemos. E eu, que já passei dos 80, coloco-me entre os que se julgam sabedores de “como” sair desta situação, arvorando-me de um conhecimento que nunca tive mas que julgava dominar.

            Quando Getúlio Vargas sucumbiu e foi levado ao suicídio, parecia o fim do mundo. Um dos personagens muito citados além de Carlos Lacerda, era Gregório Fortunato, que os jovens de meu tempo classificavam de traidor e eu falava com certa vaidade de tê-lo visto várias vezes no Bar do Hotel Central, em São Luís. E a comoção custou mas passou.

Veio a era de Juscelino, cujo “slogan” de campanha, quando candidato a Governador de Minas Gerais, era “governar é abrir estradas”. O povo viveu seu momento de glória com a inauguração de Brasília e as frases de efeito que pronunciava em várias ocasiões. Mas as denúncias de corrupção que desembarcaram Vargas do Poder, começaram a tomar conta do noticiário dos jornais.

Surgiu aí o grande salvador da Pátria na figura de Jânio Quadros, cujo símbolo era a “vassoura” que se opunha è “espada” do Marechal Henrique Teixeira Lott. O povo se entusiasmou com a vassoura, cujos efeitos dominaram até as musicas carnavalescas. E as vassouradas que se preocupavam até com as brigas de galo se celebrizaram por governar através dos “bilhetes” que eram enviados aos Ministros de Estado e terminaram por varrer o próprio Jânio Quadros que, segundo diziam, renunciou num dia de intensa ressaca.

Vieram os militares para moralizar o País. Sabemos dos muitos avanços que tomaram na modernização do País, mas o povo brasileiro pagou um preço muito alto com as torturas infligidas aos que eram taxados de comunistas, alguns dos quais nem sabiam o que isso significava; prisioneiros que desapareceram e nunca foram encontrados, o medo que tomava conta do povo diante de um simples “sargento” que se transformava no mais cruel dos representantes do poder e essas lembranças ainda nos deixa perplexos.

Um outro “salvador” de que me lembro foi Color de Melo, o caçador de marajás e que se revelou o maior deles e inaugurou o impeachment. Veio o “sociólogo” FHC, também grande esperança do povo, que instituiu a reeleição na área do Poder Executivo, responsável pelo declínio da administração pública já tão enfraquecida. Note-se que a corrupção que foi inaugurada antes da chegada de D. João VI, foi se alastrando pelo País e já era considerada “normal” no meio do Poder Público.  

Foi nesse contexto que surgiu outro “salvador da Pátria”: O metalúrgico Luís Inácio Lula da Silva que representava a ascensão do povo ao poder, representado pelo sobrenome “Silva” que era da maioria das classes populares do Brasil. Não se pode negar que muitos avanços sociais foram por ele implementados e que representaram muitas conquistas para a classe mais pobre, fazendo com  que, mesmo na cadeia, continue a ser um grande líder. Mais uma vez, entretanto, essas conquistas custaram muito caro ao povo brasileiro. Não foi a riqueza de origem duvidosa que o transformou no maior latifundiário da Amazônia, entre outras coisas, mas o maior desastre foi a “institucionalização da propina” que sujou todos órgãos públicos e atingiu até mesmo a nossa Petrobrás que era o orgulho do País e se tornou símbolo das falcatruas. E o governo que nos tirou do FMI, nos legou um déficit público sem precedentes.  

Atualmente o título de “salvador da Pátria” ameaça ser entregue ao Sr. Jair Bolsonaro, cuja tentativa de assassinato elevou a sua posição entre os presidenciáveis no primeiro turno e cujo discurso descomprometido está entusiasmando jovens e marginalizados que ele combate e ameaça, numa época em que o mundo inteiro clama por paz. É que o povo brasileiro desesperado procura uma situação de “fuga”. A mesma situação que fez Cacareco e Juruna serem eleitos. Alguns esperam a liberação de armas, outros a eliminação de homossexuais e negros, mas a verdade está no desabafo de um de seus eleitores: Não é para esculhambar? Então vamos esculhambar de vez”.

Mas o estado democrático de direito permite que ele assuma a Presidência, se for eleito. É mais um salvador da Pátria que ameaça concluir o lançamento do País no “abismo” anunciado em séculos de nossa história. Nos meus 16 anos, lembro de um outro “cientista político” do meu jaez, que dizia: Se o Brasil cair no abismo, coitado do abismo.
 
                                                           
                                                  






  Mauro Rêgo é escritor e membro da Academia Anajatubense de   Letras, Ciências e Artes (ALCA) e da Academia Itapecuruense de Cências,  Letras e Artes.