“Ele
não é um poeta de assento, é
um poeta de campo”
*Larissa Santos
Assim o descreve a escritora Jucey Santana, ao falar sobre José Antonio dos Santos Raposo, autor de Da Caserna à Poesia, que lançou seu primeiro livro de poesias nesta sexta-feira (18), na Galeria Trapiche, na Ilha de São Luís, Maranhão.
Escritor José Antonio dos Santos Raposo, autografando seu primeiro livro de poesia” Da Caserna à Poesia”. na noite de lançamento na Galeria Trapiche em São Luís. Foto: Larissa Santos A frase parece traduzir o caminho percorrido por José Antonio até chegar à poesia.
Aos 19 anos, ele ingressou na Força Aérea Brasileira (FAB) e passou grande parte da vida entre fardas, missões, viagens e experiências que atravessaram sua trajetória. Agora, aos versos, leva consigo aquilo que viveu. Entre suas experiências, destaca-se a homenagem recebida durante sua formatura como Aspirante a Oficial da Aeronáutica, que lhe rendeu uma honraria entregue pelas mãos do então presidente da República, Marechal Castelo Branco. Hoje, Brigadeiro Intendente da Reserva, José Antônio olha para trás e percebe que, enquanto construía uma carreira na caserna, outro caminho também se desenhava em silêncio. Entre a farda e os compromissos militares, havia um poeta que esperava o momento de sair do papel e encontrar o mundo em forma de livro
Da Caserna à Poesia
Da Caserna à Poesia é mais do que o primeiro livro de poemas de José Antonio. A obra reúne partes de uma trajetória que ultrapassa a figura do militar e revela um homem que encontrou na poesia outra maneira de olhar para a própria vida.
Embora nascido em São Luís, José Antônio viveu grande parte de sua trajetória
profissional na caserna, espaço que, para ele, representa muito mais do que o ambiente de trabalho. É também um lugar de aprendizados, disciplina, convivência e valores que levou consigo para a vida e para as relações com seus descendentes.
“Na caserna, você tá sempre junto, com seus amigos. Na poesia, você está sozinho”, conta. A frase revela um contraste que atravessa a própria história do autor: de um lado, a vida coletiva e disciplinada da carreira militar; do outro, o silêncio necessário para transformar sentimentos em palavras.
Romance nunca sai de moda
Dizem que todo artista tem sua musa inspiradora. Com José Antonio não seria diferente. O autor não esconde seu lado romântico ao dedicar a obra à mulher com quem divide a vida há dez anos. Noelia Maria é, segundo ele, uma das principais inspirações para o nascimento do livro, a pessoa que o incentivou a dar forma ao poeta que durante tanto tempo permaneceu adormecido. “Ela é uma pessoa amiga, sincera, alegre, carinhosa. Enfim, não só mulher, mas um dos seres humanos mais bonitos que eu já encontrei na minha vida”, emociona-se.
Foi também por incentivo da esposa que José Antônio decidiu realizar o lançamento em São Luís, seu berço natal, que hoje retorna e vive com ela. A escolha transformou a noite em um reencontro não apenas com a cidade, mas com pessoas que fazem parte de sua história. “Fiz esse lançamento para que as pessoas pudessem compartilhar um pouquinho do meu sonho e do meu sentimento também”, conta o autor.
Quando a farda encontra o poeta
Apesar da rigidez associada à carreira militar, José Antonio sempre carregou uma sensibilidade que deixava escapar, ainda que discretamente, o poeta que existia por trás da farda. Durante a noite de lançamento, foram muitas as falas de carinho, orgulho e admiração. Mas foi no relato de sua primogênita, Raíssa, que esse lado ganhou ainda mais força. “Meu pai sempre falava desse poema pra mim, e eu lembro até hoje”, compartilha a filha, antes de declamar, ao lado do pai, um trecho de La Diosa Del Mar, poema que integra o livro.
O momento revelou uma memória que atravessou os anos e voltou a ocupar o presente justamente quando o poeta finalmente apresentou sua obra ao público. O lançamento também foi marcado por outras homenagens. A convite de Virgínia, prima de Noeli, musa inspiradora da obra, uma das poesias do autor, Se Pudesses, também foi declamada durante a noite.
Uma vida resumida em poesia
Para José Antônio, Da Caserna à Poesia é, em suas palavras, um livro que “resume uma vida”. A ideia é que o leitor reconheça, em cada poema, um pouco da própria existência: os momentos alegres e tristes, os encontros, as perdas, os aprendizados e as contradições que fazem parte do caminho. A vida, para ele, não é feita apenas de dias bons ou ruins. Cada momento carrega alguma coisa, uma experiência, um ensinamento ou um motivo para seguir. E, acima de tudo, existe a necessidade de viver cada um deles com vigor.
Ainda é cedo para saber se haverá uma próxima edição ou um segundo livro. Mas uma coisa já parece certa: depois de tantos anos entre fardas, missões e responsabilidades, José Antônio encontrou o seu “eu poeta”. E, uma vez encontrado, talvez esse poeta não queira mais voltar para caserna.
*Larissa Santos, ludovicense, como jornalista, atua na área de comunicação, com trajetória construída entre a redação, a televisão, o audiovisual e a cultura. Já passou pela TV Difusora e pela TV Assembleia, onde trabalhou com produção de programas e conteúdos jornalísticos. Também atua com assessoria de imprensa, produção audiovisual e comunicação de projetos culturais. Sua experiência transita entre a produção jornalística e a criação de narrativas em diferentes formatos, com especial interesse por cultura, cinema e audiovisual





Muita sensibilidade de quem escreve sobre quem escreve. Colocar sentimentos, ideias , sonhos em palavras, ouso dizer, está acessível a todos. É só ter caneta e papel na mão. Mas, poder compartilhar com os demais, acaba sendo uma tarefa de gigantes. Por isso, sempre que participo ( e eu estive lá, rsrsrs) do lançamento de um livro, imagino a satisfação do autor. Parabéns José Antônio!
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