quinta-feira, 30 de julho de 2015

FONTE DA MIQUILINA


Por: Jucey Santana
A Fonte da Miquilina localizada no bairro da Miquilina abastece a população de Itapecuru Mirim, desde a época do Império. Jorra de suas bicas, o precioso líquido, que por muito tempo socorre a cidade principalmente nos períodos das chuvas, época em que as águas do rio ficavam muito barrentas e à cidade não possuía sistema de tratamento e abastecimento de agua, razão pela qual a população recorria a Fonte para obtenção de água potável para o consumo.
Muitos poetas e cantores se inspiraram nos poderes milagrosos da água, que curavam males diversos, para suas produções literárias.
Conta-se que uma mulata chamada Maria Miquilina, possuía uma comércio próximo à fonte e fazia sua conservação ao tempo que chamava a atenção dos moradores e usuários sobre   importância da manutenção daquela fonte, para o meio ambiente.  Atualmente a devastação dos recursos naturais aliados à falta de preservação e proteção matas ciliares compromete seriamente o futuro desta fonte de águas cristalinas.
Do livro, MARIANNA LUZ Vida e Obra e Coisas de Itapecuru Mirim de Jucey Santana- 2014.

domingo, 26 de julho de 2015

MERCADO PÚBLICO MUNICIPAL
Por: Jucey Santana

A construção de um mercado público era uma antiga reivindicação da população da cidade, que se ressentia pela insalubridade pública. Abaixo transcrevemos a seguinte denúncia:

“Assim que se vê constantemente infração das posturas municipais, serem abatidas as rezes destinadas ao consumo público no meio da rua. São três marchantes efetivos e cada um destes faz seu matadouro e açougue defronte de sua porta causando como está reconhecido, grande mal a saúde em razão do mau cheiro que exala, empestando tudo.  (Comércio, Lavoura e Indústria, 21.5.1886)

Depois de muitas pressões, e divergências políticas entre o gestor municipal a Câmara dos Vereadores e a população, finalmente em 31 de dezembro de 1920, foi inaugurado o Mercado Público Municipal, construído pelo prefeito libanês Antônio Basílio Simão, na antiga Praça Coronel Nogueira, atual João Lisboa, na área antiga da cidade. (Pacotilha, 3.1.1921)

Em, 1962 o mercado passou por uma importante reforma na gestão do prefeito Abdalla Buzar.

