As Rampas
Jucey Santana
As rampas dos portos do rio Itapecuru tiveram grande importância, durante séculos, por garantir a acessibilidade de passageiros e cargas nos barcos à vapor que transitavam, soberanos nas estradas fluviais.
Em 1891, na gestão de Honorato Antônio Rodrigues, foi regulamentado o Código de Posturas do Município de Itapecuru Mirim, para disciplinar as regras de conduta dos habitantes, como pagamento de impostos, limpezas das ruas e calçadas, criação de bovinos, suínos, caprinos, ovinos, equinos, aves e outros.
O art. 16 do Código, regularizava as rampas, criando quatro Passagens Públicas neste rio Itapecuru, sendo duas nesta cidade, nos portos denominadas: Rampa da Manga e Rampa do Cobra, uma no Guaracy, no Porto da Laranjeira, e a quarta na Matta, no Porto de Caximbos.
As rampas eram administradas por um arrendatário (arrematação), que ficavam com a responsabilidade da manutenção e administração, de cada porto e deveriam estar a serviço das 5 horas da manhã às 9 horas da noite e refazer o contrato anual, no mês de janeiro.
A partir da inauguração da estrada de ferro em 1920, prestando relevantes serviços aos passageiros e ao escoamento da produção agrícola, houve uma integração entre o transporte ferroviário e o fluvial, durante algum tempo. O prefeito José Carlos Bezerra (1922-1925), providenciou um depósito/garagem para a guarda das cargas, do lado esquerdo do rio de acordo com sua promessa de campanha e construiu um bonde de tração animal, (burros), com sobras dos trilhos da estrada de ferro, para transporte de passageiros e de cargas, da garagem até a estação ferroviária. Mesmo com os transtornos ocasionados com a grande cheia de 1924, os danos foram reparados e entregues à população. O bondinho funcionou até o início dos anos 30.
A partir dos anos 30 a manutenção das rampas ficou a cargo dos prefeitos. Antes eram de responsabilidade dos arrendatários e dos empresários proprietários das companhias de vapores.
Com a preferência cada vez maior pelo transporte ferroviário, pela comodidade, pontualidade e conforto em detrimento do transporte fluvial, que durante as grandes secas ou as cheiras periódicas, ficavam muitas vezes parados ou necessitando de manutenção contínuas, as rampas foram gradativamente perdendo a sua importância.
Do livro, Sinopse da História de Itapecuru Mirim (2028), de autoria de Jucey Santana
Queria ver as fotos das rampas.
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