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quarta-feira, 7 de outubro de 2015

O RIO ITAPECURU


Por: Tiago Oliveira
            Com uma bacia hidrográfica de aproximadamente 54.970 km² e uma extensão de mais de 1.000 km de comprimento, o Rio Itapecuru é o maior em extensão do Maranhão e o terceiro maior do Nordeste, atrás apenas do São Francisco e Parnaíba, sua nascente está localizada na região Sul do Maranhão no município de Mirador (dentro do Parque Estadual de mesmo nome, que foi criado pelo Decreto Governamental nº 7.641, de 4 junho de 1980 no Governo de João Castelo, cuja área aproximada é de 500 mil hectares) num conjunto de serras formado pela Crueira, Itapecuru e Alpercatas numa elevação, que fica a aproximadamente 530m de altitude, já sua foz está localizada na região Norte, no Município de Rosário, onde as águas são lançadas na Baia do Arraial ou São José a sudeste da Ilha de São Luís, por dois braços denominados Tucha e Mojó, vale salutar que apesar de tanta agressão o Itapecuru ainda continua perene. Inicialmente seu curso segue a direção Oeste-Leste, após uns 50 km de curso segue na direção da confluência com o Alpercatas no Município de Colinas. Após receber as águas do Alpercatas segue no sentido Nordeste, mantendo este sentido, até a Foz do Correntes, a partir deste lugar, muda o curso para o noroeste, vagueando até Caxias, quando vai manter a direção Sul - Norte até a sua foz.
A sua bacia como acontece com todos os grandes rios recebe vários cursos d’água, sobre este assunto ao contrário de apenas citar nome, trarei algumas informações sobre estes afluentes retiradas do MAPA POLÍTICO DO ESTADO DO MARANHÃO (IBGE, JAN. 2010):             
Rio Alpercatas nasce no Município de Formosa da Serra Negra, atravessa os Municípios de Mirador, Fernando Falcão e desagua no de Colinas, no lado esquerdo do Itapecuru, após percorrer aproximadamente 200 km de extensão; sendo este o maior afluente do Itapecuru e por ser perene e o que contribui com o maior volume de água.
Rio Corrente nasce no Município de Lagoa do Mato passando por Buriti Bravo onde desagua na margem direita do Itapecuru, após percorrer aproximadamente 75 km de extensão, continua perene.
Rio Itapecuruzinho nasce no Município de Parnarama passando por Matões, desaguando em Caxias onde desagua na margem direita do Itapecuru, após percorrer aproximadamente 93 km de extensão, continua perene.
Rio Pirapemas nasce no Município de Timbiras e atravessa este último e Pirapemas onde deságua no lado direito do Itapecuru, após percorrer aproximadamente 95 km de extensão, dependendo da estiagem fica apenas com grandes pulsões de água.
Rio Codozinho nasce no Município de Governador Acher e atravessa o município de Codó onde deságua no lado esquerdo do Itapecuru, após percorrer aproximadamente 80 km de extensão.
Rio Gameleira nasce no Município de Caxias atravessa o de Aldeias Altas, onde desagua do lado direito do Itapecuru, após percorrer aproximadamente 80 km, pode ficar seco durante a estiagem.
Rio Peritoró nasce no Município de Capinzal do Norte e atravessa os municípios de: Peritoró, Alto Alegre do Maranhão, Coroatá e Pirapemas onde desagua no lado esquerdo do Itapecuru, após percorrer aproximadamente 120 km de extensão, foi perene até a década de 70 do século XX.
Igarapé do Ipiranga nasce no povoado Santa Rita, no Município de Itapecuru-Mirim, desagua na margem direita do Itapecuru, após percorrer aproximadamente 30 km.
Igarapé Itapecuruzinho nasce nas proximidades do Povoado São Sebastião em Itapecuru – Mirim e desagua na margem direita do Itapecuru, nas proximidades do Povoado Barriguda no mesmo município, após percorrer algo em torno de 16 km.
Igarapé Jundiaí nasce no Município de
Igarapé Caremas nasce nos limites do Município de Anajatuba com Santa Rita desaguando neste último na margem esquerda do Itapecuru, após percorrer mais de 30 km.
Igarapé Nambucuim nasce no Município de Santa Rita nas proximidades do Povoado São Miguel, após percorrer mais de 20 km desagua neste mesmo Município na margem direita do Itapecuru. 
Igarapé Riachão nasce nas proximidades do Povoado Cajueiro no Município de Itapecuru Mirim e após percorrer mais de 20 km desagua na margem direita do Itapecuru.
Todos estes rios e igarapés citados já foram muito ricos em peixes e suas matas abrigavam grande variedade de vida, além de funcionarem como um grande sistema de capitação de água para o rio, porém se encontram tão ameaçado quanto o mesmo; pois enfrenta os mesmos problemas; estes cursos d’água tinham a função de irrigar o rio continuamente e com a morte destes o rio já não consegue mais manter o seu volume de água, por isso para salvar o Itapecuru deve-se salvar também os seus afluentes.
Ainda sobre a geografia do rio um dos entraves é que o Itapecuru por ser um rio de planalto, ou seja, com paredões (barreiras) elevados, este não possui muitos lagos e lagoas como os rios Mearim, Grajaú e Pindaré e os que existem estão geralmente ligados às nascentes dos igarapés e a córregos bem próximos do seu leito; essas barreiras no baixo Itapecuru entre Itapecuru-Mirim e Rosário encontram-se algumas que podem chegar a 50 m de altitude, como ocorre no Povoado Kelru e Barreiras. Tal característica foi desenhada nos primórdios da bacia do Itapecuru, que começou a ser formada a milhões de anos; veja esta matéria publicada no Jornal de Itapecuru, 02 de dezembro de 1990. A citação que vem abaixo além de trazer preciosas informações sobre a formação geológica do rio, ainda serve de parâmetro para uma possível utilização pela ciência e exploração do ecoturismo.
[...] Durante as escavações de fósseis às margens do Itapecuru, uma das coisas que mais surpreendeu os pesquisadores do Museu Nacional foi às rochas encontradas do período Cretáceo, que foram formadas entre 65 e 100 milhões de anos; sugerindo que toda a extensão do rio é rica em fósseis. As pesquisas foram lideradas pelo professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Cândido Simões Ferreira. Já o fóssil do Amazonasaurus maranhenses, que quando vivo media cerca de 10 metros e pesava aproximadamente 10 toneladas foi encontrado no Povoado