Do Livro, Marianna Luz Vida e Obra, e Coisas de Itapecuru Mirim de Jucey Santana


sábado, 25 de julho de 2015

DILMA E A MANDIOCA DE ITAPECURU


Por: Benedito Buzar
Eu, na condição de Itapecuruense, lamento Dilma Rousseff não ocupar a Presidência da República do Brasil na década de 1940, não porque desejasse vê-la à frente de nossos destinos, numa época em que, desgraçadamente, o país estava sob a égide da ditadura, chefiado pelo gaúcho Getúlio Vargas.
Gostaria de, naqueles idos, Dilma chegasse ao comando supremo da nação brasileira, só por um motivo: a certeza de que não permitiria a desativação da usina de álcool, que o governo federal projetara para montar Itapecuru, usando a mandioca como matéria prima, que ela considera “uma das maiores conquistas do país”.
A história da construção dessa usina, que tanto esperança deu à população itapecuruense, começa em 1943, quando o interventor Paulo Ramos recebe a informação de que no Maranhão a União instalaria uma fábrica para a produção de 40 mil litros anuais de álcool.
O interventor tentou levar o projeto para Caxias, sua terra natal, mas os técnicos acharam que a cidade de Itapecuru-Mirim seria melhor e a mais adequada à instalação da usina, por estar mais próxima da capital do Estado, em que os equipamentos, vindos do exterior por via marítima, seriam descarregados e transportados pela estrada de ferro ao local do empreendimento.
As tratativas para execução da obra se iniciam em 1944, com a assinatura de um convênio entre a CEPM-Comissão Executiva dos Produtos da Mandioca e o Governo do Maranhão, com este contraindo um empréstimo no Banco do Brasil, no valor de sete milhões de cruzeiros (em moeda da época), destinado ao levantamento dos prédios, aquisição de equipamentos e outros procedimentos, a cargo da empresa carioca, Construpan, que, contratada para tal fim, aprovou de imediato o terreno doado pela prefeitura e localizado na Rua do Fio, para a montagem da fábrica.
Começadas as obras, vieram à tona problemas que fizeram a construtora a interromper os trabalhos em execução pelos seguintes fatores: o rigoroso inverno que atacou o interior do Maranhão e fez subir significativamente as águas do rio Itapecuru; a deficiência do transporte ferroviário, que não entregava com presteza os materiais e equipamentos; a ausência de pessoal qualificado para realizar adequadamente os serviços de construção civil; e a pequena produção de telhas e tijolos que a construção carecia.
Sanados, ainda que parcialmente os obstáculos, nos meados de 1946, os trabalhos e serviços de construção civil foram novamente interrompidos. Desta feita, por falta de recursos. Um novo empréstimo, também, contraído entre o Governo do Estado e o Banco do Brasil foi assinado, no valor de três milhões e quinhentos mil cruzeiros, para ser resgatado nas mesmas condições do anterior, ou seja, em 10 anos, com 7% de juros ao ano.
Com a retomada dos trabalhos da destilaria, paralelamente, a CEPM iniciou o movimento para estimular os agricultores de Itapecuru e das cidades vizinhas, para a necessidade de plantar e cultivar a mandioca em grandes escala, matéria prima que usina precisaria para a produção de álcool.  Nesse sentido, foram oferecidos aos lavradores financiamento para o cultivo da planta, compra de instrumentos agrícolas e transporte do produto para a fábrica, que estaria preparada para, diariamente, consumir 35 toneladas de raízes da planta.
Mas os recursos advindos do recente empréstimo, que deveriam ser aplicados na obra e no financiamento da produção agrícola, foram desperdiçados e tomaram o destino da corrupção. Resultado: a construção da fábrica, no final de 1946, enveredou no rumo da desativação dos trabalhos e da operação.
Mas não foi apenas isso o que aconteceu. Sem que os governantes federais e estaduais, a CEPM e a Construpan se manifestassem quanto ao destino da usina, os prédios construídos e os equipamentos instalados, viram-se destruídos, não apenas pela ação inclemente do sol e da chuva a que estavam expostos, mas, também, pela vontade criminosa de malfeitores, que de lá levaram tudo o que puderam.
Vítimas, também, desse projeto mal conduzido: os pobres agricultores que, iludidos com promessas mirabolantes, endividaram-se e viram os seus esforços rolaram por águas abaixo, levando de roldão as esperanças de dias melhores.
Sem que os responsáveis por toda aquela situação tenham sido molestados ou investigados por qualquer autoridade policial ou jurídica, excetuando-se a imprensa que sempre clamava por explicações das autoridades ou pedia a punição dos criminosos, o sonho dos itapecuruenses de contar com uma fábrica para empregar mão de obra local e incentivar a produção agrícola regional, só não se desmoronou  por completo por que a Associação Comercial e Industrial de Itapecuru, tendo à frente o incansável José Alexandre de Oliveira, fez várias tentativas para o projeto ser reativado,  mas todas em vão, a despeito da solidariedade de alguns políticos.

Por tudo que comentei acima, acho que Dilma chegou tardiamente à Presidência da República e ocupou o palácio errado. O Palácio do Catete seria bem mais confortável do que o Palácio do Planalto, onde vive um inferno astral. Se tivesse optado pela década de 1940, a minha terra, quem sabe, poderia ser hoje um polo industrial, graças à mandioca, descoberta por ela e considerada “uma das maiores conquistas do país”.  







sábado, 18 de julho de 2015

ASTOR SERRA

Por Jucey Santana
ASTOR CRUZ SERRA, Itapecuruense, insigne professor e poeta, filho do comandante de barco a vapor, Raimundo Elesbão Raposo e Mariana Cruz Serra, nasceu em 16 de julho de 1920 e faleceu em 17 de junho de 2002.
O pequeno Astor morava em uma casinha de palha, em frente a Cadeia Pública de Itapecuru-Mirim, com a mãe e irmãos.  Começou estudar em Itapecuru-Mirim, no Instituto Rio Branco do professor Newton de Carvalho Neves, assistindo as aulas das janelas por não possuir uniforme adequado e principalmente por não ter o consentimento do pai, que desenvolveu uma pública animosidade contra o dedicado mestre. O professor descobrindo o grande interesse do garoto pelos estudos, que segundo ele, “havia   sido agraciado por Deus com o dom da inteligência”, recorreu aos amigos de Caxias, Codó, São Luís e Parnaíba, sem que o menino e seus familiares soubessem, solicitando encaminhamento da criança aos estudos. Finalmente em 1932, o Diretor do Ateneu Teixeira Mendes, Solano Rodrigues, o acolheu sem ônus, como interno da instituição.
Ao embarque, na Estação de Trem, para a Capital, o Padre Newton se despediu do menino dizendo-lhes: - Astor, ouve bem o que vou te dizer: Verdade sempre, mentira nunca! Ouviste?  Vai com Deus!

