quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

INCLUSÃO EDUCACIONAL EM VARGEM GRANDE

    *Alice Pires        

       Muito       em se discutido sobre as “novas”      demandas educacionais    que se

 apresentam às escolas e aos profissionais da área, na contemporaneidade. Tais discussões têm alcançado     todas as   modalidades de    ensino, mas,   principalmente, operam no sentido de constituir aquela que conhecemos como Educação Inclusiva. A inclusão escolar vêm ganhando espaço e chamando a atenção para as peculiaridades que a envolvem, criando a necessidade de um estudo mais específico no contexto das práticas educacionais nas escolas  como instituição formadora e promotora da educação, a qual todos têm o direito, deve   colaborar  para o pleno desfrute das condições de    desenvolvimento   individual e   coletivo e do   fortalecimento do respeito às singularidades.

Para contribuir     com  a discussão em torno da  educação inclusiva

desenvolvida no município de Vargem Grande,  no que diz respeito ao educando surdo, tomando como ponto de partida as principais discussões teóricas sobre o tema, além da sua relevância no processo de transformação da educação brasileira, no sentido de se alcançar uma qualidade educacional, democrático, inclusiva e universalizada. Deixando claro que para isso, convém desenvolver ações que busquem efetivar a educação inclusiva preconizada e garantida pela legislação educacional vigente, no sentido de se buscar a superação dos desafios e contradições que perpassam o espaço escolar.

 

Nessa perspectiva, a Gestão Municipal de Vargem Grande por intermédio da Secretaria Municipal de Educação (SEMED), em agosto de 2018, criou o Centro de Atendimento Educacional Especializado (CAEE), com o intuito de ampliar o atendimento ao público alvo da Educação Especial. Apoia-se em marcos legais, políticos e pedagógicos os quais orientam para a implementação de Sistemas Educacionais Inclusivos. Dentre esses marcos pode-se citar:

           

           Vargem Grande é uma cidade localizada na Mesorregião Norte maranhense na Microrregião Geografica de Itapecuru Mirim, e teve sua independência política administrativa desde 19 de abril de 1833, pela Lei Provincial n. 7 que a tornou Vila com autonomia administrativa. A cidade fica a 170 quilômetros da capital do Estado, São Luís, tem uma população estimada em 55.841 habitantes de acordo com o último censo, conta com 23 escolas na zona urbana distribuídas na rede pública municipal desde a creche até o ensino fundamental 2ª etapa e, 60 na zona rural, na 1ª e 2ª etapa, com um total de 14.879 alunos.

 

O CAEE define como objetivo primeiro a garantia do atendimento educacional especializado aos educandos que se constituem o público alvo da Educação Especial da Rede Municipal de Ensino, que ao longo dos anos tem enfrentado barreiras reais e/ou circunstanciais (VARGEM GRANDE, 2018). Atrelados a este objetivo, tem-se os objetivos específicos, que são:

 

Proporcionar, por meio de intervenções pedagógicas,

 o desenvolvimento global dos alunos público alvo da Educação Especial com necessidades educacionais especiais, com atividades que favoreçam e contemplem os aspectos cognitivo, afetivo, linguístico, percepto-motor e social; Possibilitar o atendimento por meio de uma equipe multiprofissional e multidisciplinar aos alunos público alvo da Educação Especial, visando contribuir para a melhoria dos aspectos social e educacional; Contribuir para o fortalecimento familiar por meio da realização de atividades sócio-educativas contínuas e sistemáticas, como: visitas domiciliares, entrevistas, reuniões, palestras, dentre outras; Assessorar sistematicamente as escolas da rede pública municipal de ensino no processo de construção de uma educação inclusiva. (VARGEM GRANDE, 2018, p. 9).

 

O CAEE é parte integrante da Rede Pública Municipal de Ensino, que atende um público de 86 (oitenta e seis) crianças com as mais diversas deficiências, nos turnos matutino e vespertino, conforme preconiza a Resolução CNE/CEB nº 4/2009 (BRASIL, 2009), dentre outras coisas, institui as Diretrizes Operacionais para o Atendimento Educacional Especializado na Educação Básica. A proposta foi de reunir as crianças apenas nas escolas regulares, com o acompanhamento das professoras, nas salas de recursos.

