domingo, 4 de janeiro de 2026

ENCHENTES DO RIO ITAPECURU

Anos das maiores enchentes No ano de 2009 o rio Itapecuru Mitim sofreu sua última grande enchente. As cheias duraram quase um mês isolando a área do Trizidela e as comunidades adjaccentes, trazendo muitos prejuizos materiais como a devastação das plantações, morte dos animais e todo tipo de calamidade a população ribeirinha, com alagamentos, desde a sua nascente até a foz, na baia de São José, no golfão maranhense. O rio Itapecuru que teve grande importancia na economia da Provîncia, com exportação de algodão e outras culturas produzidas na sua ribeira, com importantes cidades como, Caxias, Mirador, Codó, Coroatá, Itapecuru Mirim, Rosario e outras, com o transporte fluvial, no seculo XIX, foi gradativamente reduzindo sua atividade após a construção as Estrada de Ferro São Luis - Teresina a partir de 1920. Ao longo da história temos conhecimentos de grandes enchentes que ocorreram no rio Itapecuru, geralmente ocorridas entre os meses de fevereiro a maio, que trouxeram males diversos a população da ribeira do rio. As mais antigas que se tem notícias, datam do século XVIII segundo registro de Raimundo José Gayoso em, Princípios da lavoura do Maranhão, Gayoso (1818): No anno de 1788 ou 1789, foi tão extraordinaria esta afluencia de agoas, que passrão as febres a serem epidêmicas...: muitas cazas de alguns pobres a ficarem sem vivente algum... Talvez aqui tenha aparecido os primeiros sinais da agreção humana ao Itapecuru relacionado as cheias desodernadas causadas pelas destruição das matas e ocupação irregulares”. O registro é confirmado por César Marques em seu Dicionário Histórico e Geográfico da Provincia do Maranhão (1870): Desde abril a fins de maio de 1788, encheu tanto este rio, que em muitas partes, tinha 2 léguas de largura. Em 1889 encheu outra vez o rio dessa maneira... Em 1805 o inverno foi tão rigoroso, que obrigou o rio a sair do seu leito e estendedr-se por algumas léguas pelo centro, trazendo como conseguencia disto a grande epidemia, que por aí reinou, Nos periódicos maranhenses nos conduzem para informaçoes de enchentes de grandes proporções nos anos de 1875 e 1895, final do seculo XIX, A cheia de 1875, que trouxe muitas mazelas, transtornos a população, no recém criado status de cidade de Itapecuru Mirim, pela Lei 919 de 21 de julho de 1870. A enchente de 1895, teve repercussão a longo prazo, com devastação em quase toda a cidade. Os grandes armazéns situados à Beira Rio e nas ruas adjacentes foram tomados pelas águas a exemplo dos empórios dos negociantes Domingos Araújo e Manoel Caetano (Manoel Cobra). As rampas de desembarques de mercadorias e passageiros ficaram completamente danificadas, sendo posteriormente reconstruída pelo operoso comerciante, Manoel Cobra, pai adotivo do desembargador Raimundo Públio Bandeira de Melo. Em 1917 houve outra enchente de grandes proporções. Na ocasião desabaram antigos casarões e sobradões que testemunhavam a época áurea da aristocracia da Vila, com grande importância econômica, política e militar, época dos coronéis, conselheiros, comendadores, barões, agropecuaristas, senhores de engenho, feiras e exposições de gado, (Publicador Maranhense, 27.8.1856). Na ocasião caiu à casa do coronel Bento Nogueira da Cruz na Praça Cel. Nogueira. (Pacotilha, 7.5.1917). A enchente de 1924, com toda certeza, foi a que causou mais transtornos. A Rua do Egito, atual coronel Catão, passou mais de um mês submersa, sendo o seu transporte por canoas. A estação de trem ficou só o telhado de fora, e os trilhos ficaram completamente inundados. Os barcos a vapor fundeavam perto da praça da Cruz. As casas que não caíram ficaram abaladas, “parecia que tudo se acabava em Itapecuru”. Se verificava na época um espírito desalentador, marcado pelo flagelo da enchente. Em uma cidade que já havia conhecido período de grandeza, a enchente do rio deixou marcas de calamidade, pobreza e falta de trabalho. Com o “ciclo da borracha” houve evasão dos moradores para os seringais do norte, agravando mais o comercio e lavoura local. A população com dificuldade trabalhava na reconstrução da cidade. Com a baixa do rio, a cidade foi acometida de mazelas como surto de febres, as chamadas “sezões” ou “impaludismos”. (Combate, 25.3.1951 e Correio Paulistano, 18.5.1924) Em crônica do professor Newton Neves no jornal Combate, citava os moradores supersticiosos, que chamavam a atenção para a calamidade de 1924, que seria punição em detrimento da antiga “praga” dos capuchinhos que em missão populares, anos atrás, celebraram do outro lado do rio de costas para a cidade, “bateram em maldição o pó das sandálias às portas da cidade”. Profetizavam os moradores: “é o fim de Itapecuru” Houve também grandes cheias do rio nos seguintes anos: 1947, 1964, 1974, 1986 e em 2009, porém nenhuma se equiparou a calamidade de 1924. *Do livro, Sinopse da História de Itapecuru Mirim (2018), de Jucey Santana.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