                            O PROFESSOR ASTOR SERRA

Como interno do Ateneu Teixeira Mendes, além cumprir os afazeres que lhes eram incutidos, ele estudava com afinco. O   seu benfeitor sempre o visitava com motivação, para perseverança nos estudos.
Como estudante, sempre desempenhou muito bem suas tarefas, sendo sempre destaque nas disciplinas.  Ainda na adolescência, já ensinava matemática na ausência de algum professor. Também se distinguiu nos meios esportivos, coordenando eventos de competição escolares e acompanhando delegações para participarem de campeonatos futebolísticos interestaduais em virtude de sua responsabilidade precoce. Foi também campeão de xadrez nos torneios anuais da Sociedade Recreativa Maranhense. Como enxadrista, fez parte da Diretoria da Federação Maranhense de Xadrez, que tinha como Presidente o industrial Alberto Aboud (Político e Desportista). Do seu perfil de competidor mereceu o seguinte comentário de um cronista esportivo: “Muito tranquilo, calmo e fiel observador da ética esportiva”. (Combate. 11.4.1946).

quarta-feira, 15 de julho de 2015

CEMITÉRIO DO CHICO CIGANO



Por: Jucey Santana
O cemitério do Chico Cigano e seus fantasmas era história favorita, na minha época de criança, pelos mistérios que evocava.
Constantemente as caravanas de ciganos invadiam Itapecuru-Mirim, de acordo com sua natureza e cultura nômade, com homens negociando tudo: joias, cavalos, relógios, objetos e lembranças das outras regiões de suas andanças, enquanto isso as mulheres ciganas, abordavam as pessoas nas ruas, para ler as mãos, botar cartas e assim  prevê o futuro das moradoras mais crédulas.
 Eu tinha medo porque corria boato que roubavam crianças e tinham reza forte!
Dos muitos bandos que se arranchavam nos arredores da cidade, embaixo dos mangueirais ou taperas, o do Chico Cigano (Francisco José da Costa) era muito popular na cidade, tendo angariado muitas amizades. O bando possuía até um pequeno cemitério para enterrar os seus mortos. Segundo informes, na década de 30 o chefe faleceu depois de demorada enfermidade.
Como o misticismo faz parte dos hábitos dos ciganos, o assunto “morte” era sagrado e o morto chorado muitos anos. As viúvas raspavam os cabelos, se cobriam de preto e viviam em função da memória do esposo, trazendo suas relíquias junto ao corpo, (relógio, anéis, dentadura...).
A viúva, Raimunda Cigana assumiu o "Bando" e vinha anualmente, no aniversário da morte do esposo prestar homenagens fúnebres e segundo costume cigano, trazer oferendas e fazer a manutenção do cemitério.
Depois da sua morte a tarefa ficou a cargo da sua única filha, Aldenora e seu esposo Erasmo Cigano.  Com o desaparecimento desta, dona Mariquinha de Honorato e suas filhas assumiram a manutenção do local, que consistia em uma casinha caiada, com portão de ferro e no seu interior o túmulo com um orifício ao lado para receber as ofertas das promessas.
Segundo o costume, ele se tornou “milagreiro”, protetor dos viajantes e negociantes que vinham da zona rural negociar seus produtos isto, porque os ciganos eram excelentes estrategistas nas negociatas.
Também era protetor das famílias, por ser bom pai e querido líder, mantendo as tradições ancestrais, com justiça e sabedoria. Minha mãe era devota, do cigano. Como era oriunda da zona rural, tinha fé nas crendices populares, simpatias, parteiros, mandingueiros, benzedores e até no Chico Cigano.
Texto extraído do livro Marianna Luz Vida e Obra e Coisas de     Itapecuru Mirim, de Jucey Santos de Santana