 Com o objetivo de eliminar barreiras que impedem o educando deficiente surdo, de desfrutar dos direitos a ele conferidos pela legislação educacional vigente, o atendimento educacional especial proporciona a constituição de uma equipe multiprofissional e multidisciplinar, composta por: fisioterapeutas, fonoaudiólogas, assistentes sociais, professoras, psicólogos (as) e demais agentes administrativos e operacionais. Para tanto, disponibiliza os recursos, serviços e orientações, no sentido de complementar o processo educacional ofertado pelas escolas regulares da rede, com vista a desenvolver a autonomia desses educandos. Ressalta-se que as crianças atendidas no CAEE frequentam a escola regular, atentando-se ao princípio da inclusão.

 Dentre uma de suas iniciativas está a busca de parcerias entre Instituições de Ensino Superior e a gestão pública municipal, no sentido de ofertar curso de pós-graduação/ especialização na área da Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS. Afim de que, os professores possam estar mais preparados para lidarem com os alunos surdos, favorecendo sua inclusão e o atendimento de suas necessidades educacionais.

 É importante observar a diferença entre educação especial, educação inclusiva e educação de surdos. Ter educação especial não se subentende que estamos oportunizando o acesso, permanência e aprendizado de todos que da educação precisam. Há um mascaramento por parte dos Sistemas de Ensino quando ditam em suas leis que há oferta educação para todos, o que compreendo é que essas ofertas estão para os ouvintes e para os que não apresentam alguma deficiência que os impossibilitem de seguir de acordo com os ditos normais. Nesse sentido, educação para todos implica rompimento de paradigmas desde as ideias concebidas pelos professores seguidas pelas leis como para os  que têm alguma deficiência. Portanto, os surdos, segundo a educação inclusiva, não possuem uma deficiência, uma vez que estes não compreendem a oralidade por não ouvirem, mas, compreendem os sinais que dizem tanto quanto a oralidade, que é a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Assim, pensar educação de surdos está além do processo educacional quando consideramos o não ouvir como cultura e não como doença que incapacita o surdo de viver de maneira total a vida em todas as suas especificidades.

Diante dessa política, faz-se necessário planejar a viabilização de uma educação bilíngue nas escolas públicas, que na atualidade são essencialmente monolíngues.

 A proposta educacional abrange o Documento Curricular do Território Maranhense (2019) que diz:

 A educação no estado do Maranhão deve estar a ser- viço da inclusão dos sujeitos no processo de educação for- mal, possibilitando acesso à escola e ao processo formativo. Nesse caso – pensar para além da inclusão de pessoas com deficiência na escola –, é necessário construir possibilidades de incluir todos os sujeitos historicamente excluídos do pro- cesso de ensino. Desse modo, é necessário ampliar direitos e garantias de acesso e permanência dos mais diversos grupos sociais que compõem a população do estado.

 

Documento Curricular do Território Maranhense tem por objetivo definir princípios, fundamentos e procedimentos, de modo a oferecer orientação para as escolas implementarem com maior efetividade os seus projetos pedagógicos. É necessário as- segurar a efetivação desta inclusão e pensar além, numa inclusão de todos os sujeitos que estão fora do processo de ensino da rede do Estado do Maranhão e aqui em especial no município de Vargem Grande.

 


*Alice da Luz Silva Pires,
nasceu em Vargem Grande (MA), filha de Osvaldo Carvalho Pires e Olivia da Silva Pires. Graduada em Letras/Português pela UFMA e Serviço Social pela ESTÁCIO, com especialização em Língua Portuguesa pela Faculdade Santa Fé, Educação, e Mestranda em Educação pela UNISC. Ativista cultural, poeta, pesquisadora, e membro fundador da Academia Vargem-grandense de Letras e Artes – AVLA, fundada em 14 de julho de 2019, ocupante da cadeira número 12 patroneada pelo padre e escritor Joaquim de Jesus Dourado. É colaboradora do Blog de Jucey Santana, http://juceysantana.blogspot.com/ com postagens regulares.