O texto sugere o perídio de formação do rio, que é algo em torno de 100 milhões de anos e ao mesmo tempo traz uma reflexão. De todas as espécies que já margearam o mesmo, apenas o homem branco em menos de quatrocentos anos de continua exploração já o comprometeu ao ponto, do mesmo já estar quase morto em vida aquática, perdeu quase que a totalidade de suas matas, reduziu o volume d’água, além de estar ficando insalubre.

Outra informação que trago alume neste trabalho são os relatos de Raymundo Gayoso, argentino, que fora degradado para a cidade de Rosário – MA. Veja como ele descreveu o Itapecuru, no seu livro Princípios da Lavoura do Maranhão, Pág. 98 – 1843. - GRAFIA DA ÉPOCA.

Hum dos principais rios da terra firme he o chamado Itapecurú. A sua boca principia, segundo algumas opiniones, onde se achão as ruinas da antiga fortaleza do Calvario, ou Vera Cruz, de que já falei, e foi edificadda no anno de 1620, para repelir os ataques do gentio que vinha embaraçar as plantações de cana estabelecidas pelas vizinhanças da boca do rio. Pertendem outros que a boca delle he mais para baixo da dita fortaleza, logo passada huma pequena bahia chamada Caldeireiro, vindo da cidade. Esta diversidade de opniniones dêo motivo a alguns conflitos entre varios sismeiros [...].
           Outro ponto de grande relevância a ser abordado é a largura do mesmo, que no seu alto curso possui poucos metros de largura, em média 10 a 30m e profundidade da ordem de 1,5m, em média, contudo em Mato Grosso essa largura é de apenas 5m, já entre Feira da Várzea e Mirador chega a 25m de largura. Após, receber as águas do rio Alpercatas; a largura chega a aproximadamente 45m. Neste ponto do rio, a profundidade máxima é de 2,60m medidos na cidade de Colinas: Veja o que diz: César Marques em seu Dicionário Histórico e Geográfico da Provincia do Maranhão, p. 342. 1870 - São Luís. Tipografia Frias:Lagura do Rio: seria de 20 a 25 passos da sua nascente até a sua confluência com o Rio Alpercatas, de 70 a 100 passos deste último até a Vila do Itapecuru e de 100 a 300 passos desta Vila até a sua foz.
Ao lado imagem (google.maps) do Parque Estadual do Mirador, na nascente do Itapecuru, que está sendo cercada por grandes plantações de soja, que serão transformadas em rações para porcos, gados e aves na Europa, Ásia e América do Norte e isto ocorre sem o mínimo de planejamento necessário para se manter a nascente do mesmo preservada, aliás só aumenta a especulação sobre estas terras. Localizadas entre os municípios de Mirador, São Raimundo das Mangabeiras e Formosa da Serra Negra. 
O texto faz parte do livro inédito “Caminhos do Itapecuru” de autoria do professor Tiago Oliveira   
 

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