PROGRAMAÇÃO





GUERRA DA INDEPENDÊNCIA


Por: Mauro Rego
            A ADESÃO DO Maranhão à Independência e ao Império do Brasil, embora oficialmente decretada em 28.07.1823, não foi consolidada de imediato, tendo em vista as lutas pelo poder político deflagradas entre as famílias Bruce, Burgo e Belfort que Mário Meireles chamou de “guerra dos três bês”.
            Essa disputa valeu demissões, prisões e deportações de membros da Junta Governativa Provisória e do Comandante das Armas José Félix Pereira Burgos e ainda durou cerca de dois anos. Acusados os litigantes ora de Republicanos ora de partidários de Lisboa, na verdade não havia nenhuma ideologia entre os protagonistas cuja única ambição era governar.
            A chegada do Tenente Coronel José Félix Pereira Burgos do Rio de Janeiro em 19.04.1923 que havia sido deposto do cargo de Comandante das Armas em 15.09.823 ao qual fora reconduzido por decreto imperial, iniciaria essa “guerra”, eis que Burgos resolveu tomar desforra dos que haviam participado de sua deposição. Entre provocações que iam da falta de recepção condigna à ausência dos Capitães Salvador de Oliveira e José Cursino Raposo que foram retirados de seu comando a pretexto de serviços no interior, Burgos exercia o cargo de maneira prepotente, arbitrária e violenta, aliando contra si os Bruce e os Belfort.
            Os acontecimentos culminaram com a dissolução da Junta Governativa Provisória presidida por Freire Bruce e, entre as razões para tal ato estavam as atitudes de revolta do Capitão José Cursino Raposo nas Vilas do Icatu e do Itapecuru-Mirim. Esse ancestral de ilustre família anajatubense, juntamente com José Francisco da Silva, comandava essa contra revolução iniciada em 5 de junho de 1824, resultando na fuga do Comandante das Armas para Caxias, sendo os membros depostos libertados e reconduzidos aos cargos enquanto o advogado Miguel Inácio dos Santos Freire Bruce assumia a Presidência da Junta, mesmo acusado de ideias republicanas, iniciando um novo período na História do Maranhão que não foi muito diferente do anterior.

ITAPECURU-MIRIM

Memória, arte e religião na Matriz de N.S. das Dores.

Quando chegava o domingo, eu levantava cedo, aliás, eu sempre levantava cedo. Mas no domingo era especial, era dia de missa. As badaladas do sino me chamavam e alegravam o meu espírito.
Ao entrar na Matriz de Nossa Senhora das Dores, parecia que eu estava num sonho: o sino, os cânticos, a voz marcante do padre Benedito e a multidão de pessoas que gradativamente preenchiam todos os bancos da igreja.
Eu ficava em êxtase com tudo aquilo, meus olhos percorriam todos os espaços da igreja, os bancos de madeira, as paredes, o ladrilho do piso, o forro, e finalmente, os três altares: os dois laterais e o imponente altar-mor.

Durante esse passeio visual pelos altares, meus olhos normalmente se demoravam mais na apreciação de duas imagens: a de um anjo vestido como soldado segurando uma espada e uma balança; e uma santa com uma adaga enfiada no peito e uma coroa na cabeça. Eu era apenas um garoto, tinha acho que doze anos de idade, mas aquelas imagens nunca saíram da minha memória.
Décadas depois, investigando inventários do IPHAN descobri que o santo soldado é São Miguel Arcanjo e a santa é Nossa Senhora das Dores. Essas duas imagens, juntamente com as de Nossa Senhora do Rosário, São Francisco Xavier e Santa Rita de Cássia, todas localizadas nos altares da Matriz de Itapecuru-Mirim, formam um precioso conjunto de esculturas remanescentes do século XVIII, em madeira policromada, oriundas das antigas missões/igrejas jesuítas na região de Itapecuru.

Essas missões contribuíram significativamente para o desenvolvimento da nossa região construindo igrejas, colégios para colonos e indígenas, pacificando povos indígenas, fazendo lavouras e criando rebanhos, e unindo as pessoas pela fé em lugares e tempos tão adversos como era a Ribeira do Itapicuru trezentos anos atrás.

