Tributo ao professor
*Sara Cavalcante
Dizem que para ser professor é preciso uma faculdade, diplomas na parede e muitos planejamentos organizados sobre a mesa. Tudo isso é importante, é verdade. Mas a essência do ser professor não nasce ali.
O ser professor nasce no silêncio da sala de aula.
Nasce naquele momento em que um aluno levanta os olhos, meio aflito, e diz quase sem voz: “Professor, não consigo”. E naquele instante o professor entende que ensinar não é apenas repetir conteúdos, mas encontrar caminhos para que aquele estudante descubra que consegue, sim.
Ser professor também se aprende na timidez de uma apresentação de trabalho, quando a voz do aluno treme e as mãos suam. O professor percebe que, mais do que corrigir palavras, precisa encorajar sonhos.
Aprende-se, ainda, nos momentos difíceis, quando se presencia injustiças, desigualdades e pequenas violações de direitos dentro ou fora da escola. Muitas vezes, vindas até de colegas que acreditam ser maiores por possuírem um pouco mais. Nessas horas, o professor entende que sua missão também é ensinar respeito, dignidade e humanidade.
Ser professor não é apenas ministrar uma aula ou explicar um conteúdo.
Ser professor é abrir portas que muitos alunos nem sabiam que existiam. É apontar caminhos para sonhos que ainda não foram sonhados. É acreditar, mesmo quando o estudante duvida de si mesmo, que a educação pode transformar destinos.
E talvez seja exatamente aí que mora a verdadeira lição: enquanto ensina, o professor também aprende, todos os dias, o verdadeiro significado de educar.
. *Sara Coelho de Sousa Cavalcante, professora, poeta, cronista, natural de Nina Rodrigues (MA). Membro fundador da Academia Ninense de Letras e Artes - ANLA

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