DIA A DIA DA HISTÓRIA DE ITAPECURU MIRIM

Mês de Janeiro Dia 1º (1925) – Inauguração do serviço de bonde com tração animal para o transporte de passageiros e cargas, da beira-rio à estação ferroviária; Dia 1º (1949) – O prefeito Miguel Fiquene inaugura o busto de Gomes de Sousa na praça do mesmo nome, assinado pelo festejado artista Mauro Lima; Dia 1º (1997) – São empossados nos cargos de prefeito e vice, Miguel Lauande Fonseca e Lande Coroba; Dia 1º (2001) – Reeleito para o cargo de prefeito, Miguel Lauande Fonseca toma posse juntamente com o vice, João do Trecho; Dia 1º (2005) – Posse do prefeito Júnior Marreca e da vice-prefeita Maria Lúcia Cavalcante; Dia 2 (1961) – O vereador Abdala Buzar renuncia ao mandato à Câmara Municipal para assumir o cargo de prefeito; Dia 3 (1957) – Nascimento do médico Tarcísio Mota Coelho; Dia 4 (1892) – Nomeação dos membros da Intendência Municipal de Itapecuru Mirim; Dia 4 (2003) – Católicos da Paróquia de Nossa Senhora das Dores comemoram o cinquentenário da ordenação do padre Benedito Chaves Lima; Dia 6 (1946) – Raimundo Nonato Coelho Nahuz (Zuzu Nahuz), assume a direção do jornal O Combate; Dia 6 (1951) – Chegada do padre José Albino Campos em Itapecuru Mirim; Dia 8 (1800) – O presidente da Província, Dom Diogo de Sousa, autoriza José Félix Pereira de Burgos (futuro Barão de Itapecuru), a estudar em Coimbra; Dia 8 (1965) – Falecimento Raimundo Nonato Coelho Nahuz (Zuzu Nahuz); Dia 9 (2010) – Falecimento do jornalista e professor da Universidade Federal do Maranhão, Raimundo Nonato Coelho Neto, aos 55 anos de idade; Dia 12 (1800) – Nascimento de Joaquim Vieira da Silva, na Fazenda Conceição; Dia 12 (1945) – Nasce Maria das Mercedes Sampaio, poeta e folclorista; Dia 13 (2012) – Posse solene dos novos membros da Academia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes, Leomar Amorim e Benedita da Silva Azevedo; Dia 14 (1896) – Nasce Newton Neves, professor, musicista e escritor; Dia 15 (1805) – Carta do Bispo do Maranhão, D. Luís Brito Homem, para o príncipe regente D. João, sobre a restauração da Paróquia de Itapecuru Mirim; Dia 15 (2004) – Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro apresentam o resultado de quatro décadas de estudos sobre a descoberta de um dinossauro às margens do rio Itapecuru; Dia 16 (1948) – Miguel Fiquene assume o cargo de prefeito; Dia 17 (1891) – Foram nomeados Raimundo Alves Pereira e Durval César Bezerra, membros do Conselho da Intendência Municipal de Itapecuru Mirim; Dia 17 (1948) – Posse dos vereadores eleitos em 25 de dezembro de 1947. Primeira eleição depois da ditadura Vargas; Dia 20 (1876) – Nascimento do capitão da guarda nacional, Sebastião Augusto Pinto da Costa. Foi o autor da primeira versão do hino de Itapecuru Mirim; Dia 20 (2006) – Tarcísio Mota Coelho recebeu o título de doutorado em obstetrícia; Dia 21 (1888) – Nascimento de Raimundo Públio Bandeira de Melo; Dia 21 (1961) – Temporal derruba a cúpula da torre da Igreja de Nossa Senhora das Dores; Dia 23 (1884) – Nascimento de Manuel Viriato Correa, jornalista, contista, romancista, teatrólogo e autor de crônicas e histórias infantis; Dia 23 (1890) – O governador do Maranhão nomeia Antônio Públio César Coelho presidente do Conselho de Intendência Municipal de Itapecuru Mirim; Dia 24 (1963) – O deputado Benedito Buzar realiza um evento comemorativo pela sua eleição; Dia 24 (1970) – Falecimento de José Albino Campos Filho, pároco de Itapecuru Mirim de 1951 a 1970; Dia 25 (1648) – Consulta do Conselho Ultramarino ao rei D. João IV acerca da mudança de sede do governo de São Luís para Itapecuru Mirim; Dia 25 (1925) – Nascimento de Antônio Rodrigues Sobrinho (Bispo Rodrigues), político, agricultor e sindicalista; Dia 25 (1993) – O vice-governador José de Ribamar Fiquene lança a pedra fundamental do Centro de Atenção Integral à Criança – CAIC; Dia 26 (1890) – Faleceu Fábio Carvalho Reis, político e jornalista. Fundou em 1847 o primeiro jornal diário do Maranhão, O Progresso; Dia 26 (1935) – Circula o primeiro número do jornal A Gazeta, do jornalista João Rodrigues; Dia 26 (1990) – Nasce o jornalista e escritor Brenno Bezerra Pedrosa; Dia 27 (1951) – Eleita a nova mesa diretora municipal; Dia 29 (1778) – José Gonçalves da Silva, fundador da Vila de Itapecuru, obteve a confirmação da sua primeira sesmaria, em Guimarães; Dia 30 (1893) – Comunicada pelo presidente do Conselho de Intendência, Catão Bandeira de Melo, a designação do orçamento do município; Dia 31 (1958) – Inauguração da Rodovia MA-23, entre Itapecuru Mirim e Vargem Grande; Dia 31 (1996) – Faleceu o ex-prefeito José Carlos Rodrigues, vítima de suicídio. Do livro, Sinopse da Historia de Itapecuru Mirim (2018). Organizado por Jucey Santana.