        Do livro, O Iguaraense, 175 anos de Vargem Grande (2020), organizado por Jucey Santana.


UM TÍTULO DE NOBREZA CONQUISTADO NA REGIÃO DO ITAPECURU

   Nico Bezerra

 Depois de aprender a equilibrar-se e a domar a bicicleta, o desafio maior era aprender a “dar cavalo de pau” – um movimento rápido e brusco com os freios cerrados, de forma que a bicicleta fizesse um movimento de 180 graus sem perder o equilíbrio. Depois de eventuais quedas e joelhos esfolados, dominada a técnica, aí sim, todos poderiam afirmar que você sabia sim andar de bicicleta. O palco dessa aventura pedagógica em Miranda é a atual rua Duque de Caxias, que naquela época era pura piçarra e pela rua não ter nome nós a chamávamos de “rua de Cabo Véi”, um antigo morador dessa rua. Imagino que ele deveria ter tido algum histórico de policial ou militar. Além disso ele era o avô de Paulinho e sua encantadora irmã Paulinha, colegas de escola e de aventuras de “cavalo de pau”.

 

Sempre que passo pelo bairro do João Paulo, em frente ao Quartel do 24º Batalhão, não consigo deixar de levantar a cabeça e fixar o olhar na majestosa estátua do Patrono do Exército Brasileiro sobre seu imponente cavalo no alto do pedestal central da Praça Duque de Caxias, homenagem a Luiz Alves de Lima e Silva. Vejo nesse monumento não apenas uma homenagem ao grande militar brasileiro, vejo ali também um monumento à infância deslumbrada de um garoto de dez anos que, em uma excursão da Igreja Batista de Miranda por São Luís, se vê olhando para o alto, maravilhado diante de tamanha grandiosidade e beleza. Acho que foi ali, ao pé desse pedestal que descobri que o mundo era grandioso e bem diferente do mundinho simplório e sem atrativos em que eu nasci e que vivia. Eu lá, tão criança, parado, olhando para o alto e me imaginando sentado naquele cavalo! Era a glória!

Quando Luiz Alves ainda não era Duque ele foi enviado do Rio de Janeiro para o Maranhão com a missão de usar seu reconhecido talento de estrategista militar para dar fim à revolta dos escravizados e de muitos moradores da região do Itapecuru que se sentiam injustiçados e esquecidos pelo Império. Uma revolta que ganhou notoriedade pela violência das ações e que de certa forma estava assustando o Império entre os anos de 1838 a 1841. Ele chegou como Governador da Província.

Devidamente instalado na Vila de Itapecuru Mirim  e tomando conhecimento do desejo da população em construir uma igreja dedicada à Padroeira local, Senhora das Dores, ele fez uma generosa doação em dinheiro e lançou oficialmente a Pedra Fundamental dessa desejada construção. Assim ele ganhou a simpatia, admiração e lealdade irrestrita da população e de bônus ganhou o sentimento de rejeição e de repulsa da população a Cosme Bento, líder dos escravizados revoltos. Conseguida a captura, prisão e morte por forca do “negro Cosme”, o movimento foi extinto, a região pacificada e o destemido herói recebeu do Império o tão usado título de Duque de Caxias, uma referência à valorosa cidade maranhense que por algum tempo ficou sob o comando dos abatidos rebeldes.


Responsável pelas grandes navegações nos séculos XV e XVI Portugal se fez chegar à América, à África e à Ásia. Assim como colonizou o Brasil também colonizou Timor-Leste, um pequeno país no sudeste asiático. Em 1975 Portugal passando por um momento de transição política se retirou e aí Timor foi invadido pela vizinha Indonésia que lá permaneceu até 1999 quando, por resistência do povo timorense, conseguiu a independência. Antes de sua retirada a Indonésia foi impiedosa: parte da população foi morta e quase toda a infraestrutura do país foi destruída. No caos o Brasil se fez presente com a interferência das Organização das Nações Unidas. O brasileiro Sérgio Vieira de Melo (1948-2003) foi o administrador da transição e com auxílio de tropas do Exército Brasileiro iniciou o período de pacificação e reorganização.

