sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

ITAPECURU MIRIM À RESSURGIR

                            

* Flores no Jardim do Palácio - ALL

                                                                                                                                          Jucey Santana

                            O apogeu e a decadência de  Itapecuru Mirim.


            Itapecuru Mirim, cidade que no século XIX conheceu o progresso de forma rápida e progressiva, favorecida por muitas fontes históricas, berço de inúmeros vultos  importantes no cenário nacional, como fidalgos, jornalistas, políticos, escritores, pecuaristas e produtores agrícolas,   ficando entre as três vilas mais importantes do Estado, na primeira metade do século dezenove,  e com uma das mais extensa  área territorial do Estado, com  grande   importância econômica,  esteve entre as  primeiras comarcas criadas no Maranhão (20.4.1835), foi palco de notáveis acontecimentos históricos com abrangência nacional,  entre as quais, a Guerra da Balaiada,  Adesão do Maranhão a Independência do Brasil, a Guerra dos 3 Bês e chegou a ser  a capital provisória do Estado em várias ocasiões,  entre outros acontecimentos notórios....

           Por que então a inexplicável decadência do final do século dezenove e início do século vinte? Chegando à extinção de uma das mais antigas comarcas, (1823), extinta  em 09.05.1923, voltando a condição de Termo Judiciário, da comarca de Coroatá, durante 10 anos.

          - A libertação dos escravos e a Proclamação da República, com mudanças bruscas na economia e nas políticas teriam sido alguns dos fatores? 

       - Poderia ser explicado pelos embates políticos marcados pelo sistema de coronelismos, das influentes famílias detentoras do Poder Municipal, alheias as opiniões públicas, causando grandes migrações para outras localidades?

       - Poderia ter como causa a devastação da população vitimada pela terceira grande epidemia de varíola no início do século XX? (correspondências dos prefeitos no Arquivo Público do Maranhão).

      - Porque então, mesmo com a inauguração do trem de passageiros em 1920, anseio de toda população do Vale do Itapecuru, não surtiu nenhum efeito positivo, para impulsionar o progresso da antiga Vila? 

      - Seriam as grandes enchentes de 1895, 1917 e 1924, que trouxeram calamidades, devastações das lavouras, desabamentos dos casebres aos sobradões, e toda a sorte de prejuízo, pobreza, doenças, mortes pelas epidemias, como malária, gripe espanhola, sarampo, varíola, responsáveis por dizimar grande parte da   população?

    - Teria Itapecuru Mirim, uma caveira de burro, enterrada em seu solo como diziam os antigos moradores, confirmada na edição de 13.02.1920 da Pacotilha?

      - Ou seria ainda, em detrimento da antiga praga que os capuchinhos rogaram à cidade e a sua população (nunca bem explicada), quando bateram as areias de suas sandálias, na Trizidela, desejando a Itapecuru Mirim, um crescimento tão lento, como, “fogo em sola”. (Praga citada em crônica do professor Newton Neves no Jornal, O Combate de  25.3.1953)

     - Como explicar que, segundo o Álbum do Maranhão de 1923, a população de Itapecuru Mirim ficou reduzida em apenas 3.000 habitantes?

      - Como entender que a Segunda República, encontrou Itapecuru Mirim em completa inanição?

- A situação só piorou durante toda ditadura Vargas. Nos anos 30 a cidade teve sete prefeitos (interventores), em decorrência das mudanças constantes dos governadores, que os escolhia entre seus apadrinhados, sem levar em conta as necessidades da população e de toda uma região que outrora dera tanta contribuição ao progresso do Estado.

 São algumas perguntas sem respostas.

Bernardo Thiago de Matos em ação

 

         A partir de 1943, Itapecuru Mirim, a situação começou a clarear.    O interventor do Maranhão, Paulo Ramos, nomeou o engenheiro Bernardo Thiago de Matos, para resolver a situação precária da cidade, depois que este havia realizado excelente administração nas cidades de São José de Ribamar, Morros e São Vicente de Ferrer, que se encontravam em situação precária na época.