DIA A DIA DA HISTÓRIO DE ITAPECURU

Mês de Dezembro Dia 1º (1888) – Decreto Federal aprovando a construção da estrada de Ferro Caxias-São José das Cajazeiras (Timon), ligando Itapecuru Mirim a Parnaíba; Dia 1º (1883) – Nasceu a poetisa, professora e musicista Blandina Eloe dos Santos, filha do músico e alfaiate Marcelino Antônio dos Santos e de Ambrosina Fonseca dos Santos; Dia 2 (2007) – Inauguração do sistema de abastecimento de água do povoado Entroncamento, de Itapecuru Mirim; Dia 3 (2017) – Faleceu no povoado de Santo Antônio dos Gundes o ex-vereador e líder rural Vitório Gundes Costa; Dia 3 (1945) – Nascimento do professor João Boaventura Bandeira de Melo Marques, membro da Academia Itapecuruense de Letras; Dia 3 (1953) – Nascimento da professora Teresinha Muniz Cruz Lopes, membro da Academia Itapecuruense de Letras; Dia 4 (1802) – Consulta do Conselho Ultramarino ao príncipe regente D. João sobre o requerimento de Antônio Rodrigues dos Santos, pedindo sua confirmação no posto de tenente-coronel do Regimento de Milícias de Itapecuru Mirim; Dia 4 (1973) – Falecimento do professor, jornalista e ex-prefeito em dois mandatos, João Rodrigues; Dia 4 (1923) – Nascimento do comerciante Jamil Mubarak; Dia 5 (2008) – Lançamento do livro Reflexões e Respingos, por Nazaré Ferraz, coletânea de crônicas e poesias do seu pai, o professor Raimundo Nonato Ferraz, no Clube Social; Dia 6 (1971) – O prefeito Nonato Cassas pede à Câmara Municipal autorização para doar um terreno do município para a construção do prédio da Empresa de Telecomunicação do Maranhão- TELMA; Dia 7 (2011) – Fundação da Academia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes – AICLA; Dia 10 (1871) – Nascimento da poetisa, teatróloga, musicista e professora Mariana Luz, a segunda mulher maranhense a ser eleita para a Academia Maranhense de Letras, em 1948; Dia 10 (1975) – Falecimento do farmacêutico e ex-prefeito Orlando Mota; Dia 12 (2003) – O prefeito Miguel Lauande sanciona leis aprovadas pela Câmara, criando o Conselho de Educação do Município e estabelece que 23 de outubro passe a ser comemorado como o Dia do Rio Itapecuru; Dia 12 (1769) – Bênção da capela de São Patrício, em Kelru; Dia 12 (1960) – Falecimento do tabelião Benedito de Jesus Nascimento, avô do promotor público Benedito Coroba; Dia 13 (1982) – O prefeito em exercício José Matias Matos pede à Câmara Municipal autorização para doação de terreno para a Eletronorte construir uma vila residencial para os seus servidores; Dia 14 (1992) – A Câmara Municipal aprova o projeto autorizando o prefeito José Lauande a criar a Casa da Cultura e a Biblioteca Pública, vinculadas à estrutura da Secretaria de Educação e da Cultura do Munícipio; Dia 