A primeira tarefa dos administradores da ONU foi reconstruir as escolas. Uma delas, na capital Díli, foi em parte reconstruída pelos soldados brasileiros e recebeu o nome de Escola Duque de Caxias onde se encontra um busto em bronze do patrono do Exército Brasileiro na entrada, em homenagem ao país que ajudou a reconstruí-la. O Brasil, que tem em comum a história colonial, é apenas um dos países que têm ajudado Timor a se reerguer. Lembrando que Díli é a cidade do personagem principal do livro Aderito, o Passarinho Lusófono que, por sua paixão pela poesia e pela língua portuguesa se empenha em fortalecer a língua lusófona em seu país.

 


*Nicodemos Bezerra, (Nico Bezerra), Professor de Literatura da Rede Estadual do Maranhão, professor de língua Portuguesa, Pedagogo, Escritor e Poeta, , autor e ilustrador dos livros infantis Uh! Igarapé Encantado (Scortecci) e Aderito, o Passarinho Lusófono (Scortecci), autor participante das coletâneas Histórias Maravilhosas na Fazenda (Literarte) e Lições da Bicharada: Fábulas Encantadas (Helvetia). Participante de oito coletâneas poéticas com lançamentos no Brasil, em Portugal e na Suíça. Também foi coautor do Púcaro I (2017) e Púcaro II (2018). Projeto literário da Academia Itapecuruense de Ciências Letras e Artes, organizado por Jucey Santana e Carlos Pimentel Cantanhede. da Sociedade Cultura Latina do Maranhão (SCLMA) e da Federação das Academis de Letras do Maranhão (FALMA), Membro efetivo da Academia Itapecueuense de Ciências, Letras e Artes (AICLA), ocupante da cadeira nº 03 patroneada por Apolinário Fonseca.

 

 Do livro, O Iguaraense, 175  anos de Vargem Grande (2020), organizado por Jucey Santana.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

DATAS HISTÓRICAS DE ITAPECURU MIRIM

 Mês de Fevereiro

  Dia 2 (1939) – O interventor Paulo Ramos, concedeu empréstimo à prefeitura de Itapecuru Mirim para construção de uma ponte flutuante sobre o rio Itapecuru;

   Dia 2 (1949) – O governador Sebastião Archer da Silva sanciona o projeto de Lei nº 303, de autoria do deputado Felício Cassas;

  Dia 2 (2014) – Faleceu  o compositor, cantor e poeta itapecuruense,   Raimundo Nonato Buzar;

  Dia 3 (1919) – Inauguração do prédio da Câmara Municipal de Itapecuru Mirim, atualmente  Casa da Cultura, após demorada reforma;

  Dia 3 (2011) – A ponte construída sobre o rio Itapecuru foi parcialmente interditada, depois que uma laje de sustentação se quebrou;

  Dia 4 (1922) – Nascimento de cônego José Albino Campos Filho, que esteve na gestão da Paroquia de Itapecuru Mirim, durante 19 anos. Pelo mérito de professor e musicista foi escolhido para patronear a cadeira 17 da Academia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes - AICLA;

   Dia 4 (1923) – É extinta a comarca de Itapecuru Mirim;

  Dia 5 (1905) – Nascimento de Sebastião Cabral, fundador do Sindicato Rural do município de Itapecuru Mirim

  Dia 5 (1951) – Sessão na Câmara Municipal para anulação da eleição que elegeu Abdala Buzar, com novo pleito foi eleito Orlando Mota;

 Dia 6 (1840) – O itapecuruense Joaquim Vieira da Silva, tomou posse do cargo de desembargador da Relação do Maranhão;

  Dia 7 (1841) – Comunicado de Manuel Silveira, capitão-comandante do Quartel Militar na Vila de Vitória, sobre a prisão do negro Cosme, líder do quilombo de Lagoa Amarela, no lugar denominado Calabouço;

 Dia 7 (1917) – Nomeação de do musicista  Joaquim Henrique de Araújo ao posto de alferes do 2º Esquadrão do 41º Regimento de Cavalaria da Guarda Nacional;