             O novo gestor pôs em execução um plano de trabalho com ideias futuristas invejáveis, que surpreendeu a todos, mesmo os mais conservadores. Depois de restabelecer as finanças, atuou em um projeto de urbanização com um planejamento moderno e dinâmico. Criou duas olarias e reconstruiu os casebres dos moradores, cobrindo-os com telhas. Quem não estava trabalhando nas olarias estava nas construções das residências, tendo como resultado ruas bem traçadas, avenidas largas e população satisfeita.

Comprou as terras onde é a atual Praça Gomes de Sousa e a Prefeitura, dos familiares do ex prefeito Zuza Bezerra e iniciou a construção da praça, do prédio da prefeitura, do Grupo Gomes de Sousa, sem esquecer os ilustres filhos da terra, construiu a casa da poetisa, Mariana Luz, criou a Biblioteca Henriques Leal  e homenageou o matemático Itapecuruense, Gomes de Sousa, dando o seu nome a Praça. Deixou Itapecuru Mirim em 1945 depois da deposição de Getúlio Vargas. Não colocando o busto do imortal Gomes de Sousa por falta de tempo para execução, porém deixou contratado o renomado escultor Maro Lima, para a execução do projeto de confecção da estátua. Posteriormente tendo sido inaugurada a praça com o busto em seu pedestal, 1º de janeiro de 1949.

 O operoso gestor, executou um extraordinário trabalho em prol do progresso da cidade, em apenas em 2 anos, que repercute até os dias atuais, tornando município, um dos   maiores, polos ceramista do Maranhão. 

 Bernardo Thiago, ficou como interventor até sua exoneração, com a renúncia de Getúlio Vargas, em 1945.

                      Mauro Lima autor do busto de Gomes de Sousa.

É necessário conhecer um pouco o renomado artista, contratado para execução do busto de Gomes de Sousa. O escultor Mauro Lima que nasceu em 1906 era o favorito dos governadores e prefeitos do Maranhão desde muito jovem.

Deixou inúmeros trabalhos em esculturas de grandes personalidades, como de Sousândrade para a Academia Maranhense de Letras, Raimundo Correa para a Praça de Cururupu,  Humberto de Campos para   Miritiba (atual Humberto de Campos), João Pessoa para a prefeitura de Coroatá, do industrial Cândido Ribeiro,  dos políticos Herculano Parga, Valle Sobrinho e muitos  vultos maranhenses foram esculpidos por ele.

Nos anos 30, Mauro Lima foi contratado pela prefeitura de Itapecuru Mirim para levantar a cartografia do município e de Vargem Grande (esta,  na época havia  perdido sua autonomia e incorporado a Itapecuru Mirim). 

Na ocasião morou uma temporada em Itapecuru Mirim, fazendo o levantamento topográfico para produção dos mapas da região.

Em 1948 foi contemplado pelo governador do Estado, com uma bolsa de estudos para especialização em escultura no Rio de Janeiro. Ele não teve tempo de viajar porque faleceu em 3 de julho de 1949 aos 42 anos.

                                               A odisseia de um busto

 

 

Em junho de 1948, o gestor Miguel Fiquene contratou o escultor Mauro Lima, para confeccionar o busco de bronze de Gomes de Sousa, para ser colocado por ocasião da inauguração da praça. Este foi seu último trabalho.

Em 1º de janeiro de 1949 foi inaugurada a Praça Gomes de Sousa e seu busto foi colocado no pedestal em meio a grande festa na presença da população e autoridades.

Por ocasião da reforma da Praça, (2012) o busto desapareceu. Foi feita uma varredura nos lixões em 2013 na tentativa de recuperar o busto, sem êxito.

Em 2017, o empresário Mauro Fecury, admirador do cientista Souzinha, contratou o conhecido escultor Eduardo Sereno, para confeccionar um novo busto e doou aos itapecuruenses, recebendo os merecidos agradecimentos. 

      *Do livro, Flores no Jardim do Palácio, Antologia da Academia Ludovicense de Letras, (2025), organizada por Michel Herbert Alves Florencio.

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