14 (2007) – Inauguração do Cartório Eleitoral da 16ª Zona Eleitoral de Itapecuru-Mirim, solenidade presidida pelo presidente do Tribunal Regional Eleitoral, desembargador Jorge Rachid Mubarack; DIA 16-12-1953 – Nascimento do professor e jornalista Raimundo Nonato Coelho Neto – Coelho Neto; Dia 17 (1951) – A Câmara Municipal vota projeto de resolução que decreta vagos os cargos de prefeito e vice-prefeito até que sejam realizadas as eleições suplementares, dando o prazo de 72 horas para Paulo Rodrigues transmitir o cargo ao vereador Orlando Mota, presidente do Poder Legislativo de Itapecuru Mirim; Dia 20 (1952) – A Câmara Municipal autoriza a prefeitura a doar terreno para o Ministério da Aviação e Obras Públicas construir a sede da agência dos Correios e Telégrafos; Dia 22 (1989) – O presidente do Banco do Estado do Maranhão, Sérgio Rodrigues, inaugura em Itapecuru Mirim a nova agência do BEM; Dia 22 (1865) – Nasceu o general Hastimphilo Frazão de Moura, no povoado chamado Guanaré; Dia 23 (1907) – Nasceu a professora Maria da Glória Bandeira de Melo – Lili Bandeira, na fazenda Laranjeiras, em Itapecuru Mirim; Dia 23 (1928) – Nasceu no povoado Santo Antônio dos Gundes em Itapecuru Mirim, Vitório Gundes Costa Filho; Dia 24 (1952) – Elevação do povoado de Cantanhede a cidade, desmembrando-se de Itapecuru Mirim; Dia 25 (1871) – Batizado de Mariana Luz na Igreja Nossa Senhora do Rosário, que servia de Paróquia de Nossa Senhora das Dores; Dia 27 (1930) – Nascimento do poeta, escritor e ex-governador do Estado, José Ribamar Fiquene; Dia 28 (1799) – Requerimento de José Gonçalves da Silva, futuro alcaide-mor de Itapecuru Mirim, ao rei de Portugal, solicitando decreto ou aviso para que não haja qualquer impedimento na realização de seu casamento; Dia 28 (1960) – Falecimento de Joaquim Ferreira Lima – Major Lima. Ele comprou o antigo Engenho Kelru, fundado pelo fidalgo irlandês Lourenço Belfort. Até os dias atuais a propriedade continua em poder da família Lima; Dia 30 (1949) – Na presença do governador Sebastião Archer da Silva, do secretário do Interior, Justiça e Segurança, Alfredo Duailibe, de autoridades, o prefeito Miguel Fiquene inaugurou a usina e o gerador de luz elétrica da cidade; Dia 30 (1950) – O deputado Felício Cassas apresenta projeto à Assembleia Legislativa, autorizando o Governo do Estado a conceder subvenção anual de CR$ 24.000,00 ao Ginásio João Lisboa, fundado pelo professor Newton Neves; Dia 31 (1920) – Inauguração do mercado público de Itapecuru Mirim, na gestão de Basílio Simão; Dia 31 (1957) – Nascimento de José Jorge Gomes Rodrigues, membro da AICLA; *Do livro, Sinópse da História de Itapecuru Mirim (2018), organizado por Jucey Santana.