 

COCO DO COCO BABAÇU

Por Nato Lopes
Maneco veio ao mundo
Nascido entre alamedas
Das palmeiras babaçu
Pras bandas de Laranjeiras
Bem perto de uma ribeira
Do rio Itapecuru
A casa era coberta
De folhas de palmeiras
As paredes eram talos
Porta e janela esteiras
Trabalhadas com as palmas
De majestosas palmeiras
Sua mala era um cofo
Em que as roupas guardava
Pra ventar fogo nas trempes
Maneco tinha um abano
Abano cofinho e cofo
Tudo feito da palmeira
Pra pescar tinha o cofinho
Pra levar gongo e minhoca
E nele trazer os peixes
Pra sua filha Maroca
Tratar dos peixes e a Noca
Sua mulher cozinhar
O arroz socava cedo
Na cantiga do pilão
Saía logo em seguida
Com machado e com macete
Pra quebrar coco na mata
Tirar os caroços dele
Vender uns quilos pro homem
Que é o dono das terras
E trazer sabão querosene
Café açúcar e cachaça
E fumo para esquecer
Aquela vida sem graça
Separar logo uns caroços
Comer com farinha d’água
Beber água do riacho
Para minorar a fome
Fazer do coco o azeite
Tirar o leite do coco
Pra botar naquele peixe
Que agora vai para o fogo
Feito naquele carvão
Que é todo vegetal
Do coco que foi quebrado
Dentro do babaçual

A cama de Maneco
Era forrada de esteira
De palhas secas quebradas
Improvisava o colchão
À noite no terreiro
Sacolejando um pandeiro
Dançava a dança do coco
Com a mulher e a filha
Jantava farinha e ovo
Depois do café dormia
Pra acordar no outro dia
E começar tudo de novo.








quarta-feira, 8 de julho de 2015

ITAPECURU-MIRIM

        
            Sua trajetória histórica.
                                                  
      SÉRIE CRÔNICAS – ANO II/nº 19/2015

Por: Josemar Lima

A saga de um pedaço do mundo esculpido nas barrancas do Rio Itapecuru e outras histórias...
Neste mês julho celebramos um dos mais importantes fatos históricos no processo de evolução social e administrativa do município de Itapecuru Mirim. No dia 21 de julho de 1870, a Assembleia Legislativa da Província do Maranhão vota e aprova a Lei nº 919, que eleva a Vila de Itapecuru-Mirim, fundada em 27 de novembro de 1817, à categoria de cidade. A Lei foi sancionada pelo vice-presidente da Província, José da Silva Maia.
Na linha de tempo da formação do atual município de Itapecuru Mirim identificam-se, entre outros, dois elementos que estão umbilicalmente associados à formação do seu patrimônio humano, histórico, cultural e ambiental – o Rio Itapecuru e a Estrada de Ferro São Luís Teresina.
Foi às margens do Rio Itapecuru, cujo desenho inicial a natureza começou a esboçar há mais de 300 milhões de anos, que se instalaram os primeiros seres humanos chegados à região e, no nosso caso, os povos posteriormente denominados índios, possivelmente vindos da foz do Rio Amazonas, mas precisamente da região do Arquipélago do Marajó e que aqui foram se organizando em aldeias e ganhando denominações como Guanarés, Tapuias Uritis, Barbados e outros.
Esta fase de ocupação indígena, que remonta há 11 mil anos, ainda existe controvérsias sobre a data exata desse evento, foi uma etapa muito importante na formação de saberes originários da relação direta entre o homem e a natureza. Homem, água, terra e floresta se conhecendo mutuamente e aprendendo, digladiando às vezes e, em muitos outros casos, salvando uns aos outros. As relações com os animais, conhecimentos dos peixes, répteis e mariscos, descobrimentos das plantas medicinais e venenosas e a arte de caminhar seguramente pelas veredas de pedras miúdas.
Depois o grande choque cultural, com a chegada dos homens brancos, inicialmente os jesuítas buscando almas, braços escravos para a agricultura e guerreiros, inicialmente mais braços e guerreiros do que almas, para defesa das causas do colonizador português, formação de patrimônio econômico e suas guerras com franceses e holandeses. Os choques foram inevitáveis entre índios e jesuítas contabilizando-se vários massacres de religiosos aí mesmo nas barracas do rio, mas a morte indiscriminada de índios em batalhas que não eram suas foi desproporcional, levando à extinção várias etnias.
Estavam criadas as condições para o aparecimento das primeiras povoações e elas vieram em decorrência da logística proporcionada pelo Rio Itapecuru. A povoação denominada “Arraial da Feira” foi a primeira delas e tinha seu núcleo ali para as bandas do Cemitério dos Ciganos. Era o lugar preferido para descanso das boiadas e vaqueiros que vinham de outras regiões do estado, do Piauí e até da Bahia, com destino a São Luís. Essa povoação tornou-se importante porque se transformou em um vigoroso entreposto de comercialização de gado bovino e aquisição de víveres e utensílios, uma verdadeira feira que se expandiu rapidamente.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

