*Patrícia Bacellar Braga.
Quase me vou, mas me volto...
Há um tanto de mim que passeia
Vai e vem, balanceio
Anseio de nunca partir.
Amanhã me vejo inteira?
Se houver a manhã clara e sã
De inteiro me desejo e ensejo.
Um não.
Um sim, ai de mim que ainda me quero!
Um querer assim quase etéreo.
Uma nuvem que passa e fica.
Uma brisa que brinca comigo.
Uma força, um galanteio,
Um sentir meu e alheio,
Duelo de solidão.
Quase me vou, mas me volto
Me dou um pouco de mim
Ao vento que sopra brejeiro
Ao teu querer que me quer
A toda saudade que arde
A tarde que sem fazer alarde
Sussurra de fato quem sou.
Amanhã me vejo inteira?
Se houver amanhã eu me vou
Me levo uma parte contigo
Montada em galope ligeiro
Nos campos que guardo e cultivo
No verde que o olhar abriga
A descobrir onde estou.
Quase me vou, mas me volto
Há um tanto de mim revelado
Outro tanto é apenas silêncio.
Se houver amanhã eu te dou
Este vasto sentir que carrego
E já não aguento comigo
Se não chamo: Te preciso
Se houver amanhã vem comigo
Se houver amanhã eu me vou..."
"Se houver amanhã "
Setembro 2018.
*Patrícia Maria Furtado Bacelar Couto Braga, poeta, natural de Brejo (MA), membro efetivo da Academia Ninense de Letras e Artes – ANLA, ocupante da cadeira número 10 patroneada por Hildenora Galvão Castelo Branco;