ITAPECURU MIRIM À RESSURGIR

                            

* Flores no Jardim do Palácio - ALL

                                                                                                                                          Jucey Santana

                            O apogeu e a decadência de  Itapecuru Mirim.


            Itapecuru Mirim, cidade que no século XIX conheceu o progresso de forma rápida e progressiva, favorecida por muitas fontes históricas, berço de inúmeros vultos  importantes no cenário nacional, como fidalgos, jornalistas, políticos, escritores, pecuaristas e produtores agrícolas,   ficando entre as três vilas mais importantes do Estado, na primeira metade do século dezenove,  e com uma das mais extensa  área territorial do Estado, com  grande   importância econômica,  esteve entre as  primeiras comarcas criadas no Maranhão (20.4.1835), foi palco de notáveis acontecimentos históricos com abrangência nacional,  entre as quais, a Guerra da Balaiada,  Adesão do Maranhão a Independência do Brasil, a Guerra dos 3 Bês e chegou a ser  a capital provisória do Estado em várias ocasiões,  entre outros acontecimentos notórios....

           Por que então a inexplicável decadência do final do século dezenove e início do século vinte? Chegando à extinção de uma das mais antigas comarcas, (1823), extinta  em 09.05.1923, voltando a condição de Termo Judiciário, da comarca de Coroatá, durante 10 anos.

          - A libertação dos escravos e a Proclamação da República, com mudanças bruscas na economia e nas políticas teriam sido alguns dos fatores? 

       - Poderia ser explicado pelos embates políticos marcados pelo sistema de coronelismos, das influentes famílias detentoras do Poder Municipal, alheias as opiniões públicas, causando grandes migrações para outras localidades?

       - Poderia ter como causa a devastação da população vitimada pela terceira grande epidemia de varíola no início do século XX? (correspondências dos prefeitos no Arquivo Público do Maranhão).

      - Porque então, mesmo com a inauguração do trem de passageiros em 1920, anseio de toda população do Vale do Itapecuru, não surtiu nenhum efeito positivo, para impulsionar o progresso da antiga Vila? 

      - Seriam as grandes enchentes de 1895, 1917 e 1924, que trouxeram calamidades, devastações das lavouras, desabamentos dos casebres aos sobradões, e toda a sorte de prejuízo, pobreza, doenças, mortes pelas epidemias, como malária, gripe espanhola, sarampo, varíola, responsáveis por dizimar grande parte da   população?

    - Teria Itapecuru Mirim, uma caveira de burro, enterrada em seu solo como diziam os antigos moradores, confirmada na edição de 13.02.1920 da Pacotilha?

      - Ou seria ainda, em detrimento da antiga praga que os capuchinhos rogaram à cidade e a sua população (nunca bem explicada), quando bateram as areias de suas sandálias, na Trizidela, desejando a Itapecuru Mirim, um crescimento tão lento, como, “fogo em sola”. (Praga citada em crônica do professor Newton Neves no Jornal, O Combate de  25.3.1953)

     - Como explicar que, segundo o Álbum do Maranhão de 1923, a população de Itapecuru Mirim ficou reduzida em apenas 3.000 habitantes?

      - Como entender que a Segunda República, encontrou Itapecuru Mirim em completa inanição?

- A situação só piorou durante toda ditadura Vargas. Nos anos 30 a cidade teve sete prefeitos (interventores), em decorrência das mudanças constantes dos governadores, que os escolhia entre seus apadrinhados, sem levar em conta as necessidades da população e de toda uma região que outrora dera tanta contribuição ao progresso do Estado.

 São algumas perguntas sem respostas.