ANAJATUBA NA GUERRA DA INDEPENDÊNCIA

Por Mauro Rego
            A região maranhense, na Era Colonial, era uma Capitania diretamente ligada à Coroa portuguesa que exercia o Governo através de Capitães-Mores nomeados, dos quais Jerônimo de Albuquerque foi o primeiro. Era, portanto, um novo Estado Colonial, constituído de duas Capitanias Gerais: Maranhão e Grão-Pará. A Capitania do Maranhão era a “cabeça” desse Estado e compreendia, em seu distrito, as capitanias subsidiárias do Ceará, do Itapecuru, do Icatu e do Mearim, todas quatro pertencentes à Coroa. Em determinada época da História, foram as duas Capitanias Gerais reunidas em uma única sob a denominação de Capitania do Maranhão e do Grão Pará, com sede em Belém, mas novamente divididas.
            A situação geográfica do Maranhão que facilitava essa ligação direta com Lisboa, a afastava porém das regiões do Sul e Leste do País, com as quais não mantinha relações estreitas. Os nossos ancestrais eram portugueses na sua quase totalidade e os filhos das famílias mais abastadas eram educados em Portugal, França ou Inglaterra.
            Dessa forma, ligados diretamente a Lisboa, éramos uma região fiel à Coroa e apenas observávamos com certo desinteresse os acontecimentos políticos do Rio de Janeiro que culminaram com a Independência do Brasil. Quando, por exemplo, D. João VI elevou o Brasil à categoria de Reino, houve muita discussão em torno do fato do Maranhão fazer ou não parte da nova Nação, eis que, embora estivesse subordinado ao Governo instalado no Rio de Janeiro, continuava recebendo ordens diretamente de Lisboa.
            Nessa situação, o Maranhão era governado exclusivamente pelos portugueses, o quer fazia crescer um sentimento de hostilidade entre a população que, na época, só elegia para o seu Senado da Câmara os naturais da terra. Mas, enquanto o movimento pela Independência tomava corpo no Rio de Janeiro, no Maranhão, a 19 de agosto de 1821, durante solene missa na Catedral, fazia-se o juramento de observar as bases da Constituição Portuguesa que devolvia a D. João VI o poder totalitário, muito embora no dia 22 de abril do mesmo ano, quatro dias antes de retornar a Portugal, D. João VI tivesse nomeado o príncipe D. Pedro de Alcântara como Regente do Brasil, vaticinando que em breve o país ficaria independente e recomendando ao filho que tomasse a coroa antes que algum aventureiro a tomasse.

MINHA ITAPECURU

Por: Nato Lopes
O teu céu é diferente.
Até a chuva também.
Teu calor e teu frio,
A brisa quem vem do rio,
Fala do amor que tu tens.
Tua gente disponível, não tem horário marcado,
vai comprar a carne boa, peixes até de lagoa,
e verduras no mercado.
Café com leite e cuscuz,
bolo de puba e macaxeira.
Tem maxixe, tem quiabo,
tem frango pra todo lado,
e tem pimenta que cheira.
Um leitãozinho acolá,
vindo lá do Buragir, do Oiteiro e da Santa Rosa,
e a farinha gostosa, igual daqui nunca vi.
Povo bom, hospitaleiro.
A casa de porta aberta.
Tem muitas moças formosas,
elegantes e charmosas,
uma cidade em festa.

Ah! Minha Itapecuru!
Sinto de ti a saudade,
que é fogo, é explosão,
cá dentro do coração,
pois te amo de verdade.