  Dia 8 (1800) – José Félix  Pereira Burgos (Barão de Itapecuru), recebeu autorização do presidente da Província,  Dom Diogo de Souza, para estudar em Coimbra tendo como companheiro de estudos José Bonifácio de Andrada e Silva;

 Dia 8 (1928) – Colégio Magalhães de Almeida é considerado de utilidade pública pelo prefeito de Itapecuru Mirim, José de Lúcio Bandeira de Melo;

  Dia 10 (1930) – Fundação do Colégio Gonçalves Dias, realizada pelo promotor público José Mendes Salazar;

 Dia 10 (1942) – A Prefeitura Municipal   institui a obrigatoriedade da limpeza das fachadas de prédios e muros da cidade a cada dois anos;

 Dia 11 (1948) – O prefeito Miguel Fiquene sanciona a Lei Municipal nº 4, votada pela Câmara Municipal, alterando a nomenclatura das ruas da cidade;

  Dia 12 (1890) – O governador, José Thomaz da Porciúncula, decreta a alteração da composição dos Conselhos de Intendência, de cinco para sete;

   Dia 14 (1896) – Nascimento do professor e musicista Newton  Neves, patrono de uma das cadeira da Academia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes;

   Dia 14 (1915) – Nascimento do professor Luís Gonzaga Bandeira de Melo, patrono de uma das cadeira da Academia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes;

  Dia 14 (1941) – O prefeito Felício Cassas comunica ao interventor Paulo Ramos que a balsa para travessia do rio  tem apresentado ótimos resultados;

  Dia 15 (1829) – Nascimento do matemático  itapecuruense,  joaquim Gomes de Souza, patrono de uma das cadeiras da Academia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes;

 Dia 15 (1937) – Nascimento do professor e escritor Mauro Bastos  Rêgo, membro fundador da Academia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes;

 Dia 15 (1957) – Fundação da Escola Normal Regional Gomes de Sousa  em Itapecuru Mirim pelo professor e político,  Leonel Amorim, para a formação de docentes para o ensino primário;

  Dia 17 (1921) – Nascimento de Raimundo Nonato Cardozo, jornalista e  poeta itapecuruense;

   Dia 17 (1923) – Decretadas modificações nos limites entre os municípios de Itapecuru Mirim e Rosário, com base da Lei Estadual nº 1.033;

   Dia 17 (1938) – Nascimento do jornalista, professor  e escritor itapecuruense,  Benedito Bogéa Buzar, membro fundador da Academia Itapecuruense de Letras;

  Dia 18 (2013) – Solenidade especial em homenagem ao ex-deputado estadual Bendito Buzar, realizada pela Assembleia Legislativa do Maranhão;

  Dia 23 (1801) – Antônio Rodrigues dos Santos recebe patente de tenente-coronel agregado interino do Regimento de Milícias de Itapecuru Mirim;

   Dia 25 (1905) – Nascimento do cônego Joaquim de Jesus Dourado. Esteve à frente da paróquia durante 2 anos, ocasião que construiu a primeira torre da Igreja de Nossa Senhora das Dores. Deixou Itapecuru Mirim em 1944, para ser capelão militar na Segunda Guerra Mundial;

 Dia 27 (1951) – Empossado pelo juiz Caetano Martins Jorge ao cargo de prefeito de Itapecuru Mirim o Presidente da Câmara Municipal,  Orlando Mota;

   Dia 27 (1982) – Inauguração das novas instalações da Câmara Municipal, no mandato do prefeito José Lauand;

  Dia 28 (1952) – Nascimento do médico Jadiel de Araújo Melo;

 Do livro, Sinopse da História de Itapecuru Mirim (2018), de autoria de Jucey Santana

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

EFEMÉRIDES IGUARAENSES

                                                       Mês de fevereiro

 

     01.02.1917. O poeta Hemetério Leitão, foi nomeado pelo governo do Estado ao cobiçado cargo de Inspetor Escolar do Estado do Maranhão;

      02.02.1942. Nascimento de do médico ortopedista vargem-grandense, Antônio José Cassas de Lima, presidente  do Moto Club de Futebol nos anos: 1968, 1974, 1977 e 1983, tendo contribuído significativamente para o crescimento esportivo do Maranhão;

      12.02.1967. Chegada das quatro primeiras Irmãs Doroteias para Vargem Grande, as Irmãs: Amabile, Ana Lúcia Puschiavo, Alfonsina Piacente e Donata Azzini:

     08.02.1821. Confirmação da patente de tenente do Regimento de Infantaria de Milicias, recriado na Ribeira do Iguará a Joaquim Mendes Costa;

     10.02.1888. Colou grau na Faculdade Federal de Medicina da Bahia o médico vargem-grandense, Raimundo Nina Rodrigues;

      12.02.1890. Nomeado o bacharel, Artur Napoleão Coelho, para juiz de órfãos e José Raimundo Pires para promotor público da Comarca de Iguará;

       13.02.1973. Nascimento do professor e pesquisador Jose Maria Carvalho Silva, membro fundador da Academia Vargem-grandense de Letras e Artes Cadeira n. 17;

      22.02.1841. Captura do Negro Cosme, um dos líderes da Guerra da Balaiada, pelas tropas legais, no lugar Calabouço, na região do Mearim;

    24.02.1962. Nomeado o primeiro prefeito de Nina Rodrigues, o cidadão, Rui Fernandes Costa;

    25.02.1905 – Nascimento do padre escritor, Joaquim de Jesus Dourado, na  cidade de Beberibe (CE). Patrono da cadeira n. 12 da Academia Vargem-grandense de Letras.

         Do livro, O Iguaraense, 175 anos de Vargem Grande (2020), organizado por Jucey Santana

 

AS VACINAÇÕES DE 1904 E 2021

 *Benedito Buzar

No Brasil, em dois momentos da sua história, a vacinação da população gerou problemas sociais e políticos de gravidade.

Mesmo ocorrendo em épocas históricas distintas, um problema de saúde pública mostrou como o povo e o poder, no passado e no presente, agiram e se comportaram de modo visivelmente diferenciados.

Em 1904, o Brasil era governado pelo presidente Rodrigues Alves. Em 2021, está sob o comando do presidente Jair Bolsonaro. Entre os dois governos, passaram-se 117 anos. Em que pese a distância cronológica e o posicionamento eloquente dos dirigentes da nação, a vacinação gerou problemas na sociedade e repercussões na cena política.  

Em 1904, Rodrigues Alves providenciou uma vacina para debelar a varíola e proteger a saúde dos mais necessitados e vulneráveis, mas a população recusou-se a tomá-la.

Em 2021, o povo brasileiro queria se livrar do Covid-19, a monstruosa doença que vem causando gritante letalidade no mundo inteiro, mas irresponsavelmente o presidente Bolsonaro não se movimentou, como era sua obrigação institucional, para providenciar vacinas e livrar da morte milhares de brasileiros.  

A REVOLTA CONTRA A VACINA

Segundo o historiador Eduardo Bueno, no seu livro “Brasil Uma História” o estopim da violenta insurreição popular que eclodiu no Rio de Janeiro em novembro de 1904 foi a recusa de boa parte da população da cidade em aceitar o cumprimento da lei, aprovada pelo Congresso, que tornava obrigatória a vacina contra a varíola, lei inspirada no trabalho pessoal do jovem médico Oswaldo Cruz.

“Desconhecida no Brasil, a vacina – já testada com êxito em vários países da Europa – era encarada com desconfiança pelos brasileiros em geral e pelos cariocas em particular, por isso, tão logo as Brigadas Sanitárias passaram a entrar em todas as casas da cidade, acompanhadas por policiais, para vacinar os moradores à força, os adversários da medida começaram a chamá-las  de violadores de lares e túmulos da liberdade.

“Num comício contra a vacina, no dia 10 de novembro, um orador foi preso e a multidão partiu para o confronto com os policiais. A revolta espalhou-se como um rastilho de pólvora e os revoltosos dominaram o centro da cidade, incendiando bondes e depredando e saqueando estabelecimentos comerciais.