Bernardo Thiago de Matos em ação

 

         A partir de 1943, Itapecuru Mirim, a situação começou a clarear.    O interventor do Maranhão, Paulo Ramos, nomeou o engenheiro Bernardo Thiago de Matos, para resolver a situação precária da cidade, depois que este havia realizado excelente administração nas cidades de São José de Ribamar, Morros e São Vicente de Ferrer, que se encontravam em situação precária na época.

             O novo gestor pôs em execução um plano de trabalho com ideias futuristas invejáveis, que surpreendeu a todos, mesmo os mais conservadores. Depois de restabelecer as finanças, atuou em um projeto de urbanização com um planejamento moderno e dinâmico. Criou duas olarias e reconstruiu os casebres dos moradores, cobrindo-os com telhas. Quem não estava trabalhando nas olarias estava nas construções das residências, tendo como resultado ruas bem traçadas, avenidas largas e população satisfeita.

Comprou as terras onde é a atual Praça Gomes de Sousa e a Prefeitura, dos familiares do ex prefeito Zuza Bezerra e iniciou a construção da praça, do prédio da prefeitura, do Grupo Gomes de Sousa, sem esquecer os ilustres filhos da terra, construiu a casa da poetisa, Mariana Luz, criou a Biblioteca Henriques Leal  e homenageou o matemático Itapecuruense, Gomes de Sousa, dando o seu nome a Praça. Deixou Itapecuru Mirim em 1945 depois da deposição de Getúlio Vargas. Não colocando o busto do imortal Gomes de Sousa por falta de tempo para execução, porém deixou contratado o renomado escultor Maro Lima, para a execução do projeto de confecção da estátua. Posteriormente tendo sido inaugurada a praça com o busto em seu pedestal, 1º de janeiro de 1949.

 O operoso gestor, executou um extraordinário trabalho em prol do progresso da cidade, em apenas em 2 anos, que repercute até os dias atuais, tornando município, um dos   maiores, polos ceramista do Maranhão. 

 Bernardo Thiago, ficou como interventor até sua exoneração, com a renúncia de Getúlio Vargas, em 1945.

                      Mauro Lima autor do busto de Gomes de Sousa.

É necessário conhecer um pouco o renomado artista, contratado para execução do busto de Gomes de Sousa. O escultor Mauro Lima que nasceu em 1906 era o favorito dos governadores e prefeitos do Maranhão desde muito jovem.

Deixou inúmeros trabalhos em esculturas de grandes personalidades, como de Sousândrade para a Academia Maranhense de Letras, Raimundo Correa para a Praça de Cururupu,  Humberto de Campos para   Miritiba (atual Humberto de Campos), João Pessoa para a prefeitura de Coroatá, do industrial Cândido Ribeiro,  dos políticos Herculano Parga, Valle Sobrinho e muitos  vultos maranhenses foram esculpidos por ele.

Nos anos 30, Mauro Lima foi contratado pela prefeitura de Itapecuru Mirim para levantar a cartografia do município e de Vargem Grande (esta,  na época havia  perdido sua autonomia e incorporado a Itapecuru Mirim). 

Na ocasião morou uma temporada em Itapecuru Mirim, fazendo o levantamento topográfico para produção dos mapas da região.

Em 1948 foi contemplado pelo governador do Estado, com uma bolsa de estudos para especialização em escultura no Rio de Janeiro. Ele não teve tempo de viajar porque faleceu em 3 de julho de 1949 aos 42 anos.

                                               A odisseia de um busto

 

 

Em junho de 1948, o gestor Miguel Fiquene contratou o escultor Mauro Lima, para confeccionar o busco de bronze de Gomes de Sousa, para ser colocado por ocasião da inauguração da praça. Este foi seu último trabalho.

Em 1º de janeiro de 1949 foi inaugurada a Praça Gomes de Sousa e seu busto foi colocado no pedestal em meio a grande festa na presença da população e autoridades.

Por ocasião da reforma da Praça, (2012) o busto desapareceu. Foi feita uma varredura nos lixões em 2013 na tentativa de recuperar o busto, sem êxito.

Em 2017, o empresário Mauro Fecury, admirador do cientista Souzinha, contratou o conhecido escultor Eduardo Sereno, para confeccionar um novo busto e doou aos itapecuruenses, recebendo os merecidos agradecimentos. 

      *Do livro, Flores no Jardim do Palácio, Antologia da Academia Ludovicense de Letras, (2025), organizada por Michel Herbert Alves Florencio.