“No dia 14 de novembro, uma das principais – e talvez a mais reveladora – das várias faces da rebelião começou a se desvendar: a Escola Militar da Praia Vermelha decidiu unir-se ao povo e aderir ao levante. Ficou evidente que a vacina foi um pretexto para a eclosão de um movimento político-social, provocado pelas classes menos favorecidas contra a carestia, a inflação, o achatamento salarial, o aumento abusivo dos alugueis e a remodelação do centro do Rio de Janeiro, realizado pelo prefeito Pereira Passos.

2021: A LUTA PELA VACINA

 No Brasil, desde o ano de 2020, a população vem sendo atacada pelo Corona Vírus, que já matou mais de 200 mil almas. A despeito dos esforços dos profissionais de saúde, que heroicamente tentaram salvar os infectados, mas em vão, por culpa total do governo federal que não cuidou da doença com capacidade e seriedade, sendo tratada pelo presidente Bolsonaro como uma “gripezinha”, no sentido de impedir a população de se vacinar.

Desde que a maldita doença chegou ao Brasil, o chefe da Nação, com relação ao enfrentamento da pandemia, só agiu no sentido de negligenciar sistematicamente a gravidade da doença; de fomentar aglomerações, de desdenhar e de descumprir medidas preventivas determinadas por autoridades sanitárias; de boicotar a produção e obtenção de vacinas; de desacreditar as vacinas produzidas pelos países com os quais não têm simpatia política e diplomática; de não envidar esforços financeiros e logísticos para assegurar o atendimento emergencial do enfermo; de contribuir por meio de ações e omissões para o adoecimento de milhões de brasileiros.

Por conta desse desleixo e dessa irresponsabilidade, o Brasil só perde para os Estados Unidos, no tocante à morte da população.

 


*Benedito Buzar, nasceu em Itapecuru Mirim. Jornalista, advogado, escritor, professor universitário (aposentado). Ex-deputado estadual. Ocupou cargos no setor público, dentre os quais, chefe de gabinete e secretário municipal de Educação e Ação Comunitária, presidente da Maratur, presidente do Sioge, secretário da Cultura do Maranhão, presidente do Conselho Estadual de Cultura, membro do Conselho Universitário da Universidade Federal do Maranhão, gerente da Gerência de Desenvolvimento Regional de Itapecuru Mirim. Membro da Academia Maranhense de Letras, da qual é o atual presidente. Publicou vários livros.

O CARTEIRO

   *César Borralho

 

Nenhuma alegria ganhou asa na vida

e voou mais que um dia até virar felicidade.

 

É preciso estar atento, notar a melancolia, compreender

a regra do boêmio, rascunhar na pele o coração

em toda profundidade que dura o pensamento,

enquanto a angústia fuma quatro maços de alma por dia.

 

O passarinho traça no ar um único desenho quando

levanta frágil asa e cresce fora do próprio ninho.

 

Até o vazo mais bonito murcha a beleza da rosa

e o perfume esvai sozinho...

pela tarde mais feia de toda a primavera.

 

O tempo de um homem é mais que fevereiro

e quando a noite vem, o travesseiro recebe o peso

de um vazio que se acumulou.

 

É a tecedura de uma essência forte, porém escura,

que tange como gado a vontade de morrer.

 

A criança escondida deixa entrar o carteiro

e a carta requer da alma o desespero de um peito infeliz.           

 

E de repente a vida do poeta seja isto,

a obra inacabável de algo que nunca se consumiu.

 

Entrar nela é desvendar o mecanismo do trinco,

sair dela é sair dum labirinto.

   


*César Borralho,  (Codó-MA, 1979) é poeta, professor, pesquisador, graduado em Filosofia, especialista em Filosofia Estética e mestre em Cultura e Sociedade. Recebeu prêmios em concursos de poesia estaduais e interestaduais. Possui poemas publicados em diversas antologias e está organizando seu primeiro livro de poesias. Para o autor, "escrever poesia é dar ritmo às imagens que cria na eterna luta para que o papel não fique obscuro e nem tão vazio. Poesia é o vento que leva o barco quando